exportações - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/exportacoes/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Wed, 17 Jun 2026 03:00:23 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png exportações - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/exportacoes/ 32 32 Exclusivo! China bate recorde de comércio enquanto o Ocidente queima bilhões em guerras e genocídios https://www.ocafezinho.com/2026/06/16/exclusivo-china-bate-recorde-de-comercio-enquanto-o-ocidente-queima-bilhoes-em-guerras/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/16/exclusivo-china-bate-recorde-de-comercio-enquanto-o-ocidente-queima-bilhoes-em-guerras/#comments Tue, 16 Jun 2026 20:39:15 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=258907 12 Comentários 🔥]]> A corrente de comércio da China bateu 6,71 trilhões de dólares e o superávit disparou 49% em dois anos, enquanto Washington e Bruxelas torram fortunas em guerras.

A China fechou o ciclo de doze meses encerrado em abril de 2026 com uma corrente de comércio de 6,71 trilhões de dólares e exportações globais de 3,93 trilhões, os maiores números de sua história. O superávit comercial do país saltou de 0,78 para 1,17 trilhão de dólares em apenas dois anos, um avanço de quase 50% que consagra Pequim como a maior potência exportadora do planeta.

O salto veio no auge da ofensiva ocidental contra a China e seus parceiros. Enquanto os Estados Unidos queimam bilhões de dólares em bombas e bloqueios navais na guerra que travam contra o Irã desde fevereiro, e a Europa compromete outros 90 bilhões de euros para financiar o conflito na Ucrânia deflagrado sob o estímulo de Washington, Pequim escolheu investir em comércio e seguiu acumulando dinheiro.

Nesse tabuleiro, o Brasil desponta como um dos grandes ganhadores da expansão chinesa. A corrente de comércio entre os dois países alcançou 203,3 bilhões de dólares no mesmo período, o maior valor já registrado na relação bilateral.

As compras chinesas de produtos brasileiros somaram 126,5 bilhões de dólares no último ciclo, segundo os dados oficiais da Administração Geral das Alfândegas da China (GACC), depois de recuarem para 104,6 bilhões no período anterior. A retomada veio puxada pela soja e pelo petróleo bruto, num momento em que a China reforça suas fontes de alimento e energia fora da órbita ocidental.

A soja liderou a pauta com 39,1 bilhões de dólares, seguida pelo petróleo bruto e combustíveis, com 30,7 bilhões, e pelo minério de ferro, com 30 bilhões. Os três produtos confirmam o Brasil como fornecedor decisivo das cadeias de alimento, energia e siderurgia da maior economia exportadora do mundo.

No setor de energia, o Brasil ganhou terreno justamente quando o mercado encolhia. As importações chinesas de combustíveis fósseis caíram de 519 para 440 bilhões de dólares em três anos, mas as compras de petróleo brasileiro saltaram de 21,7 para 30,7 bilhões entre os dois últimos ciclos.

O avanço ocorreu enquanto os fornecedores tradicionais perdiam espaço. A Federação da Rússia seguiu na liderança, com 82,2 bilhões de dólares em vendas de combustíveis à China, ainda que abaixo dos 98 bilhões de dois anos antes, e a Arábia Saudita apareceu logo atrás entre os países analisados, com 44,1 bilhões.

O caso do Irã ilustra o tamanho da distorção provocada pela guerra e pelas sanções ocidentais. Os registros oficiais da alfândega chinesa apontam importações iranianas de combustíveis de apenas 3,2 milhões de dólares, uma cifra que fala mais sobre o bloqueio naval e a reclassificação de cargas do que sobre o fluxo real entre Teerã e Pequim.

Na ponta das vendas chinesas ao Brasil, o destaque foi o capítulo de veículos e autopeças, que cresceu cerca de 77% em dois anos. O total passou de 5,8 bilhões de dólares no ciclo encerrado em abril de 2024 para 10,2 bilhões em 2026, impulsionado pela chegada dos automóveis elétricos chineses ao mercado sul-americano.

A parceria com a China é estratégica e tende a se aprofundar, sustentada pela convergência dentro dos BRICS e pela construção de um comércio menos dependente do dólar. Enquanto o Ocidente aposta suas fichas na guerra, Pequim transforma comércio em poder e abre ao Brasil a chance de crescer junto.

 

 

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Exportações de alta tecnologia da China crescem apesar de incertezas globais https://www.ocafezinho.com/2026/06/10/exportacoes-de-alta-tecnologia-da-china-crescem-apesar-de-incertezas-globais/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/10/exportacoes-de-alta-tecnologia-da-china-crescem-apesar-de-incertezas-globais/#respond Wed, 10 Jun 2026 05:54:06 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/10/exportacoes-de-alta-tecnologia-da-china-crescem-apesar-de-incertezas-globais/ As exportações de alta tecnologia da China registram crescimento, impulsionadas pela demanda global por hardware de inteligência artificial e tecnologia de energia verde. Segundo a Câmara de Comércio da China, o país se destaca na produção de placas de circuito impresso, componentes ópticos e chips de memória, fortalecendo sua posição no mercado internacional.

O investimento global em inteligência artificial beneficia empresas chinesas, que lideram o fornecimento de componentes críticos para o setor. A integração vertical e a maturidade na fabricação consolidam o papel central da China na transição para tecnologias verdes e avançadas.

Dados recentes mostram que as exportações de circuitos integrados da China cresceram mais de 20% anualmente por 13 meses consecutivos, com aumento de 92% no valor das exportações em abril. As exportações de veículos elétricos saltaram 68,1% nos primeiros quatro meses do ano, enquanto as de baterias de lítio subiram 43,2% no mesmo período.

Essas tendências destacam a importância da China na cadeia global de suprimentos e sua capacidade de adaptação em meio a desafios econômicos. A expansão das exportações de alta tecnologia reforça a transição para uma economia mais sustentável e tecnologicamente avançada.

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CNI vê risco para exportações com tarifa de 25% dos EUA https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/cni-ve-risco-para-exportacoes-com-tarifa-de-25-dos-eua/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/cni-ve-risco-para-exportacoes-com-tarifa-de-25-dos-eua/#respond Tue, 02 Jun 2026 20:21:49 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/cni-ve-risco-para-exportacoes-com-tarifa-de-25-dos-eua/ A proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros acendeu um sinal de alerta na indústria nacional. Em comunicado divulgado nesta terça-feira (2), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou acompanhar com preocupação a iniciativa apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

A entidade defendeu o fortalecimento do diálogo entre os dois países para evitar prejuízos econômicos. Segundo a CNI, a eventual adoção da medida pode afetar cadeias produtivas integradas entre Brasil e Estados Unidos e comprometer uma relação comercial construída ao longo de décadas.

Para a CNI, a parceria econômica entre os dois países é estratégica e beneficia empresas e consumidores dos dois lados. A entidade avalia que a imposição de novas barreiras tarifárias tende a gerar impactos negativos não apenas para a indústria brasileira, mas também para o mercado norte-americano.

“O momento exige diálogo e análise técnica. De nossa parte, estamos prontos para contribuir com as negociações”, afirmou, em nota, o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Dados levantados pela entidade mostram que as exportações brasileiras de bens da indústria de transformação para os Estados Unidos encolheram em 2025. As vendas do setor somaram US$ 30,2 bilhões no ano passado, queda de 4,2% em comparação com 2024.

Entre os 15 principais segmentos exportadores da indústria de transformação, nove apresentaram redução nos embarques para o mercado norte-americano. As maiores quedas ocorreram nos setores de produtos de metal (31,6%), madeira (20%), celulose e papel (19,9%) e veículos automotores (17,6%).

Na avaliação da CNI, a aplicação de uma tarifa adicional pode ampliar as dificuldades enfrentadas por esses setores e reduzir ainda mais a competitividade dos produtos brasileiros nos Estados Unidos.

A discussão sobre a medida deve avançar nas próximas semanas. O USTR agendou para 6 de julho uma audiência pública para debater a proposta e receber contribuições de empresas, entidades e governos interessados. A CNI considera que a consulta pública representa uma oportunidade para que o Brasil apresente informações técnicas e argumentos em defesa da manutenção do fluxo comercial entre os dois países.

A entidade informou que continuará acompanhando o tema e atuando com autoridades brasileiras, representantes do setor produtivo e interlocutores norte-americanos. O objetivo, segundo a CNI, é buscar soluções negociadas que preservem a parceria econômica bilateral e evitem a adoção de medidas que possam afetar investimentos, empregos e comércio entre as duas maiores economias das Américas.

Fonte: Agência Brasil

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Exportações de carros elétricos da China avançam 40% em abril impulsionadas por Ásia e América Latina https://www.ocafezinho.com/2026/05/27/exportacoes-de-carros-eletricos-da-china-avancam-40-em-abril-impulsionadas-por-asia-e-america-latina/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/27/exportacoes-de-carros-eletricos-da-china-avancam-40-em-abril-impulsionadas-por-asia-e-america-latina/#respond Wed, 27 May 2026 08:01:37 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/27/exportacoes-de-carros-eletricos-da-china-avancam-40-em-abril-impulsionadas-por-asia-e-america-latina/
Veículos elétricos chineses alinhados em grande quantidade, possivelmente em preparação para exportação. (Foto: aljazeera.com)

As exportações chinesas de veículos elétricos registraram uma alta de 40% em abril, alcançando a marca de 278.081 unidades, conforme dados alfandegários compilados pela Bloomberg. O resultado eleva para 893.852 o total de veículos exportados pela China desde o início de 2026.

