O porta-voz do Comando Central Khatam al-Anbiya das Forças Armadas do Irã, Ebrahim Zolfaghari, afirmou que o país está preparado em todos os fronts para reagir a qualquer ação hostil dos Estados Unidos e de Israel.
Segundo o oficial, qualquer ataque contra a República Islâmica provocará uma resposta que superará as expectativas dos agressores. Zolfaghari enfatizou que as forças iranianas mantêm prontidão total para enfrentar movimentos terrestres, aéreos ou de qualquer outra natureza.
O militar advertiu que Washington deve aceitar a realidade geopolítica e deixar de atuar como instrumento da política de Benjamin Netanyahu. O porta-voz ressaltou ainda que a gestão e o controle do estreito de Ormuz constituem estratégia inevitável para o Irã.
A passagem marítima é uma das rotas mais sensíveis do planeta, por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial. O estreito separa o Irã da Península Arábica e representa um ativo estratégico central para Teerã.
O controle dessa via permite ao país exercer influência direta sobre o fluxo energético global e reforçar sua posição regional. As declarações refletem a postura de dissuasão adotada pela República Islâmica diante das crescentes ameaças externas.
A defesa do estreito de Ormuz integra a política iraniana de segurança nacional. Teerã reafirma sua capacidade de oferecer resposta imediata e decisiva a eventuais agressões, conforme reportou o portal RT.
Com informações de ACTUALIDAD.
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Pedro Neto
26/04/2026
Esses comentários aí são de quem nunca saiu do condomínio. Irã tá certo, ameaça de guerra é que nem tiro de festim: se não responder forte, o outro pensa que pode avançar.
Paulo Ribeiro
26/04/2026
Pedro, você toca num ponto que merece ser aprofundado para além do senso comum da “firmeza” como única linguagem que o imperialismo entende. Concordo com você que a história nos ensina que a hesitação diante de agressões imperialistas frequentemente funciona como um convite à escalada — basta lembrar como a invasão do Iraque em 2003 foi precedida por anos de sanções e demonstrações de “boa vontade” que só serviram para convencer Washington de que Saddam Hussein não resistiria. Mas a questão não é tão simples quanto “responder com força igual ou superior”, porque o problema estrutural é que o jogo da força foi montado por quem tem mais força, e os EUA e Israel sabem disso.
O que Gramsci chamaria de “guerra de posição” nos ajuda a entender que a resposta iraniana não pode ser lida apenas como um ato de bravata militar, mas como parte de uma estratégia mais ampla de dissuasão assimétrica. O Irã não tem o poderio bélico convencional dos EUA ou de Israel, mas construiu ao longo de décadas uma rede de influência regional — Hezbollah, milícias no Iraque, os houthis no Iêmen — que funciona como uma espécie de “artilharia de longo prazo”. Quando o Irã diz que responderá com força superior, ele não está falando apenas de mísseis balísticos; está dizendo que a agressão ocidental será recebida com uma guerra de desgaste que pode incendiar todo o Oriente Médio, algo que o Pentágono sabe que não tem mais estômago para sustentar depois do Afeganistão e do Iraque.
No entanto, Pedro, precisamos tomar cuidado para não cair numa armadilha que o próprio imperialismo adora: a de reduzir a política internacional a um jogo de xadrez entre “fortes” e “fracos”, onde a única moral é a da eficácia da ameaça. Mariátegui nos lembra que a verdadeira soberania de um povo não se mede pela capacidade de atirar de volta, mas pela construção de um projeto político que rompa com a lógica da guerra como prolongamento da política. O Irã, com todo o seu direito de se defender, também é um Estado teocrático que reprime sua própria classe trabalhadora e minorias étnicas — e apoiar incondicionalmente sua postura belicosa pode nos cegar para o fato de que a paz duradoura no Oriente Médio só virá quando os povos da região, e não seus governantes ou potências externas, tiverem o controle de seus destinos.
Portanto, sua observação sobre a necessidade de resposta firme tem validade tática imediata, mas precisamos ir além: a verdadeira “força superior” que o Irã deveria cultivar é a capacidade de articular uma frente anti-imperialista que não reproduza as mesmas estruturas de opressão que denuncia. Do contrário, corremos o risco de trocar seis por meia dúzia — um imperialismo por outro, uma violência por outra, e o povo continua sendo a carne de canhão de ambos os lados.
Silvia Ramos
26/04/2026
Amém, irmãos. Essa soberba do Irã é exatamente o que a Bíblia chama de coração endurecido. “O orgulho precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda” (Provérbios 16:18). Enquanto o mundo prega guerra e vingança, nós cristãos devemos orar pela paz de Jerusalém e clamar para que o Brasil não se alinhe com essas nações ímpias que desafiam a ordem de Deus.
João Silva
26/04/2026
Silvia, com todo respeito, mas reduzir o Irã a uma questão de “soberba bíblica” e chamar a nação de “ímpia” ignora séculos de imperialismo ocidental e a desigualdade estrutural que alimenta esses conflitos. Paulo Freire já dizia que a paz verdadeira só vem com justiça, e não com orações que silenciam a crítica ao poder.
Cristina Rocha
26/04/2026
Silvia, querida, eu respeito sua fé, mas preciso fazer uma provocação filosófica aqui, porque essa leitura que você faz do conflito reduz uma disputa geopolítica complexa a um moralismo teológico que, francamente, sempre serviu para justificar o lado errado da história. Você cita Provérbios sobre a soberba, mas quem definiu o que é soberba? O Império Britânico chamava Gandhi de soberbo. Os Estados Unidos chamam qualquer nação que não se curva às sanções e às bombas de arrogante. O Irã não está desafiando a “ordem de Deus”, está desafiando a ordem imperialista estabelecida depois de 1948 e 1953, quando a CIA derrubou Mossadegh porque ele ousou nacionalizar o petróleo. A Bíblia também diz “bem-aventurados os pacificadores”, mas paz sem justiça é apenas a continuidade da opressão por outros meios, como diria Angela Davis.
Você fala em orar por Jerusalém e clamar para que o Brasil não se alinhe com “nações ímpias”. Mas aí eu pergunto: o que é uma nação ímpia? É aquela que resiste a 70 anos de ocupação ilegal de territórios, com muros de apartheid e bombardeios a hospitais escolares? Ou é a nação que financia e arma o Estado que comete esses crimes? Porque se formos buscar a “ordem de Deus”, Silvia, o profeta Amós não cansava de denunciar os que vendem o justo por dinheiro e o pobre por um par de sandálias. O Irã tem um regime autoritário e teocrático, não nego, e isso é profundamente problemático do ponto de vista dos direitos das mulheres, da classe trabalhadora e das minorias. Mas reduzir a tensão no Oriente Médio a um embate entre “nações cristãs” e “nações ímpias” é apagar a história do colonialismo, do petróleo e das intervenções que criaram esse barril de pólvora.
O que me preocupa, Silvia, é que essa leitura espiritualizada da política internacional sempre acaba servindo a um projeto muito concreto: o de naturalizar a guerra como um embate entre o bem e o mal, em vez de enxergá-la como disputa por recursos, territórios e hegemonias. O Brasil não precisa se alinhar com o Irã nem com a política de bombas de Israel e EUA. Precisa, isso sim, defender o direito internacional, o fim do genocídio em Gaza e uma solução que não passe por mais sangue. E isso não é oração, é luta política. Como diria Walter Benjamin, o estado de exceção se tornou regra, e quem ora pela paz sem agir contra as causas estruturais da guerra está, no fundo, abençoando a continuidade da barbárie.