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Forças russas assumem controle de Novodmitrovka na República Popular de Donetsk

44 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Forças russas assumem controle de Novodmitrovka na República Popular de Donetsk. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) As Forças Armadas da Rússia assumiram o controle da localidade de Novodmitrovka, situada na República Popular de Donetsk, conforme comunicado oficial do Ministério da Defesa russo. A operação foi conduzida pelo Grupo de Batalha […]

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Ilustração editorial sobre Forças russas assumem controle de Novodmitrovka na República Popular de Donetsk. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

As Forças Armadas da Rússia assumiram o controle da localidade de Novodmitrovka, situada na República Popular de Donetsk, conforme comunicado oficial do Ministério da Defesa russo.

A operação foi conduzida pelo Grupo de Batalha Yug, que executou ações decisivas para a tomada do assentamento. A tomada de Novodmitrovka integra uma série de movimentos recentes das forças russas na região.

Segundo o Sputnik, as forças russas também capturaram Ilyichovka, igualmente na República Popular de Donetsk, e Taratutino, na região de Sumy. O avanço consolida uma pressão crescente sobre as linhas de defesa ucranianas no leste do país.

O comunicado do Ministério da Defesa detalhou perdas ucranianas significativas em diferentes frentes nas últimas 24 horas. Contra o Grupo de Batalha Vostok, as baixas ultrapassaram 295 militares, com a destruição adicional de um veículo blindado de combate, quatro veículos leves, um sistema de artilharia autopropulsada Paladin e um depósito de suprimentos.

O Grupo de Batalha Sever eliminou mais de 170 soldados inimigos, enquanto o Grupo de Batalha Tsentr registrou a neutralização de 275 militares adversários no mesmo período. As perdas ucranianas se repetiram em outras áreas de operação com números igualmente expressivos.

No front comandado pelo Grupo de Batalha Zapad, as baixas ucranianas superaram 170 combatentes. O próprio Grupo de Batalha Yug contabilizou mais de 170 baixas inimigas, ao passo que o Grupo de Batalha Dnepr neutralizou até 40 militares ucranianos — totalizando um saldo superior a 1.120 baixas em todas as frentes em apenas um dia de operações.

Além das perdas em terra, as Forças Armadas russas destruíram seis embarcações não tripuladas ucranianas na região noroeste do Mar Negro. A ação demonstra que o conflito se estende além das linhas terrestres, abrangendo disputas estratégicas em rotas marítimas de relevância regional.

A República Popular de Donetsk, reconhecida pela Rússia como território soberano após os referendos de setembro de 2022, tem sido palco de combates intensos desde 2014. A região, rica em recursos minerais e com forte base industrial, tornou-se um dos eixos centrais da operação militar especial russa, iniciada em fevereiro de 2022.

A localidade de Novodmitrovka possui relevância logística para o controle de rotas de abastecimento na área central de Donetsk. O avanço russo em múltiplas frentes simultâneas indica uma estratégia de desgaste coordenado, que busca fragmentar a capacidade de resposta ucraniana antes de qualquer negociação política.


Leia também: Rússia vai pra cima do setor industrial militar da Ucrânia e causa danos irreversíveis a Kiev


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Comentários

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Cecília Ramos

29/04/2026

Jesus nunca mandou fazer coro com tanque de guerra. Defender a vida e a família passa por garantir pão e dignidade, não por demonizar quem critica a brutalidade das armas. Enquanto uns brigam por território, os pobres do mundo todo são os primeiros a cair.

João Batista

29/04/2026

O Paulo Rocha disse tudo. Enquanto a esquerda lacra em defesa da Ucrânia, aqui no Brasil avançam contra a vida e a família — aborto, doutrinação de gênero, perseguição aos cristãos. “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gálatas 6:7).

    Maura Santos

    29/04/2026

    Então quer dizer que vocês defendem a “vida e a família” mas foi só no governo de vocês que rolou um apagão histórico, com a conta de luz nas alturas e o gás de cozinha virando item de colecionador. Família que reza unida no escuro também é projeto, né?

Alice T.

29/04/2026

A Evelyn jogando mapa astral pra justificar invasão é o puro suco da alienação liberal. Enquanto isso, os bilionários do Ocidente e da Rússia brindam com champanhe, e a gente discutindo signo. Acorda, miga, guerra é commodity.

Paulo Rocha

29/04/2026

Olha só a esquerda progressista chorando por Donetsk enquanto aqui no Brasil entregam nossas riquezas pro socialismo bolivariano. Sempre a mesma ladainha: se preocupam com tudo lá fora e esquecem que brasileiro tá sendo esmagado por esse governo que vocês tanto aplaudiram fazendo o L. Vai pra Cuba defender território alheio, que eu fico aqui defendendo o meu país.

