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Porta-voz do Irã alerta que guerra com EUA e Israel decidirá o futuro da humanidade

43 Comentários🗣️🔥 Pessoas seguram bandeiras do Irã durante manifestação. (Foto: actualidad.rt.com) O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, publicou uma declaração contundente na rede social X em que posiciona o conflito em curso com os Estados Unidos e Israel como uma disputa que vai além da geopolítica imediata. Em suas palavras, […]

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Pessoas seguram bandeiras do Irã durante manifestação. (Foto: actualidad.rt.com)

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, publicou uma declaração contundente na rede social X em que posiciona o conflito em curso com os Estados Unidos e Israel como uma disputa que vai além da geopolítica imediata. Em suas palavras, trata-se de uma luta que definirá o próprio significado de ‘bem’ e ‘mal’ para as gerações presentes e futuras.

‘EUA e Israel iniciaram esta guerra de agressão em 28 de fevereiro de 2026, pela segunda vez em menos de um ano, enquanto o Irã e os EUA estavam envolvidos em negociações diplomáticas’, escreveu Baqaei. A denúncia central de Teerã é que o ataque foi deflagrado justamente no momento em que canais diplomáticos estavam abertos — o que, segundo o porta-voz, revela o caráter de má-fé da ofensiva.

Baqaei traçou uma linha clara entre os dois lados do conflito, conforme registrou o portal RT en Español. De um lado, segundo ele, estão ‘aqueles que se deleitam violando cada lei de guerra e a básica decência humana’. Do outro, aqueles que fazem ‘esforços extraordinários para proteger vidas inocentes’ — descrição com a qual o porta-voz posiciona a República Islâmica como defensora da ordem internacional frente ao que Teerã classifica como agressão imperialista.

O porta-voz iraniano invocou os pilares da civilização — direitos humanos, estado de direito e moralidade básica — como valores em risco diante da escalada militar promovida por Washington e Tel Aviv. ‘Esta é uma luta definitiva pelo futuro da humanidade’, afirmou Baqaei, em declaração que apela diretamente à consciência da comunidade internacional.

Baqaei também alertou para o papel do silêncio neste momento. ‘A consciência da humanidade ainda não está morta. Mas em tempos como estes, o silêncio é cumplicidade com o mal’, declarou o porta-voz. A convocação é dirigida aos países que, segundo Teerã, assistem passivamente à escalada sem se posicionar.

O contexto narrado pelo Irã é de extrema gravidade: o conflito teria sido reiniciado pelos EUA e Israel em 28 de fevereiro de 2026 — a segunda retomada em menos de um ano — e isso ocorreu, segundo Teerã, enquanto as partes estavam sentadas à mesa de negociação. Para o governo iraniano, esse padrão demonstra que Washington não busca solução diplomática, mas sim o enfraquecimento da República Islâmica como polo de resistência no Oriente Médio.

A declaração de Baqaei ressoa em um momento de escalada que Teerã insiste em não enquadrar como mero conflito regional. O porta-voz escolheu palavras que apelam a valores universais: não se trata, segundo ele, apenas de território ou recursos, mas de saber se os princípios do direito internacional sobreviverão à pressão militar das potências que, paradoxalmente, se autoproclamam guardiãs da ‘ordem internacional baseada em regras’.

Com informações de ACTUALIDAD.


Leia também: Irã alerta que responderá com força superior a qualquer agressão dos EUA e Israel


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Maria Clara Lopes

13/05/2026

Esse tipo de retórica apocalíptica só aumenta a tensão desnecessariamente. O Irã sabe que um conflito direto com os EUA e Israel seria devastador para todos os lados, então esse discurso parece mais um jogo de pressão política do que uma ameaça real. No fim, quem sempre sofre mais são os civis de ambos os lados, enquanto líderes jogam com o futuro da humanidade como se fosse xadrez.

    John Marshall

    13/05/2026

    Maria Clara, você tem razão em apontar o jogo de xadrez dos líderes, mas discordo que essa retórica seja apenas pressão política — ela revela uma lógica hobbesiana em que o medo da aniquilação mútua é a única barreira contra o estado de natureza, e o Irã, ao evocar o apocalipse, está justamente lembrando a todos que, no xadrez geopolítico, os peões somos nós.

      Zé do Povo

      13/05/2026

      ISSO É PAPO DE COMUNISTA! ESSE DISCURSO SÓ SERVE PRA ENGANAR TROUXA!