A Ásia consolidou-se como o principal destino dos veículos chineses no mês, importando 110.613 unidades, seguida pela Europa, que recebeu 83.813 carros elétricos. A América Latina, conforme apontou o portal Al Jazeera, absorveu 52.897 unidades, enquanto a Oceania e a América do Norte registraram importações de 22.695 e 4.422 veículos, respectivamente.

O Brasil apresentou o maior crescimento de demanda entre os dez principais destinos, com uma alta de 221% e um total de 38.144 veículos elétricos importados da China. Outras nações como Coreia do Sul, Alemanha e Austrália também registraram aumentos na procura, com taxas de crescimento que variaram entre 100% e 190%.

A expansão das exportações chinesas ocorre apesar das políticas restritivas dos Estados Unidos e da União Europeia para proteger seus mercados domésticos. Os EUA aplicam uma tarifa de 100% sobre carros elétricos chineses e proíbem softwares específicos, enquanto a União Europeia mantém barreiras tarifárias que podem chegar a 35,3%.

De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), a China foi responsável por fabricar aproximadamente 75% dos 22 milhões de veículos elétricos produzidos globalmente em 2025. Naquele ano, as exportações chinesas do setor atingiram o recorde de 2,5 milhões de unidades, evidenciando sua capacidade produtiva.

A IEA também estima que os modelos chineses representaram 55% de todas as vendas de veículos elétricos fora dos mercados europeu e norte-americano no ano passado. A agência projeta que as vendas globais do segmento devem atingir 23 milhões de unidades em 2026, o que corresponderia a quase 30% do total de automóveis comercializados no mundo.


Leia também: China supera os EUA como principal modelo de desenvolvimento na América Latina


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China suspende três frigoríficos brasileiros após irregularidades https://www.ocafezinho.com/2026/05/24/china-suspende-tres-frigorificos-brasileiros-apos-irregularidades/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/24/china-suspende-tres-frigorificos-brasileiros-apos-irregularidades/#respond Sun, 24 May 2026 11:21:12 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/24/china-suspende-tres-frigorificos-brasileiros-apos-irregularidades/ A China suspendeu temporariamente as exportações de três frigoríficos brasileiros após identificar irregularidades sanitárias em cargas de carne bovina enviadas ao país.

A medida atinge unidades da JBS, da PrimaFoods e da Frialto e foi confirmada pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

Foram suspensas a unidade da JBS em Pontes e Lacerda (MT), a planta da PrimaFoods em Araguari (MG) e o frigorífico da Frialto em Matupá (MT). Segundo a Abiec, o embargo tem caráter preventivo e temporário, enquanto as empresas adotam medidas para rastrear a origem das cargas e corrigir os problemas apontados pelas autoridades chinesas.

A Frialto informou que a fiscalização chinesa identificou a presença do hormônio sintético acetato de medroxiprogesterona em uma das cargas exportadas pela empresa.

Após a suspensão, a companhia reduziu em 40% a produção da unidade de Matupá e passou a direcionar parte da carne para outros mercados, como Estados Unidos, México, União Europeia e países árabes e asiáticos.

A empresa também afirmou ter iniciado uma investigação técnica dos lotes envolvidos e disse esperar a retomada das operações antes do início do ciclo de exportações da cota chinesa de 2027. Segundo a Frialto, a suspensão ocorre em um momento em que o Brasil já se aproxima do limite da cota de exportação para 2026, o que naturalmente reduziria os embarques no segundo semestre.

A Abiec afirmou que o Brasil possui um dos sistemas de controle sanitário mais rigorosos do mundo, com monitoramento permanente da cadeia produtiva e fiscalização do Serviço de Inspeção Federal (SIF). As cargas questionadas pela China, segundo a entidade, estão sendo tratadas conforme os protocolos sanitários firmados entre os dois países.

O Ministério da Agricultura e Pecuária e a Embaixada da China no Brasil não se manifestaram.

A suspensão acontece na mesma semana em que a China autorizou a retomada das exportações de outras três plantas brasileiras que estavam embargadas desde março de 2025. Na quarta-feira (20), a China reabilitou as unidades da JBS em Mozarlândia (GO), da Frisa em Nanuque (MG) e da Bon-Mart Frigorífico em Presidente Prudente (SP).

Na ocasião, a Abiec comemorou a decisão e afirmou que a retomada reforça a confiança das autoridades chinesas no sistema sanitário brasileiro e na qualidade da carne bovina produzida no país. A entidade também destacou a atuação do Ministério da Agricultura e Pecuária nas negociações conduzidas diretamente em Pequim para restabelecer as habilitações.

O Brasil possui mais de 100 frigoríficos habilitados para exportar carne bovina para a China, principal destino internacional do produto brasileiro.

Fonte: Agência Brasil

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Exportações russas de trigo para África disparam e quebram recordes históricos https://www.ocafezinho.com/2026/05/23/exportacoes-russas-de-trigo-para-africa-disparam-e-quebram-recordes-historicos/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/23/exportacoes-russas-de-trigo-para-africa-disparam-e-quebram-recordes-historicos/#comments Sat, 23 May 2026 10:01:47 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/23/exportacoes-russas-de-trigo-para-africa-disparam-e-quebram-recordes-historicos/ 4 Comentários 🔥]]>
Campo de trigo maduro sob o sol, pronto para a colheita. (Foto: rt.com)

As exportações russas de grãos para o continente africano dispararam, com recordes expressivos em países como Egito, Sudão e Quênia, segundo dados da agência russa de exportação agrícola Agroexport. O Egito aumentou suas compras de trigo russo em 19%, enquanto as vendas para o Sudão saltaram 78% e os embarques para o Quênia cresceram seis vezes na comparação anual.

O chefe da Agroexport, Ilya Ilyushin, informou durante o quinto Fórum de Grãos de toda a Rússia que o país exportou quase 52 milhões de toneladas de grãos e leguminosas no ano-calendário de 2025, além de mais de 3 milhões de toneladas de oleaginosas. Ilyushin destacou que os suprimentos de trigo ‘aumentaram 30% em relação ao mesmo período do ano passado, alcançando 14 milhões de toneladas’, com a África sendo o principal motor desse crescimento, experimentando volumes recordes de importação.

Segundo apontou o portal RT, os embarques para Camarão atingiram 137 mil toneladas no valor de 32 milhões de dólares em 2025, uma alta de 3,2 vezes ano a ano, com o trigo respondendo por 99% das receitas de exportação. A Rússia também forneceu a Camarão carne de pato, peixe congelado e produtos processados de grãos, sendo que apenas nos primeiros quatro meses de 2026 as exportações ao país africano somaram cerca de 93 mil toneladas, avaliadas em mais de 20,5 milhões de dólares.

A expansão mais ampla das exportações russas de grãos coincide com o aprofundamento dos laços entre Moscou e as nações africanas, incluindo um salto de 52 vezes nas exportações de empresas sediadas na capital russa para Estados africanos no primeiro trimestre de 2026, totalizando quase 7,8 milhões de dólares, conforme informou a prefeitura de Moscou. A demanda por óleo de soja e óleo de colza russos também cresceu com força no norte da África, com alta de 54% ano a ano entre setembro de 2025 e abril de 2026, alcançando 220 mil toneladas, segundo estimativas da Agroexport.

Argélia e Tunísia emergiram entre os maiores compradores de óleos vegetais russos, atrás apenas de China e Índia, enquanto os embarques de óleo de colza para a Tunísia aumentaram cinco vezes no período. No mês passado, a Agroexport já havia reportado que os embarques de trigo russo para o Sudão mais que dobraram, com cerca de 1,7 milhão de toneladas entregues desde o início da temporada 2025/26, contra 0,7 milhão no mesmo intervalo do ano anterior.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou em abril que mais de 80 regiões russas estão agora engajadas em cooperação com países africanos, sinalizando a profundidade da parceria estratégica em construção. O fortalecimento do eixo Rússia-África no comércio de alimentos ocorre em um momento de reorganização das cadeias globais de suprimento, com o Sul Global assumindo protagonismo crescente frente às tentativas ocidentais de isolar Moscou por meio de sanções econômicas.

Leia mais sobre o assunto na rt.com.


Leia também: Empresas de Moscou impulsionam exportações para a África em 52 vezes


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Agronegócio brasileiro bate recorde histórico em abril com US$ 16,65 bilhões em exportações https://www.ocafezinho.com/2026/05/16/agronegocio-brasileiro-bate-recorde-historico-em-abril-com-us-1665-bilhoes-em-exportacoes/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/16/agronegocio-brasileiro-bate-recorde-historico-em-abril-com-us-1665-bilhoes-em-exportacoes/#respond Sat, 16 May 2026 14:40:13 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/16/agronegocio-brasileiro-bate-recorde-historico-em-abril-com-us-1665-bilhoes-em-exportacoes/
Colheitadeiras operam em lavoura de grãos, representando o agronegócio brasileiro. (Foto: metropoles.com)

O agronegócio brasileiro alcançou em abril de 2026 o maior volume de exportações da história, com receitas de US$ 16,65 bilhões. O valor representa crescimento de 11,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados consolidados do Ministério da Agricultura e Pecuária.

