Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

A hora e a vez do salário máximo

Por Camilo Árabe

15 de outubro de 2014 : 17h39

15.10 - Salário Mínimo


Por Theófilo Rodrigues*

Aprendemos desde criança com os livros de história que o salário mínimo foi instituído no Brasil em 1930 pelas mãos de Getúlio Vargas. Mas a dúvida que toda criança tem e que nenhum pai conseguiu responder até hoje é: por que não temos também um salário máximo?

O salário mínimo é um dos mais importantes instrumentos de distribuição de renda que uma sociedade capitalista pode ter. No caso brasileiro, a partir de janeiro de 2015 o salário mínimo será de R$ 788,00. No entanto, esse mecanismo tem sido insuficiente para reduzir a desigualdade no país, uma das maiores do mundo segundo o índice de Gini. Então, o que fazer?

Uma nova ideia começou a surgir na Europa e nos Estados Unidos para combater a concentração de renda: trata-se do salário máximo.

Na Espanha, o movimento sindical tem cobrado o estabelecimento de um salário máximo que seja equivalente a 6 vezes o salário mínimo. Também o Podemos – novo partido político da esquerda espanhola – acrescentou em seu programa a proposta do salário máximo.

Na França ocorreu o mesmo. Nas eleições presidenciais de 2012 o candidato da Frente de Esquerda, Jean Luc Mélenchon, propôs em seu programa e durante toda a campanha a instituição do salário máximo no país.

Nos Estados Unidos o salário máximo também constou das reivindicações dos militantes do Occupy Wall Street. Lá a proposta do movimento social que ganhou adeptos entre muitos economistas é a de que o salário mais alto não ultrapasse 25 vezes o salário mínimo.

Em novembro de 2013, a Suíça chegou a fazer um referendo para a aprovação de um salário máximo equivalente a 12 vezes o salário mínimo. A proposta de iniciativa da “juventude socialista” não foi aprovada, mas foi surpreendente que 35% da população suíça tenha votado favoravelmente.

Certamente no Brasil o apelo popular dessa proposta será muito maior, haja visto o altíssimo grau de desigualdade em que vivemos. O valor poderia ser de 30 vezes o salário mínimo, o que daria aproximadamente R$ 30 mil de salário máximo no país. Para tanto, acredito que três caminhos devam ser buscados concomitantemente:

1. Buscar um parlamentar ligado aos interesses dos trabalhadores que apresente uma proposta de emenda constitucional (PEC) que vise acrescentar no artigo 7º. da Constituição Federal um inciso com a determinação de que o salário máximo no setor público ou privado não poderá ultrapassar 30 vezes o salário mínimo estabelecido por lei.

2. Mobilizar através da sociedade civil em geral e dos movimentos sociais em particular o recolhimento de assinaturas para a aprovação de um projeto de lei de iniciativa popular que crie o salário máximo no Brasil.

3. Aproveitar o momento de mobilização social em torno do tema para pressionar o Congresso Nacional a convocar um plebiscito sobre o tema.

Se coordenadas, as três ações poderão tornar o Brasil o primeiro país capitalista do mundo a ter um salário máximo determinado por lei. Poderíamos perguntar aos dois candidatos presidenciais o que eles acham da ideia. Mas a verdade é que só depende de nós.

*Theófilo Rodrigues é cientista político, coordenador do Barão de Itararé no Rio de Janeiro e colunista no blog O Cafezinho.

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16 comentários

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Eduardo Luiz

21 de setembro de 2017 às 19h10

Um salário máximo não seria algo muito socialista numa sociedade majoritariamente capitalista? A ideia é boa e acredito que pode amenizar um pouco da desigualdade entre pobre e rico, mas isso não contribuiria muito e faria o Brasil empobrecer (mais do que já é). Talvez se colocarmos um estudo dedicado para cada profissão, analisar o trabalho e a sua importância econômica e social, poderíamos chegar em um acordo e determinar um valor máximo para tal salário, também vigendo ao salário mínimo. Isso deixaria mais flexível a qualidade de vida das pessoas, além de forçar uma maior responsabilidade dos cidadãos em vários âmbitos, diminuindo o capitalismo selvagem. O problema, então, passaria ser fiscalizar estes dois salários para as coisas melhorarem (o que, no nosso país, é de costume não funcionar).

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ramon barros lopes

16 de outubro de 2014 às 11h54

Absurdo assalariado é trabalhador….mas uma vez na discussão ficam de fora bancos e especulação financeira. Um país capitalista socializamdo os salários? É claro porque se fixam as regras mínimas…mínimas condicoes dignas de sobrevivência nunca as máximas. O artigo traz as velhas discussões sobre as normaw de proteção do trabalho e salário. Essa discussão cabe no serviço público um teto de 34.000,00 é um absurdo em um país com tanta desiculdade. A diferença entre o maior e o menor salário do servidor não deveria ultrapassar 10 vezes…

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Vitor

16 de outubro de 2014 às 07h44

Medida inócua para o Brasil… Os grandes concentradores de renda não são assalariados! Além do mais, os grandes salários de empregados não são CLT….