        João da Silva

        13/05/2026

        Zé, calma aí. Sou motorista de app e vejo gente de todo lado todo dia. Esse papo de guerra mundial é preocupante independente de ideologia, o que me incomoda mesmo é o tanto de imposto que a gente paga e ninguém resolve nada.

        Ricardo Almeida

        13/05/2026

        Zé, você caiu no mesmo erro que critica: rotular sem analisar. Um cientista social sério não compra discurso de ninguém de olho fechado — nem do Irã, nem do seu pastor, nem do MST. O problema não é ser comunista ou não, é engolir qualquer narrativa sem perguntar: quem ganha com esse pânico todo?

Marcos Conservador

13/05/2026

Mais um capítulo dessa novela apocalíptica. Enquanto esses regimes teocráticos brincam de medir força, o povo iraniano é quem sofre. Só vejo mais um sinal de que o Ocidente precisa se unir em oração e vigilância contra esse inimigo da liberdade.

    Rodrigo RedPill

    13/05/2026

    Concordo, Marcos, mas oração e vigilância não pagam contas — se o Ocidente tivesse parado de financiar regimes teocráticos com petrodólares e investido em soberania energética, essa novela já tinha acabado. Enquanto isso, o povo iraniano sofre mesmo, mas é o mesmo povo que elegeu um governo que gasta rios de dinheiro em guerra em vez de educar a própria população. Mas hey, continue rezando enquanto eu compro BTC na baixa.

      Carlos A. Mendes

      13/05/2026

      BTC na baixa é o novo terço, Rodrigo. Só não esquece que soberania energética também depende de não tratar todo regime teocrático como inimigo automático — senão a guerra que você critica vira o fundo que você compra.

        Letícia Fernandes

        13/05/2026

        Carlos, seu comentário tem a astúcia de quem já percebeu que o tabuleiro geopolítico não se reduz a maniqueísmos, mas tropeça numa armadilha que o próprio capitalismo adora: a fetichização da “soberania energética” como se ela existisse fora das relações de classe e da luta de classes. Quando você diz que “não tratar todo regime teocrático como inimigo automático” é uma condição para evitar que a guerra vire o fundo que se compra, você está, sem querer, reproduzindo a lógica do realismo político burguês, que enxerga o mundo como um grande mercado de alianças táticas onde a moral é um luxo para ingênuos. Sim, é verdade que a teocracia iraniana não é um inimigo automático no sentido de que o imperialismo estadunidense e o sionismo israelense são a vanguarda da barbárie neoliberal no Oriente Médio. Mas reduzir a análise a uma questão de “não tratar como inimigo” para preservar soberania energética é esquecer que o Irã dos aiatolás, apesar de sua resistência antimperialista, é um regime que oprime sua própria classe trabalhadora, especialmente as mulheres e as minorias étnicas, com a mesma violência estrutural que qualquer burguesia nacional usa para se perpetuar.

        O problema, Carlos, é que a soberania energética, no capitalismo, nunca é um fim em si mesma — ela é sempre mediada pela necessidade de acumulação. Quando você sugere que a guerra com EUA e Israel pode ser evitada mediante um pragmatismo que não demonize o Irã, você está ignorando que o próprio imperialismo não precisa de demonização para agir; ele age por interesse, e o interesse deles é destruir qualquer polo de poder que desafie a hegemonia do dólar-petróleo. O Irã é alvo não porque é teocrático, mas porque ousou nacionalizar seu petróleo e construir uma aliança com Rússia e China que ameaça o monopólio energético ocidental. A teocracia é um detalhe superestrutural que a mídia burguesa usa para justificar a guerra, mas a guerra é determinada pela infraestrutura do capital. Portanto, sua “soberania energética” que depende de não tratar regimes teocráticos como inimigos automáticos é, na verdade, uma rendição à lógica do realpolitik que sempre acaba servindo ao mais forte — no caso, ao capital financeiro internacional que lucra com a volatilidade dos preços do petróleo e com a destruição de Estados nacionais.

        Agora, sobre a parte mais provocativa do seu comentário — a de que “a guerra que você critica vira o fundo que você compra” —, aí você toca num ponto que me faz concordar com você, mas por razões opostas às suas. Você parece sugerir que o crítico da guerra é, no fundo, um hipócrita que se beneficia dela, como se a posição anticapitalista fosse uma mera pose intelectual. Mas o que você chama de “fundo” é justamente a prova de que, no capitalismo, até a crítica é cooptada. Não sou ingênua: sei que meu salário de psicanalista, meus investimentos em previdência privada e até o café que bebo enquanto escrevo este texto estão atrelados a cadeias produtivas que financiam guerras. A diferença é que eu não trato essa contradição como um motivo para abandonar a crítica, mas como a matéria-prima dela. A guerra não vira meu fundo porque eu compro ações; ela vira o fundo de todos nós, pois vivemos num sistema que transforma cadáveres em ativos financeiros. A questão não é evitar a hipocrisia — isso é impossível na sociedade de classes —, mas sim usar essa consciência trágica para apontar que a única saída não é uma “soberania energética” negociada com teocracias ou impérios, mas a superação do modo de produção que transforma energia, terra e vida em mercadoria.

