Em entrevista ao canal Dialogue Works, apresentado por Nima Alkhorshid, o coronel Anthony Aguilar analisou o mais recente fracasso das forças israelenses em tomar a colina de Ali al-Tahir, no sul do Líbano, uma posição estratégica controlada pelo Hezbollah. Segundo Aguilar, Israel tentou conquistar o local seis vezes, incluindo a última ofensiva, sem sucesso.
Aguilar destacou que a colina funciona como uma fortaleza do Hezbollah, com dezenas de túneis subterrâneos e posições de tiro elevadas que permitem visão ampla da região, inclusive do norte de Israel. A incapacidade israelense de avançar nesse ponto reflete, para o analista, a dificuldade maior de atingir os objetivos militares declarados no sul do Líbano.
O coronel também criticou a diplomacia dos Estados Unidos, afirmando que o país não possui um representante honesto em Israel que defenda os interesses americanos. Ele apontou que o embaixador americano em Israel atua mais em favor de Israel do que dos EUA, o que enfraquece as negociações de cessar-fogo com o Irã. Aguilar argumentou que o acordo em discussão, embora pareça uma rendição, é do interesse americano no momento, pois as condições tendem a piorar com a continuidade do conflito.
Um dos pontos centrais da análise foi o uso do Estreito de Ormuz como ferramenta de pressão pelo Irã. Aguilar explicou que, ao fechar a passagem estratégica, o Irã consegue infligir danos econômicos aos EUA sem recorrer a ataques militares diretos, uma vez que a Marinha americana não pode reabrir o estreito sem um conflito de alta intensidade. Essa medida, somada à ameaça de ataques cinéticos contra Israel, coloca os EUA diante de uma escolha difícil: priorizar Israel ou os próprios interesses nacionais.
O analista concluiu que o cessar-fogo é frágil e que a lógica de Israel é prolongar o conflito para arrastar os EUA para um confronto direto com o Irã, enquanto o Irã demonstra compreender a arte da pressão econômica sem necessidade de escalada nuclear. A ausência de um interlocutor americano imparcial, somada à inexperiência de negociadores como Jared Kushner e Steve Witkoff, torna o cenário ainda mais volátil.


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