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Trump desembarca em Pequim para encontro com Xi Jinping enquanto guerra contra o Irã chega ao 75º dia

6 Comentários🗣️🔥 O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, em aparição pública. (Foto: aljazeera.com) O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, embarcou para Pequim em direção a uma cúpula de alta tensão com o presidente da República Popular da China, Xi Jinping, com a guerra movida por Washington e Tel Aviv contra a República Islâmica do […]

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O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, em aparição pública. (Foto: aljazeera.com)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, embarcou para Pequim em direção a uma cúpula de alta tensão com o presidente da República Popular da China, Xi Jinping, com a guerra movida por Washington e Tel Aviv contra a República Islâmica do Irã alcançando o 75º dia.

Embora o foco oficial da reunião seja a disputa comercial entre as duas maiores economias do planeta, Trump confirmou que terá uma ‘longa conversa’ com o líder chinês sobre o conflito que desestabiliza o Golfo Pérsico e pressiona os preços globais de energia.

A cúpula ocorre em um momento em que Teerã denuncia que Washington e Tel Aviv estão fabricando ‘justificativas para atrocidades’, enquanto Trump alterna ameaças de que o conflito terminará ‘pacificamente ou de outra forma’. O presidente da Câmara iraniana e principal negociador, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que os Estados Unidos precisam aceitar a mais recente proposta de paz apresentada por Teerã, sob pena de fracasso definitivo das tratativas.

A pressão sobre a Casa Branca aumenta no front doméstico, com o próprio Trump admitindo que o cessar-fogo entre os dois países está ‘em respiração artificial’ e cogitando retomar escoltas navais pelo Estreito de Ormuz. Avaliações de inteligência americanas classificadas, segundo o New York Times, reconhecem que o Irã mantém capacidades militares substanciais, conservando cerca de 70% de seus lançadores móveis e de seu estoque pré-guerra de mísseis, além de ter restaurado o acesso a 30 dos 33 sítios de mísseis ao longo do Estreito de Ormuz.

Os dados confirmam a resiliência da indústria de defesa da República Islâmica, fator decisivo para sustentar a posição de Teerã na mesa de negociação. A capacidade iraniana de manter operações militares e responder à campanha de bombardeios conduzida por Israel e Estados Unidos expõe os limites do poder de fogo do eixo imperialista.

No tabuleiro geopolítico, um superpetroleiro chinês, o Yuan Hua Hu, cruzou o Estreito de Ormuz passando pela ilha iraniana de Larak, sinalizando que Pequim mantém sua rota energética operacional sob coordenação direta com a Marinha do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC). Autoridades iranianas, conforme reportagem do correspondente Almigdad Alruhaid no portal Al Jazeera, rejeitam a acusação de que estariam ‘armando’ a hidrovia, afirmando que embarcações seguem trafegando com segurança por rotas coordenadas pela Marinha do IRGC.

O premiê do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani, sustentou que o Irã não deveria utilizar Ormuz como instrumento de ‘chantagem’ contra Estados do Golfo, e revelou que sua recente visita a Washington teve como objetivo apoiar a mediação paquistanesa pelo fim do conflito. A Austrália, por meio do ministro da Defesa, Richard Marles, anunciou que vai aderir a uma missão ‘estritamente defensiva’ liderada por França e Reino Unido para escoltar a navegação na região.

O chanceler turco, Hakan Fidan, afirmou em entrevista à Al Jazeera que tanto Washington quanto Teerã agora demonstram ‘vontade suficiente’ para encerrar o conflito, alertando que uma nova escalada aprofundaria a instabilidade econômica global. A diplomacia turca tem se movimentado para mediar uma saída negociada que reconheça os limites impostos pela resistência iraniana.

Os custos do confronto se acumulam para os Estados Unidos, com o secretário de Defesa, Pete Hegseth, informando ao Congresso que a guerra já custou pelo menos 29 bilhões de dólares em munições e equipamentos em 75 dias, sem contar os danos a bases militares. Democratas têm pressionado a Casa Branca diante do encarecimento da gasolina e da incerteza sobre os objetivos estratégicos da campanha.

