Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

Um passeio no inferno (sem Virgílio)

Por Miguel do Rosário

11 de março de 2016 : 18h36

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Análise Diária da Conjuntura Política – 11/03/2016

Francamente, fazer uma análises da conjuntura no meio do tiroteio que vivemos, com notícias atropelando outras notícias, é como descrever um incêndio, dentro de um prédio em chamas!

O Palácio do Planalto mantém a postura aérea de praxe. Perante uma crise política dramática, a Dilma se dá ao luxo de não ter ministro da Justiça. O atual, nomeado sob indicação, ao que parece, de José Eduardo Cardozo (o gênio indicou um ministro que não pode ser ministro, por ser do Ministério Público), diante da derrota acachapante do governo no STF, que deu 20 dias para o ministro sair do cargo ou pedir exoneração do MP, responde que usará os 20 dias para pensar.

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É impressionante!

A entrevista da presidenta Dilma hoje foi importante. Ela estava nervosa, o que é natural. Nunca a vi distribuir tantos queridos e queridas aos jornalistas. 

Os posicionamentos foram firmes, mas como sempre ela não aproveita para fazer política. Suas falas são terrivelmente convencionais. Depois de tudo que tem acontecido nos últimos tempos, ela parece ainda não acreditar na importância da comunicação, de preparar sempre um discurso de impacto, que possa interferir na agenda política. Suas improvisações são pavorosas: hoje, por exemplo, falou em lendas de sua infância completamente inintelegíveis ao publico de hoje. 

Ela veio à público para negar boatos de que renunciaria.

É sempre assim: Dilma só aparece para dizer não, para negar. 

É inacreditável que, diante de todas as evidências que uma das razões da crise é a ausência de um voz política dentro do governo, que faça o embate diário pelos "corações e mentes" da opinião pública, mesmo assim, o Planalto não desenha nenhuma estratégia para oferecer uma comunicação arrojada para a população.

A manchete dos jornalões de hoje, falando em "prisão de Lula", jogaram por terra algumas análises ingênuas sobre a oposição da mídia à peça bizarra do procurador de São Paulo.

Criou-se um factoide político negativo para Lula, numa tentativa de lhe tolher os movimentos políticos. Na sexta-feira, em sua entrevista coletiva, Lula disse que estava disposto a correr o Brasil, conversando com a população. A resposta das conspirações judiciais, hoje reunidas num objetivo triplo (inviabilizar Lula para 2018, criminalizar o PT e derrubar o governo) foi o pedido dos promotores paulistas para encarcerar o ex-presidente. 

Tudo isso é muito chocante. Porém quando as pessoas foram ler o pedido dos três promotores, o choque se tornou uma perplexidade tão grande que se converteu numa onda de hilaridade destrambelhada. 

Os promotores usam os argumentos mais bizarros para pedir a prisão de Lula.

Entretanto, não devíamos rir tão facilmente, porque o fascismo começou assim, com as autoridades interpretando livremente a lei e criminalizando a política. 

Desde sexta-feira, parece que já se passaram meses!

Ao menos, agora não resta dúvidas de que a Lava Jato vem sendo manobrada com objetivos partidários explícitos. 

E já que Lula pensa em voltar a ser ministro, ou de qualquer forma se torna novamente o centro das atenções, vamos criticá-lo um pouco.

A provocação de Lula ao ministério público e às autoridades, de que não há no Brasil nenhum homem mais honesto do que ele, e que ninguém teria coragem de abrir investigação contra ele, porque ele nunca fez nada de errado, me parece um erro tático. 

A correlação de forças no Brasil se tornou mais complicada, mais delicada, e ao mesmo tempo muito mais brutal.  Lula sempre soube jogar com todas essas forças, mas agora não está mais conseguindo fazê-lo a contento. É claro que não dá para ir contra tudo e contra todos. É preciso usar estratégias para neutralizar algumas manobras, jogando uma contra outra. 

Lula é um animal político, profundamente intuitivo, mas não é perfeito. As contradições brasileiras parecem tê-lo ultrapassado, e ele agora corre para se emparelhar com elas, para aprender, para  ser novamente uma liderança avançada da classe trabalhadora. 

Se Lula, e a própria Dilma, cogitam nomear o ex-presidente para um cargo no ministério, então que seja para fazer o embate da comunicação. E isso poderia ser feito hoje, através da produção de entrevistas e conversas entre os dois, em programas de internet, para discutir a crise política, economia e os planos estratégicos para nosso futuro.

Lula não precisa "correr" o país, como tem dito. Ele tem de se preservar fisicamente, pois já tem 70 anos. Mais efetivo seria criar um programa de entrevistas pela internet, no qual discutiria com autoridades, celebridades e intelectuais os problemas políticos e econômicos do país. Um programa com uma pegada jovem, por favor. Ser moderno e usar as novas tecnologias é mais fácil, mais confortável e mais eficaz.

No Rio, o presidente do PMDB, até então um esteio importante da presidenta, afirma em entrevista ao Extra, que o governo irá cair nos próximos três meses. 

O Extra pertence à Globo, e desde alguns dias passou a integrar o núcleo golpista da mídia, até então composto apenas pelos jornais mais presentes no mercado de opinião. 

Picciani vai na onda. O governo não produz agenda positiva, não produz comunicação política. Nomeia um ministro que não pode ser ministro, e, ao invés de resolver a situação imediatamente, em questão de horas, deixa que o ministro faça uma declaração de que vai usar os "20 dias" dados pelo STF para decidir. Em 20 dias, pode não haver mais governo! E o ministro da Justiça tem um papel essencial na articulação do governo contra o golpe. 

Ora, diante de mostras de tanta incompetência política, não é de se espantar que Picciani pai comece a roer a corda. Até porque ele deve desconfiar que, senão passar para o lado do golpe, as conspirações midiáticas se voltarão contra ele também. 

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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