    Luizinho 16

    29/04/2026

    Vai lá defender teu país com cotação do dólar e fé no Paulo Guedes, patriota de iPhone.

Ana Karine Xavante

29/04/2026

Ler esse comunicado do Ministério da Defesa russo me provoca um incômodo que vai muito além da tragédia imediata de uma vila mudar de mãos em Donetsk. A linguagem é sempre a mesma: “assumir controle”, “localidade situada em”, como se houvesse uma racionalidade técnica pairando sobre escombros e corpos. Cresci ouvindo narrativas muito parecidas no Mato Grosso – era o mesmo tom burocrático nos relatórios que diziam que as terras indígenas haviam sido “liberadas” ou “incorporadas” ao agronegócio. Para nós, povos originários, a terra não é um recurso que se controla; é um corpo que se habita e que habita a gente. Essa lógica territorial colonial, que reduz a terra a um ativo estratégico, é a matriz que alimenta tanto as guerras na Ucrânia quanto o avanço do garimpo e do desmatamento em nossos biomas. Quem celebra “avanços” russos ou ucranianos sem denunciar o substrato colonial dessa gramática está apenas trocando a cor da bandeira que fincam sobre o sangue.

A colega que mencionou metais pesados e solo estéril acertou na ferida exposta, mas o buraco é ainda mais fundo. O que está em curso na Ucrânia é um crime ecocida em tempo real, e dói constatar que a esquerda majoritária trata isso como mero efeito colateral de uma disputa anti-imperialista – como se a geopolítica pudesse ser separada da ecologia, como se a terra fosse um tapete inerte onde a história “de verdade” acontece. Cada tanque que avança sobre o chernozem, aquele solo negro sagrado da região, não está apenas matando gente; está assassinando microbiomas, envenenando lençóis freáticos, silenciando ciclos de vida que sustentam ecossistemas transfronteiriços. Da mesma forma que os incêndios criminosos no Pantanal não são fenômenos “naturais” nem meros “danos ambientais”, mas sim a expressão biocida da ganância colonial, os rastros tóxicos dessa guerra vão reverberar por gerações que sequer nasceram. Como mulher indígena, cuidadora de sementes e defensora da agroecologia, me recuso a participar de um debate de esquerda que normalize a guerra como ferramenta política aceitável. Nenhuma emancipação verdadeira brotará de trincheiras contaminadas.

Há uma angústia que atravessa vários comentários aqui – uma sensação de impotência, orações que escapam entre os dedos – e eu a reconheço profundamente. Mas a prece não pode ser a nossa única resposta organizada. Enquanto a máquina de guerra tritura corpos e territórios do outro lado do mundo, as mesmas corporações que lucram com o conflito estão grilando nossas terras ancestrais, queimando nossas florestas, impondo a pecuária extensiva sobre territórios sagrados. Existe uma única engrenagem conectando a tragédia de Novodmitrovka ao genocídio indígena no Brasil: o colonialismo estrutural. Ele opera com a mesma lógica, seja por meio de mísseis, seja por meio de caneta de cartório. Nós, povos da terra, entendemos que um rio envenenado na Ucrânia e um rio assoreado pelo garimpo no Xingu são expressões da mesma guerra contra a vida. A solidariedade internacionalista que precisamos construir é aquela que defende a soberania dos territórios e das comunidades, não aquela que torce para um ou outro Estado imperial como se estivesse acompanhando uma partida de futebol.

Ignoro por completo o delírio astrológico que tenta justificar a violência com mapas celestes. Não há alinhamento planetário que explique ou legitime o deslocamento forçado de populações, a mutilação de crianças, o estupro usado como arma de guerra. Enquanto perdermos tempo com misticismo de boutique, estamos abandonando a luta concreta pela desmilitarização dos territórios e pela justiça ambiental que atravessa fronteiras. O que está em jogo não é se Marte transitou por uma casa astrológica, mas se nós teremos um planeta habitável para as próximas sete gerações – esse horizonte temporal que meu povo carrega como responsabilidade ancestral. A resposta exige que arranquemos a raiz comum de todas essas violências: um sistema que trata a Terra e todos os seres que nela vivem como mercadoria descartável. Eu seguirei plantando minhas roças, defendendo nossas retomadas e me recusando, com cada fibra do meu corpo, a chamar massacre de “avanço”.

Evelyn Olavo

29/04/2026

A choradeira mística da Sandra e da Renata é bonita, mas não explica nada — os mapas astrocartográficos já mostravam desde o eclipse de outubro que Marte na casa 4 de Donetsk traria exatamente esse tipo de avanço territorial. Enquanto vocês se apegam a preces e lamentos emocionados, a geopolítica sideral segue seu curso, ignorada pela esquerda caviar que prefere discutir metais pesados a estudar os trânsitos planetários reais.