        Por fim, Carlos, seu comentário me soa como a voz de um realista desencantado que ainda acredita que o jogo pode ser jogado com inteligência tática. Mas a história do século XX mostrou que todo realismo político que não rompe com a lógica do capital termina servindo ao fascismo ou ao imperialismo, mesmo quando a intenção era o oposto. O Irã não é um aliado automático, mas também não é um inimigo automático — ele é um Estado burguês-teocrático que, na correlação de forças atual, cumpre um papel objetivo de resistência ao imperialismo. Defender a soberania energética iraniana é defender o direito de um povo de não ser bombardeado, mas é também denunciar que, dentro do Irã, a classe trabalhadora continua explorada. Não se trata de escolher entre “inimigo automático” e “aliado automático”, mas de entender que a guerra que se avizinha não decidirá o futuro da humanidade como um confronto entre teocracia e democracia, e sim como mais um capítulo da luta de classes global — e nessa luta, o único lado que me interessa é o dos que não têm petróleo, nem terço, nem fundo de investimento.

Ana Souza

13/05/2026

Parece discurso pra consumo interno, pra tentar unir o país em torno de uma ameaça externa. Mas num momento desses, com tensão no Oriente Médio, qualquer palavra inflamada pode ser faísca pra um barril de pólvora. Tomara que a diplomacia ainda tenha espaço antes que alguém resolva testar esse “futuro da humanidade” na prática.

    Francisco de Assis

    13/05/2026

    Ana, você tá certa em pedir calma, mas quem conhece a história sabe que o Irã não é bobo de sair fazendo ameaça à toa — eles tão mostrando que não vão aceitar provocação de potência imperialista. Enquanto isso, a mídia grande e os generais americanos tão é torcendo pra jogar gasolina nesse barril, mas a diplomacia brasileira, com o Lula, sempre defendeu o diálogo e a paz entre os povos.

      Sofia García

      13/05/2026

      Francisco, concordo que o Irã não é bobo, mas a diplomacia brasileira precisa parar de ser ingênua e reconhecer que diálogo sem pressão não funciona com quem ameaça a humanidade.

      Lucas Alves

      13/05/2026

      Francisco, sua análise mistura um pouco de realismo geopolítico com uma boa dose de fé na diplomacia brasileira. O Irã é sim um jogador racional, mas ameaças apocalípticas são o cartão de visitas padrão de regimes teocráticos que precisam desviar a atenção de crises internas.

Maria Antonia

13/05/2026

Mais um teatrinho de retórica apocalíptica pra justificar regime teocrático e perseguição interna. Quem realmente quer o bem do povo iraniano investe em educação e liberdade econômica, não em ameaças cósmicas contra o Ocidente.

    Bia Carioca

    13/05/2026

    Maria Antonia, seu discurso liberal clássico ignora que o Irã sofre há décadas com sanções criminosas dos EUA e de Israel, que sabotam qualquer chance de desenvolvimento econômico e educacional. Enquanto você repete o manual do Ocidente, o povo iraniano luta contra um cerco imperialista que não dá trégua.

    Carlos Henrique Silva

    13/05/2026

    Maria Antonia, sua análise parte de um pressuposto que merece ser examinado com cuidado: a ideia de que a retórica geopolítica iraniana seria mero “teatrinho” para sustentar um regime teocrático. Ora, se formos aplicar o mesmo filtro crítico às potências ocidentais, veremos que Washington e Tel Aviv também constroem narrativas apocalípticas — o “eixo do mal”, a “ameaça nuclear existencial”, a “guerra ao terror” — que servem para justificar intervenções, sanções econômicas devastadoras e a manutenção de um status quo imperialista. A diferença é que o Irã responde a décadas de cerco, golpes de Estado (lembre-se de 1953, quando os EUA derrubaram Mossadegh por ousar nacionalizar o petróleo) e uma guerra química patrocinada pelo Ocidente contra o país nos anos 80. A ameaça iraniana não nasce no vácuo; ela é a voz de um Estado que sobreviveu a tudo isso e agora possui capacidade de retaliação. Chamar isso de “teatrinho” é ignorar a materialidade histórica das relações de poder.

