O governo Lula (PT) atingiu, pela primeira vez desde o início da série histórica da pesquisa BTG/Nexus, um empate técnico entre aprovação e desaprovação: 47% a 47%, com 6% que não souberam ou não quiseram responder. O dado, divulgado nesta segunda-feira (13), representa o melhor resultado do governo desde 30 de março, quando a distância entre os dois indicadores era de seis pontos negativos (45% a 51%).
Uma trajetória de melhora lenta, mas constante
A série mostra recuperação gradual ao longo do semestre: em abril, o saldo era de 46% a 49%; em maio, 47% a 48%; em 15 de junho, o governo chegou a virar pela primeira vez, com 48% a 47%; e, em 29 de junho, ambos os índices bateram 48%. A rodada atual traz uma leve oscilação de um ponto para baixo em ambos os lados, mas mantém o padrão de empate técnico que já se consolidou nas últimas semanas — um contraste claro com o cenário do início do ano, quando a desaprovação era hegemônica.
Um Brasil dividido por renda: quanto menor o salário, maior o apoio a Lula
O dado mais contundente da pesquisa é a relação quase linear entre renda e avaliação do governo. Entre quem ganha até um salário mínimo, a aprovação chega a 58%, contra 33% de desaprovação — uma vantagem de 25 pontos. Entre desempregados, o índice é ainda mais expressivo: 63% aprovam a gestão, e apenas 34% desaprovam. Mas o quadro se inverte à medida que a renda sobe: entre quem ganha de dois a cinco salários mínimos, a desaprovação já supera a aprovação (53% a 44%), e essa distância negativa se mantém acima de cinco salários mínimos (54% a 43%).
É um retrato que ajuda a explicar a lógica de programas sociais e a política de valorização do salário mínimo como pilares centrais da estratégia eleitoral do governo: é exatamente na base da pirâmide de renda que Lula consolida sua maior margem de aprovação, enquanto perde terreno à medida que sobe a régua socioeconômica.
A divisão de gênero, geração e religião
O levantamento também confirma clivagens já conhecidas da política brasileira, mas agora com números atualizados: entre mulheres, a aprovação é de 54% contra 39% de desaprovação; entre homens, o quadro se inverte, com 56% de desaprovação contra 40% de aprovação. Por faixa etária, os idosos (60 anos ou mais) dão o maior respaldo ao governo, com 56% de aprovação — o público mais fiel ao Bolsa Família e aos reajustes do INSS. Já entre evangélicos, tradicionalmente mais afinados ao bolsonarismo, a desaprovação chega a 56%, contra apenas 38% de aprovação — o pior resultado do governo em qualquer recorte religioso.
Geografia da aprovação: Nordeste x Sul, um retrato que já virou clichê — mas que segue real
Regionalmente, o padrão histórico se confirma sem surpresas: o Nordeste dá a Lula sua maior vantagem, com 57% de aprovação contra 37% de desaprovação (20 pontos de saldo positivo), enquanto o Sul apresenta o cenário mais hostil, com apenas 34% de aprovação contra 58% de desaprovação. O Sudeste, região decisiva no equilíbrio eleitoral nacional, aparece empatado, com 49% para cada lado — um território que deve concentrar boa parte da disputa efetiva pelos votos indecisos até outubro.
Por que esse empate importa mais do que parece
O significado desse número vai além do “meio a meio” isolado: ele marca a consolidação de uma trajetória de recuperação real, não um pico isolado — a aprovação sobe de forma incremental há quatro meses seguidos, mesmo com a desaprovação também oscilando dentro de uma faixa relativamente estreita.
Combinado com os dados de intenção de voto divulgados na mesma rodada — que mostram Lula à frente em todos os cenários de primeiro e segundo turno —, esse empate na avaliação de governo sugere que o presidente está conseguindo transformar uma gestão ainda avaliada de forma dividida em vantagem eleitoral concreta, muito por conta do desgaste comparativamente maior de seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — hoje enredado em uma sequência de escândalos que vai do bloqueio de bens de seu padrinho político Valdemar Costa Neto ao financiamento do filme “Dark Horse” pelo Banco Master.


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