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Juiz Bretas, que desafiou Gilmar, foi quem condenou o almirante Othon a 43 anos de prisão

Por Miguel do Rosário

18 de agosto de 2017 : 12h54

Nessa guerra entre golpistas, não sou a favor de ninguém.

Como todos sabem, Gilmar Mendes mandou soltar Jacob Barata.

Agora há pouco, o juiz Marcelo Bretas mandou prender de novo.

Apesar de considerar Gilmar Mendes uma das figuras mais torpes do país, eu acho que a postura de Bretas reflete a anarquia institucional que o judiciário e o ministério público criaram no país.

A grande hipocrisia do sistema de justiça é existir um Gilmar Mendes para soltar Jacob Barata e ninguém, nas altas cortes, para protestar contra a prisão bizarra do Almirante Othon Pinheiro, heroi nacional, o homem que criou o nosso reator nuclear.

Cada juiz e cada procurador pensam que são príncipes absolutistas que podem, por conta própria, “salvar” o Brasil.

Se um ministro do STF, errado ou não, solta um cidadão, um juiz de primeira instância, em nome da ordem pública, não deveria desafiá-lo.

Barata ainda não foi condenado. Tem o direito de aguardar o julgamento em liberdade. Não fará diferença nenhuma, para o processo de investigação.

Corrupção se combate com transparência e participação social, não com prisões. Sobretudo não com o abuso de prisões cautelares e delações, os dois principais instrumentos do arbítrio e do Estado de Exceção.

Além disso, o juiz Marcelo Bretas é notadamente um sub-Moro, mais um representante de um judiciário enlouquecido pelos holofotes da mídia e pela ideologia fascista do “punitivismo libertador”.

Foi ele que condenou o almirante Othon Pinheiro a 43 anos de prisão.

Essa sub-Lava Jato no Rio, contra o sistema de transportes, é conduzida com irresponsabilidade similar a que testemunhamos na operação de Sergio Moro.

Quase todas as grandes empresas de transporte de passageiros do estado do Rio tiveram suas contas bloqueadas, seus donos e executivos presos. O representante da Fetranspor também foi preso. Representantes do governo do estado na área de transporte foram presos.

É evidente que uma operação que afeta diretamente a infra-estrutura do transporte estadual tem de ser conduzida com moderação e prudência, para não prejudicar os cidadãos que usam a rede de ônibus pertencentes às empresas, nem o Estado, cuja receita fiscal depende dos impostos pagos pelas mesmas empresas, nem os milhares de funcionários que trabalham nelas.

Em primeiro lugar, a marca “Lava jato” virou uma espécie de coringa do judiciário de exceção. O que a corrupção no sistema de transporte no Rio de Janeiro tem a ver com a Lava Jato? Nada.

Pior, a Lava Jato virou uma metástase judicial, perigosíssima, porque invade todos os ramos da economia nacional, sempre com foco na infra-estrutura, provocando instabilidade, desemprego e recessão econômica.

E aí entra a mídia, com a solução: redução de salários, privatização, cortes de gastos.

A economia do Rio de Janeira precisa de investimentos em indústrias, em projetos agrícolas modernos, em obras de infra-estrutura, e não de mais prisões cautelares e operações policiais espetaculares.

 

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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