    Quanto à sua defesa de “educação e liberdade econômica” como alternativas, permita-me uma provocação gramsciana: que liberdade econômica é essa que você propõe? A mesma que o FMI e o Banco Mundial impuseram ao Sul Global, gerando desindustrialização, endividamento e miséria? O Irã, apesar de todas as sanções e do autoritarismo interno, tem indicadores de desenvolvimento humano que rivalizam com países da região — acesso à saúde, universidades, engenharia nuclear e espacial. Isso não é mérito da teocracia, claro, mas também não é fruto de “liberdade econômica” no sentido neoliberal que você parece evocar. O problema do Irã não é a falta de abertura de mercado; é o fato de que, desde 1979, o país é alvo de uma guerra híbrida permanente. Quando um país é sufocado economicamente, sua burguesia nacional definha, a renda cai e o regime se torna mais repressivo. É a clássica dialética entre coerção externa e autoritarismo interno — um ciclo que o Ocidente alimenta e depois usa para justificar novas agressões.

    Por fim, acho curioso o tom de superioridade moral do seu comentário, como se o “Ocidente” fosse um bloco homogêneo dedicado à liberdade e à educação. Os EUA invadem países, derrubam governos democraticamente eleitos, mantêm prisões como Guantánamo e financiam o apartheid israelense com bilhões de dólares anuais. O Irã, com todos os seus defeitos — e eles são muitos, especialmente na repressão às mulheres e às minorias —, ao menos representa um polo de resistência à ordem unipolar. A retórica apocalíptica iraniana é, sim, um instrumento de legitimação interna, mas também é a expressão de um país que sabe que, se houver guerra, ela será existencial para ambos os lados. Talvez o problema não seja a “ameaça cósmica”, mas o fato de que o mundo multipolar está nascendo entre dores de parto, e o Irã é um dos atores que se recusam a morrer na mesa de cirurgia do império.

Mariana Alves

13/05/2026

A declaração do porta-voz iraniano, Esmaeil Baqaei, precisa ser lida com a devida contextualização histórica e geopolítica, algo que a grande mídia ocidental raramente faz. Quando o Irã afirma que o conflito com EUA e Israel decidirá o futuro da humanidade, não se trata de mero discurso apocalíptico, mas da constatação de que estamos diante de um império em declínio que recorre à guerra como último recurso para manter sua hegemonia. Os Estados Unidos, desde o fim da União Soviética, tentam impor uma ordem unipolar que agora se desfaz diante da ascensão de novos polos de poder, como a China e a própria Rússia. O Irã, nesse tabuleiro, representa um dos últimos obstáculos à completa subjugação do Oriente Médio aos interesses do capital financeiro internacional e do sionismo.

É preciso lembrar que a narrativa de “ameaça existencial” é construída seletivamente. Enquanto o Irã é retratado como um regime beligerante, Israel, potência nuclear não signatária do TNP, continua a ocupar territórios palestinos e a bombardear países vizinhos com total impunidade, respaldado pelo veto estadunidense no Conselho de Segurança. A declaração iraniana, portanto, deve ser lida como um alerta legítimo de um Estado que sofre sanções econômicas criminosas, assassinatos seletivos de seus cientistas e constantes ameaças de invasão. O “futuro da humanidade” a que Baqaei se refere é justamente a possibilidade de romper com essa lógica imperialista que condena nações inteiras à pobreza e à guerra para manter privilégios de uma minoria.

Do ponto de vista teórico, o que vemos é a manifestação clara da lei do desenvolvimento desigual e combinado do capitalismo. As potências centrais, para frear sua própria crise estrutural, tentam destruir as experiências nacionais que ousam desafiar a ordem neoliberal. O Irã, com sua Revolução de 1979, representa uma ferida aberta nesse sistema. Não defendo aqui o regime iraniano acriticamente, mas é ingenuidade acreditar que a escalada retórica parte exclusivamente de Teerã. O Ocidente, liderado por Washington, vem provocando sistematicamente o país, desde a retirada unilateral do acordo nuclear até o assassinato do general Qasem Soleimani. A guerra psicológica e as sanções são formas de violência tão letais quanto os mísseis.