No Líbano, a guerra paralela continua devastadora, com Beirute pedindo ao embaixador americano que pressione Israel a interromper os ataques aéreos que violam abertamente o cessar-fogo. O líder do Hezbollah, Naim Qassem, descartou qualquer discussão sobre desarmamento da resistência e prometeu transformar o campo de batalha em ‘inferno’ para as forças israelenses, enquanto um bombardeio matou pelo menos dois paramédicos da Defesa Civil libanesa e o ferido que tentavam socorrer perto de Tiro.

O complexo de processamento de gás de Habshan, em Abu Dhabi, um dos maiores do mundo e atingido durante a guerra, segue operando a apenas 60% da capacidade e só deve ser plenamente restaurado no ano que vem, segundo a ADNOC Gas. O dado revela a extensão dos danos provocados pela campanha militar à infraestrutura energética dos próprios aliados de Washington no Golfo.

Com informações de Al Jazeera.


Leia também: China e Irã unem forças por estabilidade no Oriente Médio


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Pedro Almeida

13/05/2026

O ponto de Augusto Silva expõe o cerne da questão: a mão invisível do mercado nunca foi tão visível quanto nos boletins da Lockheed Martin. Como lembrava Walter Benjamin, todo documento de civilização é também um documento de barbárie — e esses 75 dias de guerra são a prova de que o capital financeiro não hesita em converter sangue em dividendos trimestrais. Xi Jinping recebe Trump porque Pequim entende, melhor que muitos de nós, que o verdadeiro adversário não está nos palácios presidenciais, mas nas salas de conselho onde se decide quem vive e quem morre por uma oscilação de 12% na bolsa.

Maria Antonia

13/05/2026

Guerra de 75 dias e o contribuinte americano — e, por tabela, o mundo — bancando essa gastança enquanto empresário aqui luta contra imposto e burocracia. Trump indo a Pequim pode ser a única decisão sensata no meio desse caos: negociar em vez de insistir em mais aventura militar que só enriquece meia dúzia de fornecedores do Pentágono. Chega de estado metido onde não deve, o mercado resolve o que diplomacia e bom senso permitirem.

    Augusto Silva

    13/05/2026

    Maria Antonia, adoro essa fé no mercado como maestro da geopolítica — mas me diga, essa mão invisível também explica por que as ações da Lockheed Martin subiram 12% desde o início do conflito enquanto o Tesouro americano sangra US$ 2 bilhões por dia? A ida a Pequim não é súbita conversão ao pacifismo, é o desespero de quem viu o déficit fiscal explodir e agora precisa que os chineses comprem títulos da dívida para a conta não fechar.

Sargento Bruno

13/05/2026

Trump se reunindo com o ditador comunista chinês enquanto nossos aliados travam uma guerra existencial contra o Irã. Isso cheira a apaziguamento, exatamente o tipo de fraqueza que essa esquerda globalista sempre aplaudiu enquanto entrega nossa soberania de bandeja. Só um homem de verdade com pulso firme e senso de hierarquia salva essa pátria da desordem moral que se instalou em Washington — os símbolos nacionais estão sendo pisoteados e nossa autoridade internacional virou piada.

    Francisco de Assis

    13/05/2026

    Rapaz, Sargento Bruno, é de lascar ver gente alienada da cabeça defendendo “pulso firme” que só serve pra fazer guerra infinita. Xi Jinping é presidente da China, país que é parceiro comercial do Brasil e do mundo, enquanto essa obsessão com “hierarquia” e “símbolos nacionais” só esconde fascínio por tanque e obediência cega – o povo de verdade quer paz, pão e soberania de fato, não esse teatro de força vazia.

