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Soy loco por ti, América

Por Luis Edmundo

07 de julho de 2016 : 01h41

Foto: SPFC/Divulgação

Por Luis Edmundo Araujo, editor de esporte do Cafezinho

Depois da parada para a Copa America Centenário, de triste memória para nosostros e para nossos hermanos também, voltou nesta quarta-feira a Taça Libertadores da América, a Liberta, para os íntimos, e voltou com um jogo daquele que, entre os clubes brasileiros, detém o mais alto grau de intimidade com o equivalente sulamericano da multiglobalizada Champions League europeia. Se o Santos também é tricampeão, com Pelé e Neymar, se o Vasco foi campeão ainda antes da existência da taça, em 1948, no primeiro campeonato, e depois, 50 anos depois, em pleno ano do centenário, o São Paulo, além de insuperável em títulos sulamericanos no Brasil, tem o maior número de participações na Libertadores entre os brasileiros, mais experiência, portanto, no torneio.

Único remanescente entre os cinco brasileiros que iniciaram a competição, após as eliminações do Palmeiras na primeira fase, do Corinthians e do Grêmio nas oitavas e do Atlético Mineiro nas quartas-de-final, o São Paulo inaugura a série aleatória do blog sobre os quatro semifinalistas da Libertadores de 2016, a ser publicada em dias ainda não de todo definidos, mas até a decisão da Taça, com certeza. Tá certo que ficou difícil a coisa para o tricolor paulista, depois da derrota contundente de ontem, em casa, para o Atletico Nacional de Medellín, e perdendo o capitão expulso também para o próximo jogo, mas ao menos os torcedores são-paulinos, quando o assunto é Libertadores, são dos poucos, raros brasileiros que podem, sim, evocar como último recurso em situações difíceis, aparentemente sem jeito, a tal da tradição, que no caso do São Paulo foi iniciada 20 anos antes da primeira conquista.

Em sua primeira participação, em 1972, o São Paulo conseguiu passar da primeira fase bem mais difícil que a de hoje em dia, nos anos em que de um grupo de quatro, sempre com os dois brasileiros juntos, só o primeiro se classificava. O São Paulo superou o Atlético-MG, o Olimpia e o Cerro Porteño do Paraguai para cair no triangular semifinal, outra característica da época, com o Barcelona de Guaiaquil e o Independiente da Argentina, que por um ponto apenas eliminou a equipe brasileira, a única, aliás, a derrotar os argentinos que viriam a conquistar naquele ano o primeiro de seus quatro campeonatos seguidos, que muito ajudaram para que, até hoje, o Independiente de Avellaneda seja o maior campeão da Libertadores, com sete taças no total.

Dois anos depois o São Paulo voltava a encarar o Independiente, e dessa vez na final, em que de novo ganhou no Morumbi, por 2 a 1, e perdeu na Argentina por 2 a 0. Não havia saldo de gols na decisão e no jogo extra em campo neutro, em Santiago do Chile, os argentinos levaram a melhor por 1 a 0, jogando o tricolor num limbo de eliminações na primeira fase nas três edições seguintes que disputou, em 1978, 1982 e 1987, até o êxtase, enfim, de 1992, contra um time argentino, o Newell’s Old Boys, de Rosario, com Telê Santana no banco e Raí em campo para abrir os caminhos de uma história de amor prolongada no ano seguinte com o bicampeonato decidido no jogo de ida, na goleada retumbante, estonteante, sobre a Universidad Católica, e no retorno a Santiago pra sair celebrando a derrota por 2 a 0, maior que a da última final por lá.

Libertadores SP RogerioO tri não veio por obra e graça de Chilavert, o craque do Velez Sarsfield na única Libertadores conquistada pelo time de Buenos Aires, e o São Paulo passaria 10 anos sem reencontrar sua querida taça até nova campanha digna, eliminado nas semifinais pelo ferrolho do futuro campeão Once Caldas, colombiano como o Atlético Nacional, e no ano seguinte, de novo, campeão, tricampeão no duelo brasileiro contra o Atlético-PR na final, sob a liderança de outro goleiro artilheiro, mais até que o paraguaio do Velez, o capitão Rogerio Ceni. Por isso, mesmo perdendo a decisão seguinte em novo duelo caseiro, dessa vez com o Internacional de Porto Alegre, mesmo não conseguindo avançar mais depois além desta semifinal de agora, quase perdida, mesmo contra todos os prognósticos o torcedor são-paulino pode, quando o assunto é Libertadores, se agarrar unicamente à tradição, ao peso de sua camisa.

 

luis.edmundo@terra.com.br

 

 

 

 

 

Luis Edmundo

Luis Edmundo Araujo é jornalista e mora no Rio de Janeiro desde que nasceu, em 1972. Foi repórter do jornal O Fluminense, do Jornal do Brasil e das finadas revistas Incrível e Istoé Gente. No Jornal do Commercio, foi editor por 11 anos, até o fim do jornal, em maio de 2016.

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