Live do Cafezinho: balanço dos partidos de esquerda

Os motivos que levaram americanos e brasileiros a apoiar políticos como Donald Trump e Jair Bolsonaro

Por Redação

14 de maio de 2016 : 05h24

por Carlos Eduardo, editor do Cafezinho

A vitória de Donald Trump nas primárias de Indiana, fato que fez dele o virtual candidato do Partido Republicano, deixou a comunidade política perplexa.

Como explicar a ascensão de alguém tão asqueroso como Donald Trump ao possível cargo de presidente dos Estados Unidos da América? Um homem que representa o que há de pior no mundo – preconceituoso, racista, misógino, ultranacionalista e xenófobo, enfim, um perfeito fascista.

Desde o início de maio, quando se soube que Trump seria realmente o candidato republicano, analistas buscam compreender os motivos que levaram milhões de americanos a escolher Donald Trump como candidato ideal para a Casa Branca.

As hipóteses são das mais variadas, desde a simples ignorância da população até um suposto carisma do candidato – Trump fala tudo que lhe vem à cabeça e assumiu uma postura ‘politicamente incorreta’, simpática para muitos eleitores.

Engraçado que Donald Trump apenas tomou para si um discurso demagogo que já imperava dentro do próprio Partido Republicano, principalmente após a eleição de Barack Obama, como mostra um quadro do The Daily Show with Trevor Noah. Discurso este que foi impulsionado pelas manifestações de grupos ultraconservadores, entre eles o Tea Party.

No entanto, dizer que Donald Trump simplesmente ‘copiou’ o discurso republicano e com seu carisma soube conquistar mais votos que seus adversários é menosprezar demais o eleitorado norte-americano e as consequências trágicas da crise de 2008 para a classe média do país.

A meu ver o fenômeno Trump tem uma explicação fácil de entender: ele é produto da crescente desigualdade social nos Estados Unidos, que está ‘matando’ a classe média tradicional branca, anglo-saxônica e protestante – conhecida historicamente como WASP, ou White, Anglo-Saxon and Protestant, em inglês.

Eu havia prometido a mim mesmo que nunca repetiria esta expressão em um artigo, por considerá-la batida demais. Na imprensa brasileira tornou-se um clichê, todo ano alguém publica artigo com o mesmo título, mas não vejo outro modo de explicar a ascensão de Donald Trump senão parafraseando James Carville, então assessor da campanha de Bill Clinton em 1992, que cunhou a frase: “É a economia, estúpido!”.

Está cada vez mais claro que Donald Trump é resultado do desespero de uma parcela da população sem esperança nos políticos tradicionais e atolada numa crise econômica que perdura há décadas.

Desde o governo de Ronald Reagan, primeiro presidente dos Estados Unidos a implantar no país o que hoje chamamos de ‘neoliberalismo’, a classe média norte-americana vem empobrecendo ano após ano – e quando falo de classe média norte-americana, me refiro àquela parcela da população com renda familiar de aproximadamente US$ 40 mil dólares ao ano.

Para termos uma noção do impacto do governo Reagan na economia, durante a administração do democrata Jimmy Carter a renda anual de uma família classe média girava em torno de US$ 48 mil dólares/ano. Durante o governo Reagan este número reduziu para cerca de US$ 43 mil dólares/ano e atualmente gira em torno de US$ 33 mil dólares/ano.

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Evolução do salário mínimo nos Estados Unidos (Fonte: CNN Money)

O salário mínimo norte-americano atingiu seu maior patamar em 1968, quando pagava US$ 1.60 dólares por hora de trabalho, o equivalente a US$ 10.86 dólares em valores atuais, e de lá pra cá não para de cair.

Não é à toa que o aumento do salário mínimo de US$ 7.25 para US$ 15.00 dólares a hora de trabalho seja uma das principais bandeiras do socialista Bernie Sanders. Desde os anos de 1960 a produtividade do trabalhador americano mais que dobrou enquanto os salários só diminuíram, em valores reais.

Pela primeira vez, desde a Segunda Guerra Mundial, a nova geração da classe média branca norte-americana, os millennials, se veem mais pobres que seus pais. Resultado do liberalismo econômico sem limites iniciado por Ronald Reagan, mas ampliado e aprofundado na gestão Bill Clinton, com acordos de livre comércio como o NAFTA e a desregulamentação total do fluxo de capitais.

