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Brasília - DF, 09/06/2016. Presidente Interino Michel Temer durante posse do Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn. Foto: Beto Barata/PR

Golpistas não perdoam sequer os aposentados

Por Redação

30 de outubro de 2016 : 04h20

Governo discute cobrar INSS de aposentados, mas protege ricos de taxação

por Leonardo Sakamoto, em seu blog

Se a equipe responsável por desenhar a Reforma da Previdência confirmar que o governo federal deve propor a possibilidade de cobrança de contribuição ao INSS de todos os aposentados, teremos algumas comprovações – isso, é claro, se ainda restar um país depois dos protestos causados pela aprovação dessa medida.

Primeiro, ficará comprovado que o governo Michel Temer acha que desiguais, ricos e pobres, devem ser tratados de forma desigual. Não como deveria ser, com os trabalhadores sendo mais protegidos pelo Estado por sua condição de vulnerabilidade econômica e social. Mas com as pessoas que dependem do INSS mensalmente para sobreviver, ou seja, a camada mais pobre da sociedade, tendo que voltar a contribuir com a Previdência para ajudar nas contas do país.

Enquanto isso, o governo evita discutir a taxação de dividendos recebidos de empresas (como acontecia antigamente e como é feito em todo o mundo), a fazer uma alteração decente na tabela do Imposto de Renda (criando novas alíquotas para cobrar mais de quem ganha muito e isentando a maior parte da classe média), a regulamentar um imposto sobre grandes fortunas e aumentar a taxação de grandes heranças (seguindo o modelo norte-americano ou europeu).

Isso poderia ajudar o caixa da Previdência e serviria como política de redistribuição ao mesmo tempo, o que é sempre bem vindo em um país concentrador de riqueza como o Brasil. Mostraria também que somos uma democracia de verdade, com o chicote estalando no lombo de ricos e pobres.

Segundo, mostrará que o governo utiliza-se de malabarismos semânticos e lógicos para tentar justificar o injustificável. Segundo os estudos em curso, trazidos à tona em matéria da Folha de S.Paulo, deste sábado (29), o trabalhador que recebe bruto um salário mínimo quando está na ativa sofre o desconto do INSS. Então, pela lógica da equipe de Temer, ele deveria ser continuar sendo descontados e receber o mesmo valor quando aposentado e não o valor cheio.

Não importa que os gastos extras com saúde de uma pessoa idosa sejam maiores que de uma pessoa jovem e saudável. Não importa que a pessoa não receba mais FGTS ou tenha acesso a benefícios dos trabalhadores da ativa. O que importa é o cálculo nominal, frio e desumanizado. O valor de R$ 70,40 pode não representar nada para governantes e magistrados que discutem hoje a redução de direitos. Mas para quem recebe uma merreca de aposentadoria de R$ 880,00 pode ser a diferença em ter dignidade ou não.

Por fim, o governo Michel Temer, com esses estudos e balões de ensaio, segue mostrando que acha que o Brasil é um grande escritório com ar condicionado.

Um dos objetivos da Reforma da Previdência é manter os trabalhadores no mercado de trabalho. Usa para isso a justificativa que a expectativa de vida aumentou, a população mais jovem diminuiu e é necessário alterar as leis para garantir que aposentadorias continuem sendo pagas – o que não discordo de uma maneira geral.

Para isso, querem uma idade mínima de 65 anos para a aposentadoria. Aí reside o problema. Normalmente quem defende a imposição dessa idade somos nós, jornalistas, cientistas sociais, economistas, administradores públicos e privados, advogados, políticos. Pessoas que não costumam carregar sacos de cimento nas costas durante toda uma jornada de trabalho, cortar mais de 12 toneladas de cana de açúcar diariamente, queimar-se ao produzir carradas de carvão vegetal para abastecer siderúrgicas e limpar pastos ou colher frutas sob um sol escaldante. Afinal de contas, o que são 65 anos para nós, que trabalhamos em atividades que nos exigem muito mais intelectualmente?

