O presidente da China, Xi Jinping, pode visitar a Coreia do Norte na próxima semana, segundo a agência sul-coreana Yonhap. A notícia foi divulgada citando fontes governamentais sul-coreanas.
Obtivemos inteligência indicando que o presidente Xi Jinping visitará a Coreia do Norte em breve, afirmou um alto funcionário do governo sul-coreano à agência.
A visita pode ocorrer em um momento de tensão crescente na península coreana, com Xi tentando mediar relações entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos.
Em janeiro, durante uma reunião com Xi na China, o presidente sul-coreano Yoon Suk-yeol também pediu ao líder chinês que ajudasse a mediar relações entre as duas Coreias. Xi reagiu positivamente a esse pedido, destacando o papel da China como mediador regional.
A possível visita ocorre em um contexto de fortalecimento das relações entre Pequim e Pyongyang, com a China buscando influenciar a dinâmica geopolítica na Ásia Oriental.
Fontes indicam que a China tem interesse em reduzir as tensões na região e promover estabilidade, enquanto a Coreia do Norte busca apoio internacional diante das sanções internacionais e pressão diplomática.
A visita de Xi Jinping, se confirmada, representaria um importante passo nas relações bilaterais e poderia impactar significativamente a dinâmica de segurança na Ásia.
As agências internacionais monitoram de perto os desenvolvimentos, pois uma visita de alto nível entre os líderes das duas nações poderia sinalizar mudanças significativas na política regional.
A China e a Coreia do Norte mantêm relações históricas, com Pequim sendo um dos principais parceiros diplomáticos e econômicos de Pyongyang.
Os detalhes da visita ainda não foram confirmados oficialmente por nenhum dos governos envolvidos, mas as agências internacionais continuam a monitorar a situação de perto.
Leia mais sobre o assunto na Reports.
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Julia Andrade
21/05/2026
É curioso como a simples menção a uma possível viagem diplomática entre China e Coreia do Norte aciona imediatamente os automatismos ideológicos ocidentais — e, claro, os comentários aqui já entregam o script com perfeição didática. O que me interessa, para além do riso nervoso que o espetáculo provoca, é justamente o que esse tipo de reação revela sobre nossa própria formação colonial. A Coreia do Norte funciona como um significante vazio no imaginário ocidentalizado: um espaço sobre o qual se projeta tudo aquilo que não se quer enxergar em si mesmo. Autoritarismo? Controle da informação? Culto à personalidade? Basta olhar para a arquitetura do Vale do Silício, para as monarquias do petróleo que financiam nossos campeonatos de futebol ou para o modo como as democracias liberais tratam seus próprios dissidentes — Julian Assange que o diga — para perceber que o horror ao “outro comunista” é, em larga medida, um mecanismo de deslocamento psíquico coletivo. A psicanálise tem nome para isso, e não é bonito.
Há uma segunda camada que me parece ainda mais sintomática: o apagamento completo das mulheres e das relações de gênero nesse tabuleiro geopolítico. Lê-se “Xi Jinping visita Kim Jong-un” e aciona-se o repertório da guerra fria, dos mísseis, do isolamento, mas raramente alguém se pergunta como as mulheres norte-coreanas — ou chinesas, diga-se — vivenciam essas articulações de poder entre Estados. A militarização da península coreana tem efeitos concretos sobre os corpos femininos, sobre a distribuição de recursos, sobre o trabalho reprodutivo em contextos de escassez. Mas isso não aparece nem na caricatura grotesta do “comunista encontra comunista”, nem na defesa apressada que transforma a Coreia do Norte em sonho molhado ideológico sem mediação crítica. Falta justamente o que uma perspectiva feminista e interseccional poderia trazer: a pergunta sobre quem carrega o peso material dessas estruturas, para além dos símbolos fáceis que consomimos como entretenimento geopolítico.
Também me chama atenção o modo como a mídia sul-coreana — a Yonhap, nesse caso — enquadra a notícia a partir de “fontes governamentais”, sem que se explicite que a própria Coreia do Sul é parte interessada e profundamente implicada nessa dinâmica. A península coreana é um laboratório do choque cultural que me obseda como estudante: uma mesma etnia, uma mesma língua, partida ao meio por uma guerra que jamais terminou formalmente e que serve de justificativa permanente para a presença militar estadunidense na região. Seul produz inteligência sobre Pyongyang; Pyongyang responde com sua própria dramaturgia. Nesse jogo de espelhos, a visita de Xi Jinping não é apenas um encontro bilateral, mas um movimento em um tabuleiro muito mais amplo, onde se negociam rotas comerciais, alinhamentos nucleares e, sobretudo, o grau de autonomia que os países asiáticos conseguem exercer diante do sistema financeiro e militar liderado por Washington. Reduzir isso a um Fla-Flu ideológico de quinta categoria é não entender nada do século XXI.
