Live do Cafezinho (18 h): Pós-verdade na política brasileira (uma conversa com Fabio Palacio)

Partidos não são farinha do mesmo saco

Por Miguel do Rosário

23 de janeiro de 2015 : 11h53

Às vésperas de uma nova eleição para presidente da Câmara dos Deputados, vale a pena visitar os sites das respectivas casas parlamentares.

No site do Senado, há um estudo interessante, feito apenas entre os senadores, mas cujos resultados podem ser usados também para se analisar a Câmara.

Ainda não sabemos quem será o novo presidente da Câmara, mas não haverá grande surpresa se Eduardo Cunha, o novo queridinho da mídia, ganhar essa.

Mais uma razão para acompanharmos de perto os trabalhos parlamentares.

Deputados e senadores podem até ser farinha, mas não do mesmo saco.

Um estudo realizado pela Consultoria Legislativa do Senado evidencia as profundas diferenças ideológicas entre os partidos políticos.

Diferenças em duas dimensões: esquerda X direita; governismo X oposição.

senado


Interessante notar que o PSDB, apesar do esforço de alguns de seus caciques de se autodescreverem como “esquerda” (vide entrevistas de Serra e Roberto Freire), exerce, na prática, um comportamento notoriamente à direita do espectro político.

Segundo os pesquisadores, o estudo comprova que a maioria dos partidos se comporta de maneira coerente consigo mesmo.

Em suas próprias palavras:

“Com o modelo de análise escolhido foi possível observar que, apesar das críticas aos partidos políticos em relação a uma definição programática, é possível observar padrões de comportamento e até mesmo coesão, pelo menos no que tange ao comportamento intrapartidário. Além disso, também foi possível identificar que há diferenças no que tange à postura ideológica entre os parlamentares, redundando em agrupamentos com identidade própria, o que refuta em parte a percepção de que não haveria distinção entre os partidos políticos. As identidades foram percebidas, pelo menos no que concerne ao comportamento de seus integrantes.”

*

A metodologia usada é a mais prestigiada no mundo democrático. É usada nos EUA, na ONU e na Europa.

O estudo mostra, em resumo, o seguinte:

1) O PT vota à esquerda, o PSDB à direita.

2) PMDB, PP e PR, partidos da base aliada, tem posição majoritariamente de centro-direita.

3) PMDB é o partido com maior oscilação programática, tanto ideológica quanto em relação ao governo.

*

O presidente da Assembléia Legislativa do Estado de Nova York, Sheldon Silver, do partido democrata, foi preso há algumas horas pelo FBI, acusado de corrupção.

Deve ser difícil viver num país com tanta corrupção…

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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16 comentários

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Dan Windstark

28 de agosto de 2015 às 10h07

Na ideologia os partidos podem até serem diferentes.
Mas na hora de meter a mão no dinheiro é tudo igual. Todos se corrompem, todos se envolvem em maracutaias fraudulentas.
Se duvidar, até ministros do judiciário se envolvem nos esquemas.

Sinceramente, alguém acha que teve algum deputado/senador/ministro que nunca teve a mão molhada em algum esquema de corrupção?

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Maurilio Gadelha

24 de janeiro de 2015 às 01h22

Eu acredito no governo Dilma. Conviver com contrários e beneficiar-se de opiniões divergentes, é sabedoria, e jamais cooptação. Ela já demonstrou o quando ao descentralizar as infra-estruturas do Sudeste, coisa que o LULA não teve coragem. Eu pergunto aos fundamentalistas da Esquerda: 1. Porque o PIG calou-se ante a corrupção deslavada na seguridade social? 2. Consideravam-na bem elaborada e indecifravel? Esta mesma esquerda abrigada em sindicatos que conspirava contra o atual governo, conspirou contra Getúlio em 1935 e em 1954 em conluio com a ELITE econômica Conservadora. As células do antigo PCB funcionavam nas mansões paulistas e cariocas. A Dilma conhece a esquerda em todos os pormenores. Aos alimentados pelas mídias liberais e marxistas. Com a mesma furia que os jornais de direita, O Globo e o jornal do Carlos Lacerda foram destruídos, reduzidos a pedaços inaproveitáveis, pela massa pobre carioca também o foi o Jornal a Hora do Povo do PCB.No Marxismo tem muitos humanistas, mas distingui-los dos rejeitados pela direita, só o tempo e a pratica os revelam.

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    Maurilio Gadelha

    24 de janeiro de 2015 às 01h26

    Eu acredito no governo Dilma. Conviver com contrários e beneficiar-se de opiniões divergentes, é sabedoria, e jamais cooptação. Ela já demonstrou o quanto é confiavel ao descentralizar as infra-estruturas do Sudeste, coisa que o LULA não teve coragem. Eu pergunto aos fundamentalistas da Esquerda: 1. Porque o PIG calou-se ante a corrupção deslavada na seguridade social? 2. Consideravam-na bem elaborada e indecifravel? Esta mesma esquerda abrigada em sindicatos que conspirava contra o atual governo, conspirou contra Getúlio em 1935 e em 1954 em conluio com a ELITE econômica Conservadora. As células do antigo PCB funcionavam nas mansões paulistas e cariocas. A Dilma conhece a esquerda em todos os pormenores. Aos alimentados pelas mídias liberais e marxistas. Com a mesma furia que os jornais de direita, O Globo e o jornal do Carlos Lacerda foram destruídos, reduzidos a pedaços inaproveitáveis, pela massa pobre carioca também o foi o Jornal a Hora do Povo do PCB.No Marxismo tem muitos humanistas, mas distingui-los dos rejeitados pela direita, só o tempo e a pratica os revelam.
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    – See more at: https://www.ocafezinho.com/2015/01/23/partidos-nao-sao-farinha-do-mesmo-saco/comment-page-1/#comment-66939

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Anônimo

24 de janeiro de 2015 às 00h33

Basta ver a composição das Frentes Parlamentares para descobrir quais partidos se alinham a quais interesses. O papo de farinha do mesmo saco serve apenas para justificar um baixo inter

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Maurílio Gadelha

23 de janeiro de 2015 às 23h18

TUDO A MESMA COISA é jargão de golpista.Basta um governo acenar para a senzala para crimonalizarem a politica.