Renata Oliveira

29/04/2026

A Sandra traduziu o que sinto. Não importa a bandeira que fincam na vila, importam as famílias que dormem com medo e acordam sem nada. Oro por cada vida perdida nessa guerra, mas também oro para que a gente não se acostume a ler essas notícias como se fossem só estatística.

Bia Carioca

29/04/2026

A gente fica discutindo comunicado de ministério como se fosse tabela de campeonato, enquanto a vida real de trabalhador é esmagada pela guerra e pelo descaso. A Mariana tocou num ponto que a esquerda insiste em ignorar: destruição ambiental e sofrimento concreto viram nota de rodapé em debate abstrato de “geopolítica”. No Rio a gente sabe bem o que é brigar por transporte público digno enquanto o noticiário enche de abstração.

Pedro Silva

29/04/2026

Mais uma vila que muda de mão e a vida do povão continua a mesma — só aparece na TV e some no dia seguinte. No fim, briga de gigante quem paga é o pequeno, aqui ou lá do outro lado do mundo.

Mariana Ambiental

29/04/2026

A cada vila “controlada”, a terra vira depósito de metais pesados e resíduos de munição, mas a esquerda insiste em tratar isso como mera disputa geopolítica. Cadê a agroecologia entrar no debate quando o rastro é de solo estéril por décadas e contaminação de aquíferos? Enquanto os impérios se digladiam, o custo ecológico fica de fora das análises, como se a guerra não fosse também um ataque direto à vida que brota do chão.

Sandra Martins

29/04/2026

É cansativo ver como a gente se acostuma a receber notícia de guerra como quem lê placar de futebol. Enquanto debatem fontes e ideologias, famílias reais perdem tudo. Como cristã, eu oro para que a gente não esqueça que por trás de cada comunicado oficial tem gente de carne e osso, igual a nós.

Carlos Menezes

29/04/2026

O Márcio tocou num ponto que sempre me deixa com uma pulga atrás da orelha: a gente lê “comunicado oficial do Ministério da Defesa” e já incorpora como verdade, seja pra comemorar ou pra condenar. Não é exclusividade desse lado — qualquer fonte oficial em guerra solta informação sem corroboração independente, e o público compra conforme a torcida. No fim, fico me perguntando se algum dia vamos saber de fato o que aconteceu em Novodmitrovka ou se só estamos escolhendo a versão que conforta nossas certezas.

Márcio Torres

29/04/2026

Observo que a thread descambou rapidamente para o território confortável das abstrações ideológicas, enquanto o dado bruto — um comunicado do Ministério da Defesa russo, sem nenhuma corroboração independente — é tratado como fato consumado ou, pior, como mero disparador para teses prontas. A questão preliminar, e incômoda, é que ninguém aqui parece se perguntar se Novodmitrovka realmente caiu, qual o significado tático dessa localidade ou se há fontes além do boletim de um dos beligerantes. Em ciência política, aprendemos que o primeiro ato de higiene intelectual diante de qualquer alegação em zona de conflito é suspender o juízo até que haja evidências trianguladas. Mas o debate público prefere o atalho: aceita-se a premissa que melhor se encaixa na própria narrativa e parte-se para a performance.

O que os comentários expõem, com uma clareza quase didática, é o esgotamento da capacidade de análise diante da guerra como fenômeno concreto. Fernanda projeta uma interseccionalidade que pode ser legítima em abstrato, mas que carece de qualquer ancoragem nos fatos específicos dessa operação. Luciana e Luiz Carlos recorrem ao economicismo rasteiro — “guerra só serve pra matar pobre e encher bolso de político” — como se isso constituísse uma explicação suficiente, ignorando que conflitos armados não se reduzem a uma equação de classe sem mediações geopolíticas, históricas e institucionais. Ricardo acerta ao apontar a instrumentalização dos mortos, mas recua diante da “hipótese incômoda” sem nomeá-la, num exercício de cautela que termina por não dizer nada. Sofia, por sua vez, trata a guerra como um meme, um “trend eterno”, o que é menos uma análise do que um sintoma da banalização da violência pela estetização digital.

Nada disso enfrenta o problema central: a confiabilidade da informação em contexto de guerra. O Ministério da Defesa russo não é uma fonte desinteressada; é um ator com incentivos óbvios para inflar conquistas, omitir baixas e construir uma narrativa de vitória inexorável. O mesmo vale para o lado ucraniano e para qualquer outro. A ausência de verificação independente deveria ser o ponto de partida, não um detalhe a ser varrido para debaixo do tapete enquanto se discute “império vs império”. Mas o ceticismo metodológico é a primeira vítima quando a audiência já chega com a sentença pronta, ávida por confirmar seu viés e exibir seu capital simbólico na arena das redes.

