A Polícia Federal descreveu como nababesco o padrão de vida associado à relação entre o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Documentos enviados ao Supremo Tribunal Federal detalham aportes de R$ 3 bilhões do RioPrevidência em produtos financeiros da instituição. A investigação foi divulgada pelo portal Metrópoles.
A expressão busca destacar o contraste entre o luxo exibido pelos investigados e a natureza pública dos recursos do RioPrevidência. O fundo é responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de milhares de servidores estaduais.
Segundo os investigadores, o padrão de vida revelado é incompatível com a cautela esperada na gestão de verbas previdenciárias. A PF aponta que Vorcaro buscava estreitar laços com agentes públicos por meio de encontros, viagens e jantares de alto padrão.
A relação entre os dois extrapolou limites institucionais, consolidando uma convivência que levanta suspeitas sobre a lisura das operações. Um dos episódios citados é uma viagem a Nova York em 2023, quando Castro jantou no restaurante Nusr-Et.
A despesa de US$ 13.313 foi registrada em cartão de crédito vinculado a Vorcaro. Os investigadores também mencionaram diálogos sobre a reserva de garrafas de vinhos renomados, como Vega-Sicilia Único 2013, e champagnes Dom Pérignon e Cristal.
As conversas interceptadas revelavam preocupação com a qualidade das safras e indicações de sommeliers. Esses detalhes contrastam com a austeridade esperada na gestão de um fundo de pensão público.
Enquanto essas aproximações ocorriam, o RioPrevidência ampliava sua exposição ao Banco Master. O fundo tem como função primordial garantir o pagamento de aposentadorias e pensões, o que torna qualquer desvio de finalidade um problema grave.
Inicialmente, o fundo investiu R$ 970 milhões em letras financeiras do Banco Master. Posteriormente, os valores foram transferidos para fundos de investimento ligados à mesma instituição, elevando a exposição total a cerca de R$ 3 bilhões.
Documentos da PF indicam que algumas operações dependiam de alinhamentos políticos. Reuniões entre Vorcaro e Castro antecederam a liberação de novos aportes do RioPrevidência, sugerindo possível influência indevida.
A defesa de ambos nega irregularidades e afirma que os investimentos seguiram critérios jurídicos e de mercado. O caso corre sob sigilo no STF e pode envolver outros integrantes da administração fluminense.
A investigação reforça a necessidade de mecanismos mais robustos de governança nos fundos de pensão estaduais. O debate sobre transparência nas relações entre agentes públicos e investidores privados é reacendido.
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