Cinco figuras proeminentes da economia da inteligência artificial debateram os maiores entraves do setor durante a Milken Global Conference, realizada em Beverly Hills.
Entre os participantes estavam Christophe Fouquet, CEO da ASML, empresa holandesa que detém o monopólio das máquinas de litografia ultravioleta extrema (EUV) de última geração. Também participaram Francis deSouza, ex-CEO da Illumina e atual executivo de tecnologia, Qasar Younis, CEO da Applied Intuition, Dimitry Shevelenko, diretor de negócios da Perplexity, e Eve Bodnia, física quântica e fundadora da Logical Intelligence.
Um dos temas centrais foi a limitação física na cadeia de suprimentos de IA. Fouquet alertou que, mesmo com o aumento na produção de chips, a oferta seguirá restrita nos próximos anos, afetando empresas como Google, Microsoft e Amazon.
A questão energética emergiu como obstáculo crucial para a expansão da IA. DeSouza mencionou que o Google explora soluções ousadas, como a construção de centros de dados no espaço para acessar energia mais abundante, embora reconheça os desafios técnicos de dissipar calor no vácuo.
A eficiência no consumo de energia foi apontada como diferencial competitivo no setor. DeSouza destacou que a integração vertical da infraestrutura de IA do Google permite reduzir significativamente o gasto energético, fator determinante em meio à crescente demanda.
Eve Bodnia apresentou o trabalho de sua startup, Logical Intelligence, que desenvolve modelos baseados em energia (EBMs) para interpretar as regras por trás dos dados. Ela defendeu que essa abordagem, mais próxima do funcionamento do cérebro humano, é rápida, atualizável e ideal para áreas como robótica e design de chips.
A geopolítica revelou tensões sobre o controle de tecnologias de IA. Qasar Younis observou que a IA física, como veículos autônomos e drones, está intrinsecamente ligada à soberania nacional, com muitos países rejeitando sistemas controlados por potências estrangeiras em seus territórios.
Fouquet apontou que a China fez progressos notáveis no desenvolvimento de modelos de IA. No entanto, frisou que o país ainda enfrenta barreiras na produção de semicondutores de ponta, devido à falta de acesso às máquinas EUV dominadas pela ASML.
O impacto da IA nas futuras gerações foi discutido com visões otimistas sobre seu potencial transformador. DeSouza acredita que ferramentas mais avançadas podem ajudar a enfrentar desafios globais como mudanças climáticas e doenças neurológicas, enquanto Shevelenko enfatizou a democratização de recursos que permite a indivíduos iniciarem projetos independentes.
O painel deixou claro que, apesar do rápido avanço da IA, barreiras estruturais, energéticas e geopolíticas demandam respostas criativas e coordenadas. Mais informações sobre o evento podem ser encontradas no portal TechCrunch.
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