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Bandidagem vazadeira reage a denúncias de advogados com mais vazamentos criminosos

Por Miguel do Rosário

19 de janeiro de 2016 : 19h39

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Análise Diária de Conjuntura – 19/01/2016

Nesta quarta-feira, o Banco Central decidirá sobre os juros.

Há grande expectativa em torno do que os técnicos decidirão. Um comunicado emitido pelo presidente do Banco, Alexandre Tombini, alimentou esperanças de que a instituição poderá baixar as taxas, aliviando a pressão sobre a economia brasileira.

Entretanto, é fútil achar que haverá qualquer surpresa neste sentido.

O que talvez mereça destaque nesta tarde é o milésimo vazamento de emails da Odebrecht. Há tempos, esses vazamentos se tornaram coisa de bandido. São mensagens que contém inclusive informações sensíveis, estratégicas, tanto para a empresa, como para o país. Sua divulgação, sobretudo numa conjuntura criminalizante, traz incalculáveis prejuízos para o país, já que abre as portas para concorrentes do Brasil tomarem nossos negócios lá fora.

A tática já ficou velha. Como Marcelo Odebrecht está se defendendo, via seus advogados, na mídia, então os bandidos da Lava Jato (me refiro às autoridades vazadoras) decidem atacá-lo através de vazamentos seletivos.

É assim: os advogados dos réus denunciam que há um esquema bandido de vazamentos, e a conspiração responde com mais vazamentos criminosos.

E a mídia aparece com vários editoriais elogiando a delinquência.

Nos vazamentos, não há nada comprometedor nem contra Marcelo Odebrecht, nem contra o ex-presidente. Mas isso não tem importância.

O que importa é estampar o nome de Lula e Odebrecht juntos, num contexto comprometedor e criminalizante, produzindo estrago na imagem política do presidente e tentando recriar uma “atmosfera” de crise. [/s2If]

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A manchete do Estadão diz: “Em email, dono da Odebrecht relata conversa com Lula”, e no contexto de criminalização de tudo, da política, dos negócios, da diplomacia, do comércio, qualquer “conversa” vira sinônimo de ilícito.

O Globo de hoje publica editorial para defender a Lava Jato. Intitulado “É amplo o saldo positivo da Operação Lava-Jato”, o texto ataca a carta dos advogados, que denunciaram a Lava Jato como um instrumento de exceção. O editorial repete, com outras palavras, a coluna de Merval de hoje, também tentando blindar a Lava Jato contra qualquer crítica, e ambos associando o “mensalão” ao “petrolão”.

O fato é que a Lava Jato tornou-se uma poderosa arma nas mãos da mídia, já que os vazamentos chegam para ela de maneira privilegiada. Os jornais tem acesso a dados essenciais, que nem mesmo os réus e seus advogados possuem, de maneira que estes não conseguem se defender.

Desta vez, porém, é um duelo de titãs. De um lado, a Odebrecht, que fatura mais de R$ 100 bilhões por ano. De outro, o grupo Globo, com receita superior a R$ 20 bilhões, mas com um poder de fogo evidentemente muito maior, visto que é difícil avaliar, em termos financeiros, o poder midiático de destruir reputações, empresas, manipular consciências e a opinião pública, e intimidar juízes.

Além do mais, não se sabe que interesses estão por trás da campanha da Globo para manter Marcelo Odebrecht atrás das grades. Não seria novidade se, por trás da Globo, encontrássemos empreiteiras estrangeiras, interessadas em ocupar o lugar deixado pelas empresas nacionais destruídas pela operação.

Vale dizer, porém, que os vazamentos se tornaram tão excessivos, tão repetitivos, que perderam o poder de impacto jornalístico. Tanto é que o vazamento de hoje sequer apareceu em outras mídias. Ficou restrito ao Estadão.

A mídia ainda consegue manter uma pequena chama de indignação vazia junto aos enragés de sempre, mas ficamos imaginando como devem estar se sentindo os empresários, os que ainda possuem neurônios para identificar o jogo sujo, diante de tanto mau caratismo midiático e policial.

É uma sordidez digna de regimes totalitários. De posse de um grande conjunto de informações privadas e sigilosas de uma pessoa e de uma empresa, inicia-se um processo de vazamento cujo único intuito é minar a reputação do indivíduo junto à opinião pública, e com isso justificar a sua prisão.

Vale notar o cinismo de Sergio Moro diante da denúncia dos advogados de Marcelo Odebrecht de que a delação de Paulo Roberto Costa foi manipulada explicitamente com objetivo de prejudicar o acusado. Suprimiu-se da transcrição o trecho em que Costa inocentava Marcelo. Diante dessa denúncia, Moro limitou-se a dizer que o processo é uma “marcha para frente”, ignorando solenemente a denúncia.

