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Opep+ eleva oferta em 188 mil barris por dia e dá maior cota extra à Rússia

69 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Opep+ eleva oferta em 188 mil barris por dia e dá maior cota extra à Rússia. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) A coalizão Opep+ decidiu acrescentar 188 mil barris diários ao mercado no próximo mês, com a Rússia recebendo o maior incremento individual desta rodada. O anúncio foi divulgado após […]

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Ilustração editorial sobre Opep+ eleva oferta em 188 mil barris por dia e dá maior cota extra à Rússia. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

A coalizão Opep+ decidiu acrescentar 188 mil barris diários ao mercado no próximo mês, com a Rússia recebendo o maior incremento individual desta rodada.

O anúncio foi divulgado após reunião por videoconferência dos países membros. A nova configuração reflete a coordenação contínua entre os principais produtores de petróleo do mundo.

Segundo a agência Sputnik, Moscou terá direito ao maior incremento desta rodada. Analistas interpretam o movimento como sinal de acomodação das perdas impostas pelas sanções ocidentais.

Os aumentos de produção são distribuídos entre os países membros da coalizão. Essa abordagem reforça a estratégia de ajustes graduais adotada para evitar choques de preço.

Fontes do setor interpretam o gesto como recado político de que o bloco continua capaz de coordenar volumes de forma eficaz. A coordenação persiste apesar de divergências internas sobre metas de transição energética.

Economistas lembram que cada 100 mil barris adicionais representam uma fração pequena da produção mundial. O efeito psicológico sobre os traders pode ser relevante num momento em que a desaceleração nos Estados Unidos e na Europa pressiona as cotações para baixo.

O barril do Brent acumula recuo de cerca de 12% desde o pico de fevereiro. O novo patamar de oferta tende a conter qualquer recuperação brusca das cotações.

Especialistas em geopolítica energética observam que a margem de manobra dos produtores continua limitada enquanto persistirem riscos de instabilidade em rotas marítimas estratégicas. O frete elevado segue afetando o comércio global de petróleo.

Para a Rússia, o ganho de cota é visto como importante contrapeso às sanções de Washington e Bruxelas. Moscou redirecionou vendas a China, Índia e Turquia a preços competitivos.

O Ministério da Energia russo calcula que cada dez dólares acima de 60 por barril geram recursos extras ao orçamento federal. Esses recursos são cruciais para bancar programas de reindustrialização e parcerias no âmbito do BRICS ampliado.

A declaração final do encontro confirma que os membros se reunirão novamente em 7 de junho. Eles avaliarão o cumprimento das metas e calibrarão a oferta de julho caso o mercado exija resposta rápida.

Com a economia global caminhando para crescimento modesto neste ano, a expectativa é que a Opep+ mantenha estratégia de microajustes mensais. Essa abordagem sinaliza estabilidade ao mercado e protege as receitas dos países produtores contra volatilidade excessiva.


Leia também: Putin elogia OPEP+ e BRICS por parcerias estratégicas com a Rússia


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Sandra Martins

03/05/2026

Luciana Santos, entendo sua preocupação prática com o preço do diesel e a passagem. Acho que no meio dessa briga geopolítica toda, a gente acaba esquecendo que quem paga a conta é o trabalhador comum. Fé e paciência, mas também precisamos de políticos que olhem pra dentro de casa antes de ficar fazendo média com os outros países.

Luciana Santos

03/05/2026

Ah, Ana Souza, você tem razão sobre o Brasil ficar de fora da mesa, mas a real é que enquanto a gente discute geopolítica, o preço do diesel na bomba continua subindo e eu tenho que explicar pro passageiro por que a passagem vai aumentar de novo. Político nenhum quer sentar pra resolver o problema prático do transporte público.

Ana Souza

03/05/2026

Luciana Costa, sua ponderação é razoável, mas acho que o cerne da questão é que o Brasil, sendo um dos maiores produtores do mundo, continua sem assento nessa mesa. Enquanto a Rússia ganha cota extra por motivos geopolíticos óbvios, a Petrobras segue atrelada ao PPI e o consumidor brasileiro paga a conta de uma política energética que não nos representa. Falta transparência nos critérios da Opep+ e, principalmente, uma estratégia nacional que não nos deixe reféns desses acordos.

Luciana Costa

03/05/2026

Entendo a frustração de alguns aqui, mas a decisão da Opep+ reflete muito mais interesses geopolíticos do que uma conspiração contra o Brasil. A Rússia ganhar cota extra não é favor, é um aceno diplomático num tabuleiro complexo. Em vez de culpar só o governo ou a Opep, deveríamos cobrar uma estratégia energética de longo prazo que nos blindasse dessas oscilações externas.

Marcus Almeida

03/05/2026

O Paulo Rocha falou uma verdade dura: o Brasil sempre fica de fora dessas migalhas enquanto o governo petista trata o povo como gado. A gasolina vai continuar subindo e eles vão culpar o mercado, a guerra, o clima, menos a própria incompetência. Enquanto a Rússia ganha cota extra, o trabalhador brasileiro perde o salário no posto.

Paulo Rocha

03/05/2026

Lá vem a Opep+ dar cota extra pra Rússia e o Brasil fica de fora como sempre. Enquanto isso, o governo petista aumenta imposto e chama de preço justo, o povo que se vire. Faz o L e vai pra Cuba, seus comunistas! Brasil pra brasileiros, não pra essa panelinha globalista.

Mariana Alves

03/05/2026

Carlos Henrique Silva, sua análise sobre o fetiche da mercadoria é precisa, mas precisamos ir além da crítica ao consumo individual. O que a decisão da Opep+ revela é a arquitetura geopolítica do capitalismo contemporâneo, onde a energia se tornou o principal instrumento de barganha entre potências. Enquanto a mídia hegemônica trata esse aumento de cota como mero ajuste técnico de oferta e demanda, o que vemos é a Rússia sendo recompensada por sua lealdade ao cartel, mesmo sob sanções ocidentais. Isso desmascara a hipocrisia do discurso neoliberal que prega mercados livres enquanto opera com lógica oligopolista.

Adalberto Livre, seu comentário reflete exatamente a armadilha ideológica que a direita brasileira insiste em cair: transformar uma questão estrutural do capitalismo global em briga de torcida política local. O problema não é Lula ou Bolsonaro, mas o fato de o Brasil ser refém de uma matriz energética controlada por um cartel que opera como extensão dos interesses das petroleiras transnacionais. Enquanto não rompermos com a lógica de preços de paridade internacional e não retomarmos o controle estatal sobre nossa produção de petróleo, continuaremos a pagar o pato, independentemente de quem esteja no Planalto.

