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Coxinhas perdem apoio popular

Por Miguel do Rosário

15 de fevereiro de 2014 : 18h19

“Tantas você fez, que ela cansou”, cantava Toquinho.

Chega a ser um pouco alarmante constatar isso, mas é o que aconteceu. Claro que foi potencializado pela histeria midiática dos últimos dias, mas já era uma tendência que vinha sendo detectada em pesquisas anteriores.

Os “protestos” no Rio se tornaram uma diversão para os ricos e sofrimento para os pobres. Os coxinhas, enfim, com suas atitudes irresponsáveis e violentas, com sua falta de pautas objetivas, com sua intransigência absoluta, conseguiram a proeza de fazer os pobres se voltarem contra as manifestações.

Agora é estatístico. Segundo o Datafolha, 51% da população do Rio que ganha até 2 salários é contra protestos. Já entre o segmento mais rico, que ganha mais de 10 salários, a situação é inversa: 71% é a favor.

Quando se mede por escolaridade, a disparidade é ainda mais gritante. Entre os que têm apenas ensino fundamental, 61% afirmaram ser contra protestos. Já entre a turma com ensino superior, a aprovação aos protestos é de 74%.

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Por que isso? Não é tão difícil entender. Manifestações desorganizadas e totalmente indiferentes ao caos provocado na cidade afetam de maneira muito mais brutal os cidadãos mais humildes. Os ricos, sempre dão um jeito de se safar dos engarrafamentos. Assistem à tudo no conforto de seus apartamentos, na Globonews. Aliás, a Globo há meses passou a contar com o “globoninja”, que nada mais é do que um repórter disfarçado de mídianinja. Até esse lado realmente anárquico das manifestações, a presença de um novo tipo de midiativismo, foi incorporado pela grande imprensa.

Segundo a reportagem, 95% dos entrevistados afirmaram ser contra vandalismo e 90% reprovam o uso de máscaras. Os números comprovam, portanto, que foi exatamente a violência e a máscara, características eminentemente coxinha e black bloc, o que vem causando a erosão do apoio popular a manifestações.

Além disso, as pautas são vagas. Mesmo as manifestações contra o mais recente aumento da passagem no município me pareceram egoístas, porque fingiram não ver os avanços oferecidos pela prefeitura.

Na mesma decisão em que determinou o aumento das passagens, o prefeito Eduardo Paes finalmente aceitou uma demanda antiga do movimento estudantil: aumentou o passe livre. Os estudantes de ensino médio e fundamental, que tinham direito a 60 viagens gratuitas por mês, agora terão 76 viagens. A medida visa incluir o fim de semana, permitindo que os jovens passeiem pela cidade em seus dias livres.

Os estudantes universitários que participam de algum programa do governo federal, por sua vez, que já pagavam meia passagem, agora terão direito ao passe livre. Os universitários com renda familiar per capita de até um salário mínimo, agora também dispõem do benefício da gratuidade. A medida vale para estudantes tanto de universidades privadas como públicas.

A comprovação da renda familiar foi desburocratizada e poderá ser feita através de “autodeclaração” à prefeitura.

Essas medidas já estão valendo, e explicam em parte o esvaziamento das manifestações contra o aumento da passagem do ônibus, que foi de 9%, e o primeiro em dois anos, abaixo da inflação oficial (IPCA) no período, que foi de 11,63%. O ônibus no Rio agora é R$ 3,00.

Entretanto, acredito que os pobres cariocas tenham desenvolvido hostilidade a um tipo específico de protesto, intransigente, violento, desorganizado e difuso.

Protestos inteligentes, focados em pautas específicas, feitos com objetivo de obter mudanças concretas e que, portanto, incluam a disposição de dialogar com as forças políticas, estes nunca perderão o apoio popular.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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9 comentários

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Nirto Kloeckner

15 de fevereiro de 2014 às 23h57

Manifestações perdendo apoio? Isso era esperado. Objetivo alcançado ´por aqueles que não querem as manifestações. “VIVA A GUERRILHA” POBRE BRASIL.

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Juan E Andrea N

15 de fevereiro de 2014 às 23h25

Não é elitista é realista, 99 % dessas pessoas não sabem dos seus direitos, não sabem qual o verdadeiro papel da novela, do JN e não sabem o que significa assistencialismo. Logo, se isso não é ter capacidade de um pensamento crítico…

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Marola

15 de fevereiro de 2014 às 21h15

Claro Juan Andrea e Celso Orrico, e vcs estão aí mesmo para guiar a massa ignara para o caminho correto né? Tsk, tsk…

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Marola

15 de fevereiro de 2014 às 21h13

Claro Juan Andrea e Celso Orrico, e vcs estão aí mesmo para guiar a massa ignara para o caminho correto? Tsk, tsk…

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Maria Meneses

15 de fevereiro de 2014 às 22h44

Incapacidade crítica é muito elitista demais. Pobre pensa sim,só que não são coxinhas, casalzinho 30.

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Juan E Andrea N

15 de fevereiro de 2014 às 21h30

Análise muito bonita mas, tendenciosa e não reflete toda a verdade, esqueceram de mencionar que a resistência dos menos favorecidos em aceitarem as manifestações tem como fator principal a incapacidade dessas pessoas em terem um pensamento crítico em relação a sua existência,a sua condição de oprimido e explorado.Consequência de uma educação alienante com interesses escusos do Estado e que nunca esteve preocupada na construção de uma educação libertadora.

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Celso Orrico

15 de fevereiro de 2014 às 19h20

são os verdadeiros sem noção..

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DrRibamar Som da Pedra

15 de fevereiro de 2014 às 20h43

MIGUEL ESTA NOTICIA É PRECISO SE DISCUTIR.Uma semana após a Justiça de Minas condenar à prisão os médicos Celso Scafi, Cláudio Carneiro e Sérgio Poli, por tráfico de órgãos, o Conselho Regional de Medicina, por unânimes 42 votos, os absolveu de cassação do registro. O trio foi condenado a penas de 8 a 11 anos de prisão e multa de R$ 1 milhão. Em 2000, em Poços de Caldas (MG), retiraram órgãos do menino Paulo Veronesi ainda vivo, que não sobreviveu. Celso e Cláudio estão detidos. Sérgio é foragido

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Parlo Piano

15 de fevereiro de 2014 às 20h25

infelizmente não se trata disso,, mas agora a globo mandou desaprovar,,

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