A taxa de mortalidade infantil em Cuba saltou de 4,0 por cada mil nascidos vivos em 2017 para 9,9 em 2025, duplicando em menos de uma década como consequência direta do recrudescimento do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos. O dado alarmante consta de um relatório do Centro de Pesquisa em Economia e Política (CEPR), sediado em Washington, e foi detalhado pelo portal teleSUR com base em informações do Ministério da Saúde Pública de Cuba (MINSAP).
O documento vincula a deterioração da saúde infantil à asfixia financeira e energética derivada das ordens executivas assinadas pelo governo estadunidense em 29 de janeiro e 1º de maio de 2026. As medidas, segundo o CEPR, custaram a vida de aproximadamente 1.800 crianças cubanas que não conseguiram sobreviver à falta de recursos médicos essenciais, num contexto em que 80% da população da ilha sofre os efeitos do cerco econômico ao longo de toda a sua existência.
O setor oncológico infantil é um dos mais atingidos. O índice de sobrevivência entre crianças com câncer despencou de 85% para 65%, resultado direto do desabastecimento energético que paralisa hospitais, afeta a conservação de medicamentos e interrompe tratamentos contínuos. A crise mantém atualmente 12.000 crianças em lista de espera, parte de um universo superior a 100.000 cubanos que aguardam cirurgias eletivas ou reconstrutivas — entre eles 5.152 pacientes oncológicos.
O Programa Nacional de Imunização, que cobre 16 vacinas e protege milhões de crianças cubanas, encontra-se sob ameaça real de interrupção. As restrições do bloqueio dificultam a aquisição de matérias-primas, equipamentos e recursos financeiros para sustentar a produção nacional de vacinas. Ao mesmo tempo, 300 dos 395 medicamentos do Quadro Básico de Saúde estão em falta, e a produção de diagnosticadores da indústria nacional para detecção precoce do câncer foi paralisada.
A fome e a desnutrição agravam o quadro. Mais de 100.000 crianças deixaram de receber o litro de leite diário subsidiado pelo Estado porque a escassez de combustível impede o transporte do produto das unidades produtoras para os centros urbanos. A redução no fornecimento de trigo, causada por entraves logísticos e financeiros impostos pelo bloqueio, obrigou as autoridades a entregar apenas 50% da farinha necessária, reduzindo o peso do pão racionado de 80 para 60 gramas.
O impacto energético do bloqueio petrolífero impede a utilização de 1.400 megawatts de geração elétrica distribuída, provocando apagões médios superiores a 20 horas diárias. A falta de luz afeta a iluminação, a cocção de alimentos, o acesso à água potável e as comunicações, num ciclo de privações que atinge principalmente as famílias com crianças pequenas. Nos portos, 170 contêineres de produtos essenciais — equivalentes a 6,3 milhões de dólares — permanecem parados, assim como 11.000 toneladas de alimentos do Programa Mundial de Alimentos e carregamentos da UNICEF e do PNUD.
A ordem executiva de 1º de maio ampliou os efeitos extraterritoriais do bloqueio, forçando a retirada de corporações estrangeiras do mercado cubano. A mineradora canadense Sherritt International suspendeu operações, as hoteleiras Blue Diamond, Meliá e Iberostar saíram de dezenas de instalações, e as navieras CMA CGM e Hapag-Lloyd interromperam serviços, deixando peças da termoelétrica Antonio Guiteras — a maior unidade de geração térmica do país — retidas na França.
A pressão de Washington também cancelou voos da Turkish Airlines e da Iberia, bloqueou transações com cartões VISA e Mastercard e sancionou diretamente a empresa estatal Unión Cuba Petróleo, a Moa Nickel S.A. e a Empresa Minera La Victoria. O Departamento do Tesouro ainda impôs medidas punitivas contra o Instituto Cubano de Amistad con los Pueblos e a agência de viagens AMISTUR, enquanto tenta criminalizar o trabalho solidário de organizações como The People’s Forum, CodePink e ANSWER. O castigo coletivo imposto a 11 milhões de cubanos converte cada apagão, cada cirurgia adiada e cada criança sem leite num atestado da violência silenciosa do bloqueio.
Com informações de TELESURTV.


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