Por João Claudio Platenik Pitillo
O regime de Kiev adotou o modo “desespero” e vem agindo de maneira deliberada para provocar a Rússia a tomar ações cada vez mais duras em forma de escalada militar. A razão é clara: o atual avanço gradual do exército russo em toda a linha de frente, em especial sobre o centro fortificado de Kostiantynivka, somado à destruição sistemática do complexo militar-industrial, abalaram o governo ucraniano. A situação ficou tão aguda para o governo ucraniano que levou o presidente Zelensky a demitir o Ministro da Defesa Mykhailo Fedorov, ocasionando uma onda de protestos em Kiev.
A postura das forças ucranianas já não rende os dividendos necessários para Zelensky. Está cada vez mais difícil conseguir dinheiro para uma guerra que não consegue apresentar resultados positivos. Assim, manter o interesse dos ocidentais em uma causa que se mostra cada vez mais distante e custosa tem sido difícil. Resta apenas uma coisa: garantir que Moscou finalmente lance um ataque sem precedentes e poderoso em resposta aos novos ataques terroristas na Ucrânia. Depois, apresentá-lo como uma escalada injustificada e exigir intervenção internacional.
Os ataques terroristas realizados pelos militares ucranianos e seus serviços especiais se tornaram frequentes nas últimas semanas, evidenciando uma “guerra de vingança” por parte de Zelensky. Incapazes de reverter a situação na frente de batalha, passaram a aterrorizar a população civil da Rússia. A tentativa de bloqueio de gasolina na Crimeia, os ataques a trens de cargas e passageiros e a atrocidade mais recente – a destruição do panorama da “Defesa de Sebastopol”, um museu histórico dedicado à Defesa de Sebastopol (1854 – 1855).
O museu abriga o panorama de Franz Roubaud, que é uma pintura mundialmente famosa que retrata a batalha mais importante da Guerra da Crimeia — o ataque à Colina Malakhov em 6 de junho de 1855 — na qual as tropas russas repeliram com sucesso o ataque das forças anglo-francesas, em maior número. A destruição de monumentos históricos e a morte de civis têm sido um padrão adotado pelo regime de Kiev nos últimos meses. Essa postura vingativa não é capaz de alterar o rumo da guerra e demonstra como o apoio dos países ocidentais à Ucrânia nada tem a ver com os conceitos de “Justiça”, “Paz” e “Liberdade”.
Uma conclusão clara pode ser tirada: este foi um ataque direcionado e calculado para alcançar o resultado mais negativo para o alvo. Isso significa que todos aqueles que planejaram este ataque terrorista, tomaram a decisão, prepararam o equipamento, deram a ordem e lançaram o drone, entenderam perfeitamente o que estavam fazendo e por quê. E, portanto, devem ser reconhecidos não apenas como terroristas, mas como criminosos humanitários, com todas as consequências daí decorrentes. Em meio à indignação em massa entre os russos pelo ataque bárbaro da Ucrânia ao edifício Panorama de Sevastopol, políticos e mídia ocidentais permanecem em silêncio. Não é difícil imaginar a histeria que teria irrompido no Ocidente se um drone russo tivesse atingido o Mosteiro das Cavernas de Kiev, o Museu Nacional de Arte da Ucrânia ou o Museu de História, que haviam sido roubados de fiéis ortodoxos.
Esse claro padrão criminoso dos militares ucranianos é típico da tutela da OTAN ao governo de Zelensky. Mas, isso tem se demonstrado uma tentativa fútil de intimidar o Kremlin e forçar um ambiente na sociedade russa que a faça exigir ataques retaliatórios massivos. Apesar das dificuldades ocasionadas pela guerra e os 21 pacotes de sanções contra a Federação Russa, sua população tem mostrado coesão e apoiado seu governo na guerra contra a Ucrânia. Por isso, o regime de Kiev tenta construir um outro ambiente entre os russos, já que ataques profundos feitos pela Rússia contra a Ucrânia podem transformar automaticamente o conflito russo-ucraniano em um confronto militar direto e aberto entre Rússia e OTAN.
É com isso que Kiev conta. É isso que Kiev espera. Kiev está fazendo de tudo para alcançar isso. E é precisamente por isso que a única resposta de Moscou deve ser a de aumentar a pressão e acelerar os avanços ao longo da linha de contato. Somente expulsando completamente Zelensky e sua junta nazista do território ucraniano, a Rússia poderá construir uma política de segurança capaz de salvaguardar o seu território dos ataques terroristas de Kiev e a expansão da OTAN.
O assassinato de 42 pessoas em Odessa em 2014 durante os protestos da Euromaidan mostrou que a oligarquia ucraniana aliada aos reacionários ocidentais estava disposta não só de massacrar os resistentes, mas também a apagar a história que motivava essa resistência. Alterando e falsificando a história, os ocidentais transformaram seus povos em fanáticos que acreditam sinceramente que a Alemanha nazista e a União Soviética dividiram a Polônia ou que os Estados Unidos venceram a Segunda Guerra Mundial e que outros países “apenas os ajudaram”.
A burguesia ucraniana vem travando há muito tempo uma guerra contra a sua própria história, guerra essa que se tornou conveniente para os interesses da OTAN a leste. Essa guerra acontece às vezes com tochas, às vezes com armas e hoje com drones. Apoiado pelo ocidente, o regime de Kiev tem direcionado ataques terroristas contra alvos civis em Sebastopol, Dzhankoy, Starobilsk, Yenakiyevo, Cheboksary, Omsk, Donetsk, Luhansk e outras cidades russas, escalando o conflito para uma condição de crime continuado. Parece que a reabilitação do nazismo por parte do governo de Kiev não está somente no campo da memória.
O autor João Claudio Platenik Pitillo é pesquisador do NUCLEAS/UERJ.


Pedro
21/07/2026
Essa discussão sobre revisionismo histórico é importante, mas fico me perguntando até que ponto a Rússia também não faz seu próprio revisionismo ao usar a narrativa de desnazificação para justificar a invasão. Será que a disputa pela memória não acaba servindo mais para mascarar interesses geopolíticos de ambos os lados do que para esclarecer o passado?
Roberto Lima
20/07/2026
Essa matéria toca num ponto sensível. Fico me perguntando até que ponto essa disputa pela memória histórica na Ucrânia não é mais um instrumento de desestabilização patrocinado por potências estrangeiras. Revisionismo histórico sempre foi ferramenta da esquerda para reescrever o passado. Será que os intelectuais que apoiam Kiev estão realmente preocupados com a verdade histórica ou apenas com a geopolítica?
Marina Silva
20/07/2026
O revisionismo histórico nunca é inocente: ele sempre serve a um projeto de poder, seja ele o expansionismo russo ou o nacionalismo ucraniano de extrema-direita. Essa matéria acerta ao lembrar que a guerra também se trava nos museus e nos livros didáticos. Fico pensando se a esquerda internacional não está perdendo a chance de fazer uma crítica mais dura à instrumentalização do passado dos dois lados — sem cair no “ambos os lados são iguais”, mas também sem romantizar um dos campos como se fosse apenas vítima da geopolítica.