O ministro das Relações Exteriores da República Islâmica do Irã, Seyyed Abbas Araghchi, reuniu-se com o chanceler da Malásia, Mohamad Hasan, durante a Cúpula dos Ministros das Relações Exteriores do BRICS em Nova Délhi.
Araghchi destacou que a guerra de 40 dias marcou um ponto de inflexão na segurança da Ásia Ocidental. Ele afirmou que a região não pode mais depender dos Estados Unidos ou de Israel para garantir sua estabilidade.
O ministro iraniano ressaltou que os países da região reconheceram a interdependência de sua segurança. Araghchi enfatizou que o conflito não foi um evento isolado, mas sim um marco para a arquitetura de segurança regional.
Durante o encontro, Araghchi agradeceu ao governo malaio pelo apoio durante a guerra imposta ao Irã. Ele mencionou a condenação da Malásia ao assassinato de crianças em Minab como exemplo de solidariedade.
Araghchi abordou as mudanças no Estreito de Ormuz após o conflito. Ele lembrou que, antes da agressão dos EUA e Israel, o Irã e Omã ofereciam serviços gratuitos de segurança e navegação aos navios em trânsito.
O ministro responsabilizou Washington e Tel Aviv pela interrupção no Estreito de Ormuz. Ele afirmou que novos mecanismos de segurança regional serão necessários devido à agressão ilegal sofrida pelo Irã.
O chanceler malaio reafirmou as relações positivas entre Malásia e Irã. Mohamad Hasan destacou a oposição de seu país ao uso da força nas relações internacionais e defendeu a ampliação do diálogo diplomático.
Ambos os países concordaram em fortalecer a cooperação bilateral. A reunião foi noticiada pelo portal Mehr News.
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Vanessa Silva
15/05/2026
Helton e Marcos, com todo respeito, vocês estão misturando alhos com bugalhos. Segurança regional no Oriente Médio não é obra de túnel ou gestão municipal – o Irã quer autonomia justamente para seguir financiando milícias e expandindo sua influência. Dizer que a região não depende mais dos EUA depois de 40 dias de guerra é discurso político bonito, mas a realidade é que ninguém garante estabilidade sem um equilíbrio de forças concreto.
Silvia Ramos
15/05/2026
É uma ilusão pensar que qualquer nação resolve sua segurança sem depender de Deus. O Irã pode até negar os EUA, mas a verdadeira paz só vem do Altíssimo, como está em Romanos 13. Enquanto o mundo confia em governos e alianças terrenas, a Bíblia já avisa: “Se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela”. Esse orgulho todo um dia terá que se curvar diante do trono de Deus.
Paulo Ribeiro
15/05/2026
Silvia, sua reflexão toca num ponto que o pensamento conservador sempre explorou com maestria: a transferência da responsabilidade coletiva para uma instância transcendental. Como bem observou Marx nos Manuscritos Econômico-Filosóficos de 1844, a religião frequentemente opera como o ópio do povo não por ser falsa em si, mas por deslocar o horizonte de transformação deste mundo para um reino além da história. Romanos 13, que você cita, foi usado durante séculos para justificar a servidão voluntária a impérios e tiranias – desde o absolutismo monárquico europeu até as ditaduras latino-americanas que massacravam camponeses em nome da “ordem divina”. A questão não é se Deus guarda ou não a cidade, mas sim: que forças sociais constroem as muralhas e para quem elas servem?
O Irã que você menciona é um exemplo fascinante justamente por desmentir essa dicotomia entre fé e autonomia política. O aiatolá Khomeini, nos anos 1970, fez exatamente o oposto do que você sugere: mobilizou a religiosidade popular contra a dependência imperialista do xá Reza Pahlevi, que era um fantoche dos EUA. A revolução iraniana de 1979 mostrou que a fé pode ser uma potente ferramenta de libertação nacional quando articulada à luta concreta contra a dominação estrangeira. Gramsci já percebia isso ao falar de “hegemonia” – a religião não é intrinsecamente reacionária ou progressista; ela assume a cor da classe que a lidera. O que o Irã faz hoje, ao afirmar que sua segurança não depende mais dos EUA, é justamente um ato de soberania que mistura teologia xiita com geopolítica anticolonial. Não é negação de Deus; é afirmação de que nenhum deus digno desse nome abençoa a submissão de um povo a potências estrangeiras.
A verdadeira paz, Silvia, não vem nem de Washington nem do céu enquanto houver exploração econômica e dominação militar. Mariátegui, o grande marxista peruano, dizia que o socialismo na América Latina precisaria ser “heroico e criador”, porque nossas condições históricas exigiam uma síntese entre a luta de classes e as tradições comunitárias andinas – que tinham profunda base religiosa. O Brasil que Helton e Marcos mencionam precisa aprender essa lição: autonomia não se constrói com nacionalismo vazio ou com terceirização divina das decisões políticas. Conquista-se com organização popular, com controle social sobre as forças armadas, com ruptura dos acordos espúrios que entregam nosso pré-sal e nossas terras raras ao capital estrangeiro. Se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela, sim – mas se o povo não ocupar as ruas e as instituições, em vão se espera que os céus façam a reforma agrária.
Helton Barros
15/05/2026
Isso sim é uma lição que o mundo inteiro deveria aprender: chega de se curvar aos interesses dos EUA e das elites globalistas. Cada nação tem o direito de zelar pela própria segurança sem precisar de padrinho estrangeiro. Tomara que o Brasil um dia acorde e siga esse caminho, deixando de ser quintal de ninguém.
Marcos Andrade Niterói
15/05/2026
Concordo plenamente, Helton. Aqui em Niterói, vimos na prática que autonomia e gestão competente transformam a cidade — o Rodrigo Neves provou isso com obras como o túnel Charitas-Cafubá, enquanto o governo estadual só atrasa e a extrema-direita prega um nacionalismo vazio.