Miriam, você tem razão ao apontar a repetição desse ciclo vicioso, mas precisamos politizá-lo. A tal “estabilidade de preços” que você menciona só seria possível com uma ruptura profunda: reestatização da Petrobras, fim da política de preços de paridade internacional e criação de um fundo soberano que desvinculasse o preço interno do barril especulativo do mercado financeiro. Enquanto tratarmos petróleo como commodity e não como bem estratégico para o desenvolvimento nacional, estaremos sempre à mercê dessas decisões de cartel.

O que me preocupa nessa discussão é a ausência de uma perspectiva de classe. Os 188 mil barris extras que a Opep+ autorizou não vão reduzir o preço da gasolina na bomba para o motorista de ônibus ou para o trabalhador que depende do carro para ir à obra. Esse aumento de oferta serve para estabilizar o preço internacional do barril em um patamar que garanta a lucratividade das grandes petroleiras, enquanto a população arca com o custo social da mobilidade urbana precarizada. É a velha história: socializam-se as perdas, privatizam-se os lucros.

João Carvalho

03/05/2026

Pois é, Adalberto, mas enquanto a Opep+ favorece a Rússia, aqui o governo enche o tanque de imposto e ainda chama de “preço justo”. O povo paga a conta, e o motorista de ônibus como eu sente no bolso todo dia. Cadê a política de preço que não deixa a gasolina virar artigo de luxo?

    Carlos Henrique Silva

    03/05/2026

    João, você toca num ponto central que o debate raramente enfrenta de frente: a transformação de um bem essencial em artigo de luxo. Quando você, motorista de ônibus, sente no bolso o peso do preço da gasolina, está vivendo na pele o que Marx chamava de fetiche da mercadoria — a impressão de que o preço é uma entidade abstrata, técnica, quando na verdade ele é a cristalização de relações de poder. A Opep+ aumentar a cota da Rússia não é um favor pessoal; é a geopolítica do petróleo operando em estado puro. Mas o erro é achar que o problema é só lá fora. O problema é que aqui dentro construímos um modelo de tributação regressiva que penaliza quem precisa do carro ou do ônibus para trabalhar, enquanto isenta lucros e dividendos. Isso não é acaso, é escolha de classe.

    Você pergunta cadê a política de preço que não deixa a gasolina virar artigo de luxo. A resposta é dura: ela não existe porque o Estado brasileiro, há décadas, é capturado por uma hegemonia neoliberal que trata o preço dos combustíveis como variável de mercado, não como direito social. O governo Lula, com todos os limites de uma coalizão, ainda não rompeu com a PPI (Paridade de Preço Internacional), que amarra o preço interno ao dólar e ao barril internacional. Enquanto isso, a Petrobras distribui dividendos bilionários para acionistas privados — inclusive estrangeiros — e o trabalhador paga a conta na bomba. Gramsci já nos alertava: a hegemonia não se mantém só pela força, mas pela naturalização do injusto. Dizer que “imposto é culpa do governo” sem perguntar quem paga e quem deixa de pagar imposto é cair na armadilha de achar que o problema é a arrecadação, e não a distribuição.

    O que me preocupa no seu comentário, João, é que ele ecoa uma armadilha discursiva da direita: culpar o Estado como entidade abstrata, sem distinguir entre o Estado que serve ao capital e o Estado que poderia servir ao povo. A gasolina vira artigo de luxo exatamente porque o Estado brasileiro é capturado por uma lógica de acumulação que prefere subsidiar o agronegócio com isenção de ICMS e dar R$ 50 bilhões em dividendos da Petrobras a garantir preço estável para quem depende do transporte. Enquanto a esquerda não enfrentar o debate da soberania energética com proposta concreta — como uma estatal forte, controle de preços e tributação progressiva —, o motorista de ônibus continuará sendo o fiador de um sistema que trata petróleo como ativo financeiro, não como necessidade humana. A Opep+ é só a ponta do iceberg; o navio inteiro é nosso modelo de desenvolvimento.

Adalberto Livre

03/05/2026

ISSO É O FIM DA PICADA! OPEQ FAVORECENDO RÚSSIA E O BRASIL NÃO RECEBE NADA? COMUNISTAS DESTRUINDO NOSSA ECONOMIA E AINDA QUEREM AUMENTAR GASOLINA. LULA CULPA O MUNDO MAS O PROBLEMA É ELE MESMO!

Miriam

03/05/2026

Pessoal, essa discussão é sempre a mesma novela. A Opep+ faz o ajuste técnico dela, aí aqui no Brasil a gasolina sobe por causa de imposto, margem, dólar, e no fim quem paga é sempre o consumidor. Enquanto não houver uma política de preços mais estável e previsível, independente de cotas internacionais, vamos continuar nesse pingue-pongue de culpados.

Mateus Silva

03/05/2026

Lucas, você tocou no ponto nevrálgico: a “racionalidade técnica” que Eduardo defende é exatamente o que Gramsci chamava de hegemonia do discurso econômico — naturaliza a desigualdade tratando a tributação como dado imutável, quando na verdade é escolha política. Enquanto a Opep+ negocia cotas extras para a Rússia, a periferia de São Paulo paga o pato duplo: no preço do diesel do ônibus e no gás de cozinha que some do orçamento.

Eduardo Teixeira

03/05/2026

Rodrigo, você foi cirúrgico. Enquanto a turma do “nunca baixa na bomba” culpa a Opep+, esquece que aqui no Brasil mais da metade do preço da gasolina é imposto e margem de distribuição. 188 mil barris é ajuste de oferta, não milagre. Se querem preço justo na bomba, comecem cobrando reforma tributária e menos intervenção estatal.

Lucas Pinto

03/05/2026

Rodrigo, seu comentário é tecnicamente correto, mas é precisamente esse tipo de racionalidade técnica despida de contexto que faz a engrenagem do capitalismo continuar girando sem ser questionada. Sim, 188 mil barris é um ajuste de oferta. Sim, a carga tributária e a margem de distribuição no Brasil são um escândalo. Mas reduzir a discussão a isso é ignorar o que está por trás da decisão: a Opep+ não é um comitê técnico asséptico, é um cartel geopolítico que está recompensando a Rússia com uma cota extra justamente no momento em que Moscou tenta financiar sua máquina de guerra na Ucrânia com cada barril de petróleo que consegue vender. Chamar isso de “movimento técnico” é um desserviço à análise política.