A verdade é que o ‘neoliberalismo’ praticado a partir da década de 1990, e que perdura até hoje, beneficiou apenas uma pequena parcela da sociedade – principalmente bancos, empresas multinacionais e seus acionistas majoritários.

Já os trabalhadores foram os mais prejudicados e isso explica bastante porque o discurso antiglobalização, anti-imigrantes, contrário aos acordos de livre comércio e protecionista de Donald Trump atrai tantos eleitores.

No Brasil a classe média tradicional odeia o PT por seus acertos, não por seus erros

Curioso como no Brasil os motivos que levaram setores da classe média a apoiar um político como Jair Bolsonaro – tão asqueroso quanto Donald Trump – são opostos aos da classe média norte-americana.

Quando me refiro à classe média norte-americana é importante frisar que nos Estados Unidos ela é representada por agricultores, pequenos empresários, funcionários públicos de médio e baixo escalão e até trabalhadores técnicos da indústria, sem ensino superior.

Bem diferente do Brasil, onde a dita ‘classe média’ está associada a uma parcela da população com ensino superior, que ocupa cargos de gerência em grandes empresas ou tem empregos públicos de médio e alto escalão. No Brasil a classe média se sente mais próxima da elite que dos trabalhadores. E digo mais: uma parcela significativa quer distância da ‘Classe C’.

SÃO PAULO, SP, 12.04.2015: PROTESTOS-DILMA - Jair Bolsonaro - Ato contra o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) na av. Paulista, na região central de São Paulo, neste domingo (12). Os atos deste domingo são organizados por grupos como Vem Pra Rua e MBL (Movimento Brasil Livre) e outros movimentos sociais, que também participaram da manifestação do dia 15 de março. (Foto: Guga Gerchmann/Eleven/Folhapress)

Manifestantes pró-impeachment tiram foto com deputado Jair Bolsonaro, na Av. Paulista (Foto: Guga Gerchmann/Eleven/Folhapress)

Enquanto os Estados Unidos veem o ‘sonho americano’ morrer lentamente, a desigualdade social crescer e o fosso entre ricos e pobres atingir níveis recordes; os brasileiros pelo contrário vivenciaram na última década a maior ascensão social coletiva já vista no Brasil, quiçá no mundo. Neste período tivemos o presidente que mais distribuiu renda e reduziu a pobreza em toda nossa história, segundo dados da ONU.

Se nos Estados Unidos o fenômeno Donald Trump é explicado por um misto de corte nos direitos trabalhistas, crise econômica e preconceito racial de brancos contra negros, latinos, mulçumanos e outras minorias. No caso brasileiro temos somente o mais puro preconceito de classe. Apenas isto explica a ascensão de Jair Bolsonaro ao posto de ‘presidenciável’ nas eleições de 2018.

De acordo com o Datafolha, Bolsonaro lidera as intenções de voto entre o eleitorado com renda familiar mensal superior a dez salários mínimos, ou seja, entre a elite e a classe média branca e cristã das grandes capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Do mesmo modo como alguns norte-americanos se incomodam com a invasão de minorias e estrangeiros em seus empregos e ambientes sociais; uma parcela considerável dos brasileiros está claramente incomodada com o empoderamento de negros, nordestinos, feministas, homossexuais e demais minorias no cenário nacional, fruto de políticas sociais implantadas pelo PT nestes 13 anos de poder.

Eles têm rancor de Lula e Dilma por terem incluído a tal da ‘Classe C’ em ambientes que antes eram restritos à elite e classe média branca deste país, como as universidades federais, os empregos públicos de alto escalão, aeroportos etc.

Claro que não admitem isso, preferem dizer que estão combatendo a corrupção, talvez para manter a consciência limpa, mas é a dura verdade.

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33 comentários

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Moisés

10 de novembro de 2017 às 03h57

Com certeza não há imparcialidade nesta matéria. É tão difícil entender que uma pessoa pode se sentir representada por certas ideias de direita, como as do Bolsonaro? A resposta para sua pergunta é exatamente essa, então não precisa mais ficar procurando alternativas para entender porque alguém apoiar a direita :D

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stenio

30 de janeiro de 2017 às 01h41

lixo de site.. não é imparcial.. deve ser pago pelo lula.

