Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

Como vencer o golpe midiático?

Por Miguel do Rosário

16 de março de 2016 : 23h07

É preciso acreditar que podemos vencer a Globo e o golpe, porque já estamos ganhando.

Só que guerras dessa magnitude não terminam numa noite, numa semana.  

Duram anos!

São guerras de trincheira, de resistência. 

Ano a ano, nossas redes vão crescendo.

As deles, diminuindo. 

Por isso o desespero da mídia. 

É o grito do porco!

Ele sabe que vai morrer.

A mídia sabe que que, hora ou outra, seremos mais fortes que ela.

Nossas redes sociais já estão superando, de longe, as da grande mídia.

O Cafezinho, sozinho, tem alcance de 6 a 10 milhões de pessoas no Facebook. 

É difícil de acreditar, eu sei, mas é uma quantidade superior a de muitas grandes empresas de mídia.

Um post na Fanpage da Globo tem poucas curtidas. No Cafezinho tem milhares.   

O Tijolaço está fazendo mais de 300 mil pageviews por dia!

O Cafezinho bateu mais de 133 mil pageviews/dia nesta terça-feira.

Por isso o desespero. Eles tem medo da democracia, que traz ventos de mudança!

Eles querem manter a ditadura da mentira, só que a mentira deles está vazando por todos os lados.

O barco deles é que está afundando! 

Débil, decadente, a mídia se pendura numa extrema-direita que hoje está, conjunturalmente, fortalecida, que tem redes sociais vigorosas, mas ideologicamente confusas e politicamente desequilibradas, sem propostas democráticas. 

Se eles, os barões midiáticos e seus parceiros incrustrados no Estado, derem um golpe, estarão completamente desmoralizados perante o mundo!

Senão não derem, também: serão golpistas derrotados. 

Estão lascados de uma forma ou outra. Encurralados. Por isso gritam como porcos.

Além disso, há sinais curiosos que vem do norte, do império, que os desorientam. 

Com horror, eles vem um candidato socialista, o Bernie Sanders, se tornando popularíssimo entre a enorme juventude universitária norte-americana.

Isso desnorteia a Globo, porque o discurso de Sanders é contra os monopólios da indústria e da mídia. Sanders sabe – porque luta contra eles desde que iniciou sua vida política – que estes monopólios são inimigos mortais da democracia, como estamos testemunhando, dolorosamente, no Brasil, pela segunda ou terceira vez nos últimos 70 anos.  

O candidato da direita americana, Donald Trump, por sua vez, é um sujeito caricato, ridicularizado pelos jovens do mundo inteiro. Perigoso, eu sei, mas caricato – e politicamente isso conta muito.

Eles – os barões da mídia – estão desorientados por causa dessas mudanças.

O que é um editorial do Estadão hoje em dia, do Globo, da Folha? 

A gente os lê e parecem ecos de um passado distante!

Temos a impressão de tê-los visto numa fotografia embaçada em branco e preto!

Ainda exercem enorme influência sobre os exércitos infinitos de coxinhas, mas é uma influência frágil, um controle superficial da opinião pública, porque baseado em mentiras, em ilegalidades, em conspirações delinquentes.

A influência da mídia sobre a opinião pública não é uma influência salutar, baseada na qualidade da informação e pluralidade do conteúdo, e sim uma influência envenenada, que precisa enganar as pessoas para continuar existindo.

Eles é que estão morrendo. 

A geração lulista está começando, não acabando.

Dez, doze anos, é o tempo necessário para a maturação política de um adulto. 

É também disso que eles têm medo, das novas gerações, que não vêem mais televisão, nem Globonews, que se informam exclusivamente pela internet.

Uma geração que já nasceu profundamente desconfiada da mídia, como vimos nas grandes manifestações de junho de 2013, onde o rechaço à Globo e a qualquer grande canal era uma unanimidade.

Eles querem nos fazer pensar que o nosso Brasil, o Brasil dos trabalhadores e de suas organizações sindicais e partidárias, é que está ruindo, mas é o deles que está. 

É o mundo dos barões da mídia que está ruindo. 

As grandes redações estão demitindo em massa.

Os blogs, os youtubers, os ativistas da informação, os hackers, estão crescendo. 

Os jornalões estão se tornando máquinas de manipulação, operadas por robôs ideológicos. 

Nos blogs, respira-se liberdade, humor, verve, opiniões plurais.  

Eles querem fazer acreditar que o governo Dilma morreu.

Ora, o jornalismo brasileiro morreu bem antes, então!

E de morte muito mais inglória! 

A mídia nasceu na ditadura e está morrendo agora porque não a democracia lhe parece intolerável.

