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Oceano perdido pode ter moldado montanhas da Era dos Dinossauros na Ásia Central

2 Comentários🗣️🔥 Montanhas cobertas de neve e um lago de águas claras na Ásia Central. (Foto: sciencedaily.com) Cientistas da Universidade de Adelaide descobriram evidências de que o desaparecido Oceano Tétis pode ter desempenhado um papel crucial na formação da paisagem montanhosa da Ásia Central durante a era dos dinossauros. A pesquisa, baseada em décadas de […]

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Montanhas cobertas de neve e um lago de águas claras na Ásia Central. (Foto: sciencedaily.com)

Cientistas da Universidade de Adelaide descobriram evidências de que o desaparecido Oceano Tétis pode ter desempenhado um papel crucial na formação da paisagem montanhosa da Ásia Central durante a era dos dinossauros. A pesquisa, baseada em décadas de dados geológicos, sugere que a atividade tectônica distante relacionada a esse antigo oceano coincide com períodos de rápida formação de montanhas na região.

Tradicionalmente, a formação da paisagem da Ásia Central foi atribuída a uma combinação de atividade tectônica, mudanças climáticas e processos no manto terrestre ao longo dos últimos 250 milhões de anos. No entanto, os novos achados indicam que o Oceano Tétis foi uma força dominante nesse processo.

Segundo o Dr. Sam Boone, que conduziu a pesquisa na Universidade de Adelaide, o clima e os processos do manto tiveram pouca influência na paisagem, que permaneceu em um clima árido por grande parte desse período. O Oceano Tétis, que uma vez se estendia por uma vasta área do planeta, começou a desaparecer durante o período Meso-Cenozoico.

Hoje, o Mar Mediterrâneo é considerado o remanescente final desse antigo oceano. De acordo com o professor associado Stijn Glorie, também da Universidade de Adelaide, a colisão entre a Índia e a Eurásia e a convergência contínua foram responsáveis pela formação do relevo atual da Ásia Central.

Durante o período Cretáceo, os dinossauros teriam visto uma paisagem montanhosa semelhante à atual Província de Basin-and-Range, no oeste dos Estados Unidos. A extensão do Tétis, devido ao recuo de placas subductantes, reativou antigas zonas de sutura em uma série de cristas paralelas na Ásia Central, a milhares de quilômetros da zona de colisão do Himalaia.

Os modelos de história térmica utilizados no estudo ajudaram a rastrear como as rochas esfriaram ao se aproximarem da superfície da Terra durante os períodos de elevação e erosão das montanhas. Esses modelos foram construídos usando métodos de termocronologia.

A equipe analisou uma compilação de modelos de história térmica em função de modelos tectônicos de placas para a evolução do Oceano Tétis, além de modelos de precipitação profunda e convecção do manto. O professor Glorie afirmou que o mesmo método de pesquisa pode ajudar a investigar outros mistérios geológicos ao redor do mundo.

O estudo foi publicado na revista Nature Communications Earth and Environment, e sua metodologia pode ser aplicada para entender a história da separação entre a Austrália e a Antártida, que ainda é enigmática. A Austrália se afastou há cerca de 80 milhões de anos, mas não há um registro claro disso na história térmica das margens das placas antártica ou australiana, conforme apontou o Science Daily.


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Lucas Moreira

18/05/2026

Interessante como esses estudos geológicos revelam que a própria natureza já fazia “privatizações” antes do estado existir: o Oceano Tétis “saiu do mercado” e deu lugar a montanhas produtivas. Enquanto isso, aqui no Brasil ainda temos burocratas tentando manter lagos artificiais de estatais que só secam o bolso do contribuinte. Se a placa tectônica entendeu que era hora de se retirar, por que certos órgãos públicos não seguem o mesmo exemplo?

    Márcio Torres

    18/05/2026

    Sinceramente, Lucas, sua analogia é criativa — e por isso mesmo merece uma análise mais rigorosa. Você atribuiu intencionalidade a um fenômeno puramente físico: placas tectônicas não “entendem” nada, não tomam decisões, não otimizam recursos. O Oceano Tétis “saiu do mercado” exatamente como um tijolo “decide” cair quando você o solta no chão: por pura gravidade, sem qualquer consciência de custo-benefício. Projeção antrópica sobre a natureza é um viés cognitivo clássico — e, nesse caso, serve de muleta para uma conclusão política prévia. Se formos levar a geologia como metáfora de gestão pública, o melhor exemplo seria o Himalaia: resultado de uma colisão lenta, violenta e extremamente cara em termos de energia tectônica. Não exatamente um modelo de eficiência de mercado.

    O problema central da sua comparação é que ela trata “existir” e “não existir” como equivalentes a “ser privatizado” e “ser estatal”. O Oceano Tétis desapareceu por subducção, não por liquidação de ativos. Ele não foi vendido para investidores — foi reciclado pelo manto terrestre. Se você quer usar processos naturais como espelho para políticas humanas, precisa reconhecer que a natureza também produz gigantescos mecanismos de subsídio cruzado (a reciclagem de carbono via vulcanismo, por exemplo) e externalidades massivas. A grande ironia é que o livre mercado que você defende opera exatamente contra esses ciclos longos: ele maximiza ganhos no curto prazo e ignora colapsos futuros. A placa tectônica não faz planejamento estratégico, mas ao menos não gera bolhas especulativas.

    Por fim, essa noção de que “montanhas produtivas” substituíram um “oceano improdutivo” é puro anacronismo econômico jogado sobre geologia. Montanhas não são produtivas em si mesmas — são barreiras geográficas que dificultam comércio, aumentam custos de transporte e, em muitos casos, são zonas de baixa densidade populacional. A riqueza de uma cordilheira depende inteiramente do contexto humano que a explora. Se você fosse realmente coerente com a analogia, teria que admitir que um órgão público que se extingue pode gerar um vazio institucional que inviabiliza desde licenciamento ambiental até regulação básica. “Sair do mercado” pode ser só colapso, não produtividade. Montanhas não pagam imposto, não geram emprego e não têm PIB; elas simplesmente são. Cobrar que o Estado imite a geologia é tão sem sentido quanto cobrar que uma rocha vote.


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