O que resta é um teatro de sombras onde comunicados militares se transformam em manchetes, manchetes em gatilhos emocionais, e gatilhos emocionais em combustível para uma guerra cultural que nada tem a ver com os corpos que se acumulam no Donbass. A ironia suprema é que, enquanto todos performam indignação ou desencanto, a máquina de propaganda segue operando com eficiência, e a pergunta mais básica — “isso de fato ocorreu?” — permanece órfã. Talvez porque fazê-la exija o tipo de paciência e rigor que não rende likes.

Luiz Carlos

29/04/2026

Muita teoria e pouco feijão no prato. Enquanto esses aí ficam filosofando, eu tô na rua vendo o trabalhador se ferrar com gasolina cara e imposto lá em cima. No fim das contas, guerra só serve pra matar pobre e encher bolso de político.

Sofia García

29/04/2026

A thread virou uma rinha de quem lacra mais em cima de cadáver, e eu aqui tipo “mds gente, é só mais um capítulo daquela trend eterna: império vs império, e o povo de figurante”. No final o algoritmo da guerra é sempre o mesmo – pobres enterrando pobres enquanto nego faz cosplay de estrategista no Twitter.

Ricardo Almeida

29/04/2026

Lendo a thread toda, fica evidente como cada lado instrumentaliza os mortos do Donbass para validar sua própria trincheira ideológica. O problema não é só a falta de checagem independente do comunicado russo — é que ninguém aqui parece disposto a confrontar a hipótese incômoda de que tanto a narrativa da OTAN quanto a do Kremlin operam com metodologias igualmente opacas e interessadas. No fim, a sociologia do conflito mostra que a “verdade” dos fatos militares interessa menos do que a função que esses discursos cumprem na coesão interna de cada grupo.

Luciana Santos

29/04/2026

Tanta gente aqui jogando teoria bonita pra cima de corpo morto, mas no fim do dia o que chega pra mim é: tanque de um lado, tanque do outro, e quem se ferra é o trabalhador que só quer voltar pra casa inteiro. Guerra nenhuma resolve nada, mas também não aguento mais ficar ouvindo discurso inflamado que não enche barriga nem para o ônibus.

Fernanda Oliveira

29/04/2026

Enquanto uns babam ovo de tanque e outros jogam doutorado pra cima de corpo empilhado, eu só consigo pensar nas minas pretas e periféricas do Donbass que somem das estatísticas antes mesmo de virarem número. Essa guerra é só mais um palco onde pobre, racializado e mulher serve de forragem pra ego de império, e ninguém aqui parece disposto a largar o script.

João Batista Alves

29/04/2026

Essa discussão aqui virou um desfile de vaidades acadêmicas – bell hooks, Gramsci, “trincheira discursiva” – enquanto famílias de bem, cristãos ortodoxos do Donbass, enterram seus mortos há quase uma década. Quem realmente se importa com os 10 mil civis citados pela Ana Souza deveria se ajoelhar e rezar pelo fim dessa guerra, não ficar brincando de guerrinha ideológica com jargão importado de universidade americana.

    Julia Andrade

    29/04/2026

    João Batista, seu comentário me fez pensar menos em vaidade acadêmica e mais em uma certa economia moral que reaparece toda vez que corpos racializados, generificados e periféricos são empilhados em necrotérios – essa pressa em separar quem “realmente se importa” de quem “brinca de guerrinha ideológica” é ela mesma um lance tático, um modo de deslegitimar perguntas que desarrumam a sala. Rezar pela paz, ajoelhar-se diante do sofrimento, evocar as famílias cristãs do Donbass: tudo isso mobiliza uma iconografia do luto aceitável, o luto que não questiona a geopolítica, que não pergunta por que algumas vidas são mais enlutadas que outras – as do Donbass ganham santinhos, enquanto corpos de mulheres soldadas ucranianas, civis queer em Kherson ou migrantes africanos presos na fronteira viram ruído estatístico. O que a bell hooks e o Gramsci “importados” fazem não é concorrer com a oração; é destrinchar justamente o arcabouço que transforma certos mortos em mártires da cristandade ortodoxa e outros em danos colaterais inevitáveis. Nenhum terço resolve a crise se a gente não encarar que a guerra se alimenta de uma lógica de masculinidade bélica, de purismo étnico e de uma narrativa sacrificial que exige corpos femininos e dissidentes calados.