O setor respondeu por 48,8% do total das exportações brasileiras no mês, consolidando sua posição como principal motor da balança comercial. O acumulado de janeiro a abril atingiu US$ 54,6 bilhões, com alta de 9,5% no volume e 2,1% no preço médio dos produtos.

As importações do setor recuaram 3,6% na comparação anual, totalizando US$ 1,62 bilhão, o que resultou em superávit comercial de US$ 15 bilhões apenas em abril. Os números foram confirmados pelo Ministério da Agricultura e analisados por reportagem do portal Metrópoles.

A China se consolidou como principal destino das exportações, com compras de US$ 6,6 bilhões no mês, equivalente a 40% do total exportado. O valor representa aumento de 21,8% em relação a abril de 2025, reforçando a importância estratégica do mercado chinês para o agronegócio brasileiro.

Os Estados Unidos registraram queda de 16,8% nas compras de produtos brasileiros, totalizando US$ 1 bilhão. A União Europeia ocupou a segunda posição, com importações de US$ 2,36 bilhões, correspondentes a 14% do total.

A soja em grãos liderou as exportações, gerando US$ 6,9 bilhões em receitas, com aumento de 18,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os embarques atingiram 16,7 milhões de toneladas, novo recorde para o mês.

A carne bovina in natura também apresentou desempenho expressivo, com exportações de US$ 1,6 bilhão, alta de 29,4% no faturamento. Os embarques totalizaram 252 mil toneladas, evidenciando a expansão contínua da pecuária nacional.

Outros produtos que se destacaram foram o café, com vendas de US$ 850 milhões, e o milho, que registrou US$ 720 milhões em exportações. O complexo sucroalcooleiro contribuiu com receitas de US$ 680 milhões, impulsionadas pela demanda global por etanol e açúcar.

Leia mais sobre o assunto na metropoles.com.


Leia também: Alckmin anuncia R$ 10 bilhões para acelerar renovação de máquinas no campo


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União Europeia veta compra de carne brasileira a partir de setembro https://www.ocafezinho.com/2026/05/12/uniao-europeia-veta-compra-de-carne-brasileira-a-partir-de-setembro/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/12/uniao-europeia-veta-compra-de-carne-brasileira-a-partir-de-setembro/#respond Tue, 12 May 2026 20:21:13 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/12/uniao-europeia-veta-compra-de-carne-brasileira-a-partir-de-setembro/ A União Europeia anunciou nesta terça-feira (12) a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e produtos de origem animal para o bloco europeu.

A medida passa a valer em 3 de setembro e foi tomada porque, segundo as autoridades europeias, o Brasil não apresentou garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária.

Na prática, isso significa que produtos brasileiros como carne bovina, carne de frango, ovos, mel, peixes e animais vivos destinados à alimentação poderão deixar de entrar no mercado europeu caso o governo brasileiro não consiga atender às exigências sanitárias até a data-limite.

A decisão foi confirmada pela Comissão Europeia e ainda precisa ser formalizada no diário oficial da União Europeia para produzir efeitos legais definitivos.

A União Europeia mantém uma lista de países considerados aptos a exportar produtos de origem animal ao bloco. Para integrar essa relação, cada país precisa comprovar que segue as normas sanitárias europeias. O Brasil estava autorizado até agora, mas acabou retirado da lista após a revisão das regras ligadas ao uso de antimicrobianos na criação animal.

Outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, permaneceram autorizados a exportar normalmente para o bloco europeu.

Antimicrobianos são medicamentos usados para combater microrganismos como bactérias, vírus, fungos e parasitas. Na pecuária, essas substâncias podem servir tanto para tratar doenças quanto para estimular o crescimento dos animais e aumentar a produtividade.

A União Europeia proíbe especialmente o uso de antimicrobianos que também são importantes para tratamentos médicos em humanos. O objetivo é evitar a chamada resistência antimicrobiana, situação em que bactérias passam a resistir aos medicamentos. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

O bloco europeu considera que o Brasil ainda não demonstrou de forma suficiente que essas substâncias deixaram de ser usadas ao longo de toda a cadeia produtiva animal destinada à exportação.

A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor. Além da carne bovina, a medida pode afetar exportações de aves, ovos, mel, peixes, equinos e produtos derivados de origem animal.

O problema não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos. Para voltar à lista, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados.

Em abril, o governo brasileiro publicou uma portaria proibindo parte dos antimicrobianos utilizados como melhoradores de desempenho animal. Mesmo assim, a União Europeia avalia que ainda faltam garantias adicionais. O Brasil tem dois caminhos para reverter a situação: ampliar as restrições legais aos medicamentos restantes ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam essas substâncias. A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.

Entidades do agronegócio brasileiro afirmaram que trabalham em conjunto com o Ministério da Agricultura para atender às exigências europeias antes da entrada em vigor da medida.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou que o Brasil continua habilitado a exportar carne bovina ao mercado europeu até setembro e disse que o setor tem sistemas robustos de controle sanitário e rastreabilidade. Já a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) declarou que o país cumpre as normas internacionais e prestará esclarecimentos técnicos às autoridades europeias.

Representantes do setor de mel também criticaram a decisão. Segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel, o Brasil é um dos maiores produtores de mel orgânico do mundo e não haveria justificativa técnica para restrições ao produto.

A decisão ocorre poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, tema que enfrenta resistência de agricultores europeus, especialmente na França. Na segunda-feira (11), o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) anunciou que o Brasil tinha começado a exportar carnes bovina e de aves ao mercado europeu com alíquota zero, por causa do regime de cotas do acordo.

Apesar disso, a medida sanitária não faz parte diretamente do acordo comercial. As regras sobre antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo.

O comissário europeu para Agricultura, Christophe Hansen, afirmou nesta terça-feira que os produtores europeus seguem regras sanitárias rigorosas e que os produtos importados precisam obedecer aos mesmos padrões.

Com informações da Agência Lusa.

Fonte: Agência Brasil

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Os impressionantes recordes de abril https://www.ocafezinho.com/2026/05/10/os-impressionantes-recordes-de-abril/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/10/os-impressionantes-recordes-de-abril/#comments Sun, 10 May 2026 21:37:14 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=245166 39 Comentários 🔥]]> Por qualquer ângulo que se analise, o comércio exterior brasileiro bateu recordes impressionantes em abril de 2026. Não foi um recorde único, mas uma batelada deles, em todas as métricas relevantes que se possam construir.

No mês isolado, abril registrou o maior volume mensal de exportações de toda a série histórica brasileira, iniciada em 1989: US$ 34,15 bilhões. As importações do mês também bateram recorde para meses de abril, e o superávit alcançou US$ 10,54 bilhões — recorde para qualquer abril e o terceiro maior saldo mensal absoluto da história, atrás apenas de maio e março de 2023.

No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, o quadro se repete com a mesma força. Os 21 anos de série histórica mostram que jamais o Brasil exportou tanto nesse recorte: US$ 116,55 bilhões, contra US$ 108,04 bilhões do recorde anterior, fixado em 2024.

A corrente de comércio do quadrimestre — soma de exportações e importações — também é a maior já registrada: US$ 208,32 bilhões, doze bilhões acima do recorde anterior. As importações do período igualmente bateram o pico anterior.

O único indicador do quadrimestre que não foi recorde absoluto foi o saldo da balança. Mesmo assim, os US$ 24,78 bilhões representam o segundo maior superávit já registrado num quadrimestre, atrás apenas do mesmo período de 2024.

E quando ampliamos a janela para o acumulado de doze meses encerrado em abril de 2026, o cenário continua extraordinário. A corrente de comércio chegou a US$ 593,86 bilhões, com superávit de US$ 57,14 bilhões — patamar entre os mais altos da série histórica.

Há ainda uma métrica adicional, talvez a mais robusta de todas. Trata-se da média mensal móvel em doze meses da corrente de comércio, que neutraliza os ruídos da sazonalidade: ela alcançou US$ 53,9 bilhões por mês em abril de 2026, o maior valor da série de 20 anos, superando o pico anterior de janeiro de 2023.

Os recordes desenhados no tempo

Comparar 2026 com o passado mais recente já impressiona. Mas olhar para o passado mais longínquo é o que revela a verdadeira escala da transformação.

Dez anos antes, no acumulado de doze meses encerrado em abril de 2016 — em meio à recessão mais dura da história recente do país — a corrente era de apenas US$ 340,25 bilhões e o superávit não passava de US$ 35,56 bilhões. Em uma década, portanto, o Brasil ampliou em 74% sua corrente de comércio com o mundo e em mais de 60% seu superávit anual.

Esses doze meses encerrados em abril atravessaram um período de turbulência global excepcional. Guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, tarifaço de Trump, estagnação europeia, reorganização global das cadeias de suprimento — e, ainda assim, recordes.

O eixo do Sul: BRICS pleno e a locomotiva chinesa

O dado mais superlativo da nossa balança comercial atual é o peso do bloco BRICS. Hoje o grupo tem onze membros plenos: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã.

Considerando os dez parceiros sem o Brasil, a corrente de comércio brasileira com o BRICS atingiu US$ 234,58 bilhões nos últimos doze meses, contra US$ 211,98 bilhões nos doze meses imediatamente anteriores — alta de 10,7%. Esse volume representa cerca de 39,5% de todo o comércio exterior brasileiro com o mundo no período.

