O Palácio do Planalto intensificou as negociações para assegurar a aprovação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas a contagem de votos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado permanece incerta. Segundo levantamento de agências internacionais, o advogado-geral da União já soma dez declarações públicas de apoio entre parlamentares da base aliada, incluindo setores do MDB e do PSD, mas ainda faltam quatro votos para atingir os 14 necessários na comissão.
A estratégia do governo mudou desde novembro de 2025, quando Messias contava com apenas três apoios explícitos e quatro votos contrários. Na época, o Planalto adiou o envio formal da mensagem presidencial ao Senado para evitar um confronto direto com a resistência liderada pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre, e pela cúpula do Legislativo, que defendiam o nome de Rodrigo Pacheco para a vaga.
A relação entre o governo e Alcolumbre se deteriorou nos últimos meses, impactando o ritmo das articulações. Atualmente, Messias enfrenta seis votos contrários declarados e outros 11 senadores que se mantêm em silêncio, grupo no qual o Planalto deposita suas últimas esperanças. Entre os indecisos estão Vanderlan Cardoso, Veneziano Vital do Rêgo, Sergio Moro e o próprio Pacheco, cuja posição ainda não foi divulgada.
A oposição já consolidou sua rejeição ao nome de Messias. Senadores do PL, Novo e Republicanos anunciaram voto contrário, com destaque para Rogério Marinho (PL-RN), que afirmou que questionará publicamente a capacidade do indicado durante a sabatina. ‘Vou votar contra. Não voto no Messias. Publicamente vou questioná-lo, na sabatina, e dizer todos os motivos que o impossibilitam de assumir o STF’, declarou Marinho.
Hamilton Mourão (Republicanos-RS) também criticou a indicação, alegando que Messias ‘não tem notório saber’, requisito constitucional para o cargo. A resistência da oposição se soma à pressão de setores do próprio campo governista, que ainda não se convenceram da escolha de Lula.
Entre os aliados, Messias conta com o apoio de figuras como Eduardo Braga (MDB-AM), Renan Calheiros (MDB-AL), Jader Barbalho (MDB-PA) e Ciro Nogueira (PP-PI). Nogueira destacou a trajetória do indicado e afirmou que votará favoravelmente. ‘Conheço Messias há muito tempo. Ele está habilitado. Gostaria que fosse Bolsonaro indicando os ministros, mas o povo deu esse direito a Lula. Vou votar favoravelmente porque acho capacitado e de bem’, disse o senador.
A expectativa do governo é reduzir as resistências até a sabatina, prevista para ocorrer nas próximas semanas. A pressão sobre os indecisos aumenta, especialmente sobre aqueles que ainda demonstram desconforto com a escolha de Lula e sofrem influência de Alcolumbre. O Planalto aposta em um jogo de paciência, utilizando o prazo até a votação para tentar reverter o quadro atual.


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