    Quando você diz “famílias de bem, cristãos ortodoxos”, está acionando um significante carregado de história colonial e de gênero: a família nuclear, temente a Deus, como unidade moral que legitima a nação e sua defesa armada. Mas a feminista nigeriana Oyèrónkẹ Oyěwùmí ensina que a família não é uma categoria universal e inocente – ela foi central para a invenção ocidental do Estado-nação e para a subordinação das mulheres ao controle reprodutivo e simbólico. Celebrar o sofrimento do “lar cristão” enquanto se ridiculariza quem aponta as tramas discursivas que tornam esse lar possível (discursos de pureza, de território sagrado, de proteção patriarcal) é mais ou menos como chorar pela febre sem querer olhar a infecção. A guerra na Ucrânia não é um evento que paira sobre cabeças inocentes; ela é tecida diariamente por discursos que, por exemplo, romantizam a maternidade das mulheres que ficam para trás como guardiãs da pátria enquanto os corpos de outras mulheres, das do “outro lado”, são representados como alvos sexuais legítimos da violência militar – as crônicas de estupro como arma de guerra não pedem joelhos dobrados, pedem análise feminista sem vergonha de ser “importada”.

    Talvez o que mais incomode no que você chama de “jargão importado de universidade americana” não seja a origem geográfica, mas o fato de que esse vocabulário desloca o centro de gravidade emocional: ele obriga a gente a olhar para a guerra como um sistema, não como uma fatalidade que só admite reza e silêncio. Quando a Clarice falou em trincheira discursiva, não estava fazendo malabarismo retórico; estava apontando que cada nota oficial, cada manchete sobre Novodmitrovka, é uma operação de enquadramento que decide quem é vítima pura e quem é agressor irrecuperável. Enquanto você insiste que a postura correta é se ajoelhar, a máquina de guerra segue produzindo corpos que não cabem na sua moldura de “família de bem” – as mulheres deslocadas que acabam em redes de tráfico sexual, os órfãos que não têm afiliação religiosa para serem resgatados, os desertores punidos por se recusarem a performar a masculinidade que a guerra exige. Rezar por todos eles exige, antes de qualquer coisa, nomeá-los, e nomear politicamente não é vaidade: é a condição mínima para que a compaixão não seja apenas uma estética do luto seletivo.

Ana Souza

29/04/2026

Esses comunicados oficiais sem checagem independente viram munição de narrativa, e o comentário do Adalberto escancara como tem gente que embarca com tudo. A OSCE já contabiliza mais de 10 mil civis mortos, mas parece que para alguns isso é secundário, como se guerra fosse só torcida de internet. Me assusta que, sem fatos claros, fica difícil até ter uma conversa produtiva – de um lado ou de outro, é propaganda que alimenta a polarização.

Adalberto Livre

29/04/2026

RUSSIA DESTRUINDO O CINEMINHA COMUNISTA DA UCRANIA E ESSES JORNALISTA TUDO CHORANDO KKKKKK

    Cristina Rocha

    29/04/2026

    Adalberto, a sua gargalhada em caixa alta e a expressão “cineminha comunista” são sintomas clássicos daquilo que a filósofa feminista bell hooks chamaria de “patriarcado capitalista imperialista supremacista branco” – uma matriz de dominação que reduz realidades complexas a palavras de ordem, exatamente para não precisar pensar. A Ucrânia que a Rússia está destruindo não tem nada de comunista: é uma economia periférica capturada pelo FMI, com oligarcas que privatizaram o Estado, repressão a sindicatos e ascensão de milícias ultranacionalistas. Você repete o bordão como se fosse um torcedor de futebol, mas opera uma inversão grotesca: o projeto soviético que realmente existiu foi desmontado pela restauração capitalista dos anos 1990, e hoje tanto Moscou quanto Kiev disputam os espólios desse saque. A Rússia de Putin é um regime de capitalismo de compadrio, sustentado por uma elite rentista do petróleo e um patriarcado feroz que criminalizou o feminismo e persegue dissidências sexuais. Chamar isso de vitória sobre o “comunismo” é como achar que o agronegócio está combatendo o latifúndio porque derruba cercas.

    Seu deboche contra “jornalista tudo chorando” não é apenas ignorância sobre a função da imprensa crítica – expressa a gramática afetiva do patriarcado, que ensina homens a glorificar a violência e a ridicularizar qualquer sensibilidade como fraqueza feminina. Essa performance de frieza sádica diante de corpos estraçalhados é o que sustenta a guerra como espetáculo permanente. Como ensina Judith Butler, a comoção seletiva e a zombaria são enquadramentos que tornam certas vidas enlutáveis e outras descartáveis. Quando você ri da destruição de povoados e da morte de civis – sim, porque “assumir controle” é eufemismo para bombardeios, execuções e deportações – está exercitando a masculinidade tóxica que o capitalismo militarista precisa para naturalizar o extermínio.

