Fundador do Instituto Ideia vê chance de Lula vencer no 1° turno

Por uma eleição mais politizada!

Por Miguel do Rosário

19 de agosto de 2014 : 08h06

Nosso amigo de Barão, Theofilo Rodrigues, pós-graduando em Ciência Política, escreveu mais um instigante artigo sobre as eleições deste ano.

Concordo com ele. De fato, devemos brigar por uma eleição politizada, que discuta ideias e projetos, e não mesquinharias subjetivas, como o fato de Marina ter rido no enterro, ou que Aécio seja um bêbado do Leblon.

*

Por uma eleição mais politizada

Por Theófilo Rodrigues, em seu blog.

Marina riu no enterro. Dilma é muito sisuda. Aécio saiu bêbado de um bar em Copacabana. Marina é evangélica. Dilma é solteirona. Aécio não passa de um baladeiro…

Será que mais uma vez o debate político eleitoral estará reduzido às notícias dignas de revistas de fofocas? Será que estamos fadados a nunca termos de fato uma agenda de discussões da grande política, dos grandes projetos em disputa?

O processo eleitoral não é o único momento, mas é certamente aquele mais propício para o grande debate de ideias e de programas políticos para a sociedade. Em última instância, é o ápice periódico das formulações da esfera pública. Ou ao menos deveria ser…

Pouco importa as preferências pessoais, sexuais, futebolísticas ou religiosas dos candidatos. O que queremos saber é quais são os projetos de cada um, quais os conjuntos de forças políticas que sustentam tais projetos e quais serão as formas de implementá-los.

Qual será a política econômica de cada candidato? Pretende fazer privatizações ou aumentar o papel do Estado? Aumentará o desemprego ou irá reduzi-lo? Almeja manter as atuais taxas de juros ou baixa-las?

Qual será a política externa de cada candidato? Pretende focar nas relações de blocos, ou investir em contatos bilaterais? Manterá o diálogo com países do sul como prioridade, ou retornará com as parcerias com os países do norte?

Quais serão as políticas sociais? Investirá em políticas de universalização ou apenas nas focalizadas? Manterá o Bolsa Família ou acabará com ele? Respeitará as diretrizes do Plano Nacional de Educação ou as deixará de lado?

Qual será a política de comunicação? Investirá na Telebras pública ou priorizará as teles privadas no desenvolvimento da Banda Larga? Serão mantidos os “critérios técnicos” na distribuição das verbas oficiais de publicidade ou implementará uma política de redistribuição para a diversidade e pluralidade dos meios?

A participação social será considerada uma prioridade do governo? As Conferências nacionais de políticas públicas serão mantidas ou não receberão apoio do poder público? Os conselhos serão respeitados ou postos de lado?

Enfim, são muitas as perguntas que podem e que devem ser trazidas para o debate público.

Que revistas sensacionalistas e de fofocas apostem na despolitização, tudo bem. Ainda que lamentável, esse é o papel delas e não se espera nada de diferente. O que não dá para aceitar é que jornais, blogs e programas ditos jornalísticos também apostem nesse rebaixamento do processo eleitoral em detrimento do grande debate público dos projetos políticos em disputa. E essa responsabilidade não é apenas da mídia corporativa, mas também da mídia alternativa.

Theófilo Rodrigues é cientista político.

marina021


 

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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15 comentários

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Denise Vírgula

20 de agosto de 2014 às 01h48

Essa família está pensando que a Presidência do Brasil é espólio deles? Miguel Do Rosario

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Denise Vírgula

20 de agosto de 2014 às 01h48

Essa família está pensando que a Presidência do Brasil é espólio deles? Miguel Do Rosario

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Denise Vírgula

20 de agosto de 2014 às 01h45

E a Marina, tá rindo de quê?

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Denise Vírgula

20 de agosto de 2014 às 01h45

E a Marina, tá rindo de quê?

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mz

19 de agosto de 2014 às 18h50

Concordo e anseio por dias assim no futuro. Os grande temas é que importam na vida da população,emprego, educação, saúde , segurança, mobilidade,lazer,urbanismo,qualidade de vida, etc. Mas promessas são fáceis de imprimir em uma folha em branco ou soar nos microfones das bocas dos desinibidos e bem articulados. A história do candidato, seus posicionamentos sobres estas questões em outras ocasiões e também ainda mais importante o posicionamento partidário, que fica meio de lado nas nossas eleições personalistas, é ainda mais importante e precisa ser fortalecido.