O superávit acumulado do Brasil com os dez parceiros do BRICS quase dobrou: passou de US$ 21,23 bilhões para US$ 39,02 bilhões em um ano. O bloco se consolida como âncora do superávit brasileiro.

A China, naturalmente, é o centro gravitacional dessa relação. A corrente de comércio bilateral atingiu US$ 178,0 bilhões nos últimos 12 meses, contra US$ 159,3 bilhões no acumulado anterior — um salto de quase 12% e um peso de 76% dentro do BRICS.

O superávit com Pequim foi ainda mais impressionante: US$ 36,4 bilhões, ante US$ 21,5 bilhões do acumulado anterior, alta de 69%. Em apenas um ano, o saldo positivo com a China cresceu cerca de US$ 15 bilhões.

Para a China, o Brasil envia montanhas de commodities essenciais: soja, óleos brutos de petróleo, carnes bovinas congeladas, açúcar, celulose e ferro-gusa. O salto confirma que o Brasil é, hoje, o principal provedor estratégico de energia e proteína para Pequim.

Entre os outros parceiros do BRICS, a Índia se destacou com a maior alta percentual no comércio com o Brasil: 26,9%, chegando a US$ 16,4 bilhões de corrente nos últimos doze meses. Arábia Saudita, Indonésia, Egito, Emirados Árabes e África do Sul também avançaram, abrindo frentes promissoras em mercados estratégicos do Oriente Médio, África e Sudeste Asiático.

A Rússia foi a única exceção em queda no bloco, com corrente de US$ 11,1 bilhões, baixa de 12,6% sobre o acumulado anterior. O que torna a posição brasileira singular, porém, é o fato de que o avanço asiático e do BRICS como um todo não veio às custas dos demais mercados.

Uma pauta exportadora rica e múltipla

O Brasil não é uma Arábia Saudita nem uma Venezuela. Não somos um país-petróleo nem dependemos de uma única commodity.

Nossa pauta exportadora é uma das mais diversificadas do mundo em desenvolvimento. Esse é um patrimônio econômico que poucas nações conseguiram construir, e o seu mérito é em primeiro lugar do setor produtivo brasileiro — empresários, trabalhadores, técnicos, agricultores, exportadores que mantêm o país competitivo mesmo em ambiente global hostil.

Carne bovina, carne suína, alumina, veículos de carga, caminhões, café torrado, máquinas e aparelhos elétricos, ferramentas mecânicas, perfumaria, papel e celulose, suco de laranja, álcool combustível, açúcar refinado e aeronaves comerciais figuram entre os destaques recentes. São itens que vão da agropecuária à indústria pesada, da química fina à aviação.

E há ainda a quase invisível constelação dos chamados produtos “não tradicionais”, que mostram a capilaridade do agro brasileiro. Comparando o acumulado de doze meses encerrado em abril de 2026 com o acumulado dos doze meses anteriores, a pimenta teve alta de 81% no valor exportado, o óleo de amendoim saltou 147%, a castanha de caju subiu 72% e os melões frescos avançaram 25%.

São itens que parecem pequenos diante da soja ou do petróleo. Mas que, somados, representam centenas de milhões de dólares em divisas e empregam milhões de brasileiros em regiões frequentemente esquecidas pelas grandes cadeias produtivas.

Mercados variados — e o retorno da diplomacia Lula

A diversificação não é só de produtos. É também de destinos.

Mais de quarenta mercados registraram recorde histórico de compras brasileiras recentemente, com destaque para Canadá, Índia, Turquia, Paraguai, Uruguai, Suíça, Paquistão e Noruega. O Paquistão, sozinho, ampliou em 122% suas compras de produtos do agro brasileiro na comparação dos últimos doze meses contra os doze anteriores.

Esse alargamento, é preciso dizer, tem como base o talento e a competitividade do setor produtivo nacional — sem isso, nenhum acordo comercial e nenhuma viagem presidencial levaria a resultados como os que temos visto. Mas é também resultado de uma diplomacia comercial que voltou a funcionar.

Desde 2023, o agro brasileiro abriu 525 novos mercados no exterior, gerando aproximadamente US$ 4 bilhões em receitas cambiais adicionais, segundo dados do Ministério da Agricultura. No campo dos acordos, o Mercosul fechou tratado de livre comércio com Singapura em 2024 e com o EFTA (Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein), além de encaminhar o tratado com a União Europeia.

Com os três acordos somados, o percentual de exportações brasileiras cobertas por preferências tarifárias subirá de 12,2% para 30%. É a paisagem de um país que voltou a costurar pontes onde outros desperdiçaram décadas.

É o velho instinto da diplomacia Lula em ação. O presidente, sempre que governou, viajou o mundo abrindo mercados, costurando acordos e visitando capitais que governos anteriores haviam abandonado.

Foi assim em 2003-2010, quando a expansão asiática abriu o ciclo virtuoso das commodities. E voltou a ser assim agora, num mundo fragmentado em que cada acordo bilateral, cada nova ponte tarifária e cada compra recorde importa.

Encontro com Trump e a injustiça do tarifaço

Em meio a esse panorama positivo, a relação Brasil-Estados Unidos ganha contornos particulares. Justamente quando a diplomacia brasileira se senta à mesa com Donald Trump, os números mostram um quadro que escancara a injustiça da política comercial americana em relação ao nosso país.

Nos últimos doze meses, o Brasil exportou US$ 35,50 bilhões para os EUA, mas importou US$ 43,31 bilhões — déficit de quase US$ 8 bilhões. No acumulado dos doze meses anteriores, o saldo havia sido um pequeno déficit de US$ 1,65 bilhão. Em apenas um ano, portanto, o rombo bilateral com os americanos se multiplicou por cinco.

A deterioração tem nome: tarifaço. As exportações para os EUA caíram 11,3% em abril de 2026 sobre o mesmo mês de 2025, na nona queda consecutiva após a sobretaxa de 50% imposta pelo governo Trump.

E aqui está a contradição grosseira da retórica trumpista. Trump justificou as tarifas dizendo que o Brasil se aproveitaria comercialmente dos Estados Unidos, supostamente cobrando tarifas altas dos produtos americanos.

É mentira. As tarifas brasileiras sobre importações dos EUA são, em média, irrisórias.

Mais ainda: quem tem superávit na relação são os Estados Unidos, não o Brasil. Quando se considera apenas o comércio de bens, os americanos vendem mais para o Brasil do que compram, e o nosso déficit com eles, no acumulado dos últimos doze meses, é justamente esses quase US$ 8 bilhões.

Quando se incorpora o comércio de serviços — onde os Estados Unidos vendem softwares, plataformas digitais, royalties, consultorias e remessas tecnológicas em larga escala —, esse desequilíbrio fica ainda mais expressivo.

A pauta também é reveladora. O Brasil vende para os Estados Unidos óleos brutos de petróleo, semimanufaturados de ferro/aço, café em grão e ferro fundido — uma cesta tipicamente colonial.

A única exceção honrosa de alta tecnologia são os aviões comerciais da Embraer. Em troca, o Brasil importa partes de turbinas e motores de aviação, óleo diesel e naftas petroquímicas.

A leitura é clara: nós enviamos petróleo cru e aço básico, e eles nos devolvem diesel refinado e turbinas de alto valor agregado. Trump cobra tarifas de quem já lhe é deficitário, e exporta para o Brasil produtos de muito maior valor agregado do que os que de cá importa.

O Brasil nos próximos capítulos

Mesmo diante do tarifaço e da reorganização global das cadeias de comércio, o Brasil consolida-se como uma das economias mais resilientes e ativas do mundo em desenvolvimento. O país tem hoje uma indústria farmacêutica, um setor de saúde e uma base tecnológica que ainda dependem fortemente de importações, e essas são agendas estratégicas em aberto que precisam continuar sendo enfrentadas com política industrial robusta.

Mas o que se vê no acumulado encerrado em abril de 2026 — coroado por recordes históricos em exportações, importações e corrente de comércio — é o desenho de um país resiliente, comercialmente ativo, diplomaticamente reativado e, sobretudo, sustentado por um setor produtivo competente e diversificado. Há muito o que comemorar nessas cifras, e há muito o que continuar construindo.

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Balança comercial brasileira registra superávit de US$ 10,5 bilhões em abril https://www.ocafezinho.com/2026/05/07/balanca-comercial-brasileira-registra-superavit-de-us-105-bilhoes-em-abril/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/07/balanca-comercial-brasileira-registra-superavit-de-us-105-bilhoes-em-abril/#respond Thu, 07 May 2026 18:40:42 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/07/balanca-comercial-brasileira-registra-superavit-de-us-105-bilhoes-em-abril/
Contêineres de carga empilhados em um terminal portuário. (Foto: metropoles.com)

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços registrou superávit de US$ 10,5 bilhões na balança comercial em abril. O resultado representa crescimento de 37,5% ante o saldo positivo de US$ 7,7 bilhões obtido no mesmo mês de 2025.

As exportações alcançaram US$ 34,1 bilhões, alta de 14,3% na comparação com os US$ 29,9 bilhões exportados em abril de 2025. As importações totalizaram US$ 23,6 bilhões, elevação de 6,2% frente aos US$ 22,2 bilhões do ano anterior.

A corrente de comércio atingiu US$ 57,7 bilhões e avançou 10,8% na base anual. Os números foram sistematizados em reportagem do portal Metrópoles.