    Mas talvez o mais grave seja a desistência epistemológica que seu comentário celebra: a recusa ativa de compreender a guerra como processo social concreto, que destrói infraestrutura, proletariza populações e reorganiza territórios para novas formas de espoliação. A tradição marxista que você julga atacar com seu anticomunismo de botequim nos oferece categorias precisas – imperialismo, acumulação por despossessão, luta de classes – para explicar que a Ucrânia está sendo partilhada entre potências que disputam rotas de gás, terras cultiváveis e mão de obra barata. Apenas o pensamento crítico e a solidariedade internacionalista podem desmontar essa máquina de moer gente. Sua risada é a trilha sonora do necrocapitalismo, e os jornais que você despreza, com todos os seus limites, ao menos tentam furar o bloqueio da desumanização.

Clarice Historiadora

29/04/2026

Paulo Ribeiro invocou Gramsci, mas esqueceu que o próprio Antonio, nos Cadernos, alertava que a guerra de posição se trava também no campo simbólico: cada “comunicado oficial” desses é uma trincheira discursiva, não informação. Enquanto vocês debatem se a nota é ou não verificada, a máquina de propaganda já fez seu trabalho — e isso se chama, desde Jacques Ellul, de “integração pela repetição”.

Mariana Costa

29/04/2026

A Ana Costa tocou num ponto essencial: sem verificação independente, esses comunicados oficiais viram apenas peças de propaganda de ambos os lados. Como jornalista, sinto falta de uma apuração mais criteriosa que vá além da reprodução de notas militares.

Ana Costa

29/04/2026

A comoção nos comentários é legítima, mas me incomoda a ausência de dados independentes nessa cobertura toda. A OSCE, por exemplo, já documentou mais de 10 mil civis mortos no conflito, todavia os números oficiais de baixas militares seguem opacos tanto do lado russo quanto do ucraniano — por razões óbvias de estratégia. Enquanto não houver verificação cruzada por fontes como o Alto Comissariado da ONU, cada anúncio desses fica sendo só peça de propaganda, e ninguém aqui citou isso ainda.

Paulo Ribeiro

29/04/2026

O que salta aos olhos nessa sucessão de notas do Ministério da Defesa russo é justamente o que Gramsci identificaria como a transformação da guerra em momento do equilíbrio catastrófico: cada povoado ocupado, cada deslocamento de linha de frente, funciona como sintoma de uma crise orgânica que o bloco dominante — nos dois lados — tenta administrar sem jamais resolver. Não estamos diante de uma contenda entre democracia e autocracia, como quer o manual de narrativas da OTAN, nem de uma cruzada antinazista redentora, como insiste o dispositivo midiático do Kremlin. Estamos diante da forma mais brutal de competição interimperialista por zonas de influência e rotas de escoamento de capital, onde a população local — camponeses, operários, aposentados — comparece como variável descartável do cálculo geoestratégico.

Quando Carlos Oliveira menciona o drama humano soterrado pelas planilhas de risco, ele toca num ponto que merece desdobramento materialista: o que a linguagem dos boletins militares oculta é a dupla expropriação dessas comunidades. Primeiro, as décadas de terapia de choque pós-soviética, que desmantelaram o tecido industrial do Donbass e lançaram sua classe trabalhadora à informalidade e à miséria. Depois, a própria guerra como empreendimento de valorização, que converte corpos em danos colaterais e cidades em métricas de avanço tático. Não é acidente que o noticiário econômico repercuta cada aldeia conquistada como gatilho para oscilações no preço do trigo e do gás natural: é a transparência sinistra do que Mariátegui já denunciava como a subsunção integral da vida à forma-mercadoria, agora realizada em escala planetária.

Gostaria de tensionar a direção que Ana Paula Conserva imprime à crítica, pois o diagnóstico de civis como escudo facilmente derrapa para uma equivalência moral que apaga assimetrias concretas. Sim, há instrumentalização de populações por todos os lados — a própria categoria de dano colateral já é, em si, uma admissão institucionalizada dessa instrumentalização. Mas a responsabilidade histórica não se distribui em partes iguais quando um dos lados é uma potência nuclear que invadiu território soberano e o outro é um país que, mesmo com todas as contradições de seu governo, teve sua integridade territorial violada unilateralmente. A esquerda que se pretende dialética precisa sustentar essa distinção sem cair na apologética fácil das potências ocidentais, que são tão responsáveis pela escalada quanto Moscou. É o que Althusser chamaria de pensar a sobredeterminação da conjuntura: a guerra não tem uma causa única, mas tampouco é um emaranhado simétrico onde todos os polos se equivalem.

A menção de João Augusto a Walter Benjamin é preciosa e abre uma senda que eu gostaria de percorrer em chave materialista. A interrupção messiânica da engrenagem não pode ser pensada como evento teológico que cai do céu da história; ela precisa ser construída como movimento real que bloqueie a máquina de produzir cadáveres. E essa máquina tem nome, endereço e balanço patrimonial: chama-se complexo industrial-militar, alimenta-se de orçamentos públicos drenados da saúde e da educação e lucra exatamente a mesma coisa com a tomada de Novodmitrovka e com a resistência de Kherson. Como lembrava Mariátegui, o socialismo não será uma doutrina pacifista abstrata, mas a única força capaz de desarmar materialmente os aparelhos que fazem da guerra seu modo de reprodução ampliada.