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marco

19 de agosto de 2014 às 14h11

Tentei postar outro comentário à matéria,contudo fui de novo,CENSURADO.Lamento,não postarei mais,já que o blog dispões de outros missivistas mais qualificados.Saudações e agradecimentos…Boa sorte ao sr.Blogueiro.

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Vitor

19 de agosto de 2014 às 13h51

Pois é, tenho me decepcionado bastante com o nível dos comentários do DCM, por exemplo… Os ataques a Marina beiram o inacreditável, a começar com essa baboseira sem fim que ela riu no enterro, asqueroso… E é generalizado o comportamento, não importa o lado!
Discutir o que fazer com a montanha de juros que o Governo paga, ninguém quer…

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Sosthenes Marinho Costa

19 de agosto de 2014 às 15h21

Concordo. O povo precisa entender os grandes temas que, afinal, impactarão a sua vida. Se a política a ser adotada for de desempregar, os jovens que buscam emprego e até os atualmente empregados, que poderão ser despedidos, serão diretamente afetados. Muitos desses votaram no candidato que tem plano de governo que implica em desemprego. Se ele entendesse as implicações desse plano de governo certamente não teria votado nesse candidato.

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Sosthenes Marinho Costa

19 de agosto de 2014 às 15h14

Concordo. O povo precisa entender os grandes temas que, afinal, impactarão a sua vida. Se a política a ser adotada for de desempregar, os jovens que buscam emprego e até os atualmente empregados, que poderão ser despedidos, serão diretamente afetados.

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João Vitor Alencar

19 de agosto de 2014 às 15h08

Pessoas não perdem a oportunidade pra falarem mal sem ao menos saber o real motivo de tal acontecimento. Vamos melhorar!!!
Na fotografia, há um sujeito alto, de óculos, atrás de Marina. Seu nome é Saulo Souza e ele é vereador em Poá, interior do estado de São Paulo.
Souza explicou em sua conta no Facebook:
“Num certo momento da madrugada, eu perguntei para Dona Renata, na presença de Marina, no que consistia a força admirável dos meninos e dela, principalmente, demonstrada diante de tamanho sofrimento e de tamanha dor.
Ela calmamente tocou o porta-retrato do Eduardo que estava sob o caixão e contou do quanto achava lindo o sorriso dele, do quanto ele inspirava a família a sorrir em todos os momentos da vida mesmo quando a dor fosse uma tortura.
Então, disse que estava orgulhosa dele porque conseguiu deixar uma mensagem para o Brasil e realizada porque ele deixou um legado inspirador. Por fim, ela relembrou, como bom nordestino, do quanto ele gostava de contar ‘causos’ e alegrar a vida de todos por onde passava.
Então, sorrimos. Nós cinco.”

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Eduardo Marques

19 de agosto de 2014 às 11h46

Abordagem fundamental. Infelizmente, com a grande mídia atuando como partido de oposição, os partidos terceirizando as campanhas para os marqueteiros e o sistema político dominado pelo grande capital, cada vez teremos menos debates profundos sobre os rumos do país.

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Teri Batelli

19 de agosto de 2014 às 14h27

Tempos modernos! Hj ninguém mais se importa com o conteúdo. Estamos na era de frases e imagens de efeito, onde o mais importante é o impacto e não a discussão. A “entrevista” (se é que pode ser assim chamada) de ontem no JN mostra isso. Não interessa projeto de país, planos nem nada. Interessa frases prontas, caras e bocas, dados desconexos que surtem algum efeito (positivo ou negativo). É a era do Facebook! Mais vale um meme impactante do que uma dissertação sobre qualquer tema. Hj ninguém tem mais tempo de ler e se aprofundar, é tudo pra ontem e nas pressas. Texto pra quê se uma imagem compartilhada vale mais e custa menos tempo?

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Alessandro Pacheco

19 de agosto de 2014 às 14h25

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Edsel Ferri

19 de agosto de 2014 às 14h15

ilusão, virou show business… o ritmo é dado pela grande mídia, e você ou dança a música ou dança do poder..

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