O cacique Raoni Metuktire, líder do povo Kayapó e uma das mais proeminentes vozes em defesa dos povos indígenas e da Amazônia, apresenta evolução positiva no quadro de saúde após ser internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Dois Pinheiros, em Sinop, no Mato Grosso. Aos 93 anos, o líder indígena enfrenta complicações decorrentes de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e pneumonia, mas já consegue respirar sem auxílio de oxigênio suplementar.
Segundo informações de Patxon Metuktire, sobrinho-neto do cacique, a saturação de oxigênio de Raoni subiu de 93-95 para 97, indicador que reflete resposta positiva ao tratamento. O líder indígena já conseguiu tomar café e relatou estar se sentindo melhor, o que trouxe alívio à família e à equipe médica composta por cardiologistas e pneumologistas.
A internação ocorreu após Raoni apresentar indisposição e ser atendido inicialmente na Unidade de Pronto Atendimento de Peixoto de Azevedo, município onde vive na Terra Indígena Capoto-Jarina. Posteriormente, foi transferido para o Hospital Regional local e, a pedido da família, encaminhado ao Hospital Dois Pinheiros para receber cuidados intensivos mais especializados.
Raoni Metuktire dedicou décadas de sua vida à luta pela demarcação de terras indígenas e pela preservação da floresta amazônica, tornando-se figura central no movimento ambientalista internacional. Sua atuação lhe rendeu reconhecimento global, incluindo a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito, a mais alta honraria concedida pelo Estado brasileiro.
O cacique ganhou projeção mundial na década de 1980, quando percorreu diversos países ao lado do cantor Sting para denunciar a destruição da Amazônia e os ataques aos povos originários. Desde então, mantém presença constante em fóruns internacionais e encontros com chefes de Estado, sempre reafirmando a urgência de proteger os territórios indígenas contra o avanço do desmatamento e do garimpo ilegal.
A saúde do líder Kayapó é acompanhada com atenção por comunidades indígenas, organizações ambientalistas e apoiadores em diversos países, conforme reportou a Carta Capital. A expectativa é de que novos exames permitam avaliar a continuidade da recuperação do cacique, cuja trajetória de resistência inspira gerações de defensores dos direitos indígenas e do meio ambiente.
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