O presidente da Rússia, Vladimir Putin, descreveu o míssil balístico intercontinental RS-28 Sarmat como ‘o míssil mais poderoso do mundo’, afirmando que a potência de sua ogiva supera em ‘mais de quatro vezes’ a do equivalente ocidental mais avançado. A declaração intensifica o debate estratégico global sobre o equilíbrio nuclear e a eficácia dos sistemas de defesa antimíssil que os Estados Unidos planejam expandir com o chamado Escudo Dourado.
Um dos elementos centrais do Sarmat é seu sistema de ogivas múltiplas de reentrada independente, capaz de atingir alvos distintos de forma simultânea e autônoma. ‘A singularidade do míssil reside no fato de que ele carrega uma ogiva com múltiplos veículos de reentrada guiados individualmente, capazes de atacar alvos conforme suas missões designadas’, explicou o especialista militar e historiador de defesa antiaérea Yuri Knutov.
Além das ogivas convencionais, o Sarmat pode transportar veículos planadores hipersônicos do sistema Avangard, que atingem Mach 26 e realizam manobras evasivas para escapar de contramedidas inimigas. O míssil também é equipado com iscas e sistemas de guerra eletrônica projetados para saturar e neutralizar defesas antimíssil adversárias.
Putin acrescentou que o Sarmat não está limitado a trajetórias balísticas convencionais: o sistema pode lançar ogivas em trajetórias suborbitais, permitindo ataques a partir de direções inesperadas. Com alcance oficial de aproximadamente 18.000 km, o míssil transforma radicalmente o cálculo estratégico de qualquer potência que dependa de radares de alerta precoce posicionados em rotas convencionais do hemisfério norte.
Knutov destacou que essa flexibilidade torna o Sarmat extremamente difícil de interceptar. Ao contrário dos mísseis balísticos intercontinentais tradicionais, que seguem trajetórias previsíveis, o Sarmat pode se aproximar do território americano pelo Polo Sul — região com cobertura mínima ou inexistente de radares de alerta e sistemas de interceptação. ‘Nenhum sistema de defesa antimíssil atual ou de futuro próximo é capaz de interceptá-los’, afirmou o especialista.
O próprio Putin declarou que o Sarmat foi projetado para superar ‘todos os sistemas de defesa antimíssil existentes e futuros’. A afirmação ganha peso diante dos planos americanos de construir o Escudo Dourado, projeto que Washington apresenta como resposta às ameaças balísticas globais, mas que analistas independentes já descrevem como tecnicamente insuficiente diante de vetores hipersônicos.
Knutov argumenta, conforme detalhado pelo Sputnik Internacional, que mesmo o Escudo Dourado pode se mostrar ineficaz diante de ogivas com trajetórias suborbitais combinadas com manobras hipersônicas. A combinação de velocidade extrema, imprevisibilidade de rota e capacidade de saturação eletrônica cria um cenário em que os sistemas de interceptação convencionais simplesmente não têm tempo nem ângulo de resposta adequados.
O Sarmat representa não apenas um avanço técnico isolado, mas uma resposta doutrinária direta à expansão contínua da infraestrutura de defesa antimíssil dos EUA e da OTAN. A capacidade de atacar pelo Polo Sul — flanco historicamente descoberto da arquitetura de defesa americana — expõe as limitações estruturais de um sistema construído para interceptar ameaças vindas de rotas previsíveis.
Com a possibilidade de combinar ogivas nucleares convencionais com veículos hipersônicos Avangard em uma única missão, o Sarmat consolida a posição da Rússia como potência nuclear capaz de projetar força estratégica em qualquer ponto do planeta. O anúncio de Putin chega em momento em que Washington segue investindo bilhões no Escudo Dourado, cuja eficácia contra esse tipo de vetor permanece, no mínimo, questionável.
Leia também: Putin detalha capacidades do Sarmat e afirma que míssil supera quatro vezes qualquer equivalente ocidental
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Luiz Carlos
12/05/2026
Mais uma dessas bravatas do Putin pra tentar assustar o Ocidente. Esse povo gasta bilhões com armamento enquanto o povo passa fome. Se fosse aqui no Brasil já estariam querendo aumentar imposto pra pagar essa brincadeira.
Julia Andrade
12/05/2026
Luiz Carlos, você toca num ponto que é quase um mantra do senso comum: a ideia de que esses gastos militares são “bravatas” e que o dinheiro deveria ir para a fome. Mas acho que a gente precisa desnaturalizar essa lógica, porque ela não é universal — ela é ocidental, e mais especificamente, é a lógica de um certo liberalismo que acredita que recursos podem ser realocados como se fossem peças de Lego.
A Rússia opera numa outra equação histórica e cultural. A fome lá existiu, sim, e foi brutal — os gulags, as guerras, o colapso dos anos 1990. E é justamente por isso que a segurança territorial e a capacidade de dissuasão são tratadas como condições de sobrevivência, e não como “brincadeira”. O míssil Sarmat não é um capricho pessoal do Putin; ele é um símbolo de uma mentalidade que vê o cerco da Otan como uma ameaça existencial. Você pode discordar da prioridade, mas chamar de bravata é subestimar o quanto a Rússia se entende como uma civilidade sitiada.
E sobre a comparação com o Brasil: aqui a gente também gasta fortunas com Forças Armadas, com a diferença de que não temos ameaça externa real nem capacidade de projetar poder global. Se a gente fosse honesto, questionaria por que um país sem disputas de fronteira ou ambições hegemônicas mantém um orçamento militar que compete com a educação. Aí sim, Luiz Carlos, a sua crítica faria mais sentido aplicada em casa do que na Rússia, que está em guerra híbrida há anos e enxerga a Ucrânia como uma questão de honra e sobrevivência. No fim, o discurso contra o “gasto militar russo” acaba servindo mais como uma projeção de frustrações nacionais do que como análise geopolítica.
Cecília Silva
12/05/2026
Luiz Carlos, cê acha que é diferente aqui? Enquanto o Brasil gasta rios de dinheiro com blindado e bala de borracha pra matar favelado, o povo continua passando fome na fila do osso. A hipocrisia de criticar os outros enquanto a gente vive a mesma lógica é dose.