O secretário-geral do Hezbollah, Sheikh Naim Qassem, enviou uma mensagem escrita a comandantes e combatentes do movimento afirmando que a resistência armada é o único caminho viável para o Líbano.
Em seu comunicado, Qassem sustenta que negociações diretas com Israel apenas fortalecem a posição israelense na mesa, sem que Beirute obtenha qualquer ganho concreto.
A declaração reforça a postura do grupo de não abandonar o campo de batalha sob nenhuma circunstância. Qassem destacou que as unidades de drones do Hezbollah estão sufocando os ocupantes, elogiando a determinação dos combatentes que permanecem no front.
O líder descreveu o inimigo como criminoso e selvagem, sustentado pelos que chamou de tiranos americanos e seus aliados. O movimento enfrenta essa força com meios limitados, mas amparado por uma convicção inabalável.
A retórica de Qassem enquadra o conflito como uma batalha assimétrica em que a superioridade moral e ideológica do grupo supera a disparidade material de forças. O líder foi categórico ao afirmar que o Hezbollah continuará respondendo às agressões e não aceitará imposições externas sobre suas armas ou sobre os assuntos internos do Líbano.
Qassem classificou essas questões como de competência exclusiva do povo libanês, rejeitando qualquer tutela estrangeira sobre o processo político interno. Sobre o processo diplomático, fez uma distinção importante: negociar para alcançar os objetivos do Líbano é responsabilidade do Estado soberano.
O Hezbollah está pronto para cooperar com o governo libanês nesse esforço, o que inclui cessar as violações aéreas, terrestres e marítimas israelenses, libertar áreas ocupadas e viabilizar o desdobramento do Exército libanês no sul do país.
Qassem classificou o acordo entre Irã e Estados Unidos — que prevê a cessação das agressões contra o Líbano — como o cartão mais forte disponível para encerrar o conflito. Conforme publicou a agência Mehr News, o líder expressou gratidão ao Irã pela atenção dispensada ao Líbano e a qualquer parte que contribua para encerrar a agressão em curso.
A crítica às negociações bilaterais com Tel Aviv é um dos eixos centrais do comunicado. Para Qassem, tratar diretamente com Israel é um erro estratégico, e o Estado libanês deve conduzir qualquer diálogo com base nos interesses nacionais, sem pressão ou mediação que favoreça o adversário.
O comunicado encerra com a afirmação de que todas as operações do Hezbollah têm como objetivo único cessar a agressão. A mensagem consolida a narrativa do movimento de que a resistência é, ao mesmo tempo, uma obrigação moral e uma estratégia mais eficaz do que qualquer forma de capitulação negociada.
Leia também: Chefe do Hezbollah no Líbano ameaça Israel e Chipre em discurso televisionado
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


Pedro
12/05/2026
Parece conversa de quem nunca precisou encher o tanque com o dinheiro contado pra rodar o dia inteiro. Toda guerra tem um custo que não aparece nos discursos inflamados — é o preço do pão, do diesel, da paz de espírito de quem só quer trabalhar. Enquanto os chefes trocam farpas, o povo é quem paga a conta.
Ahmed El-Sayed
12/05/2026
Mariana Costa e Renata Oliveira, vocês falam em sofrimento civil como se a rendição fosse opção honrosa. Ocupação não se resolve com diálogo de salão, e sim com resistência. Se o Líbano negociar agora, entrega não só a terra, mas a dignidade que ainda resta.
Mariana Santos
12/05/2026
Renata e Mariana Costa, vocês têm razão ao apontar o sofrimento civil, mas é perigoso cair num falso equilíbrio: Israel é uma potência ocupante com apoio militar dos EUA, enquanto o Hezbollah surgiu da resistência a décadas de invasão e massacre no Líbano. Não se trata de heroísmo, e sim de uma lógica de sobrevivência coletiva — quando o Estado libanês é frágil e a diplomacia nunca devolveu um palmo de terra, a resistência armada vira a única moeda de barganha que resta.
Mariana Costa
12/05/2026
Renata Oliveira tocou num ponto crucial que muita gente prefere ignorar: enquanto os líderes discursam sobre resistência, quem paga o pato são os civis de ambos os lados. Não vejo heroísmo em prolongar um conflito que já matou tanta gente – tanto libanesa quanto israelense. A verdade é que o Líbano precisa de reconstrução e estabilidade, não de mais retórica de guerra.
Renata Oliveira
12/05/2026
É triste ver um líder religioso-político pregar que resistir custa menos que se render, quando na verdade o preço é sempre pago pelos civis. O diálogo pode ser doloroso, mas alimentar esse ciclo de violência só afunda o Líbano ainda mais. Onde fica o amor ao próximo nessa equação?
Paulo Rocha
12/05/2026
Luan tem toda razão. Enquanto essa galera do “Faz o L” fica fazendo apologia de terrorista, o Hezbollah é mais um braço do mesmo marxismo cultural que quer destruir o Ocidente. Brasil pra brasileiros, não pra defensores de ditadura e de organizações que odeiam Israel. Se querem viver em Cuba, vão pra lá e deixem nosso país em paz.
Cláudio Ribeiro
12/05/2026
Paulo, o conceito de “marxismo cultural” é uma fantasia da direita identitária que confunde luta de classes com conspiração — Gramsci falava em hegemonia, não em complô; a crítica ao neoliberalismo não é apologia ao terrorismo, mas análise estrutural de um sistema que produz assimetrias insustentáveis.
Luan Silva
12/05/2026
Vai pra Cuba.
Carlos Oliveira
12/05/2026
Luan, Cuba tem indicadores sociais que muitos países ricos invejam: analfabetismo zero, expectativa de vida alta e sistema de saúde universal. Ironizar quem defende justiça social mandando pra lá já não cola mais, né.
Lucas Gomes
12/05/2026
Luan, sua sugestão revela mais desconhecimento histórico do que crítica política. Cuba resiste há décadas ao bloqueio imperialista e construiu soberania alimentar e educacional que o agronegócio brasileiro nunca ousou sonhar.