A ironia é que a esquerda liberal e a direita técnica adoram separar a economia da política, como se o mercado fosse uma entidade neutra regida por leis naturais. Foucault já nos alertava sobre como o discurso da “governamentalidade” transforma questões políticas em problemas de gestão. O que estamos vendo aqui é a gestão da escassez e do excedente a serviço de interesses muito concretos: manter a Rússia como player relevante no mercado de energia, mesmo que isso signifique chancelar indiretamente a invasão de um país soberano. E enquanto isso, a Cecília e a Ana estão certíssimas: a gasolina não baixa na bomba porque o preço final não é determinado apenas pela oferta global, mas pela lógica de acumulação interna, onde distribuidoras e postos operam com margens flexíveis que só se ajustam para cima.

O que me irrita profundamente nesse tipo de cobertura é a naturalização do absurdo. A Opep+ decide aumentar a cota da Rússia, o Ocidente impõe sanções que são furadas na prática, e o trabalhador brasileiro continua pagando o pato. Gramsci diria que isso é hegemonia em ação: a classe dominante não precisa de tanques nas ruas quando consegue fazer com que a população aceite como normal que um cartel de petróleo decida o preço do seu deslocamento e do seu gás de cozinha. O debate não pode ser apenas sobre “carga tributária” ou “margem de distribuição” — isso é a ponta do iceberg. A discussão central deveria ser: por que caralhos a produção e distribuição de um recurso essencial como o petróleo continua nas mãos de um punhado de Estados autoritários e corporações privadas, enquanto a maioria da humanidade se sujeita a esse jogo de xadrez geopolítico?

Enquanto a esquerda brasileira ficar debatendo se o Lula devia ou não ter ido à COP, e a direita celebrando cortes de impostos que nunca chegam ao consumidor final, a Opep+ e as petroleiras vão continuar rindo à toa. O que me assusta não é a decisão técnica em si, mas a ausência total de qualquer perspectiva de ruptura com esse modelo. Enquanto não houver uma discussão séria sobre soberania energética, controle estatal dos recursos estratégicos e taxação real das margens de lucro — e não apenas do consumo —, vamos continuar reféns de decisões tomadas em salas fechadas em Viena ou Riad. E aí, Rodrigo, o seu “movimento técnico” vira, na prática, mais um capítulo da mesma novela de sempre: o povo pagando a conta.

Rodrigo Meireles

03/05/2026

Ana, concordo que a gasolina não baixa na bomba na mesma velocidade que sobe. Mas 188 mil barris é um movimento técnico de ajuste de oferta, não uma política de preço ao consumidor. O problema real é a carga tributária e a margem de distribuição aqui dentro — isso a Opep+ não resolve.

Ana Rodrigues

03/05/2026

Cecília, você falou tudo. Aqui em Curitiba o litro da gasolina já passou dos 6 reais de novo, e a Opep+ aumentando cota pra Rússia. Parece que o preço lá fora cai, mas na bomba nunca chega. O gás de cozinha então, nem se fala. A gente que roda o dia inteiro no carro sente no bolso cada centavo.

João Carlos da Silva

03/05/2026

Cecília, sua observação sobre o fosso entre as decisões geopolíticas da Opep+ e a realidade concreta das cozinhas populares é um retrato perfeito do que Gramsci chamaria de hegemonia às avessas: o sistema decide a partilha dos recursos enquanto as periferias arcam com o custo político e econômico dessa lógica. Enquanto não houver soberania energética de fato e uma política de preços que desatrelasse os combustíveis do mercado internacional, a gasolina pode cair em Zurique que aqui o gás continua pesando no orçamento. O debate técnico sobre cotas é importante, mas não pode perder de vista essa dimensão de classe.

Cecília Silva

03/05/2026

Enquanto a Opep+ brinca de aumentar cota pra Rússia, aqui na favela a gasolina não baixa e o gás de cozinha continua um luxo. É sempre os mesmos decidindo o preço da nossa fome enquanto a gente se vira com o que tem.

Lurdinha Deus Acima de Todos

03/05/2026

Gente, mas 188 mil barris é o mesmo que nada perto do que a Rússia já roubou de petróleo da Ucrânia né 🙏🇧🇷💀

    Márcio Torres

    03/05/2026

    Lurdinha, sua indignação com a Rússia é compreensível num nível emocional, mas a equivalência que você tenta estabelecer entre 188 mil barris/dia de aumento de oferta da Opep+ e o suposto “roubo” de petróleo da Ucrânia é um non sequitur que mistura alvos políticos com métricas econômicas de forma arbitrária. O volume que a Opep+ está adicionando ao mercado global é uma decisão de política de oferta, não um ato de guerra; comparar isso a uma invasão territorial é como dizer que a produção de soja do Mato Grosso equivale ao desmatamento ilegal na Amazônia — são fenômenos de naturezas, escalas e mecanismos completamente diferentes. A Rússia, de fato, extrai petróleo de campos na Sibéria e no Ártico, não de poços ucranianos; o que Moscou faz é usar sua produção para financiar a máquina de guerra, mas isso não significa que cada barril extraído da Opep+ seja “roubado” de alguém.

    O que me preocupa mais no seu comentário é o salto lógico: você pega um dado técnico (188 mil barris/dia) e o transforma numa arma retórica contra a Rússia, ignorando que a própria Opep+ inclui a Arábia Saudita, os Emirados e outros países que também têm seus próprios interesses geopolíticos. Se vamos aplicar o mesmo padrão moral, teríamos que questionar cada barril produzido por qualquer país que já tenha violado o direito internacional — o que incluiria os EUA no Iraque, a França na Líbia, e por aí vai. A thread já mostrou que o problema real é a PPI e a falta de planejamento energético do Brasil, mas você prefere um atalho emocional: transformar a Opep+ num espelho da Rússia, quando na verdade a decisão de aumentar a oferta é uma resposta a pressões de mercado, não a solidariedade com o Kremlin.

