Fósseis descobertos na região de Ledi Geraru, na Etiópia, comprovam que múltiplas espécies de ancestrais humanos coexistiram há cerca de 2,8 milhões de anos, desafiando a teoria tradicional de uma evolução linear.
Análises de 13 dentes fósseis indicam que representantes do gênero Homo e uma espécie ainda não identificada de Australopithecus habitaram simultaneamente a área, entre 2,6 e 2,8 milhões de anos atrás. A descoberta, publicada recentemente, reforça a ideia de que a evolução humana foi um processo complexo e ramificado, e não uma progressão única.
Kaye Reed, paleoecologista da Universidade Estadual do Arizona, explicou que os registros fósseis mostram uma competição dinâmica entre espécies, com algumas se extinguindo e outras se adaptando a nichos ecológicos distintos. Segundo ela, a evolução humana não segue uma linha reta, mas sim um padrão mais semelhante a um arbusto, com diversas ramificações.
Os fósseis foram datados com precisão graças à presença de camadas vulcânicas na região, que servem como marcadores temporais naturais. Christopher Campisano, geólogo da mesma universidade, destacou que a atividade vulcânica no período Plioceno e Pleistoceno permitiu estabelecer cronologias exatas para os achados.
Na mesma bacia sedimentar, uma equipe da Universidade de Chicago identificou recentemente uma mandíbula de Paranthropus, confirmando a presença de pelo menos quatro linhagens distintas de hominídeos no leste africano durante esse período crítico. Essas evidências reforçam a hipótese de que a região foi um berço de diversificação evolutiva.
Os pesquisadores agora investigam a dieta dessas espécies por meio do estudo do esmalte dentário, buscando entender como diferentes grupos conseguiram coexistir sem competição direta. Os resultados poderão esclarecer mecanismos de adaptação que permitiram a sobrevivência de linhagens distintas por centenas de milhares de anos.
Os achados também revelam que a espécie Australopithecus afarensis, representada pelo famoso fóssil Lucy, já havia desaparecido da região há cerca de 2,95 milhões de anos, enquanto uma nova espécie de Australopithecus convivia com os primeiros membros do gênero Homo. Essa sobreposição temporal sugere uma capacidade surpreendente de adaptação ecológica.
Os estudos continuam para identificar a espécie desconhecida de Australopithecus e preencher lacunas na compreensão da árvore evolutiva humana. A descoberta reforça a importância da Etiópia como uma das regiões mais ricas em registros pré-históricos do mundo.
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