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Luís Ribeiro

15 de outubro de 2014 às 18h51

Graúdo mesmo não vive de salário, vive de renda, de herança, de aplicação na ciranda financeira. Tem é que criar novas faixas de imposto de renda chegando a 50%, taxar grandes fortunas. Acho bem perigoso esse discurso. Vide Aécio, que tira onda de que cortou seu próprio salário pela metade para dar exemplo. Para dar exemplo? Vai fazer o mesmo com o salário do funcionalismo? Ele pode cortar o dele porque não é disso que vive.

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Kaká

15 de outubro de 2014 às 18h45

Cara, o Brasil é um país de gente tão lazarenta que os caras conseguem pagar MEIO salário Mínimo. Porra, se é mínimo, é piso, é lá na canela, ainda dividem o que é mínimo pela metade. Tem gente que ganha meio piso. Pocha, que é isso? Abaixo do piso é o quê? Porão? Decerto. Se o empresário, na maioria das vezes na ganância, paga meio mínimo porque quer que o cara trabalho metade do tempo, deveria ser proibido. Se só precisa do cara meio tempo, pague o mínimo. Porque mínimo já, como diz o nome, é o mínimo. Aí vem os meio salários de categoria, tal como jornalista, farmacêuticos, entre outros. Não existe pagamento menor que o MÍNIMO.

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joao

15 de outubro de 2014 às 18h44

O Sr. Aébrio deveria ser preso para o bem do povo Brasileiro !!

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Pedro GOmes

15 de outubro de 2014 às 21h42

Eu só sei que caso decretássemos uma diminuição no salário e nas regalias dos políticos, os criminosos teriam menos interesse em trabalhar nesse ramo. Claro que fiscalizando os desvios de verbas (roubos) com mais afinco.

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S

15 de outubro de 2014 às 18h36

A Governanta DILMA rumo a ser despejada do PALÁCIO DO PLANALTO !

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    joao

    15 de outubro de 2014 às 18h46

    Dá onde Sra. ? Voces só tem muquirana no PSDB !!! Adoradorews do FMI e não prestam conta desse dinheiro ! Prá onde foi o dinheiro do FMI?? Pode me dizer ?? O FHC deve saber !!! CHINELONA !!!

    Responder

revenger

15 de outubro de 2014 às 18h09

Dilma acusou Aério de nepotismo! Podia acusar também de despotismo!

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revenger

15 de outubro de 2014 às 18h05

Muito pertinente em um momento em que funcionários públicos de alto escalão reivindicam benesses que elevam seus provimentos em mais de cinquenta vezes o salário mínimo!

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Fábio

15 de outubro de 2014 às 18h05

#Dilma 13.

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Márcia Cristina Hungerbühler

15 de outubro de 2014 às 20h59

#DILMA13

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Paulo

15 de outubro de 2014 às 17h56

Exatamente. A riqueza é produzida em sociedade. Logo é coerente pensar que existam limites tanto para o endividamento, como para o enriquecimento. Para o endividamento ja existe. Só falta para o enriquecimento. É isso mesmo.

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Ricardo Edmundo Cecconello

15 de outubro de 2014 às 20h46

EXTRA! EXTRA! URGENTEEEEE! E ainda tem “animal” que vota nesse cachorro ladrão playboy e sua quadrilha tucanalha.

Seria uma grande piada, se não fosse tão TRÁGICO:

Aébrio pópó NEVER, em verdadeiro estado calamitoso devido à abstinência farinhática e de álcool, desaba e tem apagão de memória.

Acreditem que nem Aébrio, o califa dos aeropós, nem sua irmã, cangaceira Andrea Never, conseguem se lembrar de quanto roubaram do povo mineiro, para pagar suas rádios e emissoras de propaganda.

ENTENDERAM? O governador Aébrio pagou para si mesmo uma FORTUNA, avaliada em DOIS BILHÕES DE REAIS, e jura que não consegue se lembrar. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Pediu para os “auditores” do Tribunal de Contas mineiro, todos coligados aos tucanos do PSDB, para divulgarem o montante logo após as eleições de 26 de outubro. Somente após o segundo turno.

ANTES??? Não…

QUE GRANDESSÍSSIMO FILHO DA PUTA! E ainda tem gente que acredita que o aeroPÓ nas terras de titio não toma “coca”.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/especial/190765-aecio-diz-que-nao-sabe-valor-que-seu-governo-pagou-a-suas-radios.shtml

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    S

    15 de outubro de 2014 às 18h41

    Estás em surto ? Tome RIVOTRIL !

    Responder

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