As exportações para os Estados Unidos caíram 11,3% durante o mês. O recuo ocorre em meio às tensões comerciais intensificadas pelo tarifaço imposto por Donald Trump ao país.

Trump agravou as disputas bilaterais com a medida unilateral. Algumas categorias de produtos obtiveram isenções tarifárias após rodadas de negociação entre as partes.

As importações oriundas dos Estados Unidos recuaram 18,1% e somaram US$ 3,1 bilhões no período. O resultado geral positivo demonstra que o avanço das vendas para outros mercados compensou amplamente a retração no eixo bilateral com os norte-americanos.


Leia também: Balança comercial brasileira registra superávit de US$ 6,4 bilhões em março de 2026


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Empresas de Moscou impulsionam exportações para a África em 52 vezes https://www.ocafezinho.com/2026/05/06/empresas-de-moscou-impulsionam-exportacoes-para-a-africa-em-52-vezes/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/06/empresas-de-moscou-impulsionam-exportacoes-para-a-africa-em-52-vezes/#comments Wed, 06 May 2026 20:29:55 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/06/empresas-de-moscou-impulsionam-exportacoes-para-a-africa-em-52-vezes/ 5 Comentários 🔥]]>
Contêineres empilhados formam um gráfico ascendente, simbolizando o aumento das exportações. (Foto: rt.com)

Empresas sediadas em Moscou registraram crescimento extraordinário nas exportações para países africanos no primeiro trimestre de 2026. O volume exportado aumentou 52 vezes em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando cerca de 586 milhões de rublos — equivalente a aproximadamente US$ 7,8 milhões.

Esse avanço reflete uma estratégia de longo prazo para ampliar a presença de companhias moscovitas no mercado africano. Vitaly Stepanov, chefe do Centro de Exportação de Moscou, destacou que programas de apoio a exportadores, implementados desde 2019, foram fundamentais para consolidar esses resultados.

Entre os destinos mais relevantes, a Argélia absorveu 89% das exportações de Moscou, com ênfase em produtos da indústria alimentícia. A Nigéria também ganhou relevância como parceira comercial, especialmente em tecnologia da informação, telecomunicações e bens relacionados à computação.

Os setores de eletrônicos e engenharia elétrica representaram fatia importante das exportações, contribuindo para o fortalecimento econômico das empresas locais. Produtos médicos, farmacêuticos e bens de consumo também registraram alta demanda nos mercados africanos.

Fora de Moscou, outras regiões da Rússia intensificaram suas relações comerciais com o continente. O ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, apontou que 81 regiões russas — incluindo São Petersburgo, Astrakhan, Novosibirsk e Krasnodar — estão engajadas em parcerias com países africanos.

Um exemplo notável é o aumento das exportações de trigo para o Sudão, que mais que dobraram na temporada 2025/26, atingindo 1,7 milhão de toneladas. O comércio com a Etiópia quase triplicou em 2025, ultrapassando US$ 435 milhões, conforme o embaixador russo no país, Evgeny Terekhin.

O comércio total entre a Rússia e a África alcançou US$ 27,7 bilhões em 2025. Irina Abramova, diretora do Instituto de Estudos Africanos da Academia Russa de Ciências, reforçou a importância dessa parceria em expansão, conforme noticiado pelo Sputnik Globe.

Os dados demonstram o fortalecimento das relações econômicas e diplomáticas entre a Rússia e o continente africano. A diversificação de mercados e a redução da dependência de economias ocidentais emergem como prioridades claras na política comercial russa.

Com informações de RT.


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Câmara avança na criação de conselho para proteger exportação de terras raras https://www.ocafezinho.com/2026/05/04/camara-avanca-na-criacao-de-conselho-para-proteger-exportacao-de-terras-raras/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/04/camara-avanca-na-criacao-de-conselho-para-proteger-exportacao-de-terras-raras/#respond Tue, 05 May 2026 02:41:17 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/04/camara-avanca-na-criacao-de-conselho-para-proteger-exportacao-de-terras-raras/
Relator do projeto que cria marco regulatório para minerais críticos fala em plenário. (Foto: metropoles.com)

A Câmara dos Deputados avança na votação de um projeto de lei que institui o Conselho Especial de Minerais Críticos, órgão com autoridade para aprovar ou vetar exportações e acordos internacionais relacionados a terras raras e outros materiais essenciais para a indústria de alta tecnologia.

O projeto, relatado pelo deputado Arnaldo Jardim, de São Paulo, filiado ao Cidadania, propõe a centralização das decisões sobre segurança mineral em uma única instância. Essa estrutura visa proteger o país contra instabilidades no mercado internacional e promover uma gestão mais estratégica dos recursos.

Pelo texto em discussão, o conselho será responsável por definir quais minerais são considerados críticos e estratégicos, com revisão obrigatória a cada quatro anos. Essa atualização permitirá acompanhar avanços tecnológicos e mudanças nas demandas globais.

Um dos principais objetivos da proposta é transformar o modelo econômico nacional, abandonando a exportação de matérias-primas brutas. O foco será no refino, processamento e transformação desses minérios dentro do território nacional, gerando maior valor agregado e empregos qualificados.

O relatório também determina a rastreabilidade total da cadeia de suprimentos, desde a extração até o produto final. Essa medida pretende combater o contrabando, assegurar padrões ambientais e facilitar certificações reconhecidas internacionalmente.

Outro ponto destacado é a criação de um fundo público de até R$ 2 bilhões, com possibilidade de participação privada, destinado a financiar pesquisas, industrialização e iniciativas de reciclagem. Estimativas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apontam que a demanda por investimentos no setor pode chegar a R$ 5 bilhões.

O projeto ainda incentiva a mineração urbana, que consiste na recuperação de metais valiosos de resíduos eletrônicos, baterias e veículos descartados. Essa prática está alinhada aos princípios da economia circular e às metas de redução de emissões de carbono.

A urgência da proposta já foi aprovada na Câmara, embora a votação em plenário tenha enfrentado adiamentos a pedido do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A medida é vista como um pilar da estratégia de neoindustrialização defendida pela atual administração.

A iniciativa ganha relevância após pressões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que países aliados concedam acesso privilegiado a minerais críticos. Um exemplo recente foi a assinatura de um memorando entre o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e Washington, em março de 2026, sem autorização federal, o que gerou tensões internas.

Com o novo mecanismo, acordos desse tipo poderão ser bloqueados caso representem riscos à segurança nacional. Isso representa uma resposta direta a tentativas de contornar a autoridade central sobre recursos estratégicos do país.

O conselho também reforça a estratégia de buscar parcerias no âmbito do BRICS e de outras alianças Sul-Sul. O objetivo é reduzir a dependência de cadeias de suprimento controladas pelos EUA, especialmente em setores como baterias, ímãs permanentes e eletrônicos de ponta.

Conforme noticiado pelo portal Metrópoles, a proposta inclui a emissão de certificados digitais para cada lote de minério. Essa ferramenta aumentará a transparência para investidores e consumidores finais.

No Congresso, parlamentares ligados à indústria mineral apoiam a medida, enquanto grupos ambientalistas demandam garantias mais rigorosas no licenciamento. Ainda assim, reconhecem o potencial da mineração urbana para diminuir impactos em áreas de preservação florestal.

Caso aprovado na Câmara, o projeto seguirá para o Senado, onde poderá consolidar políticas de conteúdo local. Essas políticas estão alinhadas ao plano de reindustrialização liderado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.

Especialistas em cadeias de valor destacam que o país tem condições de competir no mercado global, hoje dominado pela China, desde que invista em pesquisa e parcerias com universidades. Acordos de fornecimento com nações parceiras também podem fortalecer essa posição.

Aliados do governo alertam que, sem uma estrutura regulatória clara, o país continuará exportando matérias-primas a preços baixos. Enquanto isso, concorrentes internacionais definem padrões tecnológicos e lucram com margens muito superiores.

Empresários preocupados com excesso de regulamentação temem que normas rígidas desestimulem investimentos estrangeiros. Em resposta, Jardim argumenta que a previsibilidade e a segurança jurídica são fundamentais para atrair capitais interessados em transferência de tecnologia.

Estimativas do BNDES apontam que as cadeias de lítio, nióbio e terras raras podem gerar um salto em empregos qualificados em estados como Minas Gerais, Pará e Bahia. Esses setores têm potencial para criar polos de inovação e revitalizar economias locais em regiões mineradoras.

O Conselho Especial de Minerais Críticos contará com representantes de diversos ministérios, incluindo Minas e Energia, Defesa, Fazenda, Casa Civil e Relações Exteriores. Essa composição busca integrar perspectivas de soberania, competitividade e diplomacia econômica nas decisões.

Com essa nova estrutura de governança, o país segue o exemplo de grandes produtores como China e Índia, que controlam estoques estratégicos e limitam exportações de materiais brutos. A meta é consolidar etapas industriais de maior valor dentro do território nacional.

A expectativa no Congresso é que o órgão comece a operar em breve, enviando um sinal claro ao mercado internacional. Isso demonstra a intenção de acelerar a verticalização da produção de terras raras e garantir segurança na transição energética.

Em um contexto de disputa global por minerais indispensáveis para veículos elétricos, turbinas e dispositivos eletrônicos, o Legislativo trabalha para assegurar que os recursos naturais do país sejam um motor de desenvolvimento interno. A proteção desses ativos é vista como um passo crucial para a afirmação da soberania nacional.