Dilma nasceu na luta contra a ditadura e está se desgastando novamente, de forma quase heroica, eu diria, em defesa do Estado Democrático de Direito. 

A principal força do golpe é o medo. É como se a mídia fosse um bando armado, mirando a cabeça da presidenta e a nossa,

 Só que essa mídia está em nossas cabeças. Ela é uma ilusão. 

É um tigre de papel, explicava Ho Chi Min, o general vietnamita que venceu os Estados Unidos, sobre a terrível guerra de propaganda que o Tio Sam deflagrava sobre os miseráveis comunistas das trincheiras. 

Se o Vietnam venceu o Tio Sam, nós podemos vencer a Globo, que lidera a conspiração golpista. 

O Brasil parece uma distopia futurista de um romance de Philip Dick. Há um romance dele em que as pessoas vivem nos subterrâneos, escondidas, porque a mídia diz que o mundo lá em cima acabou. É uma mentira da mídia para mantê-los trabalhando a baixo custo em buracos, por décadas. 

É a mesma coisa que faz a mídia brasileira. Quer nos fazer crer que o mundo acabou, que não há saída. Entregue logo a carteira, os aneis e o relógio, parece dizer a mídia.

A mídia quer assaltar a democracia brasileira!

Estamos diante de um golpe midiático, cujos componentes geopolíticos iremos revelando com o tempo.

É a guerra 2.0, como explica Pepe Escobar.

O governo tem obrigação de alocar todos os recursos disponíveis para defender a democracia.

O fogo da tocha democrática é que está em jogo.

Dilma não pode se render aos paneleiros. Os paneleiros – mesmo que muitos sejam ingênuos – são os fascistas, que não tem paciência para esperar novas eleições, que querem soluções de força, soluções violentas, rápidas.  

A mídia então – em conluio com setores criminosos e golpistas do Estado – produz verdadeiras tempestades semióticas, visando causar convulsão social e, com isso, mudança de regime.

Estamos diante, mais uma vez, e não é a primeira vez que isso acontece em nosso dolorido continente, de um golpe contra a democracia, porque uma democracia é baseada em eleições livres, como aconteceram em 2002, 2006, 2010 e 2014.

Por que a mídia não acalma os seus exércitos com editorais sensatos, conclamando todos a lutar por mudanças de maneira democrática, apoiando candidatos em 2016 e 2018?

Por que a mídia não prega a harmonia?

Porque a mídia é o centro do golpe.

O governo conseguirá proteger a chama da tocha democrática da fúria histérica dos zumbis midiáticos?

No mundo inteiro há um problema midiático parecido, mas em poucos países o problema é tão grave como no Brasil, e sobretudo nenhum país dessa magnitude, e com essa importância geopolítica, tem um problema assim. 

As mentiras são marteladas 24 horas por dia na cabeça do povo, desde a primeira hora da manhã até a noite. E a TV foi para a rua na mesma época em que a esquerda começou a se trancar em casa.

Há tvs nas rodoviárias, nos bares, ônibus, etc, e o governo não viu isso acontecendo. 

Viramos uma Coreia do Norte de direita, sob hegemonia da mídia televisva. 

A principal luta hoje é para libertar o povo da ditadura midiática!

Para o governo, só há uma saída: a internet!

Fazer e promover programas de vídeos sobre sobre política, com debates, que canalizem as divergências de maneira pacífica, democrática, sem rupturas. 

O governo precisa investir em democracia, em informação. 

Se vis pacem, para bellum!

Se queres a paz, faça a guerra!

Façam a guerra da informação.  

Não tem jeito, Lula.

É guerra!

A mídia precisa continuar mentindo, para que a população não descubra quem ela realmente é: um grupo de instituições decadentes, de origem política criminosa e antidemocrática, que tomaram de assalto, como bandidos, a opinião pública brasileira.

O Brasil está refém de uma imprensa bandida – essa é a verdade que precisa ser dita. 

O governo é eleito. A gente pode trocá-lo. A mídia, não. A mídia é herança da ditadura.

Temos que combatê-la de maneira democrática, oferecendo às pessoas informações e visões de mundo diferentes.

É hora de lutar 24 horas por dia, numa guerra que durará anos, mas que valerá a pena, porque é uma guerra pela liberdade da informação. 

A nota divulgada hoje pelo Planalto mostra que o entorno de Dilma e Lula já entendeu: está diante de uma onda golpista, uma onda que passa por cima de todos os instrumentos legais, que agride a constituição, com objetivos políticos obscuros e, sobretudo, antidemocráticos.

 

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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