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Colunistas meio doidos

Por Miguel do Rosário

21 de março de 2013 : 14h46

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(Link da Foto)

Parece que somente hoje os colunistas políticos tomaram coragem para comentar a pesquisa de aprovação da presidente e do governo feitas pelo CNI/Ibope. Uma ficha, em especial, demorou a cair por causa de seu tamanho. A aprovação de Dilma cresceu sobretudo no Nordeste, dificultando bastante os movimentos de Eduardo Campos.

O Estadão publicou hoje um editorial meio desalentado, em que parece jogar a toalha e dar a eleição de 2014 por praticamente perdida. No mesmo jornal, Dora Kramer assina coluna cujo título já diz sobre seu estado de espírito: “Falta de ar”.
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Sim, porque o crescimento da aprovação de Dilma, que passou de 78% para 79%, o seu recorde, bem acima inclusive do que tinha no início de seu mandato, somado às ridículas brigas internas em que se vê o PSDB, reduz um bocado as chances da oposição em 2014.

Chamo os conflitos domésticos tucanos de ridículos porque é uma lavagem curiosa de roupa suja, terceirizada à imprensa. Os tucanos privatizaram até seus debates internos. Outros partidos também brigam via imprensa, mas só o PSDB o faz exclusivamente pela imprensa.

Hoje, por exemplo, Serra plantou a seguinte notinha na coluna do Ilimar Franco, do Globo:

Serra não se considera fora do jogo: O ex-governador tucano José Serra (SP) mandou um recado ontem, de que não desistiu da concorrer ao Planalto. No Twitter, baseado em crítica distribuída, no dia anterior, pelo Instituto Teotônio Vilela, atacou o governo Dilma: “Cadê as 6 mil casas prometidas para Petrópolis em 2011? Apenas 4 obras de contenção foram entregues. Há recursos que ainda estão retidos ”.

Os tucanos fazem uma guerra de notinhas plantadas. De forma geral, porém, todas visam abater-se uns aos outros. Ainda hoje, vejam essa:

À procura de uma porta de saída: O prefeito Arthur Virgilio anunciou que deixará o PSDB se o partido votar a favor da unificação do ICMs. A lei prejudicaria a Zona Franca de Manaus. Ele já recebeu convite do governador Eduardo Campos para se transferir para o PSB.

Ontem, ainda no Ilimar Franco, havia a seguinte nota, que comprova a minha teoria de que os tucanos fazem política apenas pela imprensa:

Carência afetiva: O ex-líder do PSDB no Senado Álvaro Dias (PR) e o deputado Ricardo Trípoli (PSDB-SP) falavam ontem, sobre o PSDB, numa roda num restaurante de Brasília. “Eu não estou sabendo de nada! Nem de candidatura a presidente da República nem a presidente do partido”, disse Álvaro. “Eu também não! De vez em quando a gente sabe alguma coisa pela imprensa”, emendou Trípoli. “Acho que é porque o pessoal sempre decidiu tudo petit comité”, retrucou Álvaro. O ex-líder do PSDB na Câmara Bruno Araújo (PE) chega na roda e arremata: “Estou como um católico, na praça do Vaticano, esperando sair a fumaça branca”. Gargalhadas.

Ainda hoje, Eliane Cantanhede e Merval Pereira escreveram sobre os desacordos tucanos. Cantanhede chega a mencionar uma possível chapa entre Campos e Serra, com o tucano ocupando o lugar de vice. É uma coisa sem pé nem cabeça, porque desfiguraria completamente a imagem de Eduardo Campos. A troco de quê um político promissor se aliaria ao político mais rejeitado no país, em especial na cidade de São Paulo?

Uma aliança com Serra corresponderia a uma guinada radical à direita, e o simples fato desse tipo de conjectura estar se disseminando tão facilmente, apenas rebaixa a credibilidade de Eduardo Campos.

Merval, por sua vez, está fazendo papel de doido, ao posar de mediador dos conflitos tucanos. Tudo que diz num dia, acontece ao contrário no outro. A explicação para sua desagregação psíquica, ele mesmo a dá, na abertura de sua coluna hoje:

A pesquisa do Ibope/CNI foi uma ducha de água fria nos candidatos a opositores da reeleição da presidente Dilma Rousseff (…)

O texto traz uma quantidade inacreditável de expressões vagas, confusas. Confiram esse trecho, logo no início do texto:

Não parece provável que desista da candidatura mesmo diante da aparência de imbatível que a presidente Dilma ostenta nesses dias. Há quem acredite nos meios políticos – um deles é o governador Eduardo Campos, que torce por isso – que o senador Aécio Neves pode partir para tentar se eleger novamente governador de Minas se a presidente estiver muito bem nas pesquisas no início do ano, mas é difícil que isso aconteça.

A análise de Merval, em suma, é a seguinte: não parece provável, mas há quem acredite, embora seja difícil que aconteça.

Prova de que as coisas não andam bem na cabeça de Merval é a conclusão de seu texto. Devia estar com sono, então deixou escapar uma previsão otimista, em tom peremptório:

E a economia melhorará este ano, o suficiente para manter a sensação de bem-estar da população.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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1 comentário

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rildoferreiradossantos@gmail.com

22 de março de 2013 às 11h42

E a Academia de Letras aceita essas baboseiras como literatura crível para dar ao sujeito um assento vitalício?…

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