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Trump ataca Kharg, a joia da coroa iraniana, e aposta no tudo ou nada

O presidente Donald Trump acaba de informar um ataque que pode escalar dramaticamente a guerra no Irã. Ao atingir a ilha de Kharg, principal ponto de escoamento do petróleo iraniano, os Estados Unidos enviam a mensagem de que já não reconhecem limites claros para sua ação militar no conflito. A tendência é que o Irã […]

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Terminal de petróleo na Ilha de Kharg, Irã, visto por satélite
Imagem de satélite mostra terminal de petróleo na Ilha de Kharg, Irã, 25 de fevereiro de 2026. 2026 Planet Labs

O presidente Donald Trump acaba de informar um ataque que pode escalar dramaticamente a guerra no Irã. Ao atingir a ilha de Kharg, principal ponto de escoamento do petróleo iraniano, os Estados Unidos enviam a mensagem de que já não reconhecem limites claros para sua ação militar no conflito. A tendência é que o Irã responda ampliando ataques contra refinarias, terminais e outras infraestruturas energéticas da região, o que pode empurrar os preços do petróleo para patamares ainda mais altos nos próximos dias. Fica cada vez mais evidente que Donald Trump perdeu o controle da escalada e empurra a guerra para uma dimensão cada vez mais perigosa.

Os Estados Unidos atacaram nesta sexta-feira alvos militares na ilha iraniana de Kharg, principal polo de exportação de petróleo do país. O presidente Donald Trump afirmou que a operação destruiu objetivos militares, mas preservou a infraestrutura petrolífera da ilha.

Kharg responde por cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã. Ao comentar a ação, Trump ameaçou rever a decisão de poupar a estrutura energética caso o Irã continue interferindo na navegação no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa uma parcela decisiva do petróleo comercializado no mundo.

A ofensiva ocorre em meio à forte instabilidade nos mercados internacionais de energia. Desde o início da guerra, o temor de interrupções mais amplas no fornecimento já provocou oscilações intensas nos preços do barril. Analistas acompanham agora o risco de danos à rede de oleodutos, terminais e tanques de armazenamento da ilha, o que poderia agravar ainda mais a crise de abastecimento.

Mesmo sob ataque, o Irã vinha mantendo embarques de petróleo a partir de Kharg. Imagens de satélite mostraram superpetroleiros carregando na ilha nos últimos dias. Entre o fim de fevereiro e esta semana, as exportações iranianas oscilaram entre 1,1 milhão e 1,5 milhão de barris por dia.

O novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, prometeu manter fechado o Estreito de Ormuz e ameaçou países vizinhos que abriguem bases americanas. Em resposta, Trump afirmou que a Marinha dos EUA deve iniciar em breve a escolta de petroleiros na região.

Potências europeias também discutem formas de proteger o tráfego marítimo no Golfo. A França abriu consultas com países europeus, asiáticos e árabes para estudar uma operação de escolta naval.

Ao mesmo tempo, Washington autorizou por 30 dias a compra de petróleo russo já embarcado, numa tentativa de aliviar a pressão sobre a oferta global. A medida gerou críticas de governos europeus e da Ucrânia, que veem na decisão um alívio indireto para o esforço de guerra de Moscou.

A guerra já deixou cerca de 2 mil mortos, a maioria no Irã, além de ampliar o número de deslocados em vários países do Oriente Médio. Israel intensificou bombardeios no Irã e no Líbano, enquanto os Estados Unidos anunciaram o envio de novos reforços militares para a região, incluindo o USS Tripoli e cerca de 2.500 fuzileiros navais.

Com informações da Reuters.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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