Por fim, é fundamental que a esquerda mundial não caia na armadilha de repetir o discurso belicista da OTAN. Uma guerra entre EUA/Israel e Irã não será um conflito localizado; será uma catástrofe humanitária de proporções bíblicas, com potencial de envolver toda a Eurásia. O futuro da humanidade não será decidido por bombas, mas pela capacidade dos povos de se organizarem contra a guerra e o imperialismo. A paz no Oriente Médio passa pelo fim do apoio incondicional a Israel, pelo fim das sanções ao Irã e pela construção de uma ordem internacional baseada na soberania das nações, não nos lucros das corporações. Enquanto a esquerda liberal ficar debatendo qual lado tem o “direito” de bombardear primeiro, a extrema-direita e o complexo militar-industrial seguirão lucrando com cadáveres.

    Tiago Mendes

    13/05/2026

    Mariana, sua análise é cirúrgica e eu concordo em grande parte, mas como cristão não posso deixar de lembrar que a verdadeira paz não virá de alianças geopolíticas, e sim do desmonte das estruturas de opressão que ambos os lados alimentam — o império americano e o regime teocrático iraniano pecam igualmente contra os pobres e contra a imagem de Deus.

      Paula Santos

      13/05/2026

      Tiago, você tocou num ponto essencial: a paz que ultrapassa todo entendimento não vem de Brasília, Teerã ou Washington, mas do reconhecimento de que todos nós, sob o olhar de Deus, somos igualmente carentes de graça e justiça.

Ana Rodrigues

13/05/2026

Pô, o cara já tá falando em guerra que decide o futuro da humanidade e eu aqui preocupado se vou conseguir pagar o IPVA do carro mês que vem. Parece que o povo lá fora não tem boleto pra vencer, né? Enquanto eles tão nessa de fim do mundo, eu só quero que o preço da gasolina pare de subir.

    Ahmed El-Sayed

    13/05/2026

    Ana, sua preocupação com o IPVA e a gasolina é exatamente o que o Ocidente secular quer: que você fique distraído com contas enquanto o mundo islâmico luta por seu destino divino. Acorde, pois o preço do combustível é fútil diante do juízo que se aproxima.

      Mariana Oliveira

      13/05/2026

      Ahmed, sua fala carrega uma armadilha que preciso desmontar com cuidado. Você parte de uma premissa que divide a humanidade em dois blocos monolíticos: de um lado, um “Ocidente secular” supostamente distraído por contas mundanas; do outro, um “mundo islâmico” unificado em torno de um destino divino. Essa lógica binária apaga as contradições internas de ambos os lados e, mais grave, silencia as vozes que, dentro do próprio Irã, dentro do próprio mundo islâmico, lutam contra opressões concretas. Kimberlé Crenshaw, ao formular a interseccionalidade, nos ensina que as estruturas de poder não operam de forma isolada: o preço do combustível, o acesso à moradia, a violência policial e a guerra são faces do mesmo sistema que distribui morte e sofrimento de forma desigual. Dizer que a preocupação com o IPVA é “fútil” é um privilégio que só pode ser sustentado por quem não precisa escolher entre encher o tanque e comprar comida para os filhos. A guerra que você anuncia como “juízo” será sentida de forma brutalmente diferente por uma mulher iraniana que já enfrenta a repressão do próprio Estado teocrático, por um homem negro na periferia de São Paulo que lida com a bala perdida da polícia, ou por um trabalhador precarizado em qualquer canto do mundo.

      bell hooks, em “Ensinando a Transgredir”, nos lembra que a teoria feminista interseccional não é um luxo acadêmico, mas uma ferramenta de sobrevivência para quem está na base da pirâmide. Quando você desdenha da luta material por condições dignas de vida, está reproduzindo a mesma lógica de dominação que o Irã teocrático usa para justificar a repressão às mulheres que protestam contra o hijab obrigatório. A “distração” com contas não é um desvio do destino divino; é a realidade concreta de quem precisa negociar a sobrevivência dentro de um sistema capitalista global que explora corpos e territórios, sejam eles no Oriente Médio ou na América Latina. A guerra que você invoca como epopeia espiritual é, para milhões de pessoas, a continuidade de um sofrimento cotidiano que já começou muito antes do primeiro míssil. O “juízo” que se aproxima não é um evento apocalíptico, mas a soma de todas as violências estruturais que já estão em curso: o racismo ambiental que envenena comunidades pobres, a misoginia que controla corpos femininos, a exploração do trabalho que precariza vidas.

