Os dois favoritos ao segundo turno já estão lá, mas chegam com feridas que ajustes táticos de última hora não fecham.
Segundo análise da Folha de S.Paulo, as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro chegam às convenções partidárias com problemas estruturais que nenhuma negociação de chapa resolve. Os dois favoritos ao segundo turno enfrentam obstáculos distintos, mas igualmente sérios.
Enquanto Ronaldo Caiado e Romeu Zema têm um único desafio: crescer nas pesquisas para chegar ao segundo turno. Lula e Bolsonaro já estão lá, mas chegam fragilizados.
Do lado do petista, o peso é duplo: um governo mal avaliado e a resistência de parte da frente ampla de 2022 em repetir a adesão. Falta, segundo a coluna, o fator esperança que impulsionou o eleitorado em eleições anteriores.
A ausência de palanques fortes em São Paulo e Minas Gerais, os dois maiores colégios eleitorais do país, agrava o quadro. Sem opções viáveis, o PT lançou candidaturas próprias nesses estados, cujo êxito é improvável e pode prejudicar a reeleição do presidente.
Flávio Bolsonaro carrega uma lista ainda mais extensa. A possibilidade de novas revelações sobre suas relações alimenta a desconfiança: pesquisa Quaest mostra que apenas 25% dos eleitores acreditam na vitória do candidato do PL.
O pragmatismo de Tarcísio de Freitas, que faz corpo mole na campanha, e um palanque no Rio de Janeiro repleto de ligações criminosas minam a candidatura. O atrito com Michelle Bolsonaro, vista como a figura feminina mais influente da direita em um eleitorado majoritariamente feminino, representa outro revés difícil de contornar.
Pendências podem ser resolvidas até outubro. Fragilidades estruturais exigem algo mais raro: capacidade real de superação.


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