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Reunião entre Kerry e Serra revela que governo Obama apoia os golpistas

Por Redação

10 de agosto de 2016 : 16h54

O brasilianista e co-diretor do Centro de Pesquisa para Economia e Política (Centre for Economic Policy Research, em inglês), Mark Weisbrot, publicou nesta terça-feira (9) mais um artigo sobre as relações EUA-Brasil no The Hill, blog político de vertente republicana.

As análises de Weisbrot se tornaram frequentes no Cafezinho (veja aqui, aqui, aqui e aqui).

No artigo ele lembra que 43 deputados do partido Democrata escreveram uma carta ao secretário de Estado, John Kerry, pedindo para este condenar o processo de impeachment contra Dilma. O também democrata, Bernie Sanders, veio a público esta semana condenar o que classificou como golpe de Estado no Brasil.

No entanto, Weisbrot diz que ao reunir-se com o ministro interino de Relações Exteriores, José Serra, o secretário John Kerry indica que o governo de Barack Obama está sim apoiando os golpistas. Por mais que este ainda não tenha se encontrado pessoalmente com o presidente interino, Michel Temer.

Leia o artigo.

***

Reunião de Kerry com ministro interino brasileiro revela apoio ao governo ilegítimo

Em 25 de julho, 43 membros da Câmara dos Deputados dos EUA escreveram ao Secretário de Estado Kerry. A carta diz:

Escrevemos para expressar nossa profunda preocupação com os acontecimentos recentes no Brasil, que ameaçam as instituições democráticas do país. Nós também pedimos que Vossa Excelência exerça máxima cautela nas relações com as autoridades interinas do Brasil, e que se abstenha de declarações ou ações que possam ser interpretadas como apoio à campanha de impeachment lançada contra a presidenta Dilma Rousseff.

Nós acreditamos que nosso governo deve expressar forte preocupação em relação às circunstâncias que envolvem o processo de impeachment e apelamos para a proteção da democracia constitucional e do Estado de Direito no Brasil.

Na segunda-feira, o senador Bernie Sanders também expressou sua opinião, observando que, “após suspender a primeira presidenta mulher do Brasil com argumentos duvidosos, sem um mandato para governar, o novo governo interino extinguiu o Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos.” E acrescentou: Os Estados Unidos não podem permanecer em silêncio enquanto as instituições democráticas de um de nossos mais importantes aliados são atacadas.”

É extremamente raro ver este tipo de questionamento sobre a política do governo dos Estados Unidos por membros do Congresso do mesmo partido, especialmente sobre um país tão grande e importante como o Brasil. Ao lidar com tal país, que possui um território maior do que a área continental dos Estados Unidos, com mais de 200 milhões de pessoas, e que representa a sétima maior economia do mundo, seria esperado que os parlamentares democratas não interferissem nesse tema, especialmente em um ano eleitoral.

Talvez eles tenham tomado tal decisão porque sabem que a administração de Obama estaria apoiando o impeachment. Um membro do Comitê de Relações Exteriores da Câmara me disse recentemente que este seria realmente o caso, e existem evidências de que seria verdade.

Em uma coletiva de imprensa em 3 de agosto, o porta-voz do Departamento de Estado disse que Kerry responderia à carta do Congresso. Nenhuma resposta escrita foi recebida até agora, mas Kerry pode ter enviado uma resposta não-verbal ao encontrar-se com o ministro das Relações Exteriores do governo interino, José Serra, durante sua recente viagem ao Brasil. Se esta é a sua resposta para os membros do Congresso, equivaleria a levantar o dedo do meio.

Kerry não teve a ousadia de se reunir com o presidente interino, Michel Temer. A grande maioria dos brasileiros quer que Temer renuncie, e não complete os dois anos e meio restantes do mandato presidencial que está ocupando. Mas se o Senado brasileiro votar pela condenação da presidenta Dilma Rousseff no final deste mês, ele ocuparia a presidência até 2018.

Temer nem sequer foi apresentado nos Jogos Olímpicos, falou por cerca de 10 segundos e, de acordo com o Washington Post, foi ruidosamente vaiado. Temer foi condenado por violar leis de financiamento eleitoral e está impedido de concorrer a cargos públicos por oito anos, além de estar envolvido em outros escândalos.

Ao reunir-se com Serra, e ao emitir declarações conjuntas sobre uma série de questões após essa reunião, Kerry mais uma vez mostra o apoio a um governo de legitimidade questionável.

Afinal, Serra não foi escolhido por um presidente eleito. Na verdade, pode-se fazer uma argumentação constitucional de que o presidente interino Temer — que foi vice-presidente antes do impeachment — não poderia nomear um novo ministério e mudar o rumo das políticas anteriores (não coincidentemente, composto somente por homens brancos e ricos).

A presidenta eleita não foi removida definitivamente; ela foi suspensa enquanto aguarda o resultado do julgamento no Senado. Portanto, o governo interino deveria atuar como uma administração temporária e não agir como um governo eleito, que acabara de ganhar um mandato político por uma grande maioria.

Ao reunir-se com Serra, Kerry ajuda a legitimar o que muitas pessoas no Brasil e em todo o mundo consideram um golpe de Estado das forças de direita. Ele poderia facilmente ter evitado o encontro com Serra, como evitou com Temer. Isso não seria um problema diplomático ou de protocolo. Kerry se aproximou do governo interino e gerou a impressão de que Dilma já estaria condenada pelo Senado. Na verdade, o procurador federal designado para o caso concluiu há poucas semanas que Dilma nem sequer cometeu crime.