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    Miguel do Rosário

    30 de janeiro de 2017 às 11h30

    Lixo de comentário. O que é imparcial para você? Site do MBL? Não, Lula não “paga” este site.

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Ricardo

14 de novembro de 2016 às 23h55

Pessoal não deixem que essa mídia manipuladora faça o que fizeram com o Dr Enéas Carneiro, um homem preparado que conhecia os problemas no Brasil, e era tachado de “maluco” por essa mídia de merda! Bolsonaro 2018

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Robson

09 de novembro de 2016 às 11h52

hahahahaha pra mim um cara que chega no plenario da Camara e faz apologia a um torturador não é menos que um monstro!!!

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Apw PerdeuVermelhos

13 de setembro de 2016 às 02h32

Blog e texto podre! Distribuir renda não é tirar ninguém da pobreza é sim mante-las escravas do governo pela pobreza. Se o brasil tivesse acabando com a desigualdade e com a pobreza pogramas como bolsa familia, que alias foi criado por ruth cardozo e se chamava bolsa escola, estaria diminuindo e não aumentando!!!! Fora vermelhos facistas pedófilos!!!!

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Vayne Solidor

27 de julho de 2016 às 12h09

cristãos…. as duas nações são cristãs, os 2 lixos são TUDO que um cristão padrão é = racistas, homofóbicos, misóginos, moralistas lixos que adoram impor da forma mais agressiva possível a merda de cultura cristã escrota deles naqueles que não se submetem a ela, se pudessem, traziam as inquisições de volta!

e eu sou “intolerante” com abraâmico… abraâmico que volte no passado e plante a porra da tolerância!

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    Apw PerdeuVermelhos

    13 de setembro de 2016 às 02h30

    homofobico é lula brahma que chama o sul de exportador de viado, misógino e machista é lula quando chama as mulheres de griludas, moralistas é lula que pregou a intolerancia a corrupção e montou o maior esquema criminoso do poder já visto no brasil, agressivo são voces vermelhos que quebram tudo em protesto alem de agredir e chamar os outros que não “pensam” como vocês de tudo o que vocês realmente são! vai trabalhar seu vagabundo!!!

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      Marco Aurélio Orlando

      09 de novembro de 2016 às 09h48

      Alguém dá um Oscar® pra esse rapaz….

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      Robson

      09 de novembro de 2016 às 11h56

      vai se ferrar, imbecis, vai lamber o rabo dos golpistas!!! canalha!!!

      Responder

    Marco Aurélio Orlando

    09 de novembro de 2016 às 09h50

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk legal é ver seu texto e ler as palavras intolerante, agressiva, escrota….. tá SERTO….

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Poppunk Paracetamol

24 de julho de 2016 às 03h10

Você não é pobre e nordestino Lucas! Isso é coisa da esquerda querer nos enquadrar em classes, somos todos brasileiros cansados da esquerda caviar!

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    Robson

    09 de novembro de 2016 às 11h53

    hahaha ai voces, cansadinhos da esquerda, vão ficar de namorico com a direita fascista??? voces são tristes!!!

    Responder

Sol

02 de junho de 2016 às 11h20

O ser humano é perverso. Taí a explicação.

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Fernando Barbosa

24 de maio de 2016 às 07h20

Senhor Carlos Eduardo, pessoas como você mereceram cada dia do governo e das atitudes do PT&cia, e ainda merece mais ainda o governo interino do Temr e sua gangue. Mas os incentivos do governo pra blogs como o seu acabaram… Você ser’a obrigado a chamar o Bolsonaro de Senhor Presidente. Espeere e verá! Essa “zelite branca opressora” da qual você faz parte, não é a única com cérebro para ver o que está acontecendo.

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Lucas

15 de maio de 2016 às 15h22

sou pobre e nordestino e conheço muitas pessoas que assim como eu apoiam o Bolsonaro tbm,não vai colar esse título que vcs querem dar a ele de “representante dos antiquados e ricos”. Ele fala o que pensa e na maioria das vezes,as pessoas mudam totalmente o contexto das coisas que ele fala em uma clara tentativa de tratar ele como um monstro

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Sebastião

14 de maio de 2016 às 21h07

Duas frases que representam bem o que está ocorrendo em nosso País: (1) Crise é a riqueza que não se reparte; (2) Existe uma classe média no Brasil que inveja os ricos e que maltrata os pobres. É uma verdade! Ou, melhor, duas verdades. Quem é rico não tá nem aí pro preço do salmão. Já a classe média tá preocupada com o preço da tilápia, mas continua arrotando salmão, sem perder a pose. Basta a gente olhar ao nosso redor que identificamos um invejoso!

