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Quero prévias: um movimento para abrir as portas da política

Por Theo Rodrigues

07 de novembro de 2016 : 07h55

Por Theo Rodrigues, colunista do Cafezinho

 

Construir coletivamente a unidade em torno de um programa democrático para as eleições de 2018. Esse é o objetivo que milhares de pessoas reunidas no movimento “Quero prévias” apresentarão publicamente nesta terça-feira, dia 8 de novembro.

A ideia é reunir partidos, movimentos, coletivos e as mais diversas organizações da sociedade civil, ao longo de 2017, num grande debate público que não apenas formule um programa, mas que também possa indicar um ou mais nomes com legitimidade social  para enfrentar as eleições presidenciais de 2018.

Afinal de contas, de nada adianta um excelente programa sem um candidato que o vocalize, ou um ótimo candidato sem um programa que o sustente.

De acordo com as próprias palavras do “Quero prévias”, “o objetivo é contribuir com a reorganização das forças comprometidas com a democracia e a garantia de direitos, e assegurar a construção de um programa de governo que dispute as eleições presidenciais de 2018 e apoie o surgimento de novas lideranças nos processos eleitorais estaduais e municipais”.

O pressuposto é o de que o programa e o candidato escolhido nessas prévias terão uma sustentação social muito maior do que se a decisão tivesse sido tomada apenas por um conjunto de burocracias partidárias.

Contudo, sua importância vai além disso. Mais do que qualificar a própria escolha dos candidatos e programas, as prévias podem aproximar a sociedade dos partidos políticos, fortalecendo-os. E não é justamente isso o que mais precisamos?

Esse movimento vem sendo estimulado por muitas figuras públicas, como a economista Laura Carvalho, a ativista do Meu Rio, Alessandra Orofino e o cientista político Marcos Nobre, dentre tantos outros.

Há ali uma clara identificação com o que vem ocorrendo na Espanha com o Podemos, por exemplo. Isso fica nítido quando observamos a fuga de rótulos como “esquerda” ou “progressista”.

Como diz Pablo Iglesias, líder do Podemos, “nossa organização não é de esquerda, nem de direita, mas sim de baixo”. Essa é a mesma lógica que move o Occupy Wall Street com sua palavra de ordem “nós somos os 99%”. O “Quero Prévias” provavelmente se sentiria bem com essa formulação.

Ademais, um bom conteúdo define melhor que muitos rótulos. Diga-se de passagem, não é pouca coisa falar em ideias-força como democracia, igualdade e direitos nos dias de hoje no Brasil. Tudo isso já exprime muito bem o lugar de fala desse movimento.

Em tempos de criminalização da política e de engessamento de formas e estruturas, um movimento que pretende abrir as portas dos partidos para a participação social já nasce vitorioso.

Que venham as prévias!

 

Theo Rodrigues é sociólogo, cientista político e coordenador do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé no Rio de Janeiro.

 

Leia abaixo o manifesto do movimento na íntegra ou clique aqui:

 

Manifesto Quero Prévias 2018

Estamos de prontidão! Em todo o Brasil, nas ruas e nos espaços virtuais, coletivos se formam, atos e marchas são convocados e milhares de ocupações constroem a resistência. Se nunca nos faltou disposição para agir, esta energia cresce e se alastra na base da sociedade. A resposta à perda de direitos e as deficiências da democracia brasileira só pode ser mais democracia, direitos e igualdade!

Queremos contribuir com a reorganização das forças comprometidas com essa agenda e assegurar a construção de um programa de governo que dispute as eleições presidenciais de 2018 e apoie o surgimento de novas lideranças nos processos eleitorais estaduais e municipais. Se as eleições não são tudo, são um momento decisivo da disputa política, o que torna as Prévias um caminho para que bases democráticas, inquietas e criativas da sociedade encontrem canais para formular e dar vazão a suas propostas.

As Prévias serão um espaço comum de diálogo no qual diversos atores sociais poderão escutar uns aos outros, apresentando análises e propostas e debatendo seus potenciais e limitações. Sem abrir mão da pluralidade de pensamentos e iniciativas, este processo pretende apoiar a busca por convergências que produzam um programa de transformação social para o Brasil.

Sabemos que não há tempo a perder e que o aprofundamento da democracia exigirá a participação franca e aberta no debate público, evitando a dispersão e buscando a maior colaboração possível. Uma agenda que amplie a igualdade, os direitos e a própria noção de democracia chegará mais forte às eleições à medida que for debatida nas Prévias: sem vetos, sem preconceitos e sem imposições.