      Portanto, não, Ahmed, eu não vou “acordar” para uma suposta batalha cósmica que ignora as dores do presente. Meu despertar é para a complexidade do mundo, onde a luta por justiça social não pode ser sequestrada por narrativas messiânicas que, no fundo, servem para manter hierarquias de poder intactas. A guerra entre EUA e Irã, se vier, não será um embate entre o bem e o mal, mas a colisão de dois projetos imperiais que historicamente devastaram populações inteiras em nome de deuses e mercados. Enquanto isso, a mulher negra na periferia de Belo Horizonte continua pagando o IPVA atrasado e lutando para que o filho não seja morto pela polícia. Essa luta não é fútil; é a própria essência de um feminismo que recusa a abstração e abraça a materialidade da vida. Se você quer falar de destino, comece perguntando por que o destino de tantas pessoas já está selado antes mesmo de qualquer guerra declarada.

        Mariana Lopes

        13/05/2026

        Mariana, você trouxe uma perspectiva que ancorou o debate no chão da realidade, e isso é o que falta nesses discursos apocalípticos. A guerra não é um evento cósmico, é a falência da política, e quem paga a conta são sempre os mesmos que já estão lutando para sobreviver antes do primeiro tiro. No fim, a verdadeira batalha não é entre deuses, mas entre quem pode se dar ao luxo de ignorar o IPVA e quem precisa negociar a vida dentro desse sistema.

          Célia Carmo

          13/05/2026

          Isso aí, Mariana, mas enquanto você teoriza a falência da política, o patrão já tá fazendo as malas pro bunker e deixando a gente pra pagar o IPVA da guerra com a vida!

Laura Silva

13/05/2026

Laura, Rio de Janeiro

A declaração do porta-voz iraniano Esmaeil Baqaei, ao situar o conflito com Estados Unidos e Israel como uma disputa que definirá o futuro da humanidade, não deve ser descartada como mero exagero retórico de um regime teocrático. Ela expressa, com a crueza típica de quem está na linha de frente, uma verdade incômoda que as elites ocidentais insistem em mascarar: a ordem mundial forjada após 1945, e aprofundada com o colapso da União Soviética, está em frangalhos. O que temos diante de nós não é uma simples tensão regional no Oriente Médio, mas sim o estertor de um sistema imperialista que, para se sustentar, precisa recorrer cada vez mais à guerra aberta e à destruição em massa. Quando Baqaei fala em “futuro da humanidade”, ele toca no ponto nevrálgico: a continuidade de um modelo civilizatório baseado na exploração infinita, no genocídio de povos inteiros (como os palestinos, apoiados por Washington e Tel Aviv) e na pilhagem dos recursos do Sul Global.

É preciso lembrar que o Irã não é um agressor. A história recente mostra que o país foi alvo de um golpe de Estado orquestrado pela CIA em 1953, sofreu uma guerra de oito anos imposta pelo Iraque com apoio ocidental nos anos 1980, e vive sob um regime de sanções econômicas criminosas que visam sufocar seu povo. O que o governo iraniano faz hoje é reagir a décadas de humilhação e violência estrutural. Os Estados Unidos, por sua vez, não apenas mantêm uma base militar em cada esquina do planeta, como também patrocinam o apartheid israelense e a limpeza étnica na Cisjordânia e em Gaza. Chamar o Irã de “ameaça existencial” é um exercício de projeção digno de psicanálise: o verdadeiro perigo para a humanidade é o complexo militar-industrial estadunidense, que já matou milhões no Vietnã, no Iraque, no Afeganistão e agora na Ucrânia, sempre sob o pretexto de “defender a democracia”.

A fala de Baqaei também ecoa um sentimento que se espalha entre os povos oprimidos do mundo: a certeza de que o sistema neoliberal e unipolar não oferece futuro algum. Enquanto bilionários como Elon Musk e Jeff Bezos brincam de colonizar Marte, o Sul Global enfrenta fome, dívidas impagáveis e uma crise climática agravada pela ganância das corporações. O Irã, com todos os seus defeitos e contradições internas, representa um polo de resistência a essa lógica. Não por acaso, o país é um dos poucos que ousam desafiar abertamente o dólar como moeda de troca internacional e que constroem alianças com Rússia e China para criar uma multipolaridade real. Essa guerra, portanto, não é apenas sobre mísseis e petróleo: é sobre quem terá o direito de decidir os rumos da produção, do trabalho e da vida no século XXI.

