O Cafezinho

terça-feira

10

outubro 2017

6

COMENTÁRIOS

Crise econômica abre as porteiras para uma das mais concorridas eleições a governador do Rio de Janeiro

Escrito por , Postado em Eleições 2018, Política, Rio de Janeiro, Theo Rodrigues

Por Theófilo Rodrigues

Muita água ainda passará por debaixo da ponte até agosto de 2018, quando as convenções partidárias consolidarão suas chapas para as eleições de outubro. Mas, faltando apenas um ano para o pleito, praticamente todos os partidos já posicionaram seus nomes no grid de largada.

Tudo indica que o candidato do establishment político será mesmo Eduardo Paes pelo PMDB. Bem avaliado como organizador das Olimpíadas do Rio, seu partido dirige a maior parte das prefeituras do estado o que lhe garante uma azeitada máquina eleitoral.

Paradoxalmente, seu calcanhar de Aquiles é justamente seu próprio partido. Com o ex-governador Sergio Cabral na prisão e a gestão de Pezão tão mal avaliada, Paes leva consigo esse ônus, ainda que tenha conseguido se manter descolado dessas figuras na opinião pública. Outro ponto fraco pode ser a possível delação de seu marqueteiro, Renato Pereira, que recentemente chegou ao STF e que em breve será publicizada.

Candidato do establishment político, Paes reúne condições de construir uma ampla aliança com DEM, PP, PTB e SDD, talvez com o ex-prefeito Cesar Maia, como candidato ao senado. PTB e PP disputarão quem indicará a vice e a outra vaga ao senado.

No PT está cada vez mais consolidada a proposta do ex-presidente Lula de ter como candidato ao Palácio Guanabara o ex-chanceler Celso Amorim. Como o atual senador Lindberg Farias deverá concorrer como deputado federal em 2018, a vaga ao senado será ocupada pelo presidente da legenda no estado, Washington Quaquá. A tradição histórica de aliança entre os social-democratas e os comunistas indica que a outra vaga ao senado seria do vereador Leonardo Giordano, presidente do PCdoB em Niterói. Com Lindberg redirecionado para a Câmara, aumentam as chances do PT manter sua bancada de quatro deputados federais com Edson Santos, Benedita da Silva e Wadih Damous. Como em 2018 as coligações eleitorais ainda serão permitidas, Jandira Feghali deverá compor essa chapa como deputada federal para auxiliar o partido a superar a cláusula de barreira aprovada no Congresso Nacional.

Mais importante cabo eleitoral no estado, o prefeito do Rio Marcelo Crivella prometeu em 2016 que Índio da Costa do PSD seria seu candidato ao governo, tendo como companheiro de chapa ao senado Eduardo Lopes do PRB. Mas como acordos existem para serem quebrados, já há nos bastidores a sensação de que Crivella estaria pronto para abandonar Índio.

O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, consta também da lista dos mais importantes candidatos em 2018. Filiado ao PV, Neves parte de um eleitorado forte, o terceiro maior do estado. No entanto, ainda encontra dificuldades em montar uma forte chapa com outros partidos políticos. Uma possibilidade seria a aliança com a REDE, partido que anunciou recentemente a vontade do deputado Miro Teixeira de concorrer ao governo. Miro poderia ser deslocado para a vaga ao senado em chapa com Neves. Esse deslocamento de Miro para a disputa majoritária limpa o cenário para Alessandro Molon reeleger-se deputado federal. Afinal de contas, dificilmente o partido elegerá 2 deputados federais no Rio.

Na extrema-direita, a família Bolsonaro, recém filiada ao PATRIOTA, ainda é uma incógnita. O que tem sido comentado nas rodas conservadoras é a candidatura do vereador Carlos Bolsonaro ao governo e de seu irmão, Flávio Bolsonaro, ao senado. A jogada é arriscada já que poderá deixar a família sem deputados federal e estadual.

Na centro-esquerda, o PDT tem indicado que o palanque do presidenciável Ciro Gomes no estado seria formado pelo ex-ministro Brizola Neto ao governo e pela deputada estadual Martha Rocha ao senado.

Já na esquerda, o PSOL deverá lançar mais uma vez o vereador Tarcísio Motta ao governo, possivelmente com a bem votada vereadora Marielle Franco como candidata ao senado. A outra vaga ao senado deverá ser indicada pelo PCB, parceiro eleitoral do PSOL. Com o popular Marcelo Freixo como candidato a deputado federal no lugar do presidenciável Chico Alencar, o partido deverá ampliar sua bancada de 3 para 4 deputados federais com Glauber Braga, Jean Wyllys e Renato Cinco.

A eleição de 2018 também deve abrir as portas da disputa pelo executivo para personalidades que vieram de fora do mundo da política. É o caso do treinador de vôlei, Bernardinho, que se filiou ao Partido Novo e deverá concorrer a governador com o apoio do establishment financeiro da cidade.

O ex-jogador Romário, filiado ao PODEMOS, também está escalado como nome ao Palácio Guanabara. Embora seja senador há três anos, Romário é visto como uma novidade na política com forte capilaridade popular. Caso Romário venha a ser eleito, assume sua vaga como senador o suplente João Batista Lemos, presidente do PCdoB no Rio, para um mandato até 2022.

Se todos esses partidos já apontaram minimamente o que pretendem para 2018, no PSDB reina a dúvida. Ainda que seja conhecido o desejo do economista tucano Sergio Besserman, irmão do falecido humorista Bussunda, de ser candidato ao governo, há quem diga que o partido buscará uma aliança com Índio da Costa.

Novos nomes ainda entrarão na corrida eleitoral e alguns dos listados acima serão retirados. Há ainda a possibilidade de alianças que possam levar atuais pré-candidatos ao governo para a disputa menos concorrida por uma das duas vagas ao senado. Seja como for, a eleição para governador do Rio de Janeiro em 2018 será, certamente, uma das mais emocionantes dos últimos anos.

Theófilo Rodrigues é professor do Departamento de Ciência Política da UFRJ.

terça-feira

10

outubro 2017

6

COMENTÁRIOS

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

6 COMENTÁRIOS

  1. enganado
  2. João Carlos AGDM
  3. Márcio Martins
Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com