Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

Cunha cassado?

Por Miguel do Rosário

14 de junho de 2016 : 22h20

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Análise Diária de Conjuntura – 14/06/2016

Como diria o rei, são tantas emoções. Cunha sofre derrota no conselho de ética no aniversário de Che Guevara.

O jogo ainda vai demorar um pouco a terminar, porque Cunha ainda deve recorrer. O deputado deve fazer tudo para ganhar tempo. Além disso, a expectativa não é apenas a cassação, mas o processo penal em si contra ele. Será preso? Haverá delação premiada para Cunha?

E o presidente Michel Temer, o “homem de Cunha”, como fica?[/s2If]

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De qualquer forma, a votação em plenário será uma experiência interessante. Os deputados se sentirão, obviamente, pressionados para votar contra Eduardo Cunha, mas, ao fazê-lo, tornar-se-á patente que o impeachment foi conduzido por um parlamentar corrupto, que usou o impeachment como instrumento de vingança política contra o governo, porque este não lhe deu os votos necessários para ele fugir do conselho de ética e, portanto, da cassação.

Temos ainda, hoje, a decisão de Teori negando os pedidos de prisão dos caciques do PMDB.

É um jogo com tantas nuances, tão complexo, que chega a dar náuseas. O processo de julgamento do impeachment segue acontecendo na Câmara, e cresce constrangimento dos senadores que apoiam o golpe, porque, à medida que os debates se desenvolvem, torna-se patente que não houve dolo por parte da presidenta.

Mas os golpistas ainda tem muitas cartas na manga. A principal delas é a Lava Jato, que evidentemente só terá fim após cumprir seu objetivo maior, que é justamente consolidar o golpe. Para isso, os procuradores têm a sua disposição um vasto conjunto de delações, vazamentos, informações sigilosas, que podem montar livremente, como um quebra-cabeças psicodélico, conforme uma narrativa já escrita há tempos.

O que eles, os meganhas da Lava Jato, cúmplices do golpe, farão?

A esta altura, suas ações são relativamente previsíveis, embora não possamos subestimá-los. Eles sabem que dependem do delicado jogo com a opinião pública, e dançam a música da mídia de maneira muito cuidadosa. Se entendem que se excederam num ponto, recuam, esperam melhor momento para atacar de novo.

Neste momento, a força-tarefa, esse híbrido inconstitucional que junta juiz (que deveria ser isento e mediar acusação e defesa), procuradores, delegados da PF e mídia, deve estar meditando os próximos passos para tensionar a conjuntura política e abrir caminho para a consolidação do golpe.

Eles tem de olhar o calendário: não podem atacar cedo demais, porque senão o clima se desfaz até lá. E talvez estejam ligeiramente inseguros após o crescimento da reação popular e o início de um processo de rejeição à Sergio Moro, hoje visto por um setor razoável da população, e inclusive pela imprensa internacional (Gleen Greenwald fez críticas diretas à Moro), como um agente político à serviço da oposição e do golpe.

Mas eles não tem outra saída.

Seu trunfo continua sendo a covardia do STF, do STJ, e da corte de apelação de Porto Alegre, que chancelam todos os arbítrios de Sergio Moro, e os presos na Torre de Londres de Curitiba, dispostos a entrar no jogo sujo dos procuradores, desde que possam voltar a respirar ao ar livre.

Vivemos uma espécie de ditadura, que aliás já começa a fazer vítimas, como essas pessoas numa fazenda desapropriada próxima a Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

Após o golpe em Honduras, o número de conflitos e violações de direitos humanos, sobretudo envolvendo indígenas e fazendeiros, explodiu no país.

O golpe serve como carta branca a todo tipo de violências.

Pelo jeito a mesma coisa está em vias de acontecer no Brasil. [/s2If]

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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4 comentários

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Antonio Passos

15 de junho de 2016 às 00h15

Não se iludam, nada que tenha a aprovação da Globo vem para o bem. Cunha é um lixo atômico, estão tentando se livrar dele depois de utilizado. Eu acho que só o plebiscito e eleições podem mobilizar o povo de forma significativa e vencer o golpe.

Responder

Camem Oliveira

15 de junho de 2016 às 00h01

Das duas, uma: A Globo acredita que, como em 1964, vai passar por cima de tudo e de todos (inclusive de Cunha) ou Ali Kamel (diretor de jornalismo do grupo, apenas com 54 anos) acha que Eduardo Cunha é infantil ao ponto de nunca ter guardado um único recibo, um comprovante de depósito, feito uma gravação…nada, para acumular tantos poderes. E pior: aceitará ir pra cadeia de “mãos vazias” e desmoralizado, justamente pela Globo, com quem “armou” aquele domingo da votação do impedimento da presidente Dilma.

Mas a Globo me pareceu muito segura quando deu a ordem a tal da Tia Eron…

Mudando de assunto:

Na há previsão constitucional de novas eleições descumprindo o calendário eleitoral. Em outras palavras: seria outro golpe – ou ruptura da ordem – também.

Só existe uma saída: Uma carta compromisso da presidente Dilma de que, caso o impeachment seja arquivado, uma proposta de renúncia, caso o vice-presidente, Michel Temer, assuma publicamente que renunciará ao cargo em CARTA DE RENÚNCIA CONJUNTA.

Somente e, somente neste caso, o futuro presidente da Câmara (se Cunha já estiver cassado), substituto legal do cargo seria OBRIGADO pela Constituição Federal (Art. 81) a convocar novas eleições para Presidente e Vice, respectivamente, em até 90 dias após a vacância dos cargos.

O resto é conversa de senador. É claro que se Dilma aceitar a proposta de renúncia conjunta, deixará Michel Temer exposto a pressões de tudo que é lado. Mas sabendo que perderá o foro privilegiado e com seu “chefe” nas mãos do Juiz Sérgio Moro, esse covarde seria incapaz de um ato dessa grandeza.

Ele vai preferir ficar, mesmo sabendo que será obrigado a lutar para que Dilma complete o mandato, pois o “centrão”, DEM e PSDB vão se articular para um novo pedido de impeachment, só que desta vez, para Dilma e Temer.

Aliás, não garanto, mas desconfio que Gilmar Mendes ainda não impugnou a chapa Dilma/Temer para evitar novas eleições. Se o TSE esperar até janeiro de 2017, a eleição será INDIRETA (Art. 81, parágrafos 1º e 2º) e, provavelmente, assumirão a presidência e vice uma chapa com dois “paus mandados” com mandato no Congresso Nacional que AINDA não estejam denunciados pela PGR ao STF.

Que tal uma chapa SHÉRIDAN ESTERFANY (PSDB-RR) – PRESIDENTE, MAGNO MALTA – (PR(ES) – VICE ?

Ué, tá rindo de quê? No Brasil, nada pode ser tão ruim que não possa piorar.

Brasiiiiiillllll !!!!!

Responder

Pedro Pereira

14 de junho de 2016 às 23h00

Tchau maldito

Responder

Maria Thereza G. de Freitas

14 de junho de 2016 às 22h26

estou me sentido numa gangorra. a decisão da comissão de ética anima. o envio de Lula para o moro, não. São mesmo muitas emoções. Haja coração. E estômago!

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