Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

O bicho-papão não é tão feio

Por Miguel do Rosário

30 de novembro de 2015 : 13h45

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Análise Diária de Conjuntura – 30/11/2015

A conjuntura política permanece um caos, e desta vez não vou citar Mao, que, diante do caos em que se encontrava a China pré-revolução, dizia que tudo caminhava maravilhosamente – porque era o caos que lhe interessava naquele momento, para debilitar o governo e incitar o movimento revolucionário.

Eduardo Cunha ainda está sob ataque pesado por conta de denúncias, mas a explicação para sua destruição política se encontra mais além: ele se aferrou a um ultraconservadorismo antiliberal que se choca diretamente contra os influxos liberais-progressistas (embora conservadores, no campo econômico e geopolítico) que chegam da matriz norte-americana.[/s2If]

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O soft-power que vem de hollywood jamais pode ser subestimado: e ele vem acompanhado de um movimento fortíssimo pro-liberdade no campo das drogas, do sexo e da cultura em geral.

Isso é uma coisa boa, porque não é um movimento cultural imperialista em si, mas uma tendência pelas liberdades pelas quais a humanidade vem lutando há séculos.

Não conseguimos vislumbrar Eduardo Cunha, Feliciano, Jair Bolsonaro, assistindo a uma série moderna norte-americana, por exemplo, e por isso eles se distanciaram tanto dos setores mais esclarecidos da sociedade.

O PT continua vivendo o seu inferno astral, e eu me arriscaria dizer que é, em parte, merecido. Em primeiro lugar, o sofrimento e o constrangimento são um dos preços do poder.

Se o PSDB governasse o país, mesmo com a blindagem esperada da mídia, também pagariam o preço do constrangimento, que é inerente ao poder.

O maior problema do PT não é a corrupção. A corrupção é o segundo maior problema, e com os áudios de Delício Amaral, constatamos que a corrupção tornou-se, de fato, um espinho cravado no coração do partido.

O problema primeiro do PT é a sua degeneração política, denunciada por inúmeros militantes. Não há um sistema adequado de democracia interna e renovação de quadros. Não há transparência. Não há debates, não na magnitude adequada. O partido fechou-se, há tempos, ao debate com a sociedade. Nunca se investiu num think tank aberto à sociedade. As iniciativas do partido são sempre fechadas. Com isso, a crítica à corrupção nunca teve, no partido, uma resposta digna, competente, criativa.

Os problemas graves de criatividade e inteligência do governo, que não consegue oferecer uma mísera pauta positiva à sociedade, deixando o país à mercê de ataques diários da mídia à qualquer esperança, a qualquer alegria, a qualquer sentimento de nobreza e liberdade, nascem no PT, porque seria obrigação do partido, enquanto entidade privada com finalidade pública, fazer a ponte entre a sociedade e o governo.

Em suma, todos os problemas brasileiros são essencialmente políticos.

O governo e o PT se revelam ineptos. A oposição se mostra oportunista, usando a economia do país como instrumento de chantagem.

Entretanto, acho que não podemos negar que mesmo esse inferno político em que vivemos desde o período eleitoral, essa polarização agressiva entre um governo apático, de um lado, e a emergência de setores fascistizados, pregando derrubada dos três poderes e uma nova ditadura militar, não podemos negar que mesmo esse inferno constitui a experiência democrática necessária de que precisamos para amadurecer.

Os embates entre os diferentes poderes, entre legislativo e judiciário, entre judiciário e executivo, entre executivo e legislativo, provam a excelência e a modernidade da doutrina republicana e democrática.

Sem esses embates, estaríamos muito pior, porque à mercê do poder absoluto, que é a tendência inexorável de qualquer poder. Todo poder aspira a ser absoluto, porque é de sua natureza. Assim, o Supremo Tribunal Federal, por mais que seus membros sejam indicados pelo executivo, tende a assumir, em seu espírito, a paixão corporativa que acomete a qualquer instituição similar.

No campo da economia, o bicho-papão não é tão feio como pinta a imprensa. A economista Maria da Conceição Tavares foi precisa quando definiu que a pior crise vivida hoje no Brasil é a crise da desesperança, uma crise artificial, porque os fundamentos nunca forão tão sólidos.

Mesmo a questão da corrupção, nunca tivemos órgãos de controle tão rígidos e tão independentes. Eu critico os abusos, os exageros, a tentativa de manipular politicamente o combate a corrupção, mas no longo prazo, os efeitos da Lava Jato serão positivos.

Num ambiente menos contaminado pela política, poderemos identificar os abusos e estabelecer procedimentos mais republicanos para evitar danos ao direito, mas a independência dos órgãos de investigação estará consolidada.

O boletim Focus, do Banco Central, que apura a expectativa do setor privado (que, no Brasil, é sempre pessimista, até por influência da mídia), mostra que a inflação esperada para os próximos 12 meses deve ser de 7,08%, menor do que a estimativa feita na semana anterior.

Ou seja, com crise e tudo, o mercado já começa a assimilar um 2016 melhor.

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Não quero dourar a pílula, todavia. O mercado está cada vez mais pessimista quanto ao PIB de 2015: na semana passada, esperava queda de 3,15%, hoje espera de 3,19%. Para 2016, espera-se queda de 2,04%.

O mercado também espera que a dívida líquida do setor público deve fechar o ano corrente em 35,5%, e subir para 40% em 2016.

Os juros vão parar de cair no ano que vem, segundo o mercado, mas não se espera queda substancial: a previsão é de que fiquem, em média, em 14% em 2016.

As notícias boas são as seguintes: a produção industrial, que deverá cair 7,5% este ano, deverá cair apenas 2% em 2016.

A balança comercial, que deverá fechar o ano positiva em US$ 15 bilhões, deverá registrar superávit de mais de US$ 31 bilhões em 2016.

Os preços administrados, que contribuíram fortemente para a inflação este ano, quando subiram 17,5%, deverão subir apenas 7% no ano que vem.

O déficit em conta corrente deverá cair dos atuais US$ 65 bilhões, para US$ 40 bilhões em 2016.

A inflação (IPCA) em 2016 deverá ficar em 6,6%, ou seja, ainda dentro da meta estabelecida pelo Banco Central, e bem abaixo dos 10,38% previstos para 2015.

O ano de 2016 continuará sendo um ano difícil para a economia brasileira, mas o pior terá passado, e as perspectivas são de retomada do crescimento em 2017.

Se o Brasil conseguir um mínimo de equilíbrio na política, e neste sentido 2016 deverá ser menos conturbado do que 2015, isso também contribuirá para combater essa campanha pela desesperança patrocinada pela mídia.

A prisão de um senador petista corrupto, ao cabo, poderá ajudar o governo a superar a crise política, na medida em que o tal senador era uma maçã podre, um elemento de instabilidade.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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