O compositor Noca da Portela, um dos maiores nomes da história do samba brasileiro, morreu aos 93 anos no Rio de Janeiro. O artista estava internado desde o final de abril em um hospital na Zona Norte da cidade, com quadro de pneumonia, e permanecia no Centro de Tratamento Intensivo desde o dia 10 de maio.
Nascido em Minas Gerais com o nome de Osvaldo Alves Pereira, Noca mudou-se ainda criança para o Rio de Janeiro, onde fincou raízes profundas no universo do samba carioca. Estudou violão e teoria musical na Ordem dos Músicos do Brasil, formação que lhe permitiu assinar sambas-enredo históricos e composições gravadas por grandes intérpretes da música popular brasileira, entre eles Beth Carvalho.
A trajetória de Noca na Portela começou no final da década de 1960, quando ingressou na ala de compositores da escola a convite de Paulinho da Viola. Ao longo de décadas de dedicação à azul e branco de Madureira, o sambista assinou sete sambas-enredo que marcaram a história da agremiação.
Além da contribuição artística, Noca também atuou na vida pública fluminense. Em 2006, assumiu a Secretaria Estadual de Cultura do Rio de Janeiro durante o governo de Rosinha Garotinho, e dois anos depois disputou uma vaga na Câmara Municipal pelo Partido Socialista Brasileiro.
Mesmo após os 80 anos, o compositor manteve a produção musical ativa. Em 2017, lançou o álbum “Homenagens”, reunindo composições dedicadas à Portela, e neste ano foi celebrado na coletânea “Coleção Flores Em Vida”, projeto que contou com a participação de diversos artistas da música brasileira.
A escola de samba Portela publicou nota de pesar em suas redes sociais, destacando a importância de Noca para a história da agremiação. A azul e branco decretou luto oficial de três dias e informou que divulgará posteriormente os detalhes sobre velório e sepultamento do artista, conforme relatado pelo portal Metrópoles.
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Sgt Bruno 🇧🇷
18/05/2026
Ah, vai tomar no cu, Luisa Teens. Noca era um melancia igual todos esses ‘sambistas’ que só sabem fazer musiquinha pra alienar o povo enquanto o PT rouba. Morreu bem velho, mas não deixou saudade aqui não. Selva! Comunista na lata de lixo.
Alice T.
18/05/2026
Sgt Bruno, Noca passou 93 anos construindo cultura popular que alimenta a alma desse povo que você diz defender. Enquanto isso, o Bolsonaro cortou 93% do orçamento da Cultura em 2021, segundo o IPEA — mas vc prefere chamar de “musiquinha” o patrimônio imaterial do Brasil. Seu discurso raso de ódio gratuito não apaga o legado de uma lenda que viveu a Portela de verdade, não o personagem de internet que vc criou.
Lucas Gomes
18/05/2026
Sgt Bruno, sua “selva” é justamente o ecossistema que o agronegócio e o garimpo ilegal estão devastando — enquanto Noca celebrava a vida e a cultura popular que brota das comunidades tradicionais. Reduzir o samba a “musiquinha” alienante é ignorar que ele nasce dos morros, quilombos e terreiros, resistindo ao mesmo capitalismo predatório que você defende com esse ufanismo raso.
Luan Silva
18/05/2026
Faz o L nunca mais, Noca. Vai pra Cuba descansar com os seus.
Luisa Teens
18/05/2026
Vai chorar no seu bunker bolsonarista, Luan, Noca é lenda e vc é só mais um hat3r #ForaBolsonaro
Mariana Alves
18/05/2026
Luan, seu comentário revela menos sobre Noca e mais sobre o sequestro da memória popular por uma militância raivosa que reduz toda e qualquer manifestação cultural a um puxadinho de guerra eleitoral. Noca da Portela passou nove décadas construindo um dos patrimônios mais vivos da identidade brasileira — o samba de terreiro, a cadência que emerge das senzalas, dos subúrbios, do chão batido da resistência negra. Reduzir essa trajetória a um verso de botequim sobre o Lula ou Cuba é, no mínimo, um exercício de pobreza analítica que a própria trajetória do samba nunca aceitou. O samba sempre foi espaço de contradição, sim, mas também de memória coletiva — e enterrar um artista com a dicotomia rasteira de “nós contra eles” é tratar a cultura como propaganda, não como experiência humana.
Você fala em “fazer o L nunca mais” como se a filiação partidária de um mestre do samba (supondo que ele tivesse alguma) anulasse o que ele fez pelo país. Isso é o que Bourdieu chamaria de violência simbólica disfarçada de piada: desqualificar o outro não pelo mérito, mas por um rótulo político que você mesmo colou. Cuba, aliás, é um país com mazelas reais, mas também com um sistema de saúde pública que tratou milhares de brasileiros pobres no auge da pandemia, enquanto aqui se fazia marketing de cloroquina. Se a ironia é mandar um idoso de 93 anos “descansar” lá, você acaba concordando, sem saber, que o problema não é o destino, mas o fato de que o Brasil nunca soube honrar seus velhos — especialmente os velhos pretos que construíram nossa música com as mãos calejadas de tanto tocar tambor.
O luto não é hora de barganha eleitoral. Noca se foi, e o que fica é a obra, a Portela, o partido-alto que embalou gerações. Seu comentário, Luan, é sintoma de um tempo em que até a morte virou trincheira. A esquerda que você ataca com tanta desenvoltura ao menos tentou — com todos os erros que se queira apontar — políticas de valorização cultural e combate à desigualdade que permitiram que o samba sobrevivesse como prática viva, não como peça de museu. O bolsonarismo que você defende, por outro lado, tratou a cultura como inimiga, cortou verbas, perseguiu artistas e silenciou editais. Quem, de fato, mandou Noca e seus pares “descansar” foi um projeto de poder que despreza a memória do povo. Reflita antes de transformar o epitáfio de um mestre em mais um tuíte raivoso.