Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

A vitória do medo

Por Miguel do Rosário

23 de fevereiro de 2016 : 17h47

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Análise Diária de Conjuntura – Edição da Tarde – 23/02/2016

A conjuntura começou muito ruim para o governo e para o país, por causa da Lava Jato. Nessa terça-feira, não mudou muito.

Na verdade, piorou um pouco, com a decisão unânime do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) de manter Cassio Conserino como promotor natural na investigação contra Lula e sua esposa.

O CNMP votou com medo, isso ficou bem claro pela própria unanimidade do voto.[/s2If]

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O medo é uma força poderosa. Talvez a força mais poderosa de todas. E o Brasil hoje é um país dominado pelo medo. Maquiavel já explicava, em O Príncipe, que o método mais seguro para um governante manter o poder é o medo. O governante pode ser amado por seus súditos, mas nada se compara ao medo quando o objetivo é subjugar um povo.

No Brasil, o governo, já se viu, não exerce o poder. Não tem mídia, não tem dinheiro, não tem o apoio de setores estratégicos do Estado.

O clima político segue muito negativo. É como se o Sistema, com S ultramaiúsculo, estivesse se voltando cada vez mais contra o PT.

Qualquer decisão do Estado precisa ser contra o PT. Não importa mais o direito, a jurisprudência, nem o bom senso.

Cria-se, de fato, um Estado de Exceção, que vale, verdade seja dita, apenas para um lado da disputa política e apenas enquanto não houver uma vitória definitiva contra esse lado.

É uma atmosfera sinistra, com muita violência simbólica. Não espanta que comecem a aparecer assassinatos políticos, de prefeitos comunistas.

As eleições de 2014 já testemunharam muita violência.

A votação do CNMP não é um bom sinal, porque a covardia, assim como a coragem, é altamente contaminante. E se os ministros do TSE forem contaminados por essa mesma covardia institucional?

Gilmar Mendes deve assumir a presidência do TSE em breve. Ele anda quieto nos últimos dias, provavelmente por estar conspirando freneticamente pelo golpe.

Sergio Moro, agora não é mais segredo para ninguém, trabalha abertamente para derrubar o governo, e a prisão de João Santana foi um espetáculo midiático deflagrado unicamente com este sentido.

O governo, por sua vez, permanece apático. Não entra no embate político e, com isso, ajuda a disseminar o clima de medo entre aquelas esferas da elite política, especialmente no setor público (ministros do STF, do TSE, do STJ, do CNMP, etc), hoje cada vez mais tímidas, que ainda ousa defendê-lo em nome da democracia e do Estado de Direito. Se o governo não se defende, como nós o defenderemos, devem pensar esses setores.

Na verdade, o governo cavou o buraco onde hoje se deita, assustado, esperando o golpe final do inimigo. Dilma Rousseff desmantelou todas as pontes de diálogo entre governo/PT e a sociedade.

Os conselhos, que serviam como espaço de diálogo entre sindicalistas e empresários, e, sobretudo, como um campo fundamental para o debate ideológico, foram esvaziados.

A consequência disso é terrível hoje, pois produziu um clima de desgovernança e suspeita.

O governo também destruiu os canais de comunicação direta com a sociedade, como o Café com a Presidenta, onde era possível conversar com a população. Já era um programa atrasado, por ser apenas em áudio, e deveria ter se tornado, há tempos, um programa em vídeo. Não houve aprimoramento. Apenas retrocesso.

Dilma e seu entorno parece ter confiado exclusivamente numa relação direta com os barões da mídia.

A realidade eleitoral, quando a presidenta ampliou seu diálogo com todos os setores sociais, inclusive com a blogosfera, para quem deu entrevista, parece não ter ensinado nada à presidenta.

Vencida as eleições, o governo voltou à sua arrogância de praxe.

O golpismo floresceu à sombra da magna incompetência política do governo, essa é a verdade.

A presidenta insiste numa estratégia fracassada. Não se nota nenhuma mudança na forma como se articula politicamente ou se comunica. Tudo na mesma.

A presidenta se comunica apenas em eventos de lançamento de casa popular, uma imagem válida para prefeitos, não para presidentes da república. Ou que já está gasta.

É evidente que a presidenta precisa se associar a projetos de ciência e tecnologia, de educação. O lema do governo não era Patria Educadora?

O Partido dos Trabalhadores, por sua vez, permanece mergulhado em seu egoísmo. Não produz eventos para fora. A informação de Jorge Bastos Moreno, de que haveria filiação em massa de jovens, aparentemente não procede. A Globo não é mais fonte confiável para nada. Até mesmo quando algum figurão fala bem do PT, a informação é lixo.

Os congressos da juventude do PT tem sido um fiasco.

O governo Dilma tem se mantido à custa também do medo, não do governo, mas da aversão ao risco, que caracteriza a nossa sociedade, tanto elite como a massa.

O medo não deve ser subestimado. Ele é uma forma de inteligência. A aversão ao risco que caracteriza a nossa sociedade nasce das condições traumáticas da nossa história. Séculos e séculos de instabilidade política, de economia destruída, de crises e recessões monstruosas.

Mas o medo deve ser disciplinado, para que não seja paralisante.

Queremos acreditar que as trevas que se adensam hoje sobre o nosso país, esse Estado de Exceção cada vez mais sinistro que se instala, sejam o momento preparatório, necessário, doloroso, que precede um novo ciclo de evolução política.

A sociedade talvez precise experimentar novamente o autoritarismo para voltar a amar a liberdade.

Precisa experimentar o medo, para que volte a desejar as garantias individuais e o Estado Democrático de Direito.
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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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1 comentário

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Ronaldo Irion Dalmolin

23 de fevereiro de 2016 às 19h03

Esse site tá difícil de acessar. Ou tá sendo sabotado pelo Obama!

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