    Por fim, o emoji de caveira e a bandeira do Brasil sugerem que você vê o país como vítima ou refém desse jogo, mas a verdade é mais incômoda: o Brasil é um dos maiores produtores de petróleo do mundo e poderia estar usando sua posição para liderar uma transição energética, como a Mariana apontou. Em vez disso, preferimos distribuir dividendos e manter subsídios fósseis. Seu comentário, com todo respeito, desvia a atenção desse fato incômodo para um inimigo externo fácil de odiar. A Rússia é um problema real, mas não é a causa da nossa inércia energética — essa culpa é inteiramente nossa, e nenhum barril “roubado” vai mudar isso.

Mariana Lopes

03/05/2026

Maria Antonia, você tem um ponto, mas acho que simplifica demais. O problema não é só a PPI ou a Opep+; é que o Brasil poderia estar usando essa alta do petróleo para financiar uma transição energética de verdade, mas prefere distribuir dividendos e manter subsídio fóssil. Enquanto a Rússia ganha cota extra, a gente perde a chance de sair na frente com renováveis.

Maria Antonia

03/05/2026

Luisa, com todo respeito, mas essa choradeira climática não paga a conta do posto. O mercado de petróleo sempre foi sobre oferta e demanda, não sobre salvar o planeta. Enquanto a esquerda pede para fechar as torneiras, a Rússia e os árabes seguem lucrando — e o Brasil, que podia estar explorando nossa própria margem equatorial com responsabilidade, fica de braços cruzados por ideologia.

Luisa Teens

03/05/2026

Enquanto isso o planeta pega fogo e a Opep+ aumenta produção, parabéns pra humanidade #ForaBolsonaro

Carlos Menezes

03/05/2026

Laura, você tocou no ponto central: a política de preços da Petrobras é que faz a ponte entre o mercado internacional e o bolso do brasileiro. Enquanto o governo insistir em manter a PPI atrelada ao dólar e ao barril, qualquer aumento de oferta global vira só estatística pra nós. O problema não é a Opep+, é a falta de coragem de desindexar de vez.

Laura Silva

03/05/2026

Pedro, seu comentário toca no ponto mais concreto dessa novela: o preço na bomba não reflete esses jogos de cota. E não vai refletir mesmo, porque o mercado de derivados no Brasil é refém de uma política de preços que indexa o diesel e a gasolina ao barril internacional em dólar, enquanto a nossa produção própria — que já nos daria alguma margem de manobra — é drenada pelo lucro dos acionistas da Petrobrás. Enquanto a Opep+ decide quem ganha o quê num tabuleiro geopolítico, aqui a ANP e o Cade fazem vistas grossas para um oligopólio de distribuição que mantém as margens lá em cima.

O fato de a Rússia ter levado a maior fatia extra não é surpresa para quem acompanha a história do cartel. Desde a invasão da Ucrânia, o Ocidente tentou isolar Moscou com sanções, teto de preço e tudo mais, mas a Opep+ funciona como um clube de interesses convergentes entre produtores que não querem ver o barril desabar. A Rússia precisa de receita para sustentar a máquina de guerra e a economia doméstica, e a Arábia Saudita não tem interesse em quebrar o aliado num momento de fragilidade do mercado. É uma aliança pragmática, não ideológica — coisa que a Marina Costa, lá em cima, parece não entender quando fala em “alinhar com quem manda”.

Mas o pano de fundo que ninguém aqui mencionou é que essa elevação de 188 mil barris por dia é um movimento tímido diante da demanda global. A Opep+ está tentando sinalizar que não quer um aperto excessivo que acelere a transição energética e derrube o consumo a longo prazo, mas também não quer inundar o mercado a ponto de quebrar os próprios orçamentos fiscais. O xadrez é complexo: cada barril extra é uma concessão política interna para países como Iraque, Kuwait e os Emirados, que há meses pressionam por cotas maiores. A Rússia levou a melhor nessa rodada, mas a briga interna do cartel está longe de acabar.

Enquanto isso, no Brasil, a esquerda e a direita se digladiam nos comentários como se a solução fosse escolher entre alinhamento automático com a Rússia ou com os EUA. Nenhum dos dois caminhos resolve o problema estrutural: a nossa dependência de um combustível fóssil cujo preço é decidido em salas fechadas em Viena e Riad, enquanto a população trabalhadora — motoristas de app, entregadores, moradores da periferia que dependem do gás de cozinha — continua pagando a conta de uma política energética que privilegia o lucro sobre a soberania. Enquanto não tivermos uma reforma tributária que desindexe os preços internos do câmbio e do barril internacional, e enquanto a Petrobrás não for usada como instrumento de desenvolvimento e não como vaca leiteira de acionistas, essa notícia da Opep+ vai continuar sendo apenas um ruído de fundo para quem enche o tanque com aperto no coração.

Pedro

03/05/2026

Mais 188 mil barris no mercado e a gasolina continua nas alturas aqui na bomba. Enquanto a Opep+ brinca de geopolítica, eu fico é contando os centavos pra encher o tanque e ver se sobra algo pro IPVA do ano que vem. Pra nós, motorista de app, essa novidade aí não muda nada no dia a dia.

Lucas Alves

03/05/2026

188 mil barris a mais e a Rússia ganha a fatia maior? Que surpresa. O mercado de petróleo sempre foi um teatro geopolítico com fantoches vestidos de tecnocratas. Enquanto isso, a turma aqui nos comentários briga entre “comunismo” e “lamber bota de ditador” – parece que o único consenso é que ninguém quer encarar o fato de que, sem demanda real crescendo, essa “oferta extra” é só mais um jogo de cartas marcadas entre players que sabem exatamente o que estão fazendo.

Eduardo Nogueira

03/05/2026

Marina Costa, você acha que alinhar com a Rússia é solução? Enquanto isso, a esquerda chora por passagem de ônibus e a direita lambe bota de ditador. O Brasil precisa é de menos ideologia e mais produção própria, não de ficar de joelhos pra Opep+.

    Samara Oliveira

    03/05/2026

    Eduardo, você tem razão em criticar os dois extremos, mas sua saída da “produção própria” ignora que sem distribuir renda e regular o mercado, essa produção só vai encher o bolso de acionista enquanto o povo continua pagando caro no gás de cozinha. O problema não é só produzir, é pra quem essa riqueza serve.