Leia também: Projeto de regulamentação da inteligência artificial deve avançar na Câmara nos próximos dias


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Lula libera até R$ 2 bilhões para fortalecer crédito às exportações brasileiras https://www.ocafezinho.com/2026/05/02/lula-libera-ate-r-2-bilhoes-para-fortalecer-credito-as-exportacoes-brasileiras/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/02/lula-libera-ate-r-2-bilhoes-para-fortalecer-credito-as-exportacoes-brasileiras/#comments Sat, 02 May 2026 22:51:09 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/02/lula-libera-ate-r-2-bilhoes-para-fortalecer-credito-as-exportacoes-brasileiras/ 74 Comentários 🔥]]>
Ilustração editorial sobre Lula libera até R$ 2 bilhões para fortalecer crédito às exportações brasileiras. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou a União a aportar até R$ 2 bilhões no Fundo Garantidor de Operações de Comércio Exterior. A medida visa reduzir riscos financeiros e ampliar o acesso ao crédito para empresas exportadoras.

O decreto, publicado no Diário Oficial da União, atualiza as regras do Conselho de Participação do fundo. O colegiado, vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, passa a ter presidência do órgão e participação direta da Fazenda.

A composição do conselho foi redefinida para incluir representantes dos ministérios envolvidos, fortalecendo a coordenação entre políticas industrial e fiscal. A presidência ficará com o ministério responsável pela agenda de comércio exterior.

O Fundo Garantidor atua como garantia complementar às instituições financeiras, diminuindo a exposição ao risco e facilitando a liberação de crédito. Com o aporte, o mecanismo ganha capacidade para lastrear novas operações, especialmente para empresas de menor porte.

O governo busca consolidar a integração institucional por meio da Secretaria Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex). A medida reforça o apoio ao comércio exterior brasileiro, reduzindo barreiras financeiras e oferecendo maior previsibilidade às empresas.

O texto foi sancionado após a criação do sistema brasileiro de apoio oficial ao crédito à exportação. A nova norma reorganiza instrumentos públicos de financiamento e garantia para operações externas, priorizando a política industrial e a diversificação das exportações com maior valor agregado.

Segundo reportagem do portal UOL, a iniciativa busca expandir o crédito às exportações, com resultados concretos dependendo do montante efetivamente repassado e da demanda das companhias pelo financiamento garantido.

Leia mais sobre o assunto na noticias.uol.com.br.


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Acordo Mercosul-UE zera tarifas para 80% das exportações brasileiras e impulsiona indústria https://www.ocafezinho.com/2026/05/02/acordo-mercosul-ue-zera-tarifas-para-80-das-exportacoes-brasileiras-e-impulsiona-industria/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/02/acordo-mercosul-ue-zera-tarifas-para-80-das-exportacoes-brasileiras-e-impulsiona-industria/#comments Sat, 02 May 2026 16:42:27 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/02/acordo-mercosul-ue-zera-tarifas-para-80-das-exportacoes-brasileiras-e-impulsiona-industria/ 74 Comentários 🔥]]>
Ilustração editorial sobre Acordo Mercosul-UE zera tarifas para 80% das exportações brasileiras e impulsiona indústria. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

A entrada em vigor do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia elimina a tarifa de importação para mais de 80% dos produtos brasileiros que chegam ao mercado europeu. O tratado, negociado durante 26 anos, passa a valer provisoriamente enquanto o Tribunal de Justiça da UE avalia sua compatibilidade jurídica, processo que pode se estender por até dois anos.

Com a nova regra, cerca de cinco mil itens nacionais desembarcam na Europa livres de impostos de entrada, reduzindo preços finais e abrindo espaço para conquistar fatias de mercado. Segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria, os bens industriais concentram 93% desse corte tarifário inicial, evidenciando que máquinas, equipamentos, produtos químicos, materiais elétricos e peças de metalurgia serão os primeiros a colher benefícios.

O tratado conecta economias que somam mais de 700 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto conjunto que ultrapassa a casa dos trilhões de dólares. Até agora, os parceiros com acordo em vigor respondiam por 9% das importações globais, percentual que pode saltar para 37% com a incorporação do bloco europeu, reforçando a estratégia de diversificação de destinos das exportações nacionais.

Além da remoção de tarifas, o documento define padrões técnicos comuns, facilita compras governamentais e cria mecanismos de solução de controvérsias, oferecendo previsibilidade às empresas que pretendem fincar pé no outro lado do Atlântico. Para setores considerados sensíveis, como alguns segmentos agrícolas e automotivos, as reduções seguirão cronogramas mais longos que podem chegar a 15 anos, permitindo uma transição gradual sem desmontar cadeias produtivas locais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou o pacto como um pilar estratégico do compromisso com o multilateralismo, sublinhando que a ampliação do comércio é parte indispensável do projeto de reindustrialização nacional. Lula recordou que o realinhamento de cadeias globais de valor provocado pela pandemia e por tensões geopolíticas abre janelas únicas para que países em desenvolvimento assumam posições de maior protagonismo.

Entidades empresariais dos dois blocos destacam que a simplificação de regras de origem e a harmonização de normas sanitárias devem reduzir drasticamente custos de transação, historicamente apontados como barreira ao ingresso de pequenas e médias empresas nos mercados externos. Para o setor de máquinas e equipamentos, quase todas as posições tarifárias passam a ter alíquota zero já nesta primeira fase, perspectiva que anima fabricantes de compressores, bombas industriais e componentes mecânicos instalados no interior paulista e gaúcho.

Do lado europeu, o tratado assegura acesso preferencial a matérias-primas agrícolas e minerais essenciais à transição energética continental, ao mesmo tempo em que cria um contrapeso comercial diante da crescente influência da China no Cone Sul. Analistas veem o acordo como uma peça de engrenagem no desenho de uma ordem multipolar, na qual a América Latina amplia seu poder de barganha entre os grandes polos de poder econômico.

Embora a implementação comece de forma imediata, etapas técnicas ainda exigem negociação detalhada, entre elas a divisão de cotas de exportação dentro do Mercosul e a certificação eletrônica que comprova o cumprimento das regras de origem. Especialistas lembram que a UE mantém forte lobby ambiental, o que poderá exigir novas comprovações de sustentabilidade, especialmente de cadeias ligadas ao agronegócio.

Para o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, a maior integração com a UE servirá de vitrine para demonstrar a qualidade dos produtos nacionais e atrair investimentos em pesquisa, design e inovação. Alckmin sustentou que a indústria precisa usar o período de transição para aumentar produtividade, incorporar tecnologias 4.0 e diversificar portfólios, evitando a dependência excessiva de commodities primárias.

O avanço também pressiona por infraestrutura logística mais eficiente, já que portos e ferrovias terão de lidar com maior fluxo de mercadorias de alto valor agregado. Governadores de estados exportadores defendem que o novo mix de vendas ao exterior justifica acelerar concessões ferroviárias e aprofundar dragagens em terminais marítimos, sob o argumento de que cada minuto economizado no transporte representa ganho direto de competitividade.

O corte imediato de tarifas cobre produtos que vão de café solúvel a transformadores industriais, sinalizando que tanto o campo quanto a indústria podem se beneficiar simultaneamente, segundo apontou o portal Opera Mundi. Observadores preveem que o salto das exportações industriais elevará a demanda por empregos qualificados e estimulará a retomada de programas de formação técnica em parceria com o Sistema S e universidades públicas.

Com o texto já valendo, o debate sobre política industrial ganha fôlego, pois o país terá de combinar defesa do mercado interno sensível com agressiva estratégia de conquista de espaço externo. O próximo biênio será decisivo para ajustar regulamentações, ampliar acordos de facilitação de investimentos e transformar a mera abertura de mercado em vetor concreto de desenvolvimento nacional.


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Medida provisória abre crédito de R$ 5 bilhões para apoiar exportações https://www.ocafezinho.com/2026/04/30/medida-provisoria-abre-credito-de-r-5-bilhoes-para-apoiar-exportacoes/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/30/medida-provisoria-abre-credito-de-r-5-bilhoes-para-apoiar-exportacoes/#respond Thu, 30 Apr 2026 04:31:16 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/04/30/medida-provisoria-abre-credito-de-r-5-bilhoes-para-apoiar-exportacoes/
BIE – 09/10/2017 – O Porto do Pecém atingiu a marca de 2 milhões de placas de aço exportadas em 2017. O material produzido pela Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) é a principal carga de exportação em toneladas no Porto do Pecém.
Foto: Gov.do Ceará

Nesta quarta-feira (29), uma medida provisória publicada no Diário Oficial da União destina R$ 5 bilhões adicionais para o Fundo de Garantia à Exportação (FGE), reforçando o Plano Brasil Soberano, lançado no ano passado para conter os efeitos da alta de tarifas de importação imposta pelos Estados Unidos.

A MP 1.352/2026 busca aumentar a capacidade de resposta do crédito à exportação em momentos de instabilidade no comércio global.

O texto permite a concessão de capital de giro e instrumentos de proteção contra riscos comerciais, políticos e extraordinários, com atenção especial às micro, pequenas e médias empresas. O crédito será financiado por meio do superávit financeiro do próprio FGE, de aproximadamente R$ 29,7 bilhões, apurado em 2025.

