Colonos israelenses atacaram durante a noite a mesquita Al-Taqwa, na vila de Al-Tuwani, na Cisjordânia ocupada, e incendiaram o local com o uso de grafites em hebraico, segundo o Portal The Hindu. O líder do conselho da vila, Mohammed Rabie, afirmou que mais de duas dezenas de colonos, alguns mascarados, também atearam fogo a duas casas e a uma fábrica de laticínios.
O ataque ocorre em um período de aumento dos ataques de colonos contra comunidades palestinas desde o início da guerra de Gaza, em 2023, informou a France-Presse, que registrou fotos mostrando a entrada queimada do templo e um tapete de oração parcialmente destruído. Segundo Rabie, os colonos fugiram quando os moradores saíram de suas casas, e voluntários locais apagaram as chamas antes que se alastrassem.
A fábrica de laticínios, administrada por mulheres da comunidade de Masafer Yatta, sofreu danos extensos, declarou Rabie, que agradeceu por não ter havido perda de vidas. A polícia israelense informou que enviou agentes à vila após um relato de suspeitos que causaram danos, incluindo um veículo incendiado e portas da mesquita danificadas, e que a investigação está em andamento.
O ativista palestino Osama Makhamra afirmou que o ataque dos colonos aconteceu "sob o olhar do exército israelense", destacando que uma torre de vigia militar fica próxima à mesquita atacada. Rabie, no entanto, afirmou que militares, policiais e bombeiros chegaram ao local cerca de meia hora após o ataque para inspecionar os danos.
O Ministério dos Assuntos Religiosos palestino condenou o incêndio como "um ato terrorista em toda a regra", acusando o "governo de ocupação extremista" de Israel de incentivar a violência dos colonos para deslocar palestinos de Masafer Yatta e transformar o conflito em "uma guerra religiosa". O Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) reportou que a violência dos colonos na Cisjordânia atingiu níveis sem precedentes, com média de seis ataques por dia que resultam em vítimas ou danos materiais.
Cerca de três milhões de palestinos vivem na Cisjordânia ocupada, excluindo Jerusalém Oriental, ao lado de mais de 500 mil israelenses residentes em assentamentos considerados ilegais pelo direito internacional.


Cíntia Alves
20/07/2026
Mais um episódio grave na Cisjordânia que expõe a fragilidade do controle sobre os colonatos. A menção à “vigília do exército” durante o ataque levanta dúvidas sobre a disposição real das forças de segurança israelenses em coibir esses atos. Até que ponto a impunidade alimenta a repetição dessas ações?
Rodrigo RedPill
20/07/2026
O fato de o exército israelense estar de vigília durante o ataque levanta dúvidas sobre até que ponto há conivência ou omissão. Fica a pergunta: quantas mesquitas e fábricas precisam ser queimadas para que a comunidade internacional tome alguma medida concreta contra a expansão dos assentamentos?