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Vitor

23 de janeiro de 2015 às 15h17

O legislativo pode até ser, mas é estarrecedor um executivo que se diz de esquerda avançar apenas na renda dos trabalhadores (nunca dos empresários) e nomear uma equipe econômica ortodoxa, com práticas pra lá de neoliberais… Selic aumentando, juros imobiliários crescendo, impostos subindo e vaca tossindo!

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    Luís CPPrudente

    23 de janeiro de 2015 às 19h41

    Vitor, você preferia que esta pessoa que nomeia a equipe econômica com práticas neoliberais fosse o Aecioporto Never.

    Por minha vez eu não queria e não votei no Aecioporto Never…mesmo que a vaca tossisse.

    Responder

      Vitor

      24 de janeiro de 2015 às 17h43

      Bom, eu não votei no Aecio para NÃO ver práticas neoliberais… De que adianta a Dilma ter ganhado se está fazendo tudo que o Menino do Rio prometeu fazer? Claro q não preferia ele, mas não é só por isso q vou bater palmas igual a um idiota pra todas as patifarias q o PT fizer….

      Responder

        Luís CPPrudente

        24 de janeiro de 2015 às 19h55

        Você adoraria bater palmas igual a um idiota, mas bateria palmas para o Aecioporto Never. Os teus comentários em outros posts não escondem este teu desejo tucano, cheios de patifarias.

        Um abraço de quem não é idiota.

        Responder

          Vitor

          25 de janeiro de 2015 às 01h46

          Quando acabam os argumentos, ataca-se o comentarista…. Se esse é o melhor que vc pode fazer, é melhor pararmos por aqui mesmo…. Da um pouco de dó. Tenha um excelente domingo!

Luís CPPrudente

23 de janeiro de 2015 às 13h32

Podemos dizer que a farinha podre do mesmo saco são os udenistas PSDB e PFL. São reacionários e anti-nacional.

Até mesmo um partido como o PP não se compara com o PSDB e PFL, pois o PP é de direita, mas aceita ser da base do governo, consequentemente ajuda a avançar as conquistas do povo.

O PMDB, é um saco de farinha de múltiplas qualidades, tem farinha podre como do PSDB (caso de Eduardo Cunha), tem farinha progressista, desenvolvimentista e nacionalista (caso de Roberto Requião).

O PPS é um saco de farinha que tende à extinção ou conversão ao mesmo saco de farinha udenista.

O PSB é um saco de farinha que pode ser salvo, depende da sua visão, se quer continuar sendo um partido progressista e de centro esquerda ou se pretense ser um espelho do udenismo.

Realmente os partidos não são do mesmo saco de farinha.

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Lucas Sposito

23 de janeiro de 2015 às 15h11

O líder do governo Dilma Rousseff na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), é apontado por um lobista apanhado em operação da Polícia Federal como responsável por direcionar verbas para empresas que financiavam candidatos do PT.
Além disso, um ex-chefe de gabinete de Chinaglia, identificado como Eli, é citado como intermediário de uma reunião na qual a empreiteira Leão Leão buscaria recursos do BNDES. Em troca da verba, a empreiteira apoiaria a campanha de um assessor de Chinaglia, o Toninho do PT, em Ilha Solteira (SP).
Chinaglia aparece em escutas da Operação Fratelli, do Ministério Público Federal e do Estadual. Os alvos da operação são fraudes em licitações que somam R$ 1 bilhão em dinheiro federal. As verbas, oriundas de emendas parlamentares, eram dos ministérios das Cidades e do Turismo.
Nas escutas telefônicas há menções a três deputados do PT na operação: além de Chinaglia, Cândido Vacarezza e José Mentor. Os petistas são autores das emendas sob suspeita. Todos dizem que não têm ligação com as supostas fraudes. O procurador Thiago Lacerda Nobre vai encaminhar os trechos da investigação sobre Chinaglia ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Também serão enviadas as menções a Vacarezza e Mentor.

Responder

    Maria Regina Novaes

    23 de janeiro de 2015 às 22h48

    Mas o Cunha tbém…citado por citado…vamos ver quem pode mais.Chinaglia é bom articulador!

    Responder

    Lucas Sposito

    23 de janeiro de 2015 às 22h52

    Eu não quero ver quem pode mais, mas sim os dois na cadeia pagando pelos seus crimes de corrupção contra a Petrobras. Infelizmente tem muita gente que aplaude a corrupção e de pé mesmo….

    Responder

Ricardo G. Ramos

23 de janeiro de 2015 às 14h14

Que o tratante Eduardo Cunha, notório pilantra, queridinho da podre mídia, seja escanteado para o anonimato, o Brasil progressista agradece.

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    Rosa Anello Dos Santos

    23 de janeiro de 2015 às 14h17

    Concordo contigo Ricardo, mas está difícil. Com o apoio da grande mídia, beneficiária dele, há que ter muita força para vencê-lo.

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