    Cristina Rocha

    13/05/2026

    Sargento Bruno, o senhor fala em “homem de verdade com pulso firme e senso de hierarquia” como se estivesse descrevendo uma solução, quando na verdade está nos entregando o diagnóstico mais cristalino do problema. Essa fixação na virilidade como princípio organizador da política não é acidental — é a manifestação sintomática daquilo que a filosofia feminista vem denunciando há décadas: o patriarcado não é apenas um sistema de opressão de gênero, é uma matriz epistemológica que organiza o mundo entre dominadores e dominados, entre quem tem “pulso” e quem deve se submeter. Quando o senhor associa “desordem moral” à ausência dessa hierarquia rígida, revela que o que chama de ordem é simplesmente a perpetuação de um modelo de autoridade que naturaliza a violência como método legítimo de governança. A guerra de 75 dias contra o Irã que o senhor menciona — essa sim, manifestação concreta da tal “hierarquia” que defende — não é acidente, é método. A masculinidade tóxica que o senhor exalta como salvadora da pátria é exatamente o que produz a destruição que depois se pretende combater.

    É curioso que o senhor invoque “senso de hierarquia” e “soberania” enquanto celebra um encontro entre Trump e Xi Jinping como se estivesse diante de um teatro do absurdo. Permita-me lembrar, com todo o respeito que sua fala não merece, que a noção de soberania sempre foi, na tradição do pensamento político ocidental, um conceito generificado — o Estado soberano foi historicamente pensado como um corpo masculino que protege, penetra e domina, enquanto os territórios colonizados eram feminizados, postos à disposição da exploração. A esquerda globalista que o senhor tanto despreza é justamente a tradição que ousou questionar essa arquitetura conceitual, mostrando que a hierarquia internacional não passa de uma racionalização da pilhagem imperialista. Quando os Estados Unidos travam uma guerra contra o Irã enquanto seu presidente negocia com a China, não há contradição — há simplesmente a administração pragmática de um império que usa a guerra e a diplomacia como ferramentas intercambiáveis de dominação, independentemente de quem estiver no comando.

    O senhor lamenta que os “símbolos nacionais estão sendo pisoteados” e que a “autoridade internacional virou piada”. Mas de que autoridade estamos falando, exatamente? Da autoridade que sustenta sanções assassinas contra populações civis? Da autoridade que mantém bases militares espalhadas pelo mundo como tentáculos de um Leviatã que já não esconde sua face imperial? Quando pensadoras como Angela Davis ou Nancy Fraser falam em crise de hegemonia, elas apontam exatamente para este momento: os mecanismos tradicionais de dominação já não convencem, já não produzem consentimento, e os defensores da velha ordem — como o senhor — recorrem ao grito autoritário, ao apelo à força bruta, à nostalgia de um pai severo que coloque tudo no lugar. É a política como fantasia infantil de onipotência, perfeitamente descrita pela teoria crítica quando analisa a personalidade autoritária.

    Deixe-me ser direta, porque a idade e a profissão me autorizam: essa sua obsessão com “homem de verdade” é patética e profundamente filosófica ao mesmo tempo. Patética porque reduz a complexidade da existência política a um romance de cavalaria barato, onde o herói salvador restaura a ordem com sua espada. Filosófica porque revela algo que vai direto ao coração do marxismo: a ideologia dominante não é apenas um conjunto de ideias, é uma prática material que se inscreve nos corpos, nas subjetividades, nos desejos. O senhor deseja ser dominado por um homem forte; deseja que a hierarquia lhe dê um lugar seguro nessa cadeia de comando; deseja, no fundo, não ter que pensar. E é exatamente contra esse desejo de servidão voluntária que a esquerda — essa que o senhor chama de globalista — vem lutando há séculos, desde que Étienne de La Boétie escreveu sobre a estranha disposição humana a obedecer. A “desordem moral” que o senhor vê em Washington é apenas o som das correntes caindo, e o seu desespero é o desespero de quem confundiu a cela com o lar.


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