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Orion Beta

14 de maio de 2016 às 17h17

A verdade é bem asquerosa mesmo do ponto de vista de um monte de mentirosos e farçantes…

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    Orion Beta

    14 de maio de 2016 às 17h17

    Bolsonaropresidente2018

    Responder

      Sebastião

      14 de maio de 2016 às 21h31

      E, o Tiririca para vice. Coitado do AECIM, não ganha nem como síndico de seu milionário prédio no Leblon. Cambaleante como sempre. Haja fumacê!

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        José Bolsonaro

        14 de maio de 2016 às 22h05

        Bolsonaro 2018! Pode começar a chorar meu amigo.

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          Robson

          09 de novembro de 2016 às 11h55

          hahaha mais um imbeciloide vomitando!!!

renato andretti

14 de maio de 2016 às 14h02

Mas como veio coxinha do 247, para cá …jesus..
Eles estão se perdendo por lá e vem navegar
aqui,,
Eles dizem estar fazendo uma LUTA, para fazer o
GOLPE colar…
Sairam das barracas e estão nos Blogs progressista.
Nós achamos muito bom esta ” invasão”..alienigena..
Vai ficar cada vez melhor..
A votação dos 367….
Já vai virar filme.
Pelo pessoal que recebe a lei ROAUNETTTE.

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    Fernando Barbosa

    24 de maio de 2016 às 07h22

    Blogs patrocinados pelo governo vão passar fome!

    Responder

renato andretti

14 de maio de 2016 às 13h58

Os motivos??
Não está claro..
Eles querem uma republica donde não precisem sair
do Armário..
Bolsonaro conhece muito bem a Rodoviaria de Brasilia
e o que temos debaixo da Torre e no Venancio..
O Poder da a eles dois, este TEmper..e Bolsonaro.
vamos fazer justiça, não é só os dois,
Temos ainda o feliciano..
Feliciano e bolsonaro juntos e sozinhos é hilario..

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rogeriobezerra

14 de maio de 2016 às 11h19

Os Republicanos não enganam que os estados unidos continuarão matando, torturando, sequestrando, invadindo e financiando derrubadas de governos. Já os Demo-cratas fazem exatamente o mesmo, mas com uma face boazinha e “inovadora”… Bem ao gosto dos midiotas, diga-se de passagem, de todo mundo.

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Neo

14 de maio de 2016 às 11h06

O motivo de Trump ser tão asqueroso é para Hillary parecer boazinha perto dele quando na verdade não é. Hillary irá vencer, já está decidido.

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    Thiago Raphael

    14 de maio de 2016 às 12h25

    Faz sentido

    Responder

Albert Fanon

14 de maio de 2016 às 08h08

Entretanto, se o complexo-militar-financeiro e os 1% estão mais apavorados com Trump que com Sanders é um bom sinal. De qualquer maneira, o considero menos perigoso para o planeta que Hilaria.

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Antonio Passos

14 de maio de 2016 às 07h56

Perfeito ! Eu iria também por outro viés: a profunda alienação política, social, humana, que são essenciais para a sustentação do sistema. A ignorância do povo facilita sua manipulação, mas tem o perigo de fugir do controle dos poderosos e gerar fenômenos assustadores.

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Charles

14 de maio de 2016 às 07h16

Acredito que foi em Noam Chomsky que vi a primeira análise a dizer que um dos principais fatores para Trump era realmente o fator econômico, pois os brancos pobres e de classe média estão morrendo, devido a pobreza, problemas de saúde, baixas perspectivas de emprego bem remunerado. E como aquela semente do ódio às minorias já havia sido plantada nos tempos de bonança mas eram ignoradas por boa parte, agora se tornam o “inimigo comum” mais fácil de acusar pois ele já está lá, e é mais fácil aos detentores de poder culpar eles do que a si mesmo devido a sua ganância sem limites. E podemos entender que é o mesmo caso na Europa o que justifica o crescimento de partidos neonazistas e de extrema direita por aquelas bandas.

