O chefe do Judiciário da República Islâmica do Irã, Gholamhossein Ejei, emitiu um alerta contundente sobre a proteção do estreito de Ormuz.
Qualquer perturbação na segurança dessa via marítima estratégica provocará uma resposta severa das forças iranianas. Ejei ressaltou o compromisso do Judiciário em oferecer apoio legal completo àqueles que defendem as águas territoriais do país.
Ele afirmou que o período de imposição de ordens por potências estrangeiras no Golfo Pérsico chegou ao fim. O alerta foi direcionado de forma explícita ao exército dos Estados Unidos.
Interferências na administração iraniana do estreito resultarão em reação vigorosa, segundo o portal Mehr News. O estreito de Ormuz representa uma rota essencial para o fluxo de petróleo global.
A declaração reforça a determinação iraniana em manter o controle sobre suas fronteiras marítimas. O Irã reitera sua postura de resistência soberana diante de pressões externas na região.
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Caio Vieira
05/05/2026
Prezados comentaristas, permitam-me adentrar este fecundo debate com a perspectiva de quem, há décadas, observa as engrenagens da geopolítica a partir das margens do Atlântico Sul. A fala do chefe do Judiciário iraniano, Gholamhossein Ejei, longe de ser mero exotismo retórico de uma teocracia distante, deve ser lida como a explicitação de um fenômeno que Antonio Gramsci, em seus Cadernos do Cárcere, definiria como a busca pela hegemonia na ordem mundial intersticial. O Irã, ao reivindicar a tutela soberana sobre o Estreito de Ormuz, não está apenas brandindo uma ameaça; está performando um ato de contra-hegemonia, desafiando a narrativa liberal que naturaliza o livre fluxo de mercadorias como um bem em si, descolado das assimetrias de poder que o sustentam. É a voz do subalterno que, controlando o gargalo energético do capitalismo tardio, recusa-se a ser mero coadjuvante na coreografia imperial.
A perspicácia de João Augusto e Clarice Historiadora, ao evocarem a dissuasão assimétrica, é digna de nota, mas creio que o fenômeno reclama um aprofundamento na chave da economia política. O que está em jogo não é apenas a capacidade de infligir custos, mas a própria reconfiguração do que o sociólogo Immanuel Wallerstein chamou de economia-mundo capitalista. A ameaça iraniana opera como um poderoso instrumento de barganha na luta pela redefinição dos termos de troca entre o centro e a periferia. Quando o regime de Teerã sinaliza que pode interromper o fluxo de 20% do petróleo global, ele está, na prática, questionando a divisão internacional do trabalho que condena nações como a sua à extração primário-exportadora sob o jugo de uma moeda hegemônica, o dólar. Não se trata de uma apologia ao regime teocrático, como quer o simplismo binário do Roberto Lima, mas de reconhecer que a política externa iraniana, por mais contraditória que seja, encarna uma resistência àquilo que o filósofo Achille Mbembe denominou necropolítica global.
Roberto Lima, com a devida vênia, sua leitura reduz a complexidade do real a um maniqueísmo que serve mais ao conforto intelectual do que à compreensão do movimento histórico. Dizer que o Brasil precisa de “estabilidade” para o agro é incorrer em uma falácia que naturaliza uma ordem mundial profundamente desigual. Ora, que estabilidade é essa que se sustenta sobre a espoliação de recursos e a ingerência em nações soberanas? O agro brasileiro, como qualquer setor produtivo na periferia do capitalismo, está inserido em uma teia de relações de poder que a bravata iraniana, com todos os seus riscos, expõe de forma crua. Ignorar a dimensão política do controle dos estreitos é fazer o jogo daqueles que desejam uma globalização sem sobressaltos, onde as regras são ditadas por quem já detém a hegemonia naval e financeira. A solidariedade às lutas empreendedoras do povo iraniano, que busca seu lugar ao sol em meio a sanções e pressões, não implica concordar com todos os aspectos de seu regime, mas sim reconhecer o direito à autodeterminação e à contestação de uma ordem que nos é imposta.
Por fim, caro João Carvalho, você tocou no cerne da questão ao denunciar o moralismo como categoria analítica. De fato, a geopolítica não se resolve com a dicotomia entre “bons” e “maus” regimes. O que a declaração de Ejei nos oferece é a oportunidade de refletir sobre a natureza estrutural do conflito no Oriente Médio e suas reverberações para o Sul Global. O Brasil, como potência média e membro dos BRICS, precisa urgentemente superar a timidez de sua política externa e compreender que a segurança energética e a soberania nacional passam, inevitavelmente, por uma leitura mais sofisticada desses movimentos. Não se trata de aplaudir o fechamento do Estreito de Ormuz, mas de entender que a ameaça é o sintoma de um sistema doente, onde a acumulação de capital no centro exige a subordinação periférica. Enquanto não enfrentarmos as causas estruturais dessa assimetria, estaremos fadados a comentar, como espectadores pasmos, os próximos capítulos dessa novela geopolítica que, cedo ou tarde, baterá à nossa porta.