Kerry está escolhendo um lado em uma situação política polarizada. E está escolhendo o lado formado por uma conspiração conservadora de políticos corruptos, os quais — segundo transcrições vazadas de conversas telefônicas — buscam remover a presidenta democraticamente eleita, com o propósito de se proteger de investigações e possíveis condenações criminais.

Essa é uma atitude podre para um Secretário de Estado dos EUA no século 21. Muitos brasileiros lembram o papel que Washington desempenhou no golpe militar de 1964, que levou a mais de duas décadas de uma sórdida ditadura, sob a qual o antecessor de Dilma, Lula da Silva, foi preso, e sob a qual Dilma foi torturada. No caso de alguém ter perdido o cordão umbilical da história, que conecta aquele golpe ao golpe atual, um dos deputados pró-impeachment“expressamente elogiou, no Congresso do Brasil, a ditadura militar e saudou incisivamente o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, torturador-chefe da ditadura (responsável pela tortura de Dilma).”

A resposta do governo de Obama a esse golpe também será lembrada por muito tempo e provavelmente irá afetar as relações com futuros governos brasileiros. Enquanto isso, 43 membros do Congresso dos Estados Unidos ainda esperam a resposta por escrito de John Kerry à sua carta.

Mark Weisbrot é co-diretor do Centro de Pesquisa para Economia e Política em Washington, D.C., e presidente do Just Foreign Policy. Também é autor do livro “Failed: What the ‘Experts’ Got Wrong About the Global Economy” (2015, Oxford University Press). Você pode subscrever para receber seus artigosaqui.

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13 comentários

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Deberson dos santos silva

18 de novembro de 2020 às 16h51

Não duvido nada se o John biden e sua vice kamala Harris armar um golpe contra o Brasil e a América latina.

Responder

Marcelo De Oliveira Soares

12 de agosto de 2016 às 05h12

Como ele não iria reconhecer se o golpe foi tramado nos EUA? Claro, com a ajuda dos Burros do PT que nunca se preocuparam com nada relacionado a espionagem “coisa de filme americano”.

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    Michel Moreno

    15 de agosto de 2016 às 03h18

    E dizem que Dilma não usava nenhuma proteção para as suas comunicações mesmo depois do escândalo da espionagem americana…

    Responder

Dilma Coelho

11 de agosto de 2016 às 10h24

Nunca tive dúvidas sobre o papel do obama, como não tenho dessa clinton. Farinhas do mesmo saco.
Só quando o povo, unido, perceber a fria em que estão entrando. A pobreza interna, inconsciente, faz com que muitos dos políticos, do judiciário, das polícias, se vendam. Não se importam com seu pais de origem, seus filhos, seu próprio futuro. Esse serra é o lixo dos lixos. Como alguém em sã consciência pode entregar seu pais de bandeja? Se ele usou, não respeitou, a própria filha, como laranja. Segundo os jornais ele pegou o dinheiro da UNE e foi se dar bem na época da ditadura, ai começou a ficar rico de dinheiro e pobre de vergonha. SOBREVIVEREMOS.

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    Michel Moreno

    15 de agosto de 2016 às 03h20

    é isso aí…

    Responder

Comentador

10 de agosto de 2016 às 21h47

Ah vá…

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Jst

10 de agosto de 2016 às 21h03

Tem mais. Eu achava que todo mundo sabia que o Serra é o preposto dos EUA no Brasil. Parece que tem gente que ainda duvida.
Para mim, depois da Dilma será [a vez do Temer, porque o que os eua querem é o Serra como primeiro ministro.

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Jst

10 de agosto de 2016 às 20h59

PQP. Alguém ainda tinha alguma dúvida disso? Os golpistas só aplicaram o golpe porque alguém lhes garantiu que teriam sucesso. Este alguém, com certeza, foi o Departamento de Estado Americano.
Os vagabundos querem o petróleo do pré-sal e os nossos segredo nucleares.
O Moro e sua corja de procuradores e delegados treinados pelo FBI está ai mesmo para destruir a petrobrás e prender o Almirante Othon por se negar a revelar os segredos para os americanos.
Lembram daquela embaixadora que estava no Paraguai quando deram o golpe no Lugo? Ela está no Brasil agora que deram o golpe na Dilma? Precisa desenhar?
O Evo Morales foi mais esperto e a expulsou da Bolívia.

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    Michel Moreno

    15 de agosto de 2016 às 03h23

    ótimo seu comentário…apenas uma correção: Liliana Ayalde – Embaixadora Americana – não está mais no Brasil…deixou o país logo após o Golpe na Câmara…

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Maria Thereza G. de Freitas

10 de agosto de 2016 às 20h33

uma coisa que eles fazem direitinho é apoiar seus tutelados. Mentores do golpe, por que não iam apoiar? Ou alguém acha que a logística, o $ e até escolha do elenco são obra do EC ou do Moro?

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Geraldoribeiro Magela

10 de agosto de 2016 às 19h35

DEPOIS QUE OBAMA PERDEU O GOLPE NA TURQUIA, VAI INVESTIR PESADO NOS GOLPES NA AMERICA LATINA(EXCETO MEXICO)

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carlos

10 de agosto de 2016 às 18h29

Pudera, ninguém parece se importar com o golpe. O pessoal tá muuuuuuuito manso…

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    Rita Lama

    11 de agosto de 2016 às 14h06

    Acho que muita gente ainda nao entende o que esta acontecendo – a midia fez lavagem cerebral nos ultimos 5 anos.

    Responder

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