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Rússia ataca Kyiv e expõe fragilidade da defesa aérea ocidental

Ataques russos com mísseis balísticos e drones matam seis na Ucrânia; dependência de sistemas americanos Patriot se mostra frágil, enquanto Trump promete l

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Rússia ataca Kyiv e expõe fragilidade da defesa aérea ocidental
Ilustração editorial sobre Rússia ataca Kyiv e expõe fragilidade da defesa aérea ocidental. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

A Rússia lançou uma nova onda de ataques contra Kyiv e outras cidades ucranianas no último domingo (19), com mísseis balísticos, drones e bombas guiadas, matando ao menos seis pessoas e ferindo dezenas, segundo as autoridades locais. A ofensiva noturna, que durou horas com explosões ecoando pela capital, deixou claro mais uma vez a escassez de sistemas antiaéreos Patriot fornecidos pelos Estados Unidos , os únicos capazes de interceptar os mísseis balísticos russos. De acordo com a Força Aérea ucraniana, foram 41 mísseis e 125 drones lançados contra o país, com a maioria dos projéteis mirando Kyiv, conforme afirmou o presidente Volodymyr Zelensky.

Em meio à pressão militar, o presidente americano Donald Trump declarou estar disposto a conceder licenças para que a Ucrânia produza localmente os sistemas Patriot. Contudo, segundo o portal The Hindu, os detalhes e prazos da medida seguem indefinidos, e a produção plena pode levar anos , tempo que a Ucrânia talvez não tenha diante da intensificação dos bombardeios. Moscou vem aumentando o uso de mísseis balísticos nas últimas semanas justamente para sufocar os ataques ucranianos a instalações petrolíferas dentro da Rússia, que já causam crise de combustível tanto para os militares quanto para a população civil russa.

Os ataques a Kyiv atingiram cinco distritos, provocando incêndios em edifícios residenciais, escritórios, uma dormitório e veículos. Viktoria Shejko, 32 anos, que se abrigava no corredor de seu prédio com o marido e sete filhos, descreveu o terror: “Quando o alarme tocou, conferimos que eram balísticos, fomos para o corredor. E então começaram as explosões, um míssil atrás do outro.” Ela disse que a tensão psicológica é cada vez maior: “Antes era uma vez por semana, agora é todo dia ou dia sim, dia não.” Equipes de resgate retiraram quatro pessoas de uma casa em chamas no distrito de Sviatoshynskyi e uma pessoa foi encontrada morta no distrito de Shevchenkivskyi.

Em Kharkiv, um ataque russo a um centro postal matou três pessoas e feriu ao menos 20, informou a administração regional. Bombas guiadas também atingiram Kherson e Sumy, com ao menos uma morte em cada cidade, segundo as autoridades locais. O Ministério da Defesa russo afirmou que os alvos eram instalações ligadas às Forças Armadas ucranianas, incluindo fábricas de drones Flamingo e componentes para mísseis Neptune, além de um terminal postal usado para armazenar materiais de uso dual e montar drones e sistemas de guerra eletrônica.

Paralelamente, a Ucrânia intensificou seus próprios ataques contra a infraestrutura energética russa. No Mar Negro, dois navios-tanque que operavam no terminal do Consórcio do Oleoduto do Cáspio (CPC), em Novorossiysk, foram atingidos, interrompendo o carregamento de petróleo. O CPC informou que um incêndio a bordo do navio ASIA foi controlado, sem vítimas ou vazamentos, e que os navios , com bandeiras da Libéria e das Ilhas Marshall , permanecem flutuando. A empresa não atribuiu responsabilidade. O oleoduto do CPC, que conecta os campos petrolíferos do Cazaquistão a Novorossiysk, é responsável por cerca de 80% das exportações de petróleo cazaque , um país do Sul Global crucial para os mercados mundiais. O governo russo e empresas estatais russas detêm 31% do consórcio.

O presidente Zelensky anunciou ainda que unidades do serviço de segurança ucraniano atingiram três depósitos de petróleo na região russa de Stavropol, enquanto uma unidade do Exército atacou outra instalação de combustível na mesma região. Três navios-tanque russos também foram alvejados no Mar Negro. O governador de Stavropol, Vladimir Vladimirov, confirmou ataques de drones ucranianos que provocaram incêndios em “instalações industriais” em dois locais, sem vítimas. A mídia russa Astra, citando fotos e vídeos enviados por moradores, noticiou que três depósitos de petróleo podem estar em chamas na região.

A Rússia afirmou ter abatido 140 drones ucranianos sobre oito regiões, a Crimeia anexada e o Mar Negro e o Mar de Azov, sem informar quantos foram lançados ou atingiram seus alvos. Na região de Kursk, perto da fronteira, drones ucranianos acertaram quatro prédios residenciais, provocando um incêndio e ferindo uma pessoa, segundo o governador local. O dado concreto é que a guerra de atritos entre os dois lados se aprofunda, com a Ucrânia cada vez mais dependente de promessas ocidentais de longo prazo , enquanto a Rússia testa a capacidade de defesa aérea ucraniana com ataques noturnos implacáveis.

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Comentários

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Mariana Oliveira

20/07/2026

É assustador como a cada novo ataque a Kyiv fica mais evidente que a “proteção” ocidental é seletiva e frágil — enquanto a Rússia testa os limites dos sistemas Patriot, quem paga com a vida são civis que já enfrentam o colapso de infraestrutura básica. Fico me perguntando se essa dependência de promessas como a de Trump não repete um padrão histórico de potências que tratam a segurança de países periféricos como moeda de barganha geopolítica. E, numa guerra que já deslocou milhões, como fica a situação de mulheres e crianças que sofrem desproporcionalmente com a falta de abrigos antiaéreos e hospitais funcionais?

Carlos Henrique Silva

20/07/2026

A notícia expõe o paradoxo da dependência ucraniana de sistemas como o Patriot: por mais sofisticados que sejam, nenhum escudo é absoluto contra ataques combinados de mísseis balísticos e drones, especialmente quando o agressor tem capacidade de saturação industrial. A pergunta que fica é: até que ponto a Casa Branca, sob um possível novo governo Trump, estará disposta a reabastecer esses sistemas com mísseis interceptores que custam milhões de dólares cada? Enquanto isso, o Kremlin mostra que a guerra de desgaste não se vence com equipamentos de ponta em quantidade limitada, mas com produção em escala e paciência estratégica.


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