A Malásia anunciou aumento das tarifas sobre veículos elétricos totalmente importados, protegendo as montadoras nacionais Proton e Perodua do avanço de modelos mais baratos vindos principalmente da China.
A partir de 1º de julho, os veículos elétricos importados passarão a ser taxados com base no valor do veículo. A nova regra estabelece piso mínimo de 200 mil ringgits no valor CIF, elevando o preço final ao consumidor para cerca de 300 mil ringgits — aproximadamente 70 mil dólares.
Os modelos importados também deverão entregar potência mínima de 180 kW, equivalente a 245 cavalos. Essa exigência impede a entrada de opções mais simples e baratas no segmento de entrada do mercado malaio.
A Proton ganha proteção direta contra rivais como o BYD Dolphin e o ORA Good Cat da GWM, que antes disputavam o espaço de EVs acessíveis. A vietnamita VinFast também enfrenta barreiras maiores, pois seu modelo de entrada VF5 seria obrigado a competir na faixa de preço premium.
A VinFast estuda a instalação de linha de montagem local do tipo CKD na Malásia para contornar as novas tarifas e reduzir custos. Outros fabricantes estrangeiros avaliam medidas semelhantes para manter presença no país.
A política deve encarecer os veículos elétricos mais baratos para a população de renda média. Com isso, a adoção em massa de EVs pode sofrer desaceleração no curto prazo, apesar do crescimento da frota elétrica.
A Malásia já conta com mais de 11 mil pontos de recarga públicos em operação. A Gentari, braço de energia limpa da Petronas, lidera a expansão de carregadores rápidos ao longo da North-South Expressway e instala estações alimentadas por energia solar.
A chargEV domina o segmento de carregamento urbano com presença em shoppings, hotéis e condomínios. A Tesla mantém a maior rede proprietária de Superchargers concentrada na região do Vale do Klang.
O Ministério de Investimento, Comércio e Indústria da Malásia afirma que a estratégia busca preservar a dominância das marcas locais no segmento de baixo custo. Ao mesmo tempo, o governo incentiva investimentos em produção local por parte de montadoras estrangeiras.
A decisão reflete a prioridade dada à indústria automotiva nacional diante da forte concorrência asiática. A medida deve estimular a transferência de tecnologia e a montagem local de veículos elétricos no Sudeste Asiático.
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