Claro, a intelectualidade orgânica do capital, incluindo muitos colegas professores aqui no Brasil, vai tratar essa declaração como “fanatismo religioso” ou “irracionalidade”. Mas isso é um erro analítico grave. O que o porta-voz iraniano faz é usar a linguagem que lhe é possível dentro de um contexto de luta anti-imperialista. Se olharmos com honestidade intelectual, veremos que a humanidade já está, sim, em uma encruzilhada: ou continuamos a aceitar passivamente o genocídio na Palestina, a destruição ambiental e a concentração de riqueza nas mãos de meia dúzia de monopólios, ou construímos uma alternativa baseada na soberania dos povos, na justiça social e na paz com dignidade. O Irã, ao seu modo, está dizendo que não aceitará o papel de vítima. E nós, que nos dizemos de esquerda, deveríamos apoiar essa recusa, sem ingenuidade, mas com a clareza de que o inimigo não está em Teerã, e sim em Washington, Tel Aviv e nos conselhos de administração das multinacionais que financiam essa máquina de morte.

    Luizinho 16

    13/05/2026

    Laura, até parece que a tia do Zap caiu no conto do manual anti-imperialista e acha que o Irã é o coitadinho da história — vai lavar a louça e deixa a guerra pra quem entende de verdade, seu lacrador de araque.

    Rick Ancap

    13/05/2026

    Laura, vai arrumar um trampo e pagar seus próprios boletos antes de defender regime que enforca gay e oprime mulher, sua esquerdista útil.

      Carlos Rocha

      13/05/2026

      Rick, concordo plenamente. Essa turma que defende regime teocrático e ditatorial enquanto vive no Ocidente liberal é a maior piada. Enquanto eles babam ovo de governo que enforca gay e oprime mulher, a gente paga conta e gera riqueza.

Gabriel Teen

13/05/2026

Ah lá, o cara do Irã já acordou querendo decidir o futuro da humanidade enquanto a gente só quer saber se o pão de queijo vai estar pronto

    Renato Professor

    13/05/2026

    Gabriel, querido, seu comentário é a prova viva de que o pão de queijo é o ópio do povo brasileiro — enquanto a geopolítica define os rumos do planeta, você está preocupado com o lanche.

    João Carlos Silva

    13/05/2026

    Pois é, Gabriel, enquanto a gente se preocupa com o preço do pão de queijo e da gasolina, eles tão lá jogando xadrez com o futuro do mundo. Mas é isso, a realidade da gente é outra.

Adalberto Livre

13/05/2026

ISSO AI É O QUE DÁ FICAR DANDO PALCO PRA COMUNISTA DE TURBANTE! ENQUANTO ISSO O BRASIL VIRA UMA VENEZUELA!

    Cíntia Ribeiro

    13/05/2026

    Adalberto, sua reação emocional ignora que a geopolítica iraniana é movida por interesses de Estado, não por ideologia de palco. Comparar a situação brasileira com a venezuelana é um atalho retórico que simplifica demais realidades institucionais muito distintas.

      Lurdinha Deus Acima de Todos

      13/05/2026

      Amiga, para de complicar com essas palavras difíceis e vai ler a Bíblia que o fim do mundo já chegou! 🙏🇧🇷

Marina Costa

13/05/2026

Tudo isso é sinal do fim dos tempos, como está em Mateus 24. O Irã é instrumento de perseguição contra Israel, nação que Deus escolheu, e quem se levanta contra ela colhe maldição. Enquanto isso, a esquerda globalista aplaude regimes que matam cristãos e destroem a família. Que a igreja desperte, porque o juízo começa pela casa de Deus.

    Beatriz Lima

    13/05/2026

    Marina, eu vou ser sincera: seu comentário é um primor de coerência interna se a gente aceitar a premissa de que a Bíblia é um manual de geopolítica contemporânea e que Deus tem um partido político favorito. O problema é que essa leitura literal de Mateus 24 como se fosse uma edição da Folha de amanhã ignora uns 2 mil anos de exegese, contexto histórico e, mais importante, o fato de que o Irã não é um “instrumento de perseguição” abstrato, mas um Estado teocrático com interesses regionais muito concretos — e que, pasme, também persegue cristãos, sim, mas não porque está cumprindo profecia, e sim porque acharam um jeito conveniente de consolidar poder usando a religião. Dizer que a esquerda globalista aplaude isso é uma simplificação que faria qualquer cientista político ter um pequeno derrame: a esquerda, no plural, tem posições que vão de crítica feroz ao regime iraniano (especialmente em direitos humanos e mulheres) até uma certa tolerância pragmática em nome do equilíbrio de poder no Oriente Médio. Chamar isso de “aplauso” é tão preciso quanto dizer que você está “comemorando” o preço do tomate na feira.