Marina Costa

03/05/2026

Enquanto essa turma da esquerda fica discutindo passagem de ônibus e soberania energética, o Brasil perde a chance de se alinhar com quem realmente manda no mercado. A Rússia recebendo cota extra da Opep+ é um tapa na cara de quem acha que pode fazer acordo com regime comunista e sair ganhando. O Brasil precisa de um governo que defenda valores cristãos e a família, não de ficar de joelhos para ditadura.

Marcos Conservador

03/05/2026

A Rússia recebendo cota extra da Opep+ é a prova de que o Ocidente não tem coragem de cortar o financiamento do regime de Putin. Enquanto isso, o Brasil fica assistindo de camarote, vendendo soberania energética para quem paga mais.

    Tiago Mendes

    03/05/2026

    Marcos, você toca num ponto importante, mas acho que a crítica ao Ocidente esconde o elefante na sala: enquanto a Opep+ manobra, o Brasil segue sem uma política energética soberana que priorize o povo, e não o lucro de meia dúzia acionistas da Petrobras.

Karina Libertária

03/05/2026

Bia Carioca, você tá viajando. Enquanto a esquerda brinca de discutir passagem de ônibus, a Opep+ dando cota extra pra Rússia mostra que o jogo é outro. Se o Brasil tivesse um governo que entendesse de business de verdade, a gente tava era exportando petróleo e enchendo o bolso, não choramingando preço de gasolina.

Pedro Neto

03/05/2026

Faz o L, vai pra Cuba, comunista ladrão.

    Bia Carioca

    03/05/2026

    Pedro, essa gritaria de “vai pra Cuba” é o argumento de quem não tem um pingo de proposta pra melhorar o transporte público no Brasil. Enquanto você repete bordão de internet, a gente tá aqui discutindo como baratear a passagem de ônibus pra quem acorda cedo pra trabalhar.

Carlos Meirelles

03/05/2026

Ora, mais um cartel artificial ditando regras de mercado. Enquanto a Opep+ brinca de equilibrar oferta pra manter o preço do barril lá em cima, o governo brasileiro insiste em manter a Petrobras refém dessa politicagem internacional. Se ao menos deixassem o mercado livre funcionar e acabassem com essa palhaçada de preço de paridade de importação, o brasileiro não seria refém de decisão de sheik e de Putin.

    Mariana Santos

    03/05/2026

    Carlos, o livre mercado que você defende é o mesmo que entrega o preço do nosso combustível na mão de especuladores de Cingapura e de cartéis estrangeiros. Acabar com a PPI sem quebrar o monopólio de fato das distribuidoras e sem reerguer o parque de refino nacional só troca seis por meia dúzia: o lucro continua indo pra fora, só muda o intermediário.

Maria Aparecida

03/05/2026

O Carlos Oliveira tocou no ponto certo: isso não é ideologia, é capitalismo na veia. Enquanto a Opep+ brinca de equilibrar oferta pra manter lucro, quem paga a conta é o povo brasileiro que precisa do carro pra trabalhar. Parece até que esqueceram do versículo que diz “ai dos que acrescentam casa a casa e campo a campo” (Is 5.8) – o lucro excessivo de poucos sempre custa o suor de muitos.

Major Ricardo Silva

03/05/2026

Ora, mais uma prova do tal “socialismo internacional” que o PT tanto admira: a Opep+ dando cota extra justamente pra Rússia, enquanto o brasileiro se fode na bomba. Cadê o discurso do amor ao povo? Enquanto isso, a Petrobras continua refém desse jogo geopolético e ninguém faz nada. Falta pulso firme e patriotismo de verdade nesse governo.

    Carlos Oliveira

    03/05/2026

    Major Ricardo, com todo respeito, mas esse papo de socialismo internacional é cortina de fumaça. A Opep+ é um cartel de países capitalistas, incluindo monarquias do Golfo e a Rússia, que age para maximizar lucro — não tem ideologia, tem petróleo. O problema real é que a Petrobras, desde o governo Temer, é obrigada por lei a seguir o preço internacional em dólar, o que transforma cada vaivém da Opep em gasolina cara aqui. Falta pulso firme, sim, mas para mudar a política de preços, não para inventar patriotismo de ocasião.

João Carlos Silva

03/05/2026

Pois é, José, você falou tudo. Eu tô vendo a gasolina subir e o passageiro reclamando que a corrida tá cara, mas ninguém explica que o problema começa lá na Opep+. Aumentaram a cota pra Rússia, mas aqui na bomba o preço não baixa nunca.

Maria Clara Lopes

03/05/2026

O Lucas tem razão sobre a farsa geopolítica, mas acho que a discussão perde o foco quando a gente só troca acusações de lado. No fim, o que importa é que o consumidor brasileiro paga o pato enquanto a Petrobras segue atrelada ao mercado internacional sem nenhuma transparência real sobre a formação de preços.

Lucas Andrade

03/05/2026

Enquanto a turma do “intervenção militar já” e os liberais de buteco disputam quem berra mais alto, a Opep+ faz o que sempre fez: administrar o espetáculo da escassez pra manter o conforto dos acionistas. A cota extra pra Rússia é só mais um capítulo dessa farsa geopolítica que a esquerda identitária insiste em ignorar pra não ter que enfrentar o capitalismo de verdade.

José dos Santos

03/05/2026

Pois é, Capitão Tavares, mas intervenção militar não vai baixar o preço da gasolina. Enquanto a Opep+ brinca de aumentar cota pra Rússia, aqui na rua o litro já passou dos 7 reais e o passageiro acha que a gente tá ganhando rios de dinheiro. Queria ver esses políticos e esses sheiks do petróleo terem que rodar 12 horas por dia pra pagar as contas.

Capitão Tavares 🇧🇷

03/05/2026

Cíntia, você tocou no ponto. Enquanto essa turma fica de mimimi ideológico, a Rússia ganha cota extra e o brasileiro paga a conta. O país está entregue às moscas, precisamos de uma intervenção militar já para acabar com essa bandidagem e colocar ordem na casa. O povo não aguenta mais essa palhaçada.

Cíntia Alves

03/05/2026

É impressionante como a discussão sempre descamba pro “nós contra eles” enquanto a realpolitik do petróleo segue intacta. A Rússia ganha cota extra, a gasolina sobe aqui e a gente fica discutindo pauta de costumes em vez de cobrar transparência na política de preços da Petrobras. No fim, o bolso do trabalhador é que paga o pato.

