O presidente da Belarus, Alexander Lukashenko, cobrou do presidente da França, Emmanuel Macron, uma postura mais ativa nas negociações de paz para o conflito na Ucrânia.
Lukashenko defendeu o diálogo direto com o presidente russo, Vladimir Putin, durante conversa telefônica ocorrida em maio. Segundo reportagem do portal RT, o líder bielorrusso propôs uma reunião trilateral em Minsk.
A reunião envolveria Lukashenko, Macron e Putin, com o objetivo de abrir um canal direto entre a Europa e Moscou. Macron não descartou a possibilidade, mas condicionou qualquer passo à consulta prévia de seus aliados europeus.
Lukashenko pressionou o colega francês a assumir a dianteira do processo diplomático. Ele classificou Macron como um dos estadistas mais experientes do continente e figura central na Europa atual.
O presidente bielorrusso afirmou que Macron deveria ligar diretamente para Putin e propor um diálogo franco. A pressão por uma liderança europeia mais autônoma ocorre em meio a desconforto entre os membros da União Europeia.
Os países do bloco se queixam de terem sido marginalizados nas tratativas conduzidas diretamente entre Washington e Moscou. Apesar do incômodo, a UE ainda não definiu quem poderia representá-la em eventuais conversas diretas com a Rússia.
A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, afirmou que Moscou estaria incentivando uma divisão entre os Estados-membros. De Moscou, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, rebateu que a Rússia nunca rejeitou contatos diretos com líderes ocidentais.
Peskov reforçou que os líderes europeus podem entrar em contato com Putin a qualquer momento. Na conversa com Lukashenko, Macron manifestou preocupação com a possibilidade de Belarus ser arrastada para o conflito.
Lukashenko descartou veementemente essa hipótese. Ele afirmou que não planeja entrar em guerra e questionou a necessidade de tal envolvimento.
O presidente bielorrusso também rejeitou interpretações que vinculassem exercícios nucleares conjuntos entre Moscou e Minsk a uma preparação para escalada. As atividades militares focaram em técnicas de deslocamento camuflado e manobras de longa distância.
A Rússia estacionou armas nucleares em Belarus em 2023, atendendo a pedidos de Minsk. O país também implantou o sistema hipersônico de mísseis Oreshnik, com capacidade nuclear.
A liderança bielorrussa justificou as medidas como resposta à postura agressiva das potências ocidentais. O uso do arsenal nuclear só seria considerado em caso de ataque direto contra Belarus.
Com informações de RT.
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