Segundo o governo, a abertura do crédito atende aos requisitos constitucionais de urgência, relevância e imprevisibilidade, por permitir uma resposta rápida do Estado diante de um cenário econômico internacional incerto e fora de seu controle.

A Câmara dos Deputados e o Senado Federal têm até 26 de junho para apreciar a MP. A partir de 13 de junho, 46º dia após a publicação, ela entra em regime de urgência, obstruindo a pauta.

Fonte: Agência Senado

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CNI: acordo Mercosul-UE zera tarifas de 80% das exportações para a Europa https://www.ocafezinho.com/2026/04/29/cni-acordo-mercosul-ue-zera-tarifas-de-80-das-exportacoes-para-a-europa/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/29/cni-acordo-mercosul-ue-zera-tarifas-de-80-das-exportacoes-para-a-europa/#respond Wed, 29 Apr 2026 11:01:26 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/04/29/cni-acordo-mercosul-ue-zera-tarifas-de-80-das-exportacoes-para-a-europa/ Entra em vigor nesta sexta-feira (1º) o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, com impacto direto nas exportações brasileiras. Segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 80% dos produtos vendidos pelo Brasil ao bloco europeu passam a ter tarifa de importação zerada nesta fase inicial.

Sem tarifas da União Europeia, as empresas brasileiras poderão vender a maior parte de seus produtos para a Europa sem pagar impostos de entrada, o que reduz custos e aumenta a competitividade frente a concorrentes de outros países.

O acordo cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, conectando um mercado de mais de 700 milhões de consumidores. Segundo a CNI, mais de 5 mil produtos brasileiros terão tarifa zero imediatamente, incluindo itens industriais e agrícolas.

O que muda para as exportações brasileiras

Hoje, muitos produtos exportados pelo Brasil enfrentam tarifas ao entrar no mercado europeu, o que encarece o preço final e dificulta a concorrência. Com o acordo, essas barreiras começam a ser eliminadas.

Dos 2.932 produtos que terão tarifas zeradas já no início:

  • Cerca de 93% (2.714) são bens industriais;
  • Os demais incluem itens do setor alimentício e matérias-primas.

Isso tende a favorecer principalmente a indústria brasileira, que ganha acesso mais competitivo a um dos mercados mais exigentes e relevantes do mundo.

Setores mais beneficiados

Entre os setores que mais devem sentir o impacto positivo estão:

  • Máquinas e equipamentos (21,8% dos 2.932 produtos com redução imediata);
  • Alimentos (12,5%);
  • Metalurgia (9,1%);
  • Máquinas, aparelhos e materiais elétricos (8,9%);
  • Produtos químicos (8,1%).

No caso do setor de máquinas e equipamentos, quase 96% das exportações brasileiras para a Europa passam a entrar sem tarifa. Isso inclui produtos como compressores, bombas industriais e peças mecânicas.

Na área de alimentos, centenas de itens também terão tarifa zero, ampliando o espaço para produtos brasileiros no mercado europeu.

Por que o acordo é importante

O acordo é considerado estratégico porque amplia significativamente o alcance comercial do Brasil. Atualmente, países com os quais o Brasil tem acordos comerciais representam cerca de 9% das importações globais. Com a entrada da União Europeia, esse número pode saltar para mais de 37%.

Além disso, o tratado traz mais previsibilidade para as empresas, com regras claras sobre comércio, compras governamentais e padrões técnicos.

Implementação gradual

Apesar do impacto imediato, nem todos os produtos terão tarifas zeradas de uma vez. Para itens considerados mais sensíveis, a redução será feita de forma gradual:

  • Em até 10 anos na União Europeia;
  • Em até 15 anos no Mercosul;
  • Em alguns casos específicos, como novas tecnologias, o prazo pode chegar a 30 anos.

Próximas etapas

A entrada em vigor marca apenas o início da implementação. O governo brasileiro ainda deve regulamentar detalhes como a distribuição de cotas de exportação entre os países do Mercosul.

Além disso, entidades empresariais dos dois blocos devem criar um comitê para acompanhar a aplicação do acordo e ajudar empresas a aproveitar as novas oportunidades.

Fonte: Agência Brasil

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MDIC reduz prazo de análise de incentivo à exportação pela metade https://www.ocafezinho.com/2026/04/29/mdic-reduz-prazo-de-analise-de-incentivo-a-exportacao-pela-metade/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/29/mdic-reduz-prazo-de-analise-de-incentivo-a-exportacao-pela-metade/#respond Wed, 29 Apr 2026 05:31:20 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/04/29/mdic-reduz-prazo-de-analise-de-incentivo-a-exportacao-pela-metade/ O prazo para análise de pedidos do regime de drawback, um dos principais incentivos às exportações brasileiras, caiu em mais de 50%, anunciou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Duas portarias publicadas no Diário Oficial da União simplificam os procedimentos de pedidos e reduzem o número de etapas do processo.

Com as mudanças, o tempo de avaliação, que antes podia chegar a até 60 dias, passa a ser inferior a 30 dias. A alteração tem como objetivo tornar mais rápido e simples o acesso das empresas ao benefício, sem mudar as regras para concessão do incentivo.

A nova regra simplifica o processo de análise. Antes, o pedido passava por etapas separadas: primeiro era feita uma análise inicial e só depois as empresas eram chamadas a apresentar documentos adicionais. Agora, todo o processo ocorre de uma só vez, permitindo que a documentação seja enviada no momento do pedido.

Esse envio é feito por meio do Portal Único Siscomex, sistema que centraliza operações de comércio exterior no país. A mudança elimina etapas intermediárias e reduz o tempo total de espera.

A primeira portaria autoriza o envio dos documentos no pedido de inclusão no regime. A segunda portaria atualiza versões dos manuais operacionais do drawback.

Segundo o governo, a atualização mantém os critérios de controle, mas moderniza os procedimentos operacionais, facilitando o uso do benefício pelas empresas.

Prática regulamentada pela Organização Mundial do Comércio (OMC), o drawback é um mecanismo que reduz ou elimina tributos sobre insumos usados na produção de bens que serão exportados. As empresas podem importar ou comprar matérias-primas no Brasil pagando menos impostos, desde que utilizem esses insumos para fabricar produtos destinados ao mercado externo.

O drawback é considerado estratégico para a competitividade do Brasil no comércio internacional. Ele abrange diversos tributos, como imposto de importação, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e taxas sobre frete, reduzindo o custo de produção para exportadores.

Existem duas principais modalidades: a suspensão, que elimina impostos na compra de insumos para produtos que ainda serão exportados, e a isenção, que permite recuperar tributos pagos anteriormente em operações semelhantes.

Segundo o MDIC, em 2025, cerca de 20,8% das exportações brasileiras, o equivalente a US$ 72 bilhões, usaram o drawback na modalidade suspensão. Aproximadamente 1,8 mil empresas aderem ao regime, especialmente em setores como carnes, mineração, indústria automotiva e química.

Fonte: Agência Brasil

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Ministro diz que país não quer apenas exportar minerais críticos https://www.ocafezinho.com/2026/04/25/ministro-diz-que-pais-nao-quer-apenas-exportar-minerais-criticos/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/25/ministro-diz-que-pais-nao-quer-apenas-exportar-minerais-criticos/#respond Sat, 25 Apr 2026 07:07:57 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/04/25/ministro-diz-que-pais-nao-quer-apenas-exportar-minerais-criticos/ O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, defendeu nesta sexta-feira (24) a urgência da aprovação de regras claras para a exploração de minerais críticos em território brasileiro.

Para o ministro, a criação de uma legislação específica é fundamental para minimizar dúvidas quanto ao destino dos ativos, considerados estratégicos, e garantir o desenvolvimento da indústria nacional.

“Não queremos ser um exportador de matéria-prima. Não vamos cometer o equívoco de imaginar que minerais críticos ou terras raras sejam objeto de exportação. Têm que ser de industrialização”, disse nesta sexta-feira (24 de abril de 2026), no programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

A declaração foi feita no contexto da compra da mineradora Serra Verde pela norte-americana USA Rare Earth, por cerca de US$ 2,8 bilhões. A Serra Verde opera a única mina de argilas iônicas ativa do Brasil, Pela Ema, em Minaçu, em Goiás.

A mineradora também é a única produtora, fora da Ásia, de quatro elementos críticos e valiosos — disprósio (Dy), térbio (Tb), neodímio (Nd) e ítrio (Y) — fundamentais para a fabricação de ímãs permanentes usados em veículos elétricos, turbinas eólicas, robôs, drones e aparelhos de ar-condicionado de alta eficiência, além de aplicações nas áreas de semicondutores, defesa, nuclear e aeroespacial.

A negociação foi comemorada pelo governo de Goiás, cujo ex-governador Ronaldo Caiado assinou com o governo dos Estados Unidos, em março deste ano, um memorando de entendimento para fortalecer a cooperação bilateral entre o estado e os EUA, autorizando a realização de pesquisa e desenvolvimento tecnológico conjuntos e a facilitação de investimentos para a exploração de minerais críticos.

“Muita gente leu essa notícia e ficou imaginando que estamos perdendo um ativo importante, uma grande quantidade de minerais críticos para uma empresa que não é um grupo econômico brasileiro”, disse Rosa. “Acho que, nesse caso, temos ainda muita desinformação. É preciso saber que tipo de atividade vai ser feita”, acrescentou.