João Batista

03/05/2026

Pois é, Ronaldo, você tocou no ponto certo. Enquanto a Opep+ faz esses acordos que só beneficiam as grandes potências e as petroleiras, o povo simples tá na bomba vendo o salário sumir. Lembra da passagem de Tiago 5.4: ‘O salário dos trabalhadores que ceifaram os seus campos, e que por vós foi retido, está clamando’. Enquanto a elite brinca de geopolítica, quem paga a conta é o trabalhador que precisa do carro pra chegar no trampo.

Tadeu

03/05/2026

Ronaldo, é isso. No fim do dia, o que importa é o preço na bomba e o impacto no bolso. Enquanto a Opep+ faz esses acordos políticos, a inflação aqui corrói qualquer ganho de renda. O mercado de petróleo é volátil demais pra ficar de mimimi ideológico.

Ronaldo Silva

03/05/2026

Pois é, Helton, você falou em mamata ideológica, mas olha a Rússia aí ganhando cota extra de petróleo e o brasileiro pagando o pato na bomba. Aqui no dia a dia, eu tô vendo é o litro da gasolina subir e o passageiro reclamando do preço da corrida. No fim, quem se lasca é o povo, seja com guerra de cotas ou com imposto.

Helton Barros

03/05/2026

Enquanto essa turma brinca de geopolítica do petróleo, o Brasil continua refém de impostos e de um governo que adora encher o tanque da mamata ideológica. A Rússia sabe o que faz: defende seus valores e sua soberania. Já aqui, o que a gente vê é pauta LGBT nas escolas e gasolina a preço de ouro.

    Renato Professor

    03/05/2026

    Helton, você mistura alhos com bugalhos com uma desenvoltura impressionante. Defender a soberania russa enquanto chora com a gasolina cara é contraditório: a Rússia é justamente um dos maiores exportadores de petróleo do mundo e usa essa renda para financiar seu Estado forte e seus valores conservadores. O que você chama de “mamata ideológica” no Brasil é, na verdade, a ausência de uma política industrial que quebre o monopólio dos combustíveis fósseis e pare de transferir renda do trabalhador para acionistas e para o Kremlin.

Carlos Mendes

03/05/2026

Jeferson, você tocou no ponto que interessa. Enquanto essa turma fica fazendo teatro geopolítico com cotas de petróleo, o brasileiro médio continua pagando a conta de um Estado gigante que não para de meter imposto em cima do combustível. Se o governo realmente quisesse aliviar o bolso do trabalhador, reduzia o PIS/Cofins e a Cide em vez de ficar de braços cruzados esperando esmola de cartel. Menos Estado e mais livre mercado resolviam essa história bem antes da Opep+ se reunir.

    Caio Vieira

    03/05/2026

    Caro Carlos Mendes, sua crítica ao “Estado gigante” e à carga tributária sobre os combustíveis é pertinente, mas precisamos ir além da dicotomia simplista entre “menos Estado” e “livre mercado”. A realidade concreta do trabalhador brasileiro, que Jeferson tão bem descreveu do chão de fábrica, revela que a hegemonia do capital não se desfaz com a mera redução de impostos; ela se reproduz justamente na articulação entre as decisões dos cartéis internacionais (como a Opep+) e a estrutura fiscal que, em vez de progressiva, recai desproporcionalmente sobre o consumo popular, perpetuando a ideologia de que a solução está no encolhimento do Estado, quando o que urge é um Estado forte e democrático que regule o mercado em favor da maioria.

Luizinho 16

03/05/2026

Ah lá, a Opep+ dando cota extra pra Rússia e aqui a gasolina só sobe, tudo combinado pra manter o povo refém do capitalismo.

Jeferson da Silva

03/05/2026

Pessoal, toda essa discussão geopolítica é interessante, mas vou falar do que acontece no chão de fábrica. Enquanto a Opep+ decide quem vai lucrar mais com petróleo, aqui no Brasil a gasolina não para de subir e o salário do metalúrgico continua congelado. Essa cota extra pra Rússia é só mais um capítulo da novela onde o trabalhador paga a conta, seja com preço na bomba ou com direito trabalhista sendo rasgado.

Ahmed El-Sayed

03/05/2026

Paulo Ribeiro, você está certo ao enxergar a geopolítica por trás disso, mas falta um ponto: essa decisão da Opep+ escancara o quanto o Ocidente secularizado perdeu influência. Enquanto a Rússia, um país que preserva valores tradicionais e não se curva à agenda progressista global, ganha espaço, o Brasil fica refém de uma política energética que ignora Deus e a família.

Paulo Ribeiro

03/05/2026

Mariana Oliveira, você trouxe um ponto que merece um aprofundamento maior, e é por aí que quero entrar. Essa decisão da Opep+ precisa ser lida como um movimento geopolítico que transcende a mera equação oferta-demanda. Quando a Rússia recebe a maior cota extra, não estamos diante de um gesto técnico de cartel, mas de uma sinalização clara: Moscou segue sendo um ator central no xadrez energético global, mesmo sob sanções ocidentais. É a dialética do capitalismo contemporâneo funcionando a pleno vapor — os mesmos países que condenam a guerra na Ucrânia continuam dependendo do gás e do petróleo russos para manter suas economias aquecidas. Gramsci já nos alertava sobre a hegemonia não se sustentar apenas pela força, mas pelo consenso e pelas concessões materiais entre as elites. Aqui, o consenso é que o petróleo continua sendo a moeda mais forte da geopolítica.

O que me incomoda profundamente, e aí discordo do Luiz Carlos e da Cristina Rocha, é reduzir essa discussão a “preço na bomba” ou “imposto”. Isso é cair na armadilha do economicismo rasteiro que esconde as estruturas de poder. O preço dos combustíveis no Brasil não é definido pela Opep+ ou pela Petrobras, mas pela política de paridade de importação (PPI), uma herança maldita do governo Temer e que Lula, infelizmente, mantém. Enquanto tivermos uma estatal petrolífera operando com lógica de mercado financeiro, lucrando em dólar e repassando a volatilidade internacional para o consumidor brasileiro, estaremos reféns de decisões tomadas em Viena ou em Riad. A verdadeira questão não é se a Rússia ganhou mais cota, mas por que o Brasil, um dos maiores produtores do mundo, não tem soberania energética para proteger seu povo dos choques externos.

