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O Terceiro Sistema de Escrita Perdido que a História Esqueceu

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Imagem divulgada por www.newscientist.com

A história convencional da escrita sempre foi contada como um conto de dois sistemas: os hieróglifos egípcios e a escrita cuneiforme mesopotâmica, ambos surgidos independentemente há cerca de 5.300 anos. Mas essa narrativa omite um terceiro protagonista que, segundo pesquisadores, pode ter sido o mais avançado de todos — e depois desapareceu misteriosamente.

O proto-elamita, sistema de escrita que surgiu no antigo Irã enquanto o cuneiforme e os hieróglifos ainda estavam em sua infância, permaneceu praticamente ignorado por todos, exceto um punhado de estudiosos, desde sua descoberta há 125 anos. Agora, novas análises sugerem que precisamos reescrever a história inicial da escrita.

Um Mistério de 5.200 Anos

Tabuletas com escrita proto-elamita vêm sendo encontradas em sítios arqueológicos no planalto iraniano desde 1899. A maioria foi descoberta na antiga cidade de Susa, associada à cultura Elam que surgiu há cerca de 4.500 anos. As tabuletas, porém, são anteriores ao surgimento de Elam — daí o nome proto-elamita.

Jacob Dahl, da Universidade de Oxford, acredita que o proto-elamita provavelmente foi inspirado pelo proto-cuneiforme. A hipótese faz sentido: Susa fica a apenas algumas centenas de quilômetros da antiga cidade mesopotâmica de Uruk, importante centro da escrita proto-cuneiforme. Assim como o sistema mesopotâmico, o proto-elamita era inscrito em argila úmida usando um estilete, e alguns sinais são quase idênticos, como o de “ovelha” — uma cruz dentro de um círculo.

Mas há interpretações alternativas. Amy Richardson, da Universidade de Reading, observa que datar tabuletas de argila antigas é complicado, em parte porque muitas foram escavadas há mais de um século, durante escavações pouco meticulosas. Por isso, alguns pesquisadores consideram possível que o proto-elamita seja tão antigo quanto os outros dois sistemas, com todos os três surgindo independentemente.

Sinais Abstratos e Aparência Moderna

Independentemente de suas origens exatas, o proto-elamita permanece um sistema de escrita muito mais obscuro e misterioso que o proto-cuneiforme. Até hoje, continua em grande parte indecifrado. Embora saibamos como os números eram escritos, não está claro o que a maioria de seus sinais não numéricos representava.

Isso se deve parcialmente às escolhas que os antigos escribas iranianos fizeram ao inventar o sistema. Enquanto muitos sinais proto-cuneiformes são claramente imagens que sugerem o significado — uma mão humana para representar “dar” ou um caule espinhoso para representar “cevada” — os sinais proto-elamitas são tipicamente mais abstratos, tornando muito menos óbvio o que representam.

Essa característica, curiosamente, dá ao proto-elamita uma aparência surpreendentemente moderna, já que os sinais e letras da maioria dos sistemas de escrita atuais também são abstratos. Esse ar de modernidade é reforçado pelo fato de que os antigos escribas iranianos escreviam em linhas, lidas da direita para a esquerda.

Contagem Complexa e Hierarquia Social

Embora o proto-elamita não esteja totalmente decifrado, sabemos que incluía uma variedade surpreendente de sistemas numéricos, e a forma como os objetos eram contados dependia do que eram. Uma descoberta intrigante é que as pessoas eram contadas de forma diferente dependendo de seu status social. Trabalhadores eram contados usando um sistema decimal que também era usado para contar animais comuns, enquanto indivíduos de alto status eram contados usando um sistema sexagesimal.

O trabalho de Dahl nos últimos 25 anos transformou nossa compreensão do proto-elamita. No início dos anos 2000, ele e seu então orientador de doutorado iniciaram um projeto para digitalizar todos os 1.700 textos proto-elamitas conhecidos e disponibilizá-los gratuitamente online para estudo.

Análise Computacional Revela Padrões Ocultos

Nos últimos cinco anos, uma equipe que inclui Kathryn Kelley, da Universidade de Uppsala, e Logan Born, anteriormente da Universidade Simon Fraser, analisou o arquivo online de textos proto-elamitas usando software de computador. O trabalho identificou uma conexão forte, mas oculta, entre sinais que aparentemente nunca ocorriam juntos, mas que faziam parte de um grupo mais amplo relacionado ao mundo da agricultura.

A análise revelou outras características também. Os antigos escribas às vezes colocavam um sinal dentro de outro — como colocar a letra “A” dentro da letra “O”. O significado exato desses sinais combinados não está claro, mas parece indicar uma “gramática” negligenciada na forma como as combinações de caracteres eram feitas. Essas combinações são encontradas em tabuletas em sítios em todo o atual Irã, sugerindo que havia um grau de padronização entre diferentes escribas.

O Sistema Mais Avançado de Seu Tempo?

Apesar do progresso lento em direção à decifração, os pesquisadores que estudaram o sistema concordam em um ponto: o proto-elamita pode ter sido o sistema de escrita mais avançado em operação há 5.000 anos.

A escrita nesse estágio inicial era incrivelmente simples. Com pouco mais do que uma coleção de sinais representando ideias, os escribas podiam registrar informações apenas em forma de notas — por exemplo, usando os sinais “homem”, “cabra” e “50” para documentar que uma pessoa específica tinha um rebanho de 50 cabras. Mas há evidências de que o proto-elamita havia escapado dessa limitação e que os antigos escribas iranianos haviam começado a usar sinais para codificar a linguagem falada.

Segundo Piers Kelly, da Universidade de New England, na Austrália, quando a escrita começou a codificar a fala, ela instantaneamente ganhou a complexidade da linguagem oral. “Ela pegou carona na funcionalidade incrível da linguagem para comunicar”, observa Kelly.

De fato, Kelly e muitos outros pesquisadores argumentam que codificar a fala não é apenas uma característica importante da escrita, mas sua característica definidora. Isso significaria que sistemas como o proto-cuneiforme, que não codificam a fala, não seriam realmente escrita. Se aceitarmos esse argumento, o proto-elamita — se realmente codificava a linguagem falada — representaria um salto gigantesco na forma como representamos a fala de forma escrita.

Resta o mistério mais intrigante: por que esse sistema de escrita aparentemente avançado desapareceu pouco depois de ser inventado? A resposta permanece perdida nas areias do tempo, junto com os segredos ainda não decifrados das tabuletas de argila que continuam a desafiar arqueólogos e linguistas ao redor do mundo.


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