A Polícia Federal enviou ao Ministério da Justiça e Segurança Pública documento no qual refuta a proposta dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
O texto assinado pelo diretor-geral Andrei Rodrigues sustenta que o enquadramento sugerido não encontra respaldo no ordenamento jurídico brasileiro. Conforme detalhou o portal Metrópoles, o governo norte-americano manifestou intenção de incluir as facções brasileiras em lista de grupos terroristas.
A PF argumenta que o conceito de terrorismo exige motivações políticas, ideológicas, religiosas ou discriminatórias para gerar terror social generalizado e coagir governos. Esses elementos estão ausentes nas ações do PCC e do CV, que funcionam como estruturas voltadas à obtenção de lucro por meio de tráfico de drogas, armas e pessoas.
Embora reconheça o alto grau de organização e violência desses grupos, a corporação destaca que suas ações violentas são direcionadas a alvos específicos, como rivais ou forças policiais, e não à população em geral. O documento não minimiza o perigo representado pelas facções.
Ele reconhece que o PCC e o CV representam risco severo à ordem pública e à segurança institucional, exigindo resposta contínua, integrada e especializada do Estado brasileiro. Aplicar a Lei Antiterrorismo fora das hipóteses legais poderia violar o princípio da legalidade penal e comprometer investigações em curso.
Qualquer mudança na classificação jurídica das facções exigiria alteração formal da legislação. Atualmente elas são enquadradas na Lei de Organizações Criminosas — Lei nº 12.850 de 2013 —, o que impõe limite legal claro.
Uma reclassificação indevida poderia gerar nulidades processuais e fragilizar provas obtidas em operações policiais. O texto descreve o nível de sofisticação das facções, que operam com estrutura hierarquizada, uso de empresas de fachada e movimentações financeiras complexas, inclusive com criptomoedas.
Parte das lideranças exerce comando a partir do sistema prisional, o que reforça o desafio de enfrentamento ao crime organizado. Na área operacional, a PF cita as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado, conhecidas como Ficco, como exemplo de coordenação eficaz entre órgãos federais e estaduais.
Essas operações resultaram em cerca de 180 ações deflagradas, 1,6 mil mandados de busca e apreensão, 700 prisões e mais de R$ 300 milhões em bens apreendidos. Os números demonstram o avanço da repressão estruturada ao crime organizado sem necessidade de recorrer à tipificação de terrorismo.
A PF ressalta que, apesar da divergência conceitual, o Brasil mantém cooperação histórica e consolidada com as agências policiais dos EUA. Essa parceria continuará dentro dos marcos legais e do respeito à soberania nacional, sem que isso implique adoção automática de critérios estrangeiros para definir o que é terrorismo em território brasileiro.
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Rick Ancap
18/04/2026
Mais um exemplo de como o Estado adora proteger seus próprios interesses. Se fosse uma empresa privada envolvida, já teriam metido o rótulo de terrorismo sem pensar duas vezes. Mas como é coisa que mexe com a máquina pública, preferem fingir que está tudo sob controle. É por isso que eu não confio em nada que vem de governo.
Maura Santos
18/04/2026
Rick, curioso você falar de “máquina pública” como se o apagão de 2001 tivesse sido culpa de servidor concursado e não da privatização desenfreada do setor elétrico. Quando o lucro manda, o caos é que obedece.
Augusto Silva
18/04/2026
A PF fez o certo. Rotular facções criminosas como “terroristas” só serviria pra abrir brecha pra ingerência estrangeira e criminalizar movimentos sociais legítimos. O combate ao crime precisa de inteligência e soberania, não de copiar o manual de paranoia dos EUA.
Evelyn Olavo
18/04/2026
Interessante ver a PF mantendo uma posição independente, sem simplesmente seguir o rótulo imposto pelos EUA. Mas também espero que isso não signifique passar pano para o crime organizado — o foco precisa continuar sendo o combate efetivo, sem politicagem.
Clarice Historiadora
18/04/2026
Concordo contigo, Evelyn — independência institucional não é sinônimo de conivência. O problema é que muita gente confunde soberania com submissão ideológica, e aí o debate degringola antes mesmo de começar.
Mariana Ambiental
18/04/2026
Faz bem a PF em não comprar o enquadramento que os EUA querem empurrar. A gente sabe como esse tipo de rótulo vira desculpa pra intervenção e repressão seletiva. O problema da violência aqui é social e político, não é copiando a “guerra ao terror” deles que vai se resolver.
Jeferson da Silva
18/04/2026
Os gringos acham que podem mandar até no que a PF deve chamar de terrorismo. Aqui a realidade é outra: o problema do crime nasce da desigualdade, do desemprego e da falta de oportunidade que o povo sofre. Enquanto isso, tem político que desmonta direito trabalhista e posa de herói. Hipocrisia pura.
Rubens O Pescador
18/04/2026
Esses gringos acham que mandam até na nossa polícia agora? Aqui não, sô! O Brasil tem que resolver seus problemas do jeito certo, com inteligência e sem fazer papel de colônia. Antes, no tempo do Lula, o povo comia, estudava e o crime não mandava tanto — agora é só confusão e palpite de fora.
Lurdinha Deus Acima de Todos
18/04/2026
Ah meu Deus do céu 😱🇧🇷 isso aí é o fim dos tempos, viu! Como é que pode rejeitar o que vem dos 🇺🇸 e ainda dizer que não é terrorismo?? 🙏 Que Deus tenha misericórdia desse país, porque as igrejas vão ser as próximas a fechar, pode anotar!
Zizi
18/04/2026
Ô, Lurdinha, minha filha, calma o coração. O Brasil não é quintal dos Estados Unidos, e terrorismo não se define por vontade de pastor nem de político — é coisa séria, estudada e tipificada em lei. Vamos ler um pouquinho antes de sair profetizando o apocalipse, tá?
Pedro
18/04/2026
Enquanto isso, a gente aqui quebrando a cabeça pra pagar gasolina e IPVA, e os caras discutindo rótulo pra facção. Na rua, o medo é o mesmo, chamem do nome que quiserem. Queria ver essa agilidade toda pra resolver o preço do combustível também.
Celio Fazendeiro
18/04/2026
Mais uma vez o Brasil mostrando fraqueza diante dos bandidos. Se fosse o agronegócio, já tinha meia dúzia de ONG gritando “terrorismo ambiental”. Mas quando é facção criminosa, aí o pessoal passa pano. Vergonha total dessa inversão de valores!
Renato Professor
18/04/2026
Celio, essa comparação entre facção criminosa e agronegócio é um salto lógico digno de ginasta olímpico. Terrorismo tem definição jurídica e geopolítica, não é rótulo de conveniência — e a PF, por sorte, ainda trabalha com critérios técnicos, não com manchetes de WhatsApp.