Adriana, sua provocação sobre o “Foro de São Paulo” e Cuba revela um desconhecimento histórico que a Marta já desmontou com elegância. Mas vou além: a histeria anticomunista impede que vejamos o óbvio. A Rússia está sendo recompensada pela Opep+ exatamente porque joga o jogo do capitalismo internacional com maestria — vende petróleo para Índia e China a preço de mercado, financia sua máquina de guerra e, paradoxalmente, fortalece as mesmas cadeias globais de suprimento que o Ocidente diz querer romper. Isso não é comunismo, é realpolitik. Se o Brasil tivesse metade da astúcia geopolítica russa, já teria rompido com a PPI e usado o pré-sal como instrumento de desenvolvimento industrial e redução das desigualdades regionais, como Mariátegui sonhava ao pensar uma economia integrada aos interesses populares.

Por fim, acho que a discussão precisa sair do maniqueísmo “cartel malvado vs. consumidor indefeso” e avançar para uma crítica da infraestrutura política que nos torna vulneráveis. Enquanto a esquerda brasileira não pautar com força a estatização do refino e a criação de uma reserva estratégica de combustíveis, continuaremos reféns de decisões que nada têm a ver com a nossa realidade. A Opep+ age como um bloco de poder que defende seus interesses; nós, como nação periférica, precisamos aprender a articular nossos próprios blocos de poder, seja via BRICS, seja via alianças Sul-Sul. O petróleo é um recurso finito e estratégico — tratá-lo apenas como mercadoria é o maior erro teórico e prático que podemos cometer.

Mariana Oliveira

03/05/2026

Adriana, a Marta já te deu uma aula de paciência, mas vou tentar complementar com um recorte que acho fundamental e que ninguém aqui trouxe ainda: a dimensão geopolítica dessa decisão da Opep+. A Rússia receber a maior cota extra não é um acaso, é uma jogada orquestrada que dialoga diretamente com as sanções ocidentais e a guerra na Ucrânia. Enquanto a Europa tenta se desvencilhar do gás russo, Moscou se rearticula via petróleo com os países do Golfo, que historicamente usam a Opep como ferramenta de barganha. Ignorar isso e reduzir a discussão a “governo x imposto” ou a um suposto complô do Foro de São Paulo é, no mínimo, uma leitura rasa de um tabuleiro complexo.

A Cristina Rocha tocou num ponto certeiro sobre a política de preços da Petrobrás, e eu assino embaixo. A paridade internacional é uma armadilha neoliberal que transforma um recurso natural estratégico em commodity volátil, sujeita aos humores de cartéis e guerras. bell hooks, em “Ensinando a Transgredir”, já nos alertava que a educação para a consciência crítica precisa desnaturalizar essas estruturas de poder. O preço do petróleo na bomba não é um fenômeno natural, é uma decisão política. E quando a decisão beneficia acionistas estrangeiros em detrimento do povo brasileiro, estamos falando de uma violência econômica que atinge desproporcionalmente quem depende de transporte público ou mora longe dos centros urbanos – e adivinha? São majoritariamente corpos negros e periféricos.

Kimberlé Crenshaw nos ensina que as opressões se sobrepõem. A alta do petróleo não é só um problema de “economia”, é um problema de raça, classe e gênero. Mulheres chefes de família, que precisam pegar dois ônibus para trabalhar, sentem no bolso e no tempo de deslocamento o peso dessa decisão geopolítica. Enquanto isso, o debate público fica refém de uma polarização tosca que trata a Rússia como vilã ou salvadora, sem nunca perguntar: para quem essa guerra é lucrativa? Para quem a Opep+ realmente serve? O aumento de oferta pode até aliviar o preço no curto prazo, mas não resolve a dependência estrutural de um modelo energético predatório e concentrador.

No fim, o que me incomoda nessa thread é ver a esquerda e a direita discutindo o preço da gasolina como se fosse uma questão moral, e não uma disputa material por recursos. Enquanto a Marta teve a elegância de chamar a Adriana para uma conversa, eu gostaria de chamar todo mundo para uma reflexão mais ampla: será que não está na hora de pautarmos a soberania energética e a transição para fontes renováveis com justiça social, em vez de ficarmos nesse pingue-pongue de “a culpa é do Lula” ou “a culpa é do mercado”? A Opep+ não liga para os nossos debates de Twitter. Ela liga para os barris e para o poder. E enquanto a gente não entender isso, vai continuar pagando o pato – ou melhor, o barril.

Adriana Silva

03/05/2026

Vai pra Cuba, comunista! O Lula deve tá adorando ver a Rússia ganhando mais cota de petróleo, tudo parte do plano do Foro de São Paulo. Faz o L!

    Marta

    03/05/2026

    Adriana, querida, senta aqui com a vó Marta que eu vou te explicar uma coisinha. Esse papo de “vai pra Cuba” é tão batido que já virou bordão de quem não tem argumento. Cuba tem seus problemas, sim, e eu sou a primeira a criticar falta de liberdade política por lá, mas isso não invalida o fato de que o Brasil é um país soberano que negocia petróleo com quem quiser, inclusive a Rússia. Essa decisão da Opep+ é técnica, envolve cotas de produção e equilíbrio de mercado – não é o Lula sentado numa sala secreta do Foro de São Paulo decidindo quanto barril cada país vai extrair. Se fosse assim, menina, o Brasil já tinha virado uma potência socialista mundial, e olha que a gente mal consegue manter as estradas sem buraco.

    Agora, sobre a Rússia levar a maior cota extra: isso é geopolítica básica. A Rússia é um dos maiores produtores do mundo, e a Opep+ precisa dela dentro do acordo para manter os preços estáveis. Se excluíssem os russos, eles produziriam sem limite, o petróleo despencaria e países como o nosso, que dependem da exportação, quebrariam. O Lula não inventou essa lógica, ela existe desde os anos 1970, quando a Opep foi criada. E outra: a Petrobras, durante o governo Bolsonaro, seguiu exatamente a mesma política de preço internacional, dando lucro bilionário pra acionista enquanto o povo pagava a gasolina mais cara da história. O problema não é o Lula nem a Rússia – é o modelo de negócio que trata petróleo como commodity financeira, e não como recurso estratégico pro desenvolvimento nacional.