A Laura começou a desenrolar um fio importante sobre a colonização do pânico anticomunista, e eu gostaria de puxá-lo um pouco mais: o que a histeria ocidental contra a Coreia do Norte esconde não é apenas ignorância, mas um medo profundo de que existam formas de organização social que recusam os pressupostos liberais que nos foram naturalizados como universais. Não se trata de romantizar a ditadura dinástica dos Kim — eu, feminista brasileira, tenho zero motivos para aplaudir qualquer regime que não garanta direitos sexuais e reprodutivos plenos, e Pyongyang está longe disso. Mas o pânico que o “comunista” do Tonho representa é a ponta de um iceberg muito maior: uma recusa do Sul global a continuar ocupando o lugar de subalternidade epistêmica que o Norte lhe reservou. Xi Jinping visitando Kim Jong-un é, entre outras coisas, um símbolo de que o centro de gravidade da política mundial está se deslocando, e isso assusta muito mais do que qualquer ogiva nuclear. O problema nunca foi a bomba — o problema é a soberania.
Tonho Patriota
21/05/2026
LA VAI O COMUNISTA ENCONTRAR O OUTRO COMUNISTA, FAZ O L QUE O BRASIL VAI VIRAR UMA COREIA DO NORTE
Célia Carmo
21/05/2026
FAZ O L ENTÃO, TONHO, BRASIL VIRAR COREIA DO NORTE É MEU SONHO MOLHADO, SEU PATRIOTA DE IPHONE! #ACABOUCAPITALISMO
Laura Silva
21/05/2026
Tonho, seu comentário é um prato cheio para uma aula sobre a construção ideológica do anticomunismo rasteiro que serve apenas para manter os privilégios da classe que você, conscientemente ou não, defende. Primeiro, é preciso descolonizar esse pânico: a Coreia do Norte não é um país “comunista” no sentido marxiano de uma sociedade sem classes e sem Estado; é um Estado socialista de partido único que emergiu das cinzas de um genocídio perpetrado pelos EUA na Guerra da Coreia (1950-1953), onde mais de 20% da população foi dizimada por bombardeios indiscriminados. Desde então, sobrevive sob um cerco imperialista de sanções que estrangulam sua economia — as mesmas sanções que, aliás, a esquerda brasileira denuncia há décadas, pois sabemos que quem paga o pato é o povo, nunca as elites. A Coreia do Norte é o que resta quando um país ousa não se curvar ao Consenso de Washington: difamada, isolada, mas ainda assim resistindo. Compará-la ao Brasil de Lula é ou ignorância histórica brutal ou má-fé de quem sabe que a imagem do “comunista comedor de criancinha” ainda funciona para mobilizar o voto conservador.
Segundo, vamos falar do tal “Brasil virar uma Coreia do Norte”. Você realmente acredita que o maior medo do trabalhador brasileiro é ter acesso universal a saúde, educação pública de qualidade, moradia garantida e pleno emprego, mesmo que sob um regime político fechado? Porque, ironias à parte — e a Célia já fez a parte dela com brilhantismo —, o modelo norte-coreano, com todos os seus graves problemas de liberdades civis (que nenhum marxista sério aplaude), conseguiu erradicar a fome em seu território nos anos mais estáveis, construiu um parque industrial autônomo e mantém indicadores sociais que envergonham boa parte do Sul Global capitalista. A questão é que o seu pavor não é pela ditadura do proletariado, mas pela simples redistribuição de renda. O “comunismo” que te assombra é o Bolsa Família tirando a mão de obra barata do mercado, as cotas colocando pobres e negros nas universidades, o salário mínimo com ganho real. O “L” que você tanto teme não é o de Lenin, é o de Lula, que ousou fazer o Brasil sair do Mapa da Fome com políticas que, aos olhos do capital financeiro, são “ameaça vermelha”.
Por fim, a visita de Xi Jinping é emblemática justamente por isso: a China, que vocês adoram demonizar como “comunista”, tirou 800 milhões de pessoas da pobreza extrema nas últimas décadas usando um modelo econômico que, sim, combina planejamento estatal e mercado, mas que não se submete à cartilha neoliberal do FMI. Enquanto você digita seu ódio no iPhone — fruto máximo da globalização exploratória que seu discurso patriota venera —, a China e a Coreia do Norte, cada uma a seu modo, representam a possibilidade de um mundo onde o desenvolvimento não precise passar pela miséria planejada que nós, na periferia do capitalismo, conhecemos tão bem. O Brasil jamais será uma Coreia do Norte porque a nossa burguesia jamais permitiria abrir mão de seus privilégios; mas, se depender de nós, será um país onde o “L” de luta, de liberdade e de Lula enterre de vez o pesadelo neoliberal que você, mesmo sem perceber, defende com essa gritaria histérica.