Por mais democracia, direitos e igualdade e por um processo que dê voz às várias vozes, QUEREMOS PRÉVIAS!

Theo Rodrigues

Theo Rodrigues é sociólogo e cientista político.

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12 comentários

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Fernando Nóbrega de Andrade

06 de dezembro de 2016 às 11h39

Será?

Em um país que tem políticos no controle acionário de mídias, emissoras de tvs rádios, jornais e revistas, portais de internet, a elite e empresários que descaradamente fazem uma lavagem cerebral na população, as prévias não seriam mais um dos infindáveis recursos de manipulação de massa.

Acabamos de ver um exemplo, a eleição de Donald Trump, (nos EUA tem prévias), não quero agora ou aqui questionar ideais políticos e sim modelos de programa e estrutura política.

Neste novo mundo tecnológico, há perigos como a “pós verdade” grande responsável pelo resultado das eleições americanas.

Pelo que se constata nas redes sociais aqui não seria diferente, vai ganhar aqueles com maior poder de influência, o mais “rápido no gatilho”, aquele que contar a melhor mentira.

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Francisco Ramos da Silva

25 de novembro de 2016 às 19h15

Quero participar, temos que oxigenar a política brasileiro com boas práticas junto aos nossos irmãos desta terra maravilhosa.

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NonSek

08 de novembro de 2016 às 07h30

Eu quero é o direito de votar “NENHUM”.

Os votos nulos, ou o “nenhum”, devem ser computados como válidos. Se o “nenhum” for a maioria, novas eleições com novos candidatos. REpete o processo até aparecer alguém minimamente aceitável.

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label vargas

07 de novembro de 2016 às 17h57

Temos que ir fundo na reforma do sistema político e administrativo do estado brasileiro.TEMOS QUE ESPALHAR O PODER,DESCONCENTRAR,COM ISSO MELHORANDO A FISCALIZAÇÃO E O INTERESSE DAS PESSOAS PELA COISA PÚBLICA.
As decisões tem que acontecer com a participação popular e a melhor maneira ,é fazer com que tudo aconteça próximo das pessoas.O paralelismo com o atual governo municipal não é válido,porque hoje este carece totalmente de poder de decisão.Precisamos que os governos estaduais e os municípios tenham poder,aumentará a fiscalização e diminuirá a corrupção.Brasilia e seus 3 poderes são o CÂNCER DA NAÇÃO,enquanto continuarmos a remendar esse sistema podre nada produtivo acontecerá.
Por que eles (os políticos)não falam de reforma política ? a que eles querem fazer,seria como se Fernandinho Beira Mar fosse convidado a mudar o código penal.
Por que os pts nunca fizeram esta reforma ??? a esquerda brasileira e seu maldito “jogo de cintura”.

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Eduardo Albuquerque

07 de novembro de 2016 às 13h22

Roda roda e tudo cai em eleicao….assim não se tem fururo

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timteobatalha

07 de novembro de 2016 às 09h56

entrevista de Moro:
Ele passou a senha (confessou), que prenderá Lula cometendo erros e equivocos –> “Evidentemente, como todos, também estou sujeito a praticar erros, praticar equívocos.” <– …e nas instâncias superiores as práticas de erros e equívocos dele poderão (ou não) serem revistas !!! de preferência após 2018!!
CANALHICE DISCARADA!! A entrevista serviu para anunciar aos inimigos de Lula e do Povo Brasileiro o que em breve irá fazer!!

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    Des

    07 de novembro de 2016 às 10h27

    “Uma pergunta que o País inteiro está fazendo: o senhor vai mandar prender o ex-presidente Lula?
    Esse tipo de pergunta não é apropriado, porque a gente nunca fala de casos pendentes.
    O senhor já votou no Lula?
    É o tipo da resposta que eu não posso dar, porque acho que o mundo da Justiça e o mundo da política não devem se misturar.”

    HAHAHAH. Piadista.

    Responder

Torres

07 de novembro de 2016 às 08h47

Eu diria que isso corrobora uma reforma política que diminua o número de partidos.
Portanto, acho muito bom.

Responder

    Des

    07 de novembro de 2016 às 10h26

    Pfffffft2

    Responder

      Torres

      07 de novembro de 2016 às 10h40

      Pfff pra vc tb.

      Responder

        Des

        07 de novembro de 2016 às 10h51

        t(-__-t)

        Responder

          Torres

          07 de novembro de 2016 às 11h02

          t(-__-t)


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