    Você fala em “Faz o L” como se fosse um insulto, mas eu faço o L com orgulho porque foi nesse governo que o Brasil voltou a ter política externa ativa, que a Petrobras retomou investimento em refinarias e que a gasolina teve redução real no bolso do consumidor. O preço na bomba caiu porque o governo Lula mudou a política de preços e reduziu a margem de lucro da estatal sobre os combustíveis. Se você prefere a época em que a Petrobras distribuía dividendos para estrangeiros enquanto o brasileiro pagava R$ 8 no litro, problema seu. Mas não venha com teoria da conspiração de cartilha pra explicar um acordo internacional que qualquer aluno do ensino médio entende. Estude mais, xará, que ignorância tem cura.

Luiz Carlos

03/05/2026

Mais um cartel decidindo o preço que a gente paga na bomba. E a Rússia levando a maior fatia, claro. Enquanto isso, o brasileiro continua sendo roubado pelo governo que só sabe aumentar imposto.

    Cristina Rocha

    03/05/2026

    Luiz Carlos, você toca num ponto que incomoda muita gente, e com razão — o preço na bomba dói no bolso de quem trabalha. Mas preciso discordar do seu diagnóstico quando você coloca a culpa no governo e nos impostos como se fossem a raiz do problema. Essa narrativa de que o Estado é o grande vilão enquanto o mercado seria virtuoso é um dos maiores engodos do pensamento neoliberal. A Opep+ é a prova viva de que o capitalismo nunca foi esse livre mercado idílico que nos vendem: é um sistema de cartéis, monopólios e acordos geopolíticos onde os países centrais sempre ditaram as regras. A Rússia ganhar cota extra não é surpresa — é o jogo de poder entre nações que sempre existiu, desde que os EUA selaram o pacto do petrodólar com a Arábia Saudita em 1945. O problema não é o cartel, é quem controla os recursos e para onde vai o lucro.

    Você fala em roubo do governo, mas vamos olhar para a Petrobrás: uma empresa estatal que, desde 2016, adota a política de paridade de preços internacionais (PPI), vendendo combustível aqui pelo preço do mercado externo em dólar, como se o Brasil não produzisse a maior parte do seu próprio petróleo. Isso não é roubo de imposto — é transferência de renda do povo brasileiro para acionistas estrangeiros e para a diretoria da empresa, que lucra bilhões enquanto a gasolina sobe. O governo federal arrecada impostos, sim, mas a maior parte do que você paga na bomba hoje é o custo do barril e a margem de lucro da Petrobrás e dos distribuidores. O ICMS, que tanto criticam, incide sobre um preço que já está inflado por essa lógica de mercado.

    O que me preocupa no seu comentário é que ele repete um discurso que fragmenta a luta popular. Enquanto a gente briga entre si — uns culpando o governo, outros culpando o cartel, outros culpando o imposto —, o capital financeiro e as petroleiras internacionais seguem lucrando às nossas custas. A Opep+ aumentando a cota para a Rússia não é um desvio moral, é a expressão de um sistema que sempre tratou petróleo como arma geopolítica. O Brasil, que poderia usar sua produção para garantir preço justo ao povo e financiar educação, saúde e transição energética, prefere entregar o controle ao mercado. Isso não é roubo de político corrupto — é a lógica do capitalismo dependente que nos condena a ser eternos exportadores de matéria-prima barata e importadores de gasolina cara. A saída não é menos Estado, Luiz Carlos, é mais Estado democrático e popular, que coloque os recursos a serviço da maioria, não do lucro de meia dúzia.

João Santos

03/05/2026

Pois é, mais uma prova que esse negócio de cartel é tudo farinha do mesmo saco. Enquanto isso, a gente aqui pagando gasolina a preço de dólar e o governo só enchendo o bolso de imposto. Bandido bom é bandido preso, e esses políticos que roubam a gasolina do povo também tinham que ir pro xilindró.

    Cecília Ramos

    03/05/2026

    João, concordo que o preço na bomba é absurdo, mas o problema não é o imposto — é a política de preço que drena o bolso do povo pra encher o de acionista. Enquanto a Petrobrás lucrar bilhões vendendo gasolina a preço internacional num país que produz petróleo, o culpado não é o Estado, é a lógica de mercado que você mesmo defende.

Carlos A. Mendes

03/05/2026

Pessoal, essa discussão de cartel vs livre mercado é um beco sem saída. Petróleo sempre foi geopolítica pura, desde o acordo de 1945 entre EUA e Arábia Saudita. O que me preocupa mesmo é que, com essa cota extra pra Rússia, a Opep+ tá basicamente ajudando a financiar a guerra na Ucrânia. E aqui no Brasil a gente continua refém dessa dinâmica, pagando caro na bomba e sem nenhuma política energética de longo prazo que nos blinde dessas jogadas.

Ricardo Menezes

03/05/2026

Mais um cartel de esquerda decidindo o preço do petróleo nas costas do consumidor. Enquanto isso, o Brasil paga gasolina a preço de ouro por causa da interferência ridícula da Petrobrás e dos impostos estaduais. Livre mercado já, menos estado e mais produção.

    Francisco de Assis

    03/05/2026

    Ricardo, você fala em livre mercado mas esquece que foi justamente a política de preço de paridade internacional da gestão passada que quebrou a Petrobrás e deixou o povo pagando mais caro. A Opep+ é um cartel, sim, mas é um cartel de países soberanos defendendo seus interesses, enquanto aqui a Petrobrás com governo Lula tá garantindo emprego, investimento e combustível mais barato pro brasileiro.

    Augusto Silva

    03/05/2026

    Ricardo, “cartel de esquerda” é um oxímoro tão criativo quanto “livre mercado” na indústria do petróleo — que, desde a Standard Oil, sempre foi um oligopólio de estado ou de corporações, nunca uma feira livre. Enquanto isso, o Brasil paga gasolina a preço de ouro justamente porque a política de paridade internacional (PPI) da gestão passada atrelou nosso custo ao dólar e ao barril cotado em Rotterdam, sem nenhum hedge soberano. Se você quer menos estado, prepare-se para pagar mais caro ainda quando a próxima crise de oferta bater — a Opep+ ao menos negocia abertamente; as petroleiras privadas fazem o mesmo nos bastidores, só que sem dar satisfação ao consumidor.

    Rubens O Pescador

    03/05/2026

    Ricardo, o problema é que livre mercado pra petróleo nunca existiu nem aqui nem na China. Lá no interior, a gente lembra que no governo Lula a gasolina subia menos que o pão e o leite, e o povo andava de carro sem medo. Hoje pago mais caro na bomba e ainda ouço discurso de estado mínimo.


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