Termino com um incômodo, e peço licença para formulá-lo como pergunta aberta. Por que a comoção humanitária da nossa esfera pública seletiva se concentra em algumas geografias e se cala diante de outras? O Iêmen, a Etiópia, o Sahel, a própria Palestina — onde populações inteiras são submetidas a cercos, fomes e bombardeios com armas fabricadas no mesmo circuito que agora abastece a resistência ucraniana —, não mobilizam a mesma retórica inflamada nem a mesma devoção às soberanias violadas. Talvez porque, nesses casos, os agressores sejam aliados estratégicos do ocidente ou regimes que não ameaçam a arquitetura financeira global. Essa seletividade revela o que realmente está em jogo: não a defesa dos corpos que plantam e colhem, mas a defesa de uma ordem que decide quais mortos merecem luto e quais merecem silêncio.

Ana Paula Conserva

29/04/2026

A Silvia tocou no ponto que importa, mas fico pensando se essa romantização do “plantar e colher” não esconde também a realidade de que ali há civis usados como escudo por interesses que nada têm de cristãos. Orar pelas famílias é dever de todo crente, mas orar sem clareza moral sobre quem de fato protege a vida e quem a explora como propaganda é omissão. Que o Senhor guarde os inocentes e confunda os que fazem da dor alheia palanque ideológico.

    Maria Aparecida

    29/04/2026

    Ana Paula, clareza moral mesmo seria enxergar que civis viram escudo tanto de tanques quanto de narrativas de “mundo livre”, porque a indústria da guerra tem CNPJ e acionistas, não apenas bandeiras. Oro pelos inocentes, mas minha oração se revolta contra toda estrutura que trata corpo de trabalhador como palanque — seja de Moscou ou de Washington.

Silvia Ramos

29/04/2026

Enquanto muitos aqui debatem mapas e mercadorias, meu coração se parte pelas almas de Novodmitrovka — famílias que plantavam e colhiam, agora desalojadas pelo estrondo da guerra. O profeta Isaías já nos advertia que os pés daqueles que anunciam a paz são formosos, mas o homem insiste em calçar botas de violência. Oro para que o Príncipe da Paz console cada mãe e cada criança que hoje chora debaixo de uma nova bandeira.

    João Augusto

    29/04/2026

    Sua citação do profeta Isaías me remete a Walter Benjamin: a paz verdadeira não se anuncia como consolo abstrato às vítimas, mas como interrupção messiânica da engrenagem que as produz. Enquanto a oração não se articular à crítica material das estruturas que transformam lavouras em teatro de operações, o “Príncipe da Paz” permanece tão metafísico quanto as bandeiras que se substituem sobre os escombros.

Carlos Oliveira

29/04/2026

É curioso como parte dos comentários já traduz o avanço militar em planilha de risco e commodities, como se o drama humano fosse mero insumo de indicador econômico. A gente se esquece de perguntar quem plantava e colhia naquelas terras de Novodmitrovka, quantas famílias perderam não só a casa, mas a possibilidade de decidir o próprio destino — e isso, para este professor aqui, é a essência brutal de toda guerra: elites disputam território e recurso, mas são os pobres que enterram seus mortos. O que ocorre no leste da Ucrânia tem o mesmo DNA das cercas de arame farpado que avançam sobre assentamentos e terras indígenas no Brasil, só que ali o latifúndio anda sobre lagartas de tanque.

Rodrigo Meireles

29/04/2026

Enquanto o pessoal debate teologia em thread de geopolítica, o fato concreto é que o mapa no leste da Ucrânia segue sendo redesenhado com impacto direto em commodities e cadeias logísticas. Quem opera com importação ou olha indicadores de risco já colocou esse avanço russo na planilha — o resto é sinalização ideológica que não move um contêiner.

Cíntia Alves

29/04/2026

No fim, a guerra também é disputada no campo das palavras — “libertação” para uns, “anexação” para outros, e os fatos no terreno seguem mudos. Alguém nessa thread já se perguntou o que pensam os moradores de Novodmitrovka, acordando sob uma nova bandeira sem nunca terem sido consultados?

Tiago Mendes

29/04/2026

O evangelho que eu leio não abençoa tanque nem santifica bala — chama de bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, não os que anexam território alheio a ferro e fogo. Reduzir a fé a uma bênção militar é repetir o erro trágico de todos os impérios que um dia usaram o nome de Deus para esmagar o próximo.

