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Criatividade nos nomes dos blocos de carnaval não tem limites

Por Miguel do Rosário

29 de janeiro de 2012 : 09h35

No Globo.

RIO – Que Merda É Essa?! Calma, Calma, sua Piranha! Esses são apenas nomes de blocos que os cariocas inventaram para se divertir no carnaval. Tem de tudo. De homenagens ao berço dos grupos, como Suvaco de Cristo e Choro Curto Mas Rio Comprido, a brincadeiras com a bebida e, sobretudo, de duplo sentido. A sacanagem também impera. A ponto de Vem Ni Mim Que Sou Facinha parecer até inocente.

Perereca está no nome de cinco deles: tem a do Grajaú, a Imperial, a Vadia e a Sem Dono, além do Pinto na Perereca. O órgão masculino também é muito citado nos seus diversos apelidos: Pinto Sarado, Carvalho em Pé, Rola Preguiçosa e Tarda Mas Não Falha. Como variações do mesmo tema, tem ainda o Cutucando Atrás (no Leme), o Só o Cume Interessa, formado por montanhistas na Urca, e o tradicional Vai Tomar no Grajaú.

Há os mais diretos ainda: Se Me Der Eu Como, Já Comi pior Pagando e Se Cair Eu Como. A gaiatice é ilimitada. O fundador do Encosta Que Ele Cresce, da Ilha do Governador, por exemplo, alega inocência. Ele diz que o desfile, na Praia da Bica, é superfamília.

— A gente se reuniu no bar para fazer um grupo de pagode. Mas toda hora vinha alguém, se encostava e a coisa crescia. Virou, então, o bloco Encosta Que Ele Cresce — conta o fundador Cesar Soares.

Bebida também é uma inspiração constante

Na linha do duplo sentido, o É Pequeno Mas Vai Crescer; A Rocha; e o Toca… Pra Mim. A bebida também é uma grande inspiradora dos foliões: Porre Certo, Entorta Mas Não Cai, Desculpa Para Beber, localizado estrategicamente na Cobal do Humaitá, Quem num Guenta Bebe Água, além do tradicional Bohêmios de Irajá, com H.

Outro que homenageia o combustível da folia é o Largo do Machado Mas Não Largo do Copo e seus assemelhados, como o Largo da Mulher Mas Não Largo do Copo. O fundador e presidente, Lula Dias, conta que o nome foi ideia de uma turma de pinguços no Bar Estação Largo do Machado.

— A gente queria fazer um bloco e a bebida é que era o motivo. A banda só toca marchinhas que falam de bebida, como Turma do Funil e Se você Pensa Que Cachaça é Água. Tem ainda um adereço de uma grande garrafa de cerveja, que vai com uma pessoa dentro, como um boneco de Olinda — diz Lula.

A criatividade para o nome dos blocos pode vir também da beleza de uma mulher. Foi o que aconteceu no dia 31 de dezembro de 1918. Álvaro Gomes de Oliveira, o Caveirinha, e Francisco Carlos Brício, o Chico Brício, tomavam umas e outras no Bar Nacional, no Centro, quando surgiu uma linda mulher com vestido branco com bolas pretas. O Caveirinha se levantou, apontou para a mulher e falou: “Taí o nome do nosso bloco, Cordão da Bola Preta”.

— Existem várias versões, como a história da paixão de Caveirinha por uma colombina, mas essa é a que foi registrada na história do Bola Preta — conta Pedro Ernesto Marinho, presidente do Cordão.

Outro bloco que tem diferentes versões para sua criação é o Que Merda É Essa?! Há uma lenda de que o bloco nasceu de um grupo de foliões embriagados do “Simpatia É Quase Amor”, que errou e saiu desfilando na direção oposta à que ia o bloco, se perdendo nas ruas de Ipanema. Mas Floriano Torres, um dos fundadores, garante que a história é outra.

— Éramos um grupo lá no Paz e Amor (bar de Ipanema) e queríamos achar um nome para o bloco que queríamos fundar. Aí, tinha um pernambucano que lembrou que havia, em Olinda, um bloco chamado Que Merda É Essa. Aí, pronto. Escolhemos esse — conta Floriano, lembrando que, em 2010, foi à Olinda procurar o bloco original, mas não encontrou.

No Brasil, Floriano diz que há uns dez blocos chamados Que Merda É Essa?! Entre os maiores estão o de Fortaleza e o de Cabo Frio. Há ainda alguns mais exóticos: Suvaco de Cobra, Perna de Cobra e Virilha de Minhoca. Ubiracy Correia Nascimento, fundador do Virilha, de Bangu, conta que o bloco foi fundado há 37 anos.

— Naquela época já tinha o Suvaco de Cobra. Então, a gente queria criar um bloco e resolveu fazer o virilha de minhoca, uma brincadeira com o nome do outro — contou Ubiracy.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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