Diante da incapacidade de se colocar no lugar do outro, do trabalhador e da trabalhadora que dependem de sua força física para ganhar o pão, no campo e na cidade, esquecemos que seus corpos se degradam a uma velocidade muito maior que a dos nossos. E a menos que tenham tirado a sorte grande na loteria da genética, eles tendem a ter uma vida mais curta (e sofrida) que a nossa. Aos 14 anos, muitos deles já estavam na luta e nem sempre apenas como aprendizes, como manda a lei. Às vezes, começaram no batente até antes, aos 12, dez ou menos.

O ideal seria, antes de fazer uma Reforma da Previdência Social, garantirmos a qualidade do trabalho, melhorando o salário e a formação de quem vende sua força física, proporcionando a eles e elas qualidade de vida – seja através do desenvolvimento da tecnologia, seja através da adoção de limites mais rigorosos para a exploração do trabalho. O que tende a aumentar, é claro, a produtividade.

Mas como isso está longe de acontecer, o governo deveria estar discutindo o estabelecimento de um regime diferenciado para determinadas categorias nessa reforma para proteger os trabalhadores que se esfolam fisicamente durante sua vida economicamente útil. O que não seria algo simples, claro, pois em algumas delas os profissionais são levados aos limites e aposentados não por danos físicos, mas psicológicos, chegando aos 60 sem condições de desfrutar o merecido descanso.

É claro que o Brasil precisa alterar os parâmetros de sua Previdência Social e mesmo atualizar a CLT. O país está mais velho e isso deve ser levado em consideração para os que, agora, ingresso no mercado de trabalho. Mas a reforma da Previdência que vem sendo desenhada por Michel Temer sob a benção de Henrique Meirelles ignora que há milhões de trabalhadores que começaram cedo na labuta e, exauridos de força, mal estão chegando vivos a essa idade.

Portanto, é um caso de delinquência política e social que vem sendo aplaudido por setores e grupos para os quais R$ 70,40 significa apenas o preço da caipiroska no almoço de sábado.

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9 comentários

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lara

31 de outubro de 2016 às 06h44

uma solução curta e grossa pro problema do inss fecha essa droga e quem quiser que contrate previdencia particular-hoje dia ja vale muito mais a pena pagar uma particular do que pagar essa droga do inss que esta com um enorme deficit

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    Maurilio

    31 de outubro de 2016 às 07h52

    Você caiu no conto do canto da sereia! Vá ver lá no Chile, onde fizeram isso e hoje quem pagou previdência privada recebe menos de 1 salário mínimo! Previdência privada só é bom para os bancos! Sabia que INSS não paga somente aposentadorias? Que há dezenas de outros benefícios? Procure informar-se melhor, antes de postar bobagens…

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      lara

      01 de novembro de 2016 às 05h34

      se eu estou errado me explique porque aqui no brasil vale mais a pena ficar com o dinheiro do inss em mãos e pagar a previdencia particular do pagar o inss

      Responder

lara

31 de outubro de 2016 às 06h42

a regulamentar um imposto sobre grandes fortunas e aumentar a taxação de grandes heranças (seguindo o modelo norte-americano ou europeu) ue mais voces não contra os EUA? porque então querem seguir o modelo deles?

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marco

30 de outubro de 2016 às 11h14

Somente uma observação;os pensionistas e aposentados,não fizeram grandes manifestações para derrubar o GOVERNO GOLPEADO? Tem imagens mil,na IMPRENSA,de aposentados nas passeatas de 20l3.Ou seja,tem muito aposentado,COXINHÃO.Vão receber a justa homenagem,de seus heróis.

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    cousinelizabeth

    30 de outubro de 2016 às 16h13

    E nosotros, os aposentados que participamos bravamente dos atos contra o golpe, junto aos nossos sindicatos ou individualmente? Como ficamos nós? Essa sua lógica não tem qualquer lógica.

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      marco

      30 de outubro de 2016 às 18h49

      Caoisinelizabeth.Existem dois tipos de aposentados.Os que vão pra casa,após anos de lutas e ,cansados,se aposentam.E tem outo OS SEM VERGONHA NA CARA.Me refiro,aos SEM VERGONHA,que pra eles,tanto faz.Tal DOENÇA,na~tem cura!

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Marivane

30 de outubro de 2016 às 10h13

O povo está sendo comandado por banqueiros

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Isabela

30 de outubro de 2016 às 07h12

Triste situação do nosso povo!

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