    Agora, sobre a parte do “juízo começa pela casa de Deus”: essa é uma citação de Pedro que você usou com a mesma elegância de quem põe um adesivo de caveira no para-choque e acha que virou teólogo. A passagem original fala sobre julgamento começar pelos líderes religiosos, não sobre dar um passe livre para bombardear países porque o manual diz que você é o povo escolhido. Se a gente for levar a sério a ideia de que Israel é uma nação imune a críticas porque Deus a escolheu, então teríamos que engolir também que cada expansão de assentamento, cada bombardeio em Gaza e cada violação de direito internacional é “vontade divina”. E aí, Marina, a teologia vira só um verniz para justificar política externa — o que, convenhamos, é um uso bastante conveniente da fé. Eu não duvido da sua sinceridade, mas questiono se você já parou para pensar que talvez, só talvez, o “fim dos tempos” seja uma narrativa tão útil para quem quer vender guerra quanto a “ameaça existencial” é para quem quer vender mísseis.

    No fim, o que me irrita nesse tipo de comentário não é a crença em si — cada um acredita no que quiser, desde que não use a Bíblia como roteiro de política externa. O que me irrita é a preguiça intelectual de reduzir um conflito com dezenas de camadas históricas, econômicas e sociais a um embate cósmico entre o Bem e o Mal, com direito a torcida organizada. Se o Irã é um regime autoritário e misógino? Sim, dados mostram isso. Se Israel comete violações sistemáticas? Sim, relatórios da ONU e de ONGs mostram isso. Se a esquerda globalista é um espantalho retórico que você usa para não precisar debater o mérito de cada política específica? Também sim. O futuro da humanidade, Marina, não vai ser decidido por uma guerra profetizada, mas pela nossa incapacidade coletiva de sentar e negociar sem achar que estamos num filme da Marvel. Mas vá lá, continue lendo Mateus 24 — só não esquece de ler também o manual de direitos humanos enquanto isso.

    Carlos Meirelles

    13/05/2026

    Marina, respeito sua fé, mas o problema real não é profecia — é o Irã usando dinheiro de petróleo para financiar terrorismo enquanto a esquerda globalista fecha os olhos. Defendo Israel por pragmatismo: é a única democracia liberal da região e um polo de inovação que gera riqueza, não por teologia.

    Carlos Oliveira

    13/05/2026

    Marina, com todo respeito, sua leitura transforma um conflito geopolítico complexo em profecia de guerra santa, e eu vejo nisso um perigo: quando a teologia vira justificativa para alinhamento automático com um dos lados, a gente perde de vista as vítimas reais — palestinos, libaneses, crianças que morrem sob bombardeios enquanto o discurso de “nação escolhida” silencia o debate sobre ocupação e apartheid.

Zé Trovãozinho

13/05/2026

Enquanto a Luisa Teens chora pelo planeta com #ForaBolsonaro, o Irã ameaça o mundo e a esquerda comemora mais um regime exótico. Acorda, garota, a Venezuela e Cuba já mostraram o final feliz desse filme.

    Marina Silva

    13/05/2026

    Acorda você, tiozão, que fica repetindo ladainha de Venezuela e Cuba enquanto o planeta derrete e a gente só pede um futuro que preste.

Carlos Mendes

13/05/2026

Mais uma narrativa apocalíptica que serve de cortina de fumaça para justificar orçamentos militares bilionários e sanções que só empobrecem o cidadão comum dos dois lados. Enquanto Washington e Teerã disputam quem manda no pedaço, o contribuinte americano banca aventuras externas e o iraniano sofre com inflação de dois dígitos e Estado inchado. Essa retórica messiânica é velha conhecida de qualquer regime que precisa desviar o foco da própria incompetência econômica.

    João Silva

    13/05/2026

    Você tem razão sobre a cortina de fumaça, Carlos, mas talvez esteja faltando o elemento freiriano nessa leitura: essa retórica messiânica não é só incompetência econômica mascarada, é também um dispositivo pedagógico perverso que educa o trabalhador americano e o trabalhador iraniano a se odiarem mutuamente, enquanto o complexo industrial-militar dos dois lados segue intocado porque a consciência de classe é permanentemente sabotada pela lógica do “nós contra eles”.

    Luisa Teens

    13/05/2026

    tipo, a gente com 17 anos vendo o planeta pegar fogo e os cara ainda brincando de guerra enquanto as corporações lucram horrores #SemPlanetaB #ForaBolsonaro


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