O fator Bolsonaro, infelizmente é puro ódio de classe mesmo, como aponta. Ele dá voz aos preconceituosos que são tímidos ou covardes demais para externar seu ódio. É como o baluarte deles. Mas eu ainda tenho esperanças que esse “presidenciável” na hora que começar a defecar pela boca em campanha nacional, todas as luzes e holofotes apontados para ele, a população vai ver o horror que ele é. Muitos ja tiveram um gostinho com o horror de 17 de abril, e eu vi muitas pessoas que apoiavam o impeachment atordoadas e assustadas com o que essa abominação falou. Ele tem força no sul e sudeste, mas vai precisar do voto do norte e nordeste. Será que ele vai sequer fazer campanha por aqui? Mas acho ainda que ele cai por autofagia da direita. Acho que com Marina Silva, o “menos queimado” do PSDB que for indicado, entre outros, vão ser os primeiros a tentar derruba-lo.

Eu acredito que esse ressurgimento do fascismo é apenas a repetição da década 1920-1930, apenas um sintoma já esperado das crises do capitalismo. Naquela época vimos que a anti-política foi o mote também para se chegar ao poder nos países devastados, e todos sabemos quão bem isso terminou.

Mas eu tenho uma pequena esperança sabia? Essa deve ser uma das ultimas senão a última grande crise do neoliberalismo. Os tempos devem ser ruins mas depois, acredito que meios mais progressivos começarão a aparecer e se firmar. Já se chega ao consenso entre vários analistas que as democracias formais que estamos acostumados estão exaurindo e falindo, pois o controle financeiro sobre as escolhas políticas acabou com a confiança popular nos seus representantes. Já vi gente do FMI e de institutos financeiros fazendo artigo defendendo uma maior distribuição de renda (conhecendo esse povo, só o suficiente pro sistema não falir de vez). Mas novas formas de se democratizar já acontecem devido ao avanço tecnológico da comunicação entre as pessoas. Aqui no Brasil vemos os garotos que estão ocupando as escolas exigindo seu direito fundamental a educação de qualidade e sem participação dos movimentos tradicionais lhes mobilizando. Eles buscam aquilo que sabem que tem direito a ter e brigam por isso.

Também acho que um dos principais motivos para o fim dessa era do capitalismo é fatores externos como a mudança climática e a exaustão dos recursos naturais, principalmente os energéticos. Eu vejo muito mais noticias sobre clima do que política e se ignora muito o quanto as mudanças no clima, o aumento espetacular de desastres naturais estão influenciando a vida das pessoas. Não foi semana passada que aquele incêndio no Canadá devastou quase toda uma cidade de mais de 80,000 pessoas, sem contar a floresta que foi incendiada. Inundações nos Estados Unidos são mais frequentes do que se mostra, e chuvas que caem a sua quantidade estipulada para o mês em apenas 1 dia são comuns. Os refugiados climáticos serão uma calamidade humana em breve.

Por isso acho que essa ascensão fascista é apenas um dos últimos suspiros de um movimento econômico que só vai conseguir sobreviver no mundo moderno à força, pois o clima, aumentos das relações entre indivíduos devido ao avanço das comunicações, melhorias tecnológicas na indústria, aumento populacional, mostrarão quão frágil é a relação de concentração de poder nas mãos de uma minoria contada nos dedos.

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    Tupiniquim

    14 de maio de 2016 às 07h34

    Isso é mais que um simples comentário, isso é uma aula de história, economia, política e etc. É disso que a gente precisa nos “blogs sujos”. Esclarecimentos, boas idéias e boas análises, tanto nos textos, como nos comentários. Parabéns ao editor pelo texto e parabéns pelo comentário meu caro.

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    Marco Aurélio Orlando

    09 de novembro de 2016 às 09h42

    Não precisava nem chegar na parte em que você declara ser do nordeste para saber que tarta-se de mais uma viúva esquerdopata. A esquerda já era, ela e seus desmandos vão ficar pra sempre como uma mancha escura na história deste país. Engula o Trump e pode aguardar o Bolsonaro em breve….

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