Estudo internacional com mais de 2 mil primatas de 41 espécies revela que a preferência pela mão direita — presente em cerca de 90% da população humana — é resultado direto da combinação entre bipedalismo e desenvolvimento cerebral.
Publicado na revista Plos Biology, o trabalho liderado por Thomas A. Püschel, Rachel M. Hurwitz e Chris Venditti demonstra que nenhuma outra espécie de primata apresenta um nível tão acentuado de lateralidade manual. Enquanto outros símios exibem leve tendência a um lado, os humanos desenvolveram uma especialização motora e cerebral única.
Os pesquisadores destacam que o bipedalismo foi o primeiro fator decisivo. Ao adotar a locomoção ereta, os ancestrais humanos liberaram as mãos para tarefas complexas, como manipulação de ferramentas. Essa adaptação permitiu o refinamento de habilidades motoras essenciais para a sobrevivência e inovação tecnológica.
O crescimento do volume cerebral e a reorganização do córtex também foram cruciais. A especialização dos hemisférios cerebrais possibilitou uma execução mais eficiente de comportamentos assimétricos, consolidando o uso predominante da mão direita em atividades cotidianas.
Segundo Püschel, a lateralidade manual não surgiu de forma abrupta, mas se intensificou gradualmente ao longo da evolução do gênero Homo. Espécies como o Homo erectus e os Neandertais já apresentavam sinais dessa tendência, que atingiu seu ponto máximo com o Homo sapiens.
O estudo reforça que a assimetria manual reflete a complexidade física e cognitiva alcançada pela espécie humana ao longo de milhões de anos. Apesar disso, a persistência de uma minoria canhota segue como um dos mistérios da evolução.
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