O julgamento de Moro é um jogo de cartas marcadas. Marcelo Odebrecht já está condenado de antemão. Ao mantê-lo encarcerado em prisão preventiva por tanto tempo, Moro antecipa a pena antes mesmo da sentença. Após sua condenação, veremos então se repetir o jogo midiático de violenta pressão, intimidação mesmo, sobre os tribunais superiores.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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12 comentários

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Recruta Zero

21 de janeiro de 2016 às 11h02

Presidente Dilma Rousseff, comandante em chefe das forças armadas, convoque os militares para moralizar essa justiça que envergonha a CF e verás como irá melhorar o combate à corrupção que desde há muito tempo tem sido seletiva e partidarizada. Sabe que os militares podem ajudar e muito. Vamos democratizar a justiça. Vamos defender as empresas nacionais e a CF.
CONSTITUIÇÃO FEDERAL, art. 95, parágrafo único.
Aos juízes é vedado:
III – dedicar-se à atividade político-partidária.

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Enio

20 de janeiro de 2016 às 14h51

Essa elite criminosa tem MEDO do povo brasileiro.

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Silvio Guedes

20 de janeiro de 2016 às 12h45

É a prepotência e a certeza da impunidade que separa a elite da grande maioria do povo brasileiro. A justiça no Brasil tem a marca da impunidade seletiva porque é elitista com herança escravagista. Existem dois tipos de execuções penais no país, uma para a pequena parcela dos ricos e outra para a grande maioria do povo, com variações de penas mais confortáveis para quem tem curso superior e penas desumanas para quem não o tem. Uma jabuticaba. A justiça está elitizada e privatizada, todos reclamam da falta de punição, mas ninguém, nem a mídia, quando não se trata de seus próprios interesses, se interessa a questionar quem está por trás, nos bastidores da lei, que atuam para mantê-la tão antidemocrática, ninguém investiga o motivo do caos da impunidade e nem o aparente comércio milionário de vendas de sentenças e vazamento de investigações, todos os agentes policiais, com os salários, armas, viaturas sucateados, como a grande maioria do povo brasileiro, sucateados em sua cidadania por essa justiça seletiva, já se cansaram e estão impacientes com tanto prende e solta somados as quatro lentas instâncias de tribunais que os criminosos endinheirados recorrem e podem permanecer livres até o fim da vida. Juízes querem ter o domínio das investigações e condenar ao mesmo tempo. Os políticos mafiosos tentam fechar escolas públicas e não querem gastar com manutenção de presos. Quem paga somos todos nós, na forma de danos causados em nossa saúde pela convivência diária com a insegurança, com a violência, gerando um povo com mudanças de hábitos antes saudáveis, para um povo estressado, doente, refém de bandidos, políticos mafiosos e mídia oportunista, isso por fim, acaba também criando enormes problemas econômicos.

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Pedro Gilberto Nichele

20 de janeiro de 2016 às 11h13

Grande charge “O Cafezinho”. Que tal algo mais chocante tipo Charlie Ebo?

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Delciro Batista

20 de janeiro de 2016 às 02h03

Essa força tarefa é tucana.

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Neide D'Orazio

20 de janeiro de 2016 às 01h02

A lava jato é um circo. Os palhaços somos nós que pagamos por isso. A mídia tem seus próprios interesses e está longe de ser o interesse do povo brasileiro. Estamos sendo menosprezados, desrespeitados.

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Elizabeth de Andrade

19 de janeiro de 2016 às 22h45

Quem pode colocar limites neste judiciário meliante?!

Algum procedimento, ou alguma hierarquia jurídica há de ter, para parar os loucos (Moro e Cunha), que assaltam o país, que se encaixam na Lei de Segurança Nacional… é dever do Zé Ninguém? Aquele que dizem ser ministro de uma tal justiça…?! O que podemos fazer?

#PelaMoralizaçãoDoJudiciário

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Fabrício Mito

20 de janeiro de 2016 às 00h36

Cara, qdo vejo vcs atacarem o Juiz Sérgio Moro… fico meditando, será doença ou cara de pau?

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Vantuir Santos

20 de janeiro de 2016 às 00h34

pessoas publicas deveriam ter processos publicos!

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Pedro Rodrigues

20 de janeiro de 2016 às 00h18

Vendido!

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Ivo Vanda Reis

19 de janeiro de 2016 às 23h46

Uma perguntinha: estão “vazando” verdades ou mentiras??? Se for mentiras, processo. Se for verdades, povo agradece.

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Nancy Dias Amarante

19 de janeiro de 2016 às 21h57

Estão entregando nosso mercado… quem ganha? Com certeza não é o povo.

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