João Carvalho
05/05/2026
Roberto Lima, você reduz a discussão a uma dicotomia rasa entre “amantes de regime teocrático” e “agro que precisa de estabilidade”. A questão não é aplaudir o Irã, é entender que a geopolítica energética não se resolve com moralismo. Enquanto não encararmos a transição energética e a redução da nossa vulnerabilidade a gargalos como Ormuz, vamos continuar reféns de discursos inflamados de ambos os lados.
Roberto Lima
05/05/2026
Ora, mais um capítulo dessa novela ideológica. Enquanto o Irã ameaça fechar a torneira do petróleo mundial, o Brasil fica refém de discurso inflamado de meia dúzia de intelectuais que adoram um regime teocrático. O agro brasileiro precisa de estabilidade, não de aplausos pra ditadura.
Augusto Silva
05/05/2026
Clarice, sua análise sobre dissuasão assimétrica é cirúrgica. Mas o que me diverte é ver a turma que passou quatro anos vendendo “Brasil independente” agora torcendo o nariz pra BRICS e parceria com o Irã. Enquanto isso, o petróleo brasileiro bate recorde de produção e a China já é nosso maior parceiro comercial. Quem controla Ormuz? O Irã. Quem controla o pré-sal? A Petrobras, que depois do desmonte bolsonarista tá se reerguendo. Geopolítica não se faz com ufanismo de buteco, se faz com pragmatismo e soberania energética.
Clarice Historiadora
05/05/2026
João Augusto, excelente análise. É clássico da teoria da dissuasão assimétrica: o ator mais fraco no tabuleiro sistêmico compensa a inferioridade convencional com a capacidade de infligir custos desproporcionais no ponto de estrangulamento do comércio global. O que me diverte é ver a turma do “Brasil dependente de diesel” ignorando que, desde a obra seminal de Robert Gilpin sobre hegemonia e estabilidade, gargalos energéticos sempre foram instrumentos de poder, não de bravata. Mas isso exigiria ter lido algo além de perfil de coach quântico no Instagram.
João Augusto
05/05/2026
A ameaça iraniana sobre Ormuz não é bravata retórica, mas a expressão de uma assimetria geopolítica clássica: quem controla o gargalo energético do capitalismo global detém uma arma de barganha que nenhum porta-aviões neutraliza por completo. O curioso é ver a turma do “Brasil autossuficiente” esquecer que, na guerra de classes internacional, um choque em Ormuz derruba a economia real muito antes de qualquer discurso sobre refinarias. Walter Benjamin já advertia: o estado de exceção virou regra, e o preço do diesel na bomba de São João de Meriti será pago em dólar, não em ideologia.
Zé Trovãozinho
05/05/2026
O Irã já mostrou que não brinca em serviço quando o assunto é Ormuz. Enquanto isso, o Brasil depende cada vez mais de importação de diesel e gasolina, mas a turma do “passaporte carimbado” prefere ficar repetindo bordão de WhatsApp do que discutir geopolítica de verdade.
Francisco de Assis
05/05/2026
Zé, você fala em geopolítica de verdade, mas esquece que o Brasil já é praticamente autossuficiente em petróleo e a dependência de diesel é herança do desmonte da refinaria da Bahia na gestão passada. Enquanto isso, o Irã é parceiro do Brasil nos BRICS e a gente não precisa se meter em briga de quem quer fechar estreito — o Lula construiu pontes, não muros.
Pedro Neto
05/05/2026
Faz o L que o petróleo vai pra Cuba!
Carlos Oliveira
05/05/2026
Pedro, essa piada pronta já cansou. Enquanto isso, o Brasil bate recorde de produção de petróleo e a Petrobras paga bilhões em dividendos. Cuba recebe menos petróleo brasileiro do que as importações de diesel dos EUA que financiamos com subsídio fiscal. Se quiser criticar, critique de verdade: o problema não é Cuba, é entregarmos nosso pré-sal de graça para multinacionais enquanto a gasolina aqui custa o olho da cara.
Luisa Teens
05/05/2026
Pedro, vai tomar vergonha na cara e parar de repetir fake news de zap, isso sim #ForaBolsonaro