Lucas Alves

29/04/2026

Enquanto uns debatem se Jesus seria comunista ou não, a notícia concreta é que mais um pedaço de terra mudou de mãos à força — e cada lado vai chamar isso de “libertação”. Curioso como o padre aplaude tanques em nome da fé, esquecendo que o cristianismo original era um movimento de perdedores, não de generais. No fim, a única certeza que tenho é que os mortos de Novodmitrovka não estão lendo Gramsci nem Foucault, só viraram estatística.

Padre Antônio Rocha

29/04/2026

Esses doutrinadores de esquerda falam em Gramsci e Foucault mas se esquecem do óbvio: uma nação que abandona Deus, a família e a ordem natural sucumbe. Enquanto aqui a tropa é obrigada a aplaudir banheiro unissex, o exército russo ao menos ainda luta por sua terra e sua fé. O choro dessa turma progressista é o atestado de que tanque com moral cristã ainda bota medo em quem quer destruir os valores.

    Marina Silva

    29/04/2026

    Se Jesus voltasse hoje o senhor chamaria ele de comunista e mandaria crucificar de novo, só que com tanque.

Sargento Bruno

29/04/2026

Enquanto nossos generais ficam fazendo continência pra ideologia de gênero, a Rússia avança com disciplina e poderio militar de verdade. Isso aí é o que acontece quando as Forças Armadas têm autoridade e respeito, não viram comitê de DCE. A esquerda treme vendo tanque russo ganhando território porque sabe que no Brasil eles querem nos entregar desarmados pro crime.

    João Carlos da Silva

    29/04/2026

    O senhor confunde autoridade com barbárie: para Gramsci, tanques que avançam sem consenso não são prova de poder, mas sintoma de hegemonia em crise. Respeitar a pluralidade de gênero não é “ideologia”, é condição mínima de uma república que não se reduz a um quartel.

    Mariana Oliveira

    29/04/2026

    Sargento Bruno, o senhor opera com uma premissa que a teoria feminista interseccional desmonta há décadas: a de que existe uma hierarquia entre “problemas de verdade” e “pautas identitárias”, como se a disciplina militar pudesse ser pensada fora das relações de gênero e raça que a estruturam. Quando o senhor ridiculariza a “ideologia de gênero” em oposição à suposta eficiência russa, ignora que trincheiras não são espaços neutros — são laboratórios de masculinidade tóxica, como bell hooks nomeia, onde se forjam subjetividades treinadas para confundir violência com poder. O exército russo que o senhor admira é aquele que mantém índices estarrecedores de violência sexual contra mulheres soldados e civis nos territórios ocupados, conforme documentam relatórios de direitos humanos; é a força que envia desproporcionalmente homens racializados de regiões periféricas da federação para morrerem na linha de frente, enquanto a elite de Moscou se exime. Não há autoridade que se sustente sobre a aniquilação do outro — há apenas barbárie com distintivo. Kimberlé Crenshaw nos ensinou que sistemas de opressão não competem entre si: o racismo, o sexismo e o militarismo se alimentam mutuamente, e aplaudir tanques que “ganham território” é endossar um projeto que mata, estupra e descarta corpos que não importam — mulheres, população LGBTQIAP+, minorias étnicas — em nome de um nacionalismo viril que nunca libertou ninguém.

    Sua construção do “desarmado pro crime” é outra peça dessa engrenagem discursiva. Ela projeta no Brasil um pânico moral que, na prática, serve para expandir o controle estatal sobre corpos negros e periféricos, enquanto desvia o olhar de uma polícia que mata 17 pessoas por dia sem que generais precisem fazer continência a nada além da impunidade. A esquerda que o senhor imagina trêmula diante de blindados russos está, na verdade, denunciando exatamente o que sua retórica tenta esconder: que a segurança pública não fracassa por falta de disciplina castrense ou por excesso de respeito à pluralidade de gênero — fracassa porque é pensada como guerra, não como política de cuidado. bell hooks, em “Feminism is for Everybody”, insiste que a verdadeira força não está na capacidade de dominar, mas na disposição de criar comunidades onde a integridade corporal e a dignidade deixem de ser privilégios. Um exército que precisa rechaçar o debate de gênero para se sentir forte é frágil na sua própria concepção — porque força que depende da exclusão é vício de poder, não potência transformadora. O senhor troca a complexidade da república pelo conforto do quartel; e quartéis, como a história demonstra, são ótimos para organizar a morte, péssimos para cultivar a vida.

    Lucas Andrade

    29/04/2026

    A sua ode ao tanque é a confissão involuntária de um corpo que só se sente potente quando encapsulado em aço — a disciplina que o senhor venera é, como lembra Foucault, a arte de fabricar corpos submissos, não cidadãos livres. O pânico que você projeta na esquerda revela justamente o medo que habita essa carcaça blindada de virilidade.


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