O memorando foi criticado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por parlamentares do PSOL, que pediram à Procuradoria-Geral da República (PGR) a anulação da venda da Serra Verde.

Para o ministro Márcio Elias, a iniciativa do ex-governador de Goiás avança sobre temas de competência da União. “O subsolo brasileiro pertence à União. A competência para regulamentar a exploração de recursos naturais é da União. E quem estabelece relações com outros países é a União”, afirmou o ministro.

“É possível que haja boa intenção e um pressuposto legítimo de levar o desenvolvimento para o estado motivando alguém a fazer uma negociação desse tipo, mas do ponto de vista jurídico, ela não se sustenta”, avaliou o ministro. Ele destacou que o acordo firmado pelo governo goiano não produz nenhuma obrigação legal e não há risco de o país sofrer sanções em caso de descumprimento. “É muito mais um memorando sem nenhum comprometimento, sem nenhuma sanção”, avaliou.

O ministro Márcio Elias lembrou que o governo federal, nesta semana, pediu ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que retirasse de pauta o Projeto de Lei 2780/24, que trata da criação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.

Segundo ele, a solicitação foi feita porque o Palácio do Planalto entende que, apesar da urgência do Congresso Nacional em estabelecer marcos legais claros para a exploração das terras raras, é necessário discutir mais a proposta antes de submetê-la à apreciação dos parlamentares.

“O governo federal quer apresentar propostas e sugestões que, sobretudo, aperfeiçoem o dever de industrialização dos minerais críticos”, afirmou Márcio Elias, antecipando que representantes do governo devem se reunir com o relator do PL, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), já na próxima semana.

O ministro afirmou, em sua entrevista ao Bom Dia, Ministro, que a norma deve abranger desde a exploração dos minerais críticos até as movimentações societárias, como a resultante da venda da Serra Verde à USA Rare Earth. “Precisamos legislar e regular logo esse tema, porque ele suscita não apenas dúvidas, mas, sobretudo, insegurança jurídica sobre quem pode explorar, as mudanças, as fusões e as transformações dessas empresas, quem pode acessar o alvará para explorar e minerar. Tudo tem que estar regulado”, defendeu.

O ministro também rejeitou a ideia de criação de uma estatal para o setor. “Em nossa avaliação, no atual modelo, não há necessidade alguma de se criar uma estatal para fazer a exploração, refino ou beneficiamento de mineral crítico estratégico. Já há instrumentos legais que permitem eventuais subvenções e há a possibilidade de associações com o setor privado e o fomento desse setor essencial”, argumentou, acrescentando que a criação de uma estatal “não seria sinônimo de melhor aproveitamento desses ativos”.

Fonte: Agência Brasil

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Navio de carga com contêineres atracado em porto, com guindastes e caminhões para movimentação de mercadorias. (Foto: diariodocentrodomundo.com.br)

O bloqueio do Estreito de Ormuz, em meio ao conflito no Golfo Pérsico, provocou forte impacto no comércio com os países da região. As exportações para Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Bahrein e Omã recuaram 31,47% em março na comparação com o mesmo mês do ano anterior, totalizando 537,11 milhões de dólares.

Os números foram revelados pela plataforma ComexStat do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, em parceria com a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira. Apesar da retração, a balança comercial registrou superávit de 41,4 milhões de dólares, mesmo com alta de 113% nas importações.

No acumulado de janeiro a março, as exportações para a região avançaram 8,14% e somaram 2,41 bilhões de dólares. O saldo comercial positivo atingiu 1 bilhão de dólares no trimestre.

O agronegócio, que responde por cerca de 75% das vendas à região, sofreu queda de 25,38% em março. O setor ainda acumula alta de 6,8% nos três meses iniciais do ano, com 1,44 bilhão de dólares em vendas.

O açúcar foi um dos produtos mais afetados, com retração de 43,37% para 54,07 milhões de dólares. O milho praticamente deixou de ser embarcado para os destinos no Golfo Pérsico.

O café apresentou forte crescimento de 34,24% em março e de 64,3% no trimestre. As vendas do produto atingiram 49,58 milhões de dólares no período de janeiro a março.

As carnes de aves e derivados registraram queda de 13,8% em março, totalizando 185,5 milhões de dólares. No acumulado do trimestre, o recuo foi de 2,32%, com 619,12 milhões de dólares.

A carne bovina se destacou positivamente, com aumento de 24,7% no mês e de 65,29% no trimestre. O item alcançou 194,56 milhões de dólares em exportações.

O pesquisador do FGV Agro Felippe Serigati explicou que o bom desempenho da carne bovina reflete a valorização do preço médio, e não um crescimento no volume exportado. O economista Celso Grisi, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo, analisou os efeitos do conflito sobre o fluxo comercial.

Grisi afirmou que as companhias marítimas passaram a cobrar “taxas de guerra” e que o desvio pela rota africana elevou significativamente os custos de frete e seguro. Ele apontou interrupções logísticas severas nas exportações para Qatar e Emirados Árabes Unidos.

Segundo o economista, o crescimento das vendas para os países árabes representa uma tendência estrutural, baseada na dependência alimentar da região e na qualidade da produção nacional. O fluxo comercial sofre interrupções sempre que há escalada nas tensões militares no Golfo.

As importações de fertilizantes cresceram 268% em março ante fevereiro e atingiram 30 milhões de dólares. O Diário do Centro do Mundo detalhou como o bloqueio afetou também o lado das importações.

O episódio reforça a vulnerabilidade do comércio exterior a conflitos no Oriente Médio. A diversificação de rotas e parceiros surge como medida essencial para mitigar riscos logísticos futuros.


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China registra recorde de 68 GW em exportações de energia solar em março https://www.ocafezinho.com/2026/04/22/china-registra-recorde-de-68-gw-em-exportacoes-de-energia-solar-em-marco/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/22/china-registra-recorde-de-68-gw-em-exportacoes-de-energia-solar-em-marco/#comments Thu, 23 Apr 2026 00:32:30 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/04/22/china-registra-recorde-de-68-gw-em-exportacoes-de-energia-solar-em-marco/ 15 Comentários 🔥]]>
Um trabalhador instala um painel solar, representando a expansão da energia solar. (Foto: electrek.co)

A China exportou um volume recorde de 68 gigawatts de tecnologia solar em março, dobrando o montante de fevereiro e superando em quase 50% o recorde anterior registrado em 2025.

Os números foram divulgados pela organização de pesquisa energética Ember e reproduzidos pelo portal Electrek. A análise revela como a demanda global por fontes renováveis ganha força em meio à volatilidade dos preços de combustíveis fósseis.

Cinquenta nações registraram recordes históricos de importação de produtos solares chineses no período. Outras sessenta alcançaram suas máximas de importação em seis meses, com a Ásia e a África respondendo por cerca de três quartos do crescimento total.

Na Ásia, as importações dobraram e atingiram 39 gigawatts, impulsionadas por Índia, Malásia e Laos. Esses países registraram aumentos respectivos de 141%, 384% e 108%.

O continente africano apresentou expansão ainda mais acentuada, com salto de 176% nas compras, totalizando 10 gigawatts. Nigéria, Quênia e Etiópia ultrapassaram pela primeira vez a marca de 1 gigawatt em importações solares em um único mês.

Esse movimento indica uma transformação no comércio internacional de energia limpa. Países dependentes de combustíveis fósseis buscam reduzir vulnerabilidades por meio de investimentos em infraestrutura solar.

A alteração na política fiscal chinesa a partir de abril também contribuiu para o pico observado em março. O ajuste nas isenções de exportação deve elevar em cerca de 9% o custo dos painéis, levando muitos importadores a anteciparem seus pedidos.

As exportações de painéis solares cresceram 91% ante fevereiro e chegaram a 32 gigawatts. As remessas de células e wafers aumentaram 108% e somaram 36 gigawatts.

Diversos mercados optam cada vez mais pela importação de componentes intermediários em vez de painéis completos. Essa estratégia permite a montagem local, a agregação de valor e a redução de riscos nas cadeias de suprimentos.

O impulso não se restringe à energia solar e abrange também baterias e veículos elétricos. As exportações chinesas desses itens avançaram 70% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Somente o setor de baterias gerou 10 bilhões de dólares em março, com demanda elevada da União Europeia, da Austrália e da Índia. Esses mercados expandem rapidamente suas redes de armazenamento de energia e de mobilidade elétrica.

O relatório Global Electricity Review 2026 da Ember detalha os efeitos dessa expansão renovável. O crescimento da solar em 2025 substituiu geração a gás em escala equivalente a volumes significativos de gás natural liquefeito.

O analista sênior da Ember Euan Graham observa que as oscilações recentes nos preços dos combustíveis fósseis aceleram a transição energética mundial. Graham ressalta que os países não apenas importam recordes de equipamentos como também desenvolvem capacidades industriais domésticas.

O exemplo da China demonstra a dinâmica de uma transição energética acelerada pela pressão dos mercados. Essa tendência fortalece a resiliência econômica e promove maior autonomia frente aos choques nos preços de petróleo e gás.

Ao dominar a produção e as exportações, a China molda novos padrões de cooperação tecnológica global. O país facilita a transferência parcial de etapas da cadeia produtiva para seus parceiros comerciais estratégicos.


Leia